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Sem falta, na Rádio Observador, vamos analisar o trabalho da equipa de arbitragem do Sporting-Benfica. O encontro ficou empatado a duas bolas, adia a decisão do título e deixa o Sporting sem Liga dos Campeões. Conosco temos Pedro Henriques. Pedro, boa noite.
Boa noite.
Começamos no minuto 39, com um gol dos Leões. Pedro, o que dizer?
Gol legal, só para reforçar que realmente quando o Nuno Santos faz a assistência para o Trincão, no primeiro momento, o Trincão tem dois adversários entre ele e a linha de baliza adversária, portanto, em posição legal, não houve qualquer infração fora do jogo, gol legal do Sporting.
Logo a seguir, minuto 40, temos um cartão amarelo mostrado a António Silva.
Sim, é uma situação em que o jogador do Benfica, António Silva, faz uma obstrução e corta uma saída em contra-ataque por parte de Trincão e o árbitro vem a punir aqui com cartão amarelo.
Logo a seguir, minuto 44, Sporting marca o segundo. Pedro, foi um gol legal?
Sim, gol legal. A questão aqui era se Diomande teria feito ou não falta nas costas de Grimaldo, mas depois com a repetição percebemos que Diomande salta sem se apoiar no jogador do Benfica, cabeceia tranquilamente e é só no seu momento descendente, até mais para se apoiar no momento que já está em queda e em desequilíbrio, que acaba por tocar com as mãos nas costas de Grimaldo, mas é, como estava a dizer, no momento descendente, portanto nunca subiu apoiado, nunca empurrou, nunca tirou Grimaldo da jogada e por isso o gol, neste caso, o segundo do Sporting, o gol do Diomande, gol perfeitamente legal.
Seguimos para o minuto 45 e eu pergunto se havia mão de Morita na área leonina.
Foi pedido pontapé de penalti por parte dos jogadores do Benfica, mas depois com a repetição, embora num plano um bocadinho de longe, mas dá para perceber que as mãos estão afastadas e que a bola é interceptada pela coxa do Morito e no momento em que vem da coxa e sobe, acaba por resvalar ou ressaltar na cara do Morita, portanto nunca tocou nas mãos e portanto a partir daí, sem motivo para pontapé de penalti.
Minuto 48, amarelo mostrado a Diomande.
Aqui, com algumas parecenças com o cartão amarelo que foi dado a António Silva, foi no ataque do corredor esquerdo do Benfica, já com algum perigo, e foi sobre Gonçalo Ramos, mas também a entrada com obstrução e também ao mesmo tempo com o pé a entrar naquilo que nós dizemos vulgarmente com negligência, não tem em conta o perigo e as consequências do seu ato para o adversário, e por tudo isto e pela coerência do cartão, em conformidade com os outros, cartão amarelo bem mostrado.
Avançamos para o minuto 52. Pergunto se devia ter sido assinalado um penalti de Nuno Santos sobre Bah.
Começo por dizer que não, mas de qualquer maneira, Nuno Santos e qualquer defensor nestas circunstâncias põe-se sempre a jeito, porque realmente há um toque, embora ligeiro, com a mão esquerda nas costas de Bah. Trata-se sempre de verificar aqui a questão da intensidade, muitas vezes se tem uma consequência, ou seja, se o jogador fica impossibilitado de jogar a bola ou se cai em virtude disso, mas com a repetição nós percebemos duas coisas. Primeiro, que o contacto ou toque existe, mas é muito ligeiro, nem sequer empurra o Bah, e que o Bah, claramente, ao sentir esse contacto, se projeta, quase que apoiando os dois pés e fazendo com os dois pés um apoio para saltar para a frente. E, portanto, nem sequer a queda foi normal nem natural para aquilo que podia ser um empurrão e um respetivo desequilíbrio. Portanto, no meu entender, não há motivo para pontapé de penalti. É lógico que o Nuno Santos se põe a jeito, mas aquele toque de mão esquerda nas costas, insuficiente para ter qualquer consequência, sem intensidade e, portanto, lance legal, sem motivo para pontapé de penalti.
Ao minuto 71, os encarnados reduzem a desvantagem. Gol legal do Benfica?
Sim, gol legal do Benfica. Aqui a questão é que Diomande ficou no chão e os jogadores do Sporting pediram uma eventual falta de Orsolini sobre Diomande. Com a repetição também percebemos que não houve infração. De resto, até o próprio Esgaio, que acaba por dar um chega para lá, um toque, um contacto no Orsolini, no meu ponto de vista também sem falta, desequilibra o Orsolini e depois deste desequilíbrio, tanto o Orsolini como o Esgaio é que vão provocar o contacto com o Diomande, levando a que o Diomande fique no chão. Mas, portanto, não há falta neste caso atacante Orsolini. O Orsolini é que sofre esse contacto e por isso tudo o que segue é legal, gol legal do Benfica.
