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Está dado o apito inicial para mais um Sem Falta, como sempre, com o ex-árbitro Pedro Henriques, que se junta agora a nós. Boa noite, Pedro, bem-vindo.
Muito boa noite.
Pedro, estamos de volta ao Sem Falta, segunda edição de hoje. Vamos olhar para esta partida entre a equipe do Sporting e a equipe do Tondela, uma vitória da equipe leonina, com Tiago Tomás a marcar aos 81 minutos e com alguns lances de arbitragem para analisarmos. Primeiro, vamos apresentar a equipe de arbitragem com a Nuna Almeida na liderança, assistência de André Campos, Pedro Felisberto, quarto árbitro Hugo Silva, o vídeo-árbitro Gustavo Correia, com assistência de vídeo-árbitro de Inácio Pereira. Pedro, vamos olhar para o primeiro lance, que é de pedido de pontapé de pênalti sobre Kasev, do lado do Tondela, no minuto 25. Pergunto se havia aqui ou não motivo para haver grande penalidade, logo ao minuto 25 pro Tondela.
Não, não há motivo para o pontapé de pênalti. É um lance em que a bola é metida em profundidade, o Kasev estica-se todo, quase em carrinho, em tackle, para tocar na bola, toca efetivamente na bola e ad continu, vai a deslizar. E ao deslizar, vai chocar com o Adán, o guarda-redes do Sporting, que também estava se a sair para fazer a mancha e para impedir realmente aquele lance. Portanto, decisão correta. Há choque entre os dois jogadores, mas não há aquilo que poderia ser indiciador de pênalti, uma possível falta do Adán sobre o Kasev. Portanto, bem desjuizado o lance, não há motivo para o pontapé de pênalti.
Vamos avançar então até ao próximo lance, até ao minuto 40, em que há um cartão amarelo também a Kasev, novamente o protagonista deste lance. Pergunto se foi bem mostrado este cartão amarelo.
Sim, bem mostrado. Primeiro pela infração em si. É um lance em que o Porro está mesmo sobre a linha lateral, desembaraça-se da bola, passa a bola pra um colega e o Kasev chega tarde, não para o seu movimento e acaba por ponteapear o pé do jogador do Sporting. Mas mais do que isso, não é só a infração em si, como o Kasev estava a fazer uma marcação cerrada ao Porro. Tiveram vários lances juntos de discussão de bola e já tinha feito várias faltas e, portanto, também enquadrado naquilo que é infringir com persistência as leis de jogo, isto é, pequenas faltas e sucessivas. Havia aqui dois motivos, podemos dizer assim, pela falta em si, pelas faltas sucessivas que o jogador do Tondela já tinha feito. Portanto, o cartão amarelo bem mostrado.
Vamos avançar então até o próximo lance, até o minuto 44. Um cartão amarelo a Sebastian Coates. Vamos analisar este cartão amarelo. É um amarelo importante. Coates falha, assim, o próximo jogo. É o quinto cartão amarelo neste campeonato. Vai falhar o jogo com o Vitória Sport Clube, com o Vitória de Guimarães. Foi bem mostrado este cartão amarelo ao defesa central uruguaio?
Foi bem mostrado e este cartão amarelo é duplamente importante. Primeiro, em relação ao futuro. O futuro é ser o quinto cartão amarelo, como disseste, e bem, e ficar de fora o próximo jogo, e também por causa do que vai acontecer mais à frente neste jogo. De qualquer maneira, o Coates até reclamou de, porventura, não ter feito falta, mas nós, quando analisamos este lance e quando paramos as imagens, as imagens paradas servem muitas vezes para ver se há ou não contato, e depois as questões da intensidade têm que ser em movimento normal, percebemos que é um contato com o joelho direito do Coates no pé esquerdo. Ou seja, inicialmente ficamos com a ideia que era joelho com joelho, mas aí realmente não pareceu haver contato. E depois, quando paramos as imagens, percebemos que o jogador, ao fazer aquela passada em corrida e ao levantar o pé, neste caso o pé esquerdo, o joelho direito toca e faz aquele pequeno desequilíbrio que tu às vezes olhas pra um jogador que se desequilibra e cai e não percebemos bem o porquê. É exatamente esse pequeno contato que foi suficiente para desequilibrar o jogador. Não é pela falta em si, mas é pelo que implica esta falta. Esta falta implica que o jogador, ao ser desequilibrado e ao sair num ataque rápido à saída do meio-campo, digamos que é uma falta tática e, portanto, bem mostrado o cartão amarelo.
