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Dia oito do Mundial, ou o oitavo dia, melhor dizendo, para desfazermos dúvidas com o Pedro Henriques, o nosso especialista em arbitragem, o nosso álio-árbitro. Pedro, boa noite.

Boa noite.

Vamos olhar para as dúvidas que podem ter ficado neste oitavo dia do Campeonato do Mundo. Houve um lance no Bélgica-Marrocos, muito perto do intervalo, numa altura em que estava 0 x 0. Sabemos que Marrocos acabou por vencer, de forma surpreendente, os belgas por 2 x 0, mas muito perto do intervalo, o árbitro vai ao VAR, depois de Marrocos ter introduzido uma bola na baliza dos belgas.

Fazemos sempre este exercício. Lógico, explicamos o lance, mas mais do que explicar o lance, é tentar fazer com que as pessoas percebam, uma vez que estamos num referencial diferente, que é o mundial, não estamos a falar de jogos que nos digam diretamente respeito na perspectiva do penal de fora de jogo, para fazer alguma pedagogia. E para tentar explicar, até porque me surgiram muitas dúvidas e questões que me foram colocando também através das redes sociais, por que é que o árbitro, no fora de jogo, neste caso concreto, foi ao monitor ver. Ponto de partida: é um pontapé livre descaído do lado direito a favor da equipe de Marrocos. No momento em que o pontapé livre é executado ou batido, o Romain Saïss, jogador número seis da equipe marroquina, está adiantado em relação ao último adversário, portanto, diz-se que está em fora de jogo posição, porque só passa a ação quando de alguma maneira toma parte ativa no jogo. E depois da bola ser batida, o Romain Saïss faz à bola, tenta jogar a bola, depois percebemos pela repetição que ele não toca na bola, e mesmo assim a bola entra na baliza, porque é um pontapé livre que acaba por ser direto à baliza. E aqui a questão que se coloca é: não tocando na bola, ele toma ou não toma parte ativa na tentativa de jogar. A Lei 11 é do fora de jogo, e sobretudo da página 94, que uma das situações em que se considera que um jogador acaba por ter, eu gosto muito da palavra interferir, ou neste caso concreto, gosto muito da palavra de ter uma ação que não sendo direta, acaba por ter impacto na ação do adversário. E é esta a questão que é tratada quando ele diz que um jogador, estando em fora de jogo, mesmo não tocando na bola, desde que tente claramente jogar a bola que se encontra perto, foi o caso, ela raspou-lhe quase ali na cabeça, e desde que esta ação de tentar jogar a bola quando ela está perto, tiver impacto em um adversário, é fora de jogo, e aqui o adversário é o Courtois. A distância é muito curta, de alguma maneira podemos dizer que aquela tentativa de cabeceamento ilude o Courtois naquilo que podia ter sido uma defesa do livre direto, e é por isso que tem impacto. O primeiro aspecto, este gol tinha que ser anulado, e bem. O vídeo-árbitro também considerou que o gol tem que ser anulado exatamente por isto que estou aqui a explicar. Só que se o jogador Saïss tem tocado na bola, era uma questão factual. Estava em fora de jogo, tocou na bola.

Não há mais conversa.

Tomou parte ativa, não há mais conversa. Como tem que ser sempre feita a interpretação, se realmente isto tem ou não tem impacto, embora o vídeo-árbitro ache que sim, tal como eu, e se calhar a maior parte das pessoas que estava a ver o lance, é nestas situações que o árbitro é chamado ao monitor e naquele momento em que o árbitro vai do ponto em que se encontra até o monitor, já o vídeo-árbitro está a explicar tudo. "Olha, vou te dar um lance em que o jogador, normalmente não falam o nome dos jogadores, mas o jogador número seis estava em fora de jogo, tentou jogar a bola, não tocou na bola, como te vou mostrar. Aqui a questão é, para mim, tem impacto realmente na ação do guarda-redes, tu agora vais decidir se tem ou não tem". E o árbitro quando chega lá, já tem a papinha feita, no bom sentido da palavra, no sentido de perceber o que é que o espera, para não estar a perder tempo a desfocar-se em outros aspectos. E depois ele confirmou, efetivamente, aquilo que nós estamos a dizer, que realmente o jogador estava em fora de jogo de posição, tomou parte ativa, mesmo não tocando, tentou jogar a bola, e por isso, muito bem. E concluo, este lance mais para fazer pedagogia, o gol foi anulado. E conclui para dizer que hoje foi um dia que tivemos várias situações, ainda agora no jogo da Alemanha com a Espanha, tivemos também situações de questões de fora de jogo, e também uma vez mais a tecnologia a auxiliar. E não há dúvidas que esta tecnologia não é nova, mas esta tridimensional e com este rigor semiautomático, em que quem coloca o momento do passe é através do sensor que está na bola e a partir do momento que o jogador que faz o passe toca na bola, esse sensor dispara esse momento e já não há o vídeo-árbitro a perceber qual é o momento do passe. Tudo isto, que é tecnológico, vai reduzir em muito aquilo que seria imenso ruído em torno de determinados lances que podiam ter afetação. E nós percebemos quanta importância estes jogos têm, quanta importância têm os resultados destes jogos e aquilo que muitas vezes acontece na nossa sociedade, para o bem ou para o mal, que chamamos de evolução. Ainda agora tivemos essas notícias que na Bélgica houve intensos confrontos entre pessoas afetos a Marrocos e afetos à Bélgica, por causa deste resultado. Aqui percebemos a importância que tem a tomada de decisão cada vez ser mais correta e os jogos não dependerem de eventuais erros humanos da perspectiva da arbitragem. Por isso é que eu sou completamente a favor das tecnologias, todas aquelas que puderem auxiliar na tomada de decisão. E não há dúvidas, ainda não precisamos da tecnologia da linha de gol, que também lá está. Temos esta do vídeo-árbitro que tem vindo a ser um auxílio muito importante e o futebol está a caminhar, no meu entender, de forma muito positiva com estas introduções destas tecnologias. E por hoje era basicamente isto, dar esta nota altíssima ao vídeo-árbitro sob o ponto de vista da tecnologia tridimensional e da utilização destas tecnologias para auxiliar na tomada de decisão.

A evolução resulta e aplica-se ao oitavo dia de mundial. Pedro Henriques, em mais um "Sem Falta", edição Campeonato do Mundo. Amanhã, Pedro, voltamos a desfazer dúvidas que tenham ficado no nono dia e amanhã temos Portugal.

É verdade, temos Portugal amanhã.

Até amanhã.

Um abraço e até amanhã. Obrigado.