Minuto 80, amarelo a Chiquinho.
Sim, o Chiquinho tinha feito inicialmente uma falta sobre o Morita, já um bocadinho no limite, e passado uns dois minutos, faz uma falta, esta mais dura, vai ao pé do Ugarte e é aqui que o árbitro, pela entrada, e até faz o gesto das duas faltas praticamente seguidas, que acaba por ver o respetivo cartão amarelo e bem mostrado.
Minuto 88, outro cartão amarelo, desta vez para o Colates.
Sim, porque em relação ao Gonçalo Guedes, não é tanto pela entrada em si, mas por aquilo que esta infração faz. Faz com que o Gonçalo Guedes fique impedido de fazer ali um género de contra-ataque e, portanto, ao matar, entre aspas, esta jogada, quase no limite da falta tática, acaba por ser bem punido com o cartão amarelo.
Reta final da partida, minuto 94, gol do Benfica. Pedro, o que dizer?
Pronto, este para mim é que é o caso do jogo. É um lance de televisão, impossível de ver para o árbitro, como é óbvio. Mesmo para o árbitro assistente, que vê eventualmente o Florentino em fora de jogo no momento em que o livre lateral é batido, é impossível perceber o que acontece a seguir. E o que acontece a seguir é o seguinte, e a lei enquadra muito bem isto, que é o Florentino está em fora de jogo posicional, até aí tudo bem. Realmente não se movimenta, mas roda o tronco quando o Colates vai fazer o movimento de abordagem para a trajetória e para o cruzamento da bola, para ir tentar sacar a bola. E é quando ele faz esse movimento para dentro que o Florentino, mesmo não fazendo falta ao rodar o corpo, entra em contacto com o Colates, acabando, na prática e na realidade, por bloquear o seu movimento, embora não tenha feito falta. Atenção. Ora, o que é que se trata? Trata-se de um jogador que está em fora de jogo posicional, que ao entrar em contacto com o seu adversário, parte a designar-se tendo parte ativa no jogo. E aquilo que está aqui em causa não é uma falta do Florentino sobre o Colates, mas sim o passar de fora de jogo posicional para uma parte ativa no jogo ao entrar em contacto com o Colates. E ao fazer isso, devia ser punido o respetivo fora de jogo. E para que não haja dúvidas, até porque a lei 11 que fala muito bem destas questões do fora de jogo A Dadument, na sua página 94, veio esclarecer uma série de pontos, porque havia sempre dúvidas nestas circunstâncias em que os jogadores podem ou não ser punidos por fora de jogo, mesmo não tocando na bola, em que diz a Dadument o seguinte: um jogador que se encontre em posição de fora de jogo, neste caso o Florentín, se estiver no caminho do adversário, Coates, ou interfira com o movimento do adversário, que vai na tentativa de se deslocar para a bola, se isto acaba por ter impacto na capacidade do adversário, neste caso Coates, de jogar ou chutar a bola, é considerada como infração fora de jogo. Portanto, na prática e na realidade, o Florentín em fora de jogo, ao entrar em contato com o Coates, acaba por interferir e ter impacto na ação deste jogador, porque entrou mesmo em contato físico com ele e, portanto, estava aqui perante uma situação não de livre direto por falta, mas sim de livre indireto por fora de jogo. O gol do Benfica devia ter sido anulado.
Pedro, vamos então para a nota. Qual é a pontuação para a equipe de arbitragem liderada por João Pinheiro?
Muito estranho, porque, na realidade, se não houvesse este lance, eu ia dar uma nota altíssima, porque o João Pinheiro esteve muito bem do princípio ao fim. Eu ia dar um oito. Mas temos um gol que faz a diferença entre 2 x 1 e 2 x 2, mesmo com clara responsabilidade do vídeo ao árbitro, mas acaba por ter impacto, naturalmente, no desfecho. E dentro da minha lógica, da minha coerência, que é sempre que há um lance que acaba por afetar aquilo que possa ser um resultado final, neste caso, e quando digo resultado final, a diferença entre uma vitória e um empate, neste caso concreto, eu acabo por ter que dar a nota que dou normalmente nas circunstâncias, que é a nota quatro. Repito, João Pinheiro esteve muito bem, tem este lance que podemos dizer que nem sequer é da responsabilidade dele, mas também estamos aqui a analisar o impacto que este lance tem no jogo e no resultado, e por isso nota negativa, nota quatro.
Termina assim este "Sem Falta", com Pedro Henriques, análises à arbitragem do Sporting e Benfica. Pedro, boa noite e obrigado.
Boa noite, obrigado.