Vamos avançar então até o próximo lance. Pedro, vamos avançar até à segunda parte, ao minuto 52, em que há cartão amarelo mostrado a Roberto Oliveira. Pergunto também se foi bem mostrado este cartão, novamente para um jogador do Tondela.
Sim, agarra de forma deliberada e ostensiva o jogador Palhinha e, portanto, um comportamento desportivo incorreto e, portanto, bem mostrado o cartão amarelo.
Avançamos até o próximo lance. Desta vez vamos até o minuto 55, com uma expulsão, Pedro, que aconteceu fora das quatro linhas. A João Pereira estava no banco, foi expulso depois de um lance com Tiago Tomás. O que pareceu daquilo que conseguimos ver? Este cartão vermelho foi bem mostrado?
Em primeiro lugar, há uma falta sobre o Tiago Tomás muito clara, pelo menos pra quem tá sentado no sofá, e o árbitro tá encoberto e é por isso que ele não consegue ver. E, certamente, se uma falta que era perigosa, era um livre direto, era fora da área, o vídeo árbitro não pode intervir, porque é um livre direto. De qualquer maneira, isso não justifica que quem quer que seja possa reclamar. A partir daí, o árbitro vai ao banco e eu deduzo, obviamente, que terá havido ali linguagem injuriosa, ofensiva ou grosseira pra ir ao ponto de ser um cartão vermelho. Portanto, não vou dizer que foi bem ou foi errado. Terei que sempre esperar pelo relatório para que o árbitro descreva aquilo que levou à expulsão do João Pereira, neste caso.
Exatamente. É sempre uma incógnita nesse tipo de lances. Vamos avançar cinco minutos, até o minuto 60. Cartão amarelo novamente para um homem do Tondela, desta vez a Ricardo Alves. Pergunto, Pedro, se foi bem mostrado também este cartão.
Sim, é uma entrada em tackle lateral no corredor direito do ataque do Sporting, que destrói uma jogada de perigo e que, portanto, não tenta nem sequer jogar a bola e, por isso, o cartão amarelo pela entrada negligente bem mostrada.
Avançamos para os dois lances que provavelmente, Pedro, serão os lances que vão gerar aqui mais polêmica nos próximos dias. Falo de dois lances em dois minutos. Vamos começar ao minuto 76, em que há pedidos de cartão amarelo, de segundo cartão amarelo para Sebastian Coates. Veria, obviamente, o cartão vermelho com esse duplo amarelo. Pergunto se ficou por expulsar Sebastian Coates com duplo amarelo.
Sim, ficou por expulsar. Era o segundo cartão amarelo. A jogada começa na área do próprio Tondela, que há um jogador que ele via a bola e coloca a bola no corredor direito à saída do meio-campo e que lançava assim um ataque perigoso ou um contra-ataque. Neste caso concreto, o Coates, e é sobre o Mário Gonçalves, o que faz é uma entrada que impede a saída em contra-ataque. A falta em si, aceito que não é negligente, ou seja, não é uma infração muito dura e, por si, essa infração não daria o cartão amarelo, mas aquilo que implica a tal falta tática, o impedir de sair em ataque rápido, uma jogada perigosa, até porque havia poucos jogadores na defensiva do Sporting, era merecedora do cartão amarelo. E aqui fica o segundo cartão amarelo. Para o jogo, era importante que o Sporting ficava com menos um e estávamos ainda com 0x0. Em termos práticos da próxima jornada, seria a mesma coisa, porque um vermelho por acumulação, o Coates não jogava. Levou só um amarelo, que é o quinto, também não joga. A diferença é que com o vermelho não jogava e mantinha os quatro cartões amarelos. Assim, levou o quinto cartão amarelo, não joga o próximo jogo e limpa a ficha.
