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Seja muito bem-vindo ao "Sem Falta", programa do Pedro Henriques, que analisa a arbitragem nestas emissões especiais do Desporto da Rádio Observador. Vamos olhar para o trabalho de Alder Malheiro. Esteve a liderar a equipa de arbitragem no Estádio do Dragão, uma partida que deu vitória dos azuis e brancos, 3x0 frente ao Sintrense. Seguem assim em frente nesta Taça de Portugal. Muito boa noite, Pedro.
Boa noite uma vez mais, vamos embora.
Vamos começar com um gol anulado ao Futebol Clube do Porto. Foi logo no início da partida, ao minuto oito.
Sim, e aqui volto a insistir naquilo que já falei também em relação ao jogo do Sporting, que é sem VAR e, portanto, maior incidência e escrutínio para os árbitros assistentes naquilo que serão as validações ou as invalidações de gols e de lances próximos da área ao nível fora de jogo, porque não havia aqui qualquer hipótese de reverter. E relembrar que, ao contrário do que acontece nos jogos em que há VAR, os assistentes, nos jogos em que há VAR, situações de possível finalização, têm que deixar a jogada ir até o fim e só depois da jogada concluída é que levantam a bandeirola para dizer que houve ou não fora de jogo. Aqui voltam ao processo e à moda antiga, no sentido, quando não havia VAR, em que a partir do momento que consideram que há fora de jogo, tem que levantar de imediato a bandeirola para assinalar, para que o árbitro possa o mais rapidamente possível interromper a jogada. Neste caso concreto, ao minuto oito, fora de jogo, gol bem anulado aos dragões. Lá está a tal infração à lei do fora de jogo, pois no momento do passe do Pepê, do Dominique Pepê, quando passa a bola para o Borges, ele está adiantado em relação àquele que é o penúltimo adversário, que não é o jogador que está a fazer a marcação, é um jogador mais na zona central, fora, mas no coração da área. E, portanto, bem o assistente a levantar a bandeirola e a anular aquilo que foi o gol do Futebol Clube do Porto.
Seguimos para o minuto 13. Há uma falta que deu amarelo a Pipas Felipe?
Não, não deu amarelo. Faltou exatamente fazer isso. É talvez a única falha e participação, digo já, do árbitro, porque mesmo dando a lei da vantagem, e deu, porque depois há um cruzamento para a área, depois até o Samu cai, que é o lance que vamos já falar a seguir. Portanto, o árbitro, percebendo que a jogada era próxima da área, fez bem em dar a lei da vantagem, porque no fundo houve ali uma situação de possível finalização, com o cruzamento para a área. A questão é que o jogo depois demorou a bola sair, a bola não saiu, demorou mais um minuto e tal, mas na primeira interrupção do jogo tinha que mostrar o cartão amarelo, porque com as repetições é muito fácil de verificar que é uma entrada muito dura, negligente, de Pipas Felipe sobre o jogador do Futebol Clube do Porto, neste caso, Alan Varela. Portanto, é uma entrada em take deslizante de sola, varre completamente o jogador do Futebol Clube do Porto e ficou aqui esta pecha de não ter mostrado o cartão amarelo na interrupção de jogo.
Faltou esse amarelo a Pipas Felipe ao minuto 13 e logo depois, ao minuto 14, dizes então que não há pênalti sobre Samu.
Sim, é na sequência desse lance.
Ele queixa-se de um agarrão, é esse, não é?
Exatamente. Eu, com as repetições, dou como boa a decisão, é que o Romário Carvalho, no momento do cruzamento, realmente eles estão ali lado a lado, mas sinceramente não vejo nem carga, nem empurrão, nem agarrão, que é disso que ele se queixa. E se eventualmente houve agarrão, porque também só deu praticamente uma repetição, é tão ligeiro e tão inconsequente que acho que nada tem a ver com aquela que é a possível queda do jogador. De qualquer maneira, com a única repetição, não vejo essa infração e por isso dou como boa a decisão de não ter sido marcado pontapé de pênalti.
Vamos ao minuto 23. Ainda na primeira parte saiu um amarelo para Rodrigo Luís.
Pois, este é lance estranho, porque há alguns sites em que aparece amarelo, outros que não aparece, mas na televisão deu como amarelo. É uma entrada duríssima, muito dura mesmo, do Rodrigo Luís, ele na camisola tem escrito Rodri. É uma entrada fora a tempo, de sola, acaba por pisar o Stéfano Isaque à saída do meio-campo do Futebol Clube do Porto. O árbitro muito bem dá a lei da vantagem e depois, supostamente, na primeira interrupção do jogo, mostrou o respectivo amarelo, porque em nenhuma imagem se vê o árbitro a mostrar o cartão amarelo. Mas vê-se, quando numa interrupção em que a bola é canto, aliás, é num pontapé de canto a favor do Porto, que em dado momento aparece, não em rodapé, mas na parte superior até, a dizer que o Rodri, o Rodrigo Luís, tinha visto cartão amarelo. E até deram a repetição da falta. Nós não vimos nunca o árbitro a mostrar, como disse, alguns sites que aparece amarelo, outros não. Eu assentei e depois, vendo a repetição, não há dúvidas que é uma entrada para cartão amarelo. Se mostrou, muito bem, se não mostrou, então errou. Mas fico com a ideia que se puseram na televisão o cartão amarelo é porque o operador viu esse cartão amarelo ser mostrado.
