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Prometemos e cumprimos. Estamos de regresso a este Sem Falta, desta vez para a análise deste Futebol Clube do Porto-Benfica, com a estreia do árbitro Miguel Nogueira. Pedro, já lá vamos à avaliação completa do árbitro, mas primeiro começamos logo ao minuto um, porque faltou um cartão amarelo para Pavlídis.
Sim, a gente diz que é o minuto um, porque tudo o que acontece no minuto um é contabilizado nesse minuto como minuto um. Mas neste caso não foi ao minuto, foi aos sete segundos. E é uma daquelas situações que não dá para gerir. Ou seja, mesmo sendo tão cedo, não dá para gerir, porque o Pavlídis, de forma deliberada e intencional, roda o braço e com o cotovelo esquerdo acerta em cheio no pescoço do Gabri Veiga. É uma entrada dura, negligente, que era para ser marcada como livre direto e cartão amarelo, porque realmente esta entrada do cotovelo logo a iniciar o jogo, ao pescoço do adversário, é punido com cartão amarelo. Não é vermelho, não há nenhuma agressão, não há nenhuma conduta violenta, mas é sobretudo a forma negligente, displicente, como ele utiliza aquele seu braço, não tendo em conta o perigo e as consequências do seu ato para o adversário. E aqui começa por faltar um cartão amarelo, neste caso, ao Pavlídis.
E se ao segundo sete faltou amarelo para Pavlídis, ao minuto 12 também faltou amarelo para Alan Varela.
Agora os protagonistas é o Alan Varela com o Pavlídis. O Alan Varela não salta e o Pavlídis está a saltar ao seu lado e o Alan Varela, por baixo, com o Pavlídis já no ar, acerta também de forma deliberada com o seu cotovelo esquerdo na barriga do avançado grego. É intencional e negligente esta ação, devia também ter sido sancionada disciplinarmente. Portanto, é uma cotovelada, não sendo de agressão, é parecido com aquilo que o Pavlídis fez inicialmente aos sete segundos, que é a utilização do braço. Não tem em conta o perigo, as consequências do seu ato e sabe que está ali o adversário e vai mesmo lá dar com o cotovelo para dar, desculpem a expressão, aquele cheirinho, só que isto é punido, além do livre direto, sempre com cartão amarelo.
Vamos a lances na área, desta vez na área do Benfica, até porque ao minuto 24 não há pênalti de Amar Dedic.
Dois momentos de análise. O Amar Dedic pontapeia a bola e a bola vai bater no Francisco Moura e ressalta para a cara de Dedic. Sob o ponto de vista de braço, não há, e portanto, não há pênalti. O que está aqui em questão? É que também o Amar Dedic, que pontapeia a bola, não para o movimento e acerta com o pé direito no tornozelo esquerdo do Francisco Moura. Há infração, só que o sítio do contacto é fora da área, por um bocadinho de nada. Senão teríamos a falar mesmo de um pontapé de pênalti. Naquilo que é o essencial, de não ter jogado a bola com a mão e de não ter feito infração do pé no pé do adversário dentro da área, está tudo certo, não é pênalti. Isto é um bocadinho difícil de explicar, ficou aqui como um livre direto por assinalar, ou seja, acertou, não sendo pênalti, errou porque houve infração e era fora da área. E é por ser fora da área que o vídeo-árbitro não pode intervir neste lance para dizer: "Olha, não é pênalti, mas é livre direto". Isto ele não pode fazer. E esta questão de ser dentro ou fora é aquilo que é fácil para o vídeo-árbitro ver, porque é só parar as imagens, como nós fazemos em termos televisivos, e verificar o local de contacto. Não há pênalti, certo, mas ficou um livre direto por assinalar a favor, neste caso, do Futebol do Porto.
Fica então esse lembrete sobre novamente os protocolos da videoarbitragem em Portugal, dessas análises dos lances fora ou dentro da área. Ao minuto 43, também na área do Benfica, não há pênalti sobre Gabri Veiga.
Sim, é um lance com o Enzo Barrenechea, em que o Enzo abre a sua perna direita quando o Gabri vai a passar e ficou-se com a ideia que poderia eventualmente ao fazer essa abertura da perna direita, ter rasteirado. Há um contacto, mas até é mais provocado pelo próprio Gabri Veiga, que ao passar acaba por, querendo passar com a perna já esticada, acaba por promover também o choque/contacto, mas ele não foi rasteirado e portanto é uma boa decisão, não há motivo para pontapé de pênalti, neste caso, que seria a favor dos Dragões. Também o Enzo Barrenechea, aliás, o Gabri Veiga praticamente não se queixou. Não é por se queixar ou não se queixar que é falta, obviamente, mas de qualquer maneira ele também teve essa percepção de não ter sofrido a tal rasteira.