E fica então de fora dessa partida frente ao Vitória Sport Club, o Vitória de Guimarães, em Alvalade, na próxima jornada. Vamos fechar, Pedro Henriques, com um lance também marcante do jogo, no minuto seguinte, ao minuto 77. Pergunto se ficou ou não um pontapé de pênalti por marcar para o Sporting sobre Tiago Tomás, que depois, passado cinco minutos, mais ou menos, até acabou por marcar. Mas nesse lance, ao minuto 77, havia pênalti sobre TT?
Sim, havia pênalti. É um lance, como eu costumo dizer, de televisão, mas hoje televisão significa vídeo ao árbitro. Para o árbitro é muito difícil de ver, mas eu chamo a atenção para este pormenor que vou referir, até porque o Tiago Tomás estava com esteira laranja e o jogador do Tondela, o João Pedro, está com esteira branca. A bola é metida para o João Tomás e é ele, por isso é que se vê a tal esteira laranja, que toca a bola com o pé direito. Ou seja, o João Pedro não toca na bola. E o João Pedro, ao não tocar na bola, ao ir pôr o seu pé direito, acaba por pisar de forma clara o pé do Tiago Tomás.
Já são muitos Tomás.
E o Tiago Tomás, ao ser pisado, fica impedido de jogar a bola. Resumindo e concluindo, há uma consequência naquele pisão e, portanto, o João Pedro, ao falhar claramente a bola e ao pisar o Tiago Tomás, acaba por o derrubar. É um lance de pontapé de pênalti, é um lance que para o árbitro é muito difícil de ver, mas é um lance chamado de televisão, ou seja, que nós conseguimos averiguar isto tudo com televisão. E, portanto, para mim é um erro claro e óbvio. Não é uma situação em que podemos dizer que não é erro claro e óbvio, portanto, o VAR não intervém. Para mim, sim, e devia ter intervido, e fica aqui um pontapé de pênalti por assinalar.
Pontapé de pênalti por assinalar e certamente será um lance que vai ter impacto na classificação final. Pedro Henriques, de 0 a 10, quanto é que dás a esta equipa de arbitragem? Relembro, liderada pelo árbitro Nuno Almeida.
Vou dar nota 4, exatamente por estes dois lances, porque são dois lances que têm separadamente importância e relevância no jogo. Repara que quando há o possível segundo cartão amarelo, que para mim é segundo cartão amarelo, há 0x0, e uma equipa em 0x0 ficar com menos um, tem influência naquilo que é o resto do jogo. A seguir, com 0x0, há um lance que daria um pênalti e que eventualmente concretizado poderia dar um 1x0, num jogo que ainda estava 0x0. É lógico que este segundo lance tem menos impacto, porque o Sporting acaba por ganhar o jogo, mas se não ganhasse também teria impacto. Portanto, são dois lances relevantes, importantes e que mereceriam, naturalmente, uma outra tomada de decisão, sendo que o segundo, a questão do pênalti, teria uma eventual ajuda do vídeo ao árbitro que não houve. E, portanto, neste aspecto, naquilo que é o conjunto da arbitragem, que esteve bem em todo o jogo, tem dois lances que são relevantes e importantes. E a arbitragem é mesmo isto, quando sobretudo tem dois lances relevantes e importantes, mesmo que depois as outras cento e tal decisões tenham sido boas, porque houve muitas decisões boas. Resumindo e concluindo, nota 4, nota negativa.
Nota negativa para a equipa de arbitragem hoje em Tondela, liderada por Nuno Almeida, assistência de André Campos e Pedro Filipe Gilberto, quarto árbitro Hugo Silva, vídeo-árbitro Gustavo Correia, com assistência de vídeo-árbitro de Inácio Pereira. Nota 4, nota negativa dá o Pedro Henriques, que vai voltar amanhã, Pedro, para a partida do Futebol Clube do Porto. Marcamos novamente presença aqui à noite na Rádio Observador. Obrigado, até amanhã.
Obrigado, até amanhã.