Ao minuto 41 há também um amarelo para Lacerda.
Sim, esta é uma chamada falta tática. O Tomás Lacerda vai atrás do Borges, que ele vai em velocidade e fez vários metros a ser importunado, agarrado e depois até ali um gesto quase de cotovelada, em que o Tomás Lacerda acaba por ser bem infiel porque agarra e puxa o Borges com o único propósito de destruir e parar a jogada e aquele momento de velocidade na direção da área do Sintrense. Portanto, é chamada falta tática, cartão amarelo bem mostrado.
E ao minuto 68 não há pênalti sobre Rodrigo Mora.
Sim, este é um lance que se fosse no Benfica-Sporting, tínhamos aqui 50 mil, ou num Porto-Benfica, ou coisa do gênero. É daquelas situações em que realmente quando dá o cruzamento para a área, o Martim Cruz tem um ligeiro contato com as mãos nas costas do Rodrigo Mora. Ele praticamente não se queixa de nada. E quando está no ar, sabemos que estes contatos às vezes podem ser o suficiente para desviar um jogador da trajetória da bola. Mas eu, e dando conta até daquilo que o próprio diretor técnico nacional tem passado como mensagem e o próprio Conselho de Arbitragem, que tudo que é agarrões, contatos nas costas, os chamados agarrões e vamos chamar empurrar, não no sentido literal da palavra de empurrar, é mãos nas costas. E que querem que realmente tenha uma grande consequência, ou seja, que o jogador fique completamente impossibilitado de jogar a bola, não consiga chegar à bola ou perca a bola se for com ela. E portanto, esta é daquelas situações que eu diria em que o contato é ligeiro, inconsequente e sem a tal intensidade suficiente para que eu possa validar como possível infração. E por isso dou como boa a decisão de não ter sido assinalado o castigo máximo, neste caso a favor do Futebol Clube do Porto.
O 2x0 do Futebol Clube do Porto é por Deniz Gül, uma boa antecipação do avançado turco. Tudo legal neste gol ao minuto 70?
Relembrar que o Alan Varela remata, o guarda-redes sintrense Rodrigo Santos defende e a bola depois sobe para a frente e o Dénis Goulart aparece.
Pedro, estava aqui com algumas interrupções na tua ligação. Vamos ver se conseguimos restabelecer a ligação com o Pedro Henriques, que está aqui com alguns cortes. Pedro, já vamos tentar regressar ao teu contacto só para a análise deste último golo, deste último lance ao minuto 70 com Dénis Goulart. Pedro, estás conosco já? Pedia-te para retomar esse raciocínio do golo do Dénis Goulart. Peço desculpa.
Sim, só para dizer que não há fora de jogo, porque o que conta nestas situações é o momento do remate do Alan Varela, que depois o guarda-redes Rodrigo Santos vai defender e depois sobra para o Dénis Goulart, que vai fazer a recarga. E o que conta nestas circunstâncias é tentar perceber a posição de Dénis Goulart, neste caso, no momento do remate de Alan Varela, se está em fora de jogo ou não. E neste caso concreto não está. Quando o Alan Varela remata, o Dénis Goulart tem mais de dois adversários entre ele e a linha de baliza adversária e está em posição legal e por isso golo legal do Foco do Porto.
E foi esse golo 2 x 0 do Porto, acabou por marcar ainda um outro, 3 x 0 frente ao Sintrense. Vamos à nota que atribuis a Helder Malheiro, que esteve a liderar a equipa de arbitragem.
Também vou dar nota 7. O jogo é fácil, sim, mas também é uma arbitragem competente. Tem aquela sanção que não tem grande impacto no jogo, com dois cartões amarelos. O facto de não ter mostrado um cartão amarelo não tem grande impacto. Ainda por cima, não é uma situação de um jogador que teria feito outra falta para eventualmente ser expulso por acumulação. Não é o caso. É um pormenor sem grande importância. A arbitragem foi competente, os assistentes também tiveram bem uma vez mais, relembro, sem vídeo ao árbitro e determinadas jogadas aqui que foram relevantes e importantes para validar e para anular gols. E por isso acaba por ser uma arbitragem também competente, capaz, assente num jogo que é fácil, mas que o árbitro também soube aproveitar. Nota 7.
Muito bem, Pedro Henriques, está feito mais um "Sem Falta". Um abraço, bom fim de semana.
Bom fim de semana, obrigado.