No último minuto da primeira parte, amarelo para Ricardo Rios.
Sim, e bem, porque aqui sobre o Gabri Veiga, ele levanta demasiado o seu pé direito e digamos que dá com o pé ao nível do ombro do Gabri Veiga. O Gabri Veiga também baixa ligeiramente a cabeça, mas quem faz o chamado jogo perigoso ativo, de levantar o pé, é o Gabri Veiga. Aqui, pôs-se em jeito e arrisco, porque se de repente acertas de sola com os pitões na cabeça do adversário e com as indicações que foram dadas, teríamos cartão vermelho. Não foi o caso, é com o peito do pé, portanto não há sola, não há pitões e é ao nível do ombro. Digamos que não é propriamente a situação da cabeça e perante esta circunstância, livre direto e cartão amarelo, que foi no fundo a decisão correta que foi tomada.
E terminamos também a primeira parte com amarelo e começamos a segunda parte com amarelo, mas desta vez para um homem do Futebol Clube do Porto, amarelo ao minuto 48 para Bentancur.
Sim, é uma entrada de perna direita que toca e rasteira a perna esquerda do Lukebakio, quando ele já está próximo da área e cortou desta forma também um lance já de perigo, uma entrada promissora. Ou seja, por um lado, a negligência na falta, por outro lado, o corta-ataque produtor. Cartão amarelo bem mostrado ao Bentancur.
Minuto 62, também amarelo para um homem do Porto, amarelo para Pepê.
Sim, é uma situação em que o Pepê chega fora de tempo e com o calcanhar, mas também de sola e de pitões, mas com a parte do seu calcanhar, acaba por pisar o pé direito do Samuel Dalot, junto à linha lateral. Portanto, correta a decisão disciplinar de cartão amarelo.
Podia haver um segundo amarelo para o central Bednarek, mas ao minuto 70 não há razões para isso.
Não há. Para mim, só o livre direto, como foi assinalado e como Bednarek já tinha cartão amarelo. Puxado este lance para aqui, ele salta. É aquela situação típica em que a bola é metida para o Pavlídis, está a sair do seu meio-campo, está de costas para o Pavlídis adversário e de frente para a área do Benfica, e o Bednarek ao tentar naturalmente saltar nas suas costas para tirar a bola, acaba por pôr o seu braço esquerdo por cima do ombro direito do Vangelis Pavlídis. E faz falta, porque realmente coloca o seu braço sobre o ombro, calcando o seu adversário. Mas maioritariamente o seu braço está sobre o ombro. Há um ligeiro toque no pescoço, mas sem praticamente qualquer intensidade e tem a ver com este salto. Não há aquela situação de abrir o braço, cotovelada, que normalmente falamos aqui. Tudo certo. Em termos disciplinares, livre direto, apenas sem cartão amarelo, que seria o segundo. Tudo correto.
Três minutos depois, minuto 73, há um lance na área do Futebol Clube do Porto, mas não há razão para penalty depois de um lance que envolve o central Otabek Shukurov.
Exatamente. Otabek Shukurov, há um cruzamento de bola para a área, há jogadores que saltam e desviam a bola. A bola por si só já vem de perto e de um ressalto e vai bater no seu braço direito, mas o seu braço direito que está dobrado, junto e encostado ao corpo. Não há qualquer volumetria e, portanto, boa decisão. Não há motivo para castigo máximo, neste caso, para pontapé de penalty.
Alan Varela não levou amarelo ao minuto 12, mas levou essa cartolina amarela ao minuto 77.
Sobre Sudakov, na transição, quando Sudakov vai com bola e a fazer a transição do seu próprio meio-campo do Benfica para o do Futebol Clube do Porto, o Alan Varela, que vem por trás, acaba por com o seu braço esquerdo puxar a camisola de Sudakov e este cartão amarelo insere-se. Por si só, o puxar e o agarrar, nesta circunstância, já é falta e para cartão amarelo, mas sobretudo ainda falta tática. Objetivo parar a jogada, destruir a jogada, cartão amarelo bem mostrado.
Três minutos depois, minuto 80, amarelo para Páblo Rosário.
Ambas as mãos agarra e puxa o Ricardo Rios quando ele está também a tentar sair em contra-ataque, fora já da área do Benfica, mas a sair em contra-ataque, ele acaba por envolver com ambas as mãos e destrói também a jogada. Também é um abraçar, agarrar e ao mesmo tempo falta tática, tudo certo, cartão amarelo.
Minuto 88, não há penalty sobre Dennis Ghou.
Talvez o lance mais polémico do jogo na perspectiva de poder aqui dividir opiniões. Para mim, realmente o António Silva tem as mãos por trás e nas costas do Ghou. O que por si só é sempre arriscado e perigoso, mas depois o Ghou, e quando digo depois é em simultâneo, também tem o seu braço para trás e nomeadamente a sua mão direita ou o seu braço direito também a controlar o braço direito do António Silva. Portanto, nós temos logo à partida deste lance, aquilo que é dois jogadores a envolverem-se usando os braços. O António Silva nas costas do Ghou, o Ghou pela frente com o braço direito para trás, que também está a agarrar e a controlar o seu adversário. Depois, digamos que aquilo que fica mais na parte final do lance é que o Ghou liberta-se, já está em desequilíbrio e vê-se ainda a mão esquerda do António Silva na camisola. E é aqui que as pessoas podem dizer: "Não, mas tem a mão esquerda, está a puxá-lo e a agarrá-lo". Não, ele já está desequilibrado e a consequência da queda não tem a ver com aquela mão esquerda que ficou. Até porque tudo parte de infração mútua de ambos os jogadores, de braços com braços. E portanto, para mim, aquela mão esquerda na parte final não é suficiente para se dizer que é por isso que o jogador caiu e se desequilibrou. Aliás, a reação do jogador, do Ghou também é muito clara. Repito, não é porque um jogador reage que há falta ou não há falta, ou há ou não há, mas a reação do jogador também diz muito daquilo que é ele sentir que não sofreu qualquer infração e que há um jogador que tem a mão nas costas, porque está a controlar a sua posição, da mesma maneira que ele na frente tem o braço para trás para controlar a posição do seu adversário. Sendo um lance discutível, obviamente que é, para mim, sem falta, sem penalty e bem decidido.
E o clássico na cidade invicta termina ao minuto 96, mas com vários cartões amarelos para Dedic, Francisco Moura e também Borja Sáenz.
Todos envolvidos junto à linha lateral, perto já da linha de baliza. É aquela situação, encosta à cabeça, empurra o Restu e o árbitro resolveu advertir aqueles que mais se evidenciaram, que foi claramente o Francisco Moura, o Borja Sáenz e também o Dedic. São os três que se envolvem ali mais uns com os outros e o árbitro deu o cartão amarelo a estes três jogadores, porque também sentiu que estes seriam os jogadores que mais se evidenciaram. E nestes casos, mais do que estar à procura se houve mais alguém que se evidenciou ou se houve um jogador que não se evidenciou tanto, é aceitar como boa decisão. Estamos no jogo, está a acabar e o árbitro precisa de segurar o jogo e foi isso que ele sentiu. E por isso eu vou dar como boa decisão destes três cartões amarelos.
E o árbitro segurou o jogo, um jogo que marcou a estreia de Miguel Nogueira em clássicos, um árbitro de apenas 31 anos da Associação de Futebol de Lisboa. Pedro, qual é a tua nota para Miguel Nogueira?
Eu vou dar nota 6, nota positiva, porque não obstante ter havido aqui falhas.
Pedro, peço para repetires, perdemos aqui. Sim.
Ok. Eu estava a dizer que vou dar nota 6, porque não obstante ter havido falhas disciplinares, porque as houve, aliás, destacamos logo no minuto um e no minuto 12, aquilo que é o mais importante para mim são as situações de área. E no lance crucial e principal, que é o minuto 88, onde a equipa do Futebol Clube do Porto fica a pedir, sobretudo depois à posteriori, numa das conferências de imprensa, que terá havido ali um agarrar e um puxar e portanto seria penalty, embora não tenham feito assim um protesto muito vivamente, mas para mim essa é a decisão mais relevante e importante. Ou seja, eu diria que nas áreas esteve tudo bem, esteve tudo certo. Na disciplina, nem por isso. Mas num clássico e num jogo desta natureza, de grau de dificuldade elevado, o importante, no meu ponto de vista, é aquelas decisões mais impactantes, como são os vermelhos, que neste caso não houve, e bem, e sobretudo os lances de área, em que estivemos aqui a analisar alguns, com algumas quedas, com algumas situações, e o árbitro nesse aspeto acertou, porque não houve motivo para o pontapé de penalty e foi esse o entendimento do árbitro, foi esse o entendimento do VAR e esse também o meu entendimento. Nota 6, nas áreas tudo certo, na disciplina nem por isso, mas acaba por ser uma arbitragem positiva.
Uma estreia positiva de Miguel Nogueira ao leme de um clássico, nota 6 dada pelo nosso áudio árbitro Pedro Henriques. Pedro, mais uma vez, muito boa noite.
Obrigado.
E até à próxima.
Até amanhã.