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Sem falta aqui na Rádio Observador, noite de 2 de janeiro, para analisar esta primeira partida de 2026, um empate a uma bola em Barcelos entre o Gil Vicente e o Sporting. Vamos analisar aquela que foi a exibição de Gustavo Correia, árbitro da Associação de Futebol do Porto. Já tenho comigo o Pedro Henriques, o audioárbitro aqui da Rádio Observador. Mais uma vez, muito boa noite, Pedro.

Boa noite.

Foi um jogo com alguns casos, concretamente mais cartolinas. Começamos ao minuto 39, onde Morten Hjulmand, o capitão do Sporting, leva o primeiro amarelo do jogo.

Sim, cartão amarelo bem mostrado, porque o Hjulmand com a mão esquerda agarra e puxa a camisola do Gustavo Varela quando ele saía em contra-ataque. Portanto, é a chamada falta tática, objetivo de destruir a jogada e parar aquilo que possa ser um perigo mais à frente. E por isso, cartão amarelo bem mostrado.

Já no início da segunda parte, há duplo amarelo, neste caso, por algumas palavras com o árbitro da partida. Estamos a falar de Zé Carlos, jogador do Gil Vicente, e também o avançado colombiano Luís Suárez.

Sim, é entre as palavras com o árbitro e entre as palavras entre eles, porque teria havido uma falta. Aliás, houve uma falta, o árbitro assinalou, depois ficou uma troca entre o Zé Carlos, do Gil Vicente, e o Luís Suárez, do Sporting. Obviamente, como estão a dar as repetições do lance, não nos apercebemos do contexto todo, mas há uma certeza que é: são amarelos para ambos os jogadores por comportamento desportivo, sendo que poderá ter sido por palavras entre eles, jogadores, ou de eles para com o árbitro. E portanto, o cartão amarelo eu vou dar sempre como boa decisão, porque claramente é a situação do comportamento desportivo.

Novo cartão amarelo, neste caso, ao minuto 70 para Ebimbe.

Sim, aqui o cartão amarelo-

Elvimbi, desculpe.

Sim, exatamente. O cartão amarelo ao Marvin Elimbi é porque com o pé esquerdo toca e rasteira o Maxi Araújo quando ele, embora um pouco mais à frente da sua área, está a sair numa transição ofensiva rápida. Portanto, o Gil tinha acabado de atacar, o Sporting ganhou a bola e estava a fazer uma transição e, portanto, é aquela situação, temos que parar aqui a jogada, também enquadrado na chamada falta tática, para que mais à frente não haja uma jogada de perigo e, portanto, cartão amarelo bem mostrado também.

Novo amarelo, neste caso, sete minutos depois, minuto 77 para o avançado do Gil Vicente, Gustavo Varela.

Sim, aqui o Gustavo Varela agora faz uma falta sobre o Morten Hjulmand, também pelo mesmo motivo pelo qual o Hjulmand levou cartão amarelo. Aqui também foi para uma saída em transição e o Gustavo Varela aqui até foi de forma muito evidente e ostensiva a puxar. Aliás, quando se para a imagem, a camisola está toda quase fora do corpo. E este puxão, agarrão da camisola ao médio dinamarquês do Sporting enquadra-se também na falta tática e, ao mesmo tempo, do agarrão por si só, que é um comportamento desportivo e, portanto, cartão amarelo bem mostrado.

Vamos a um lance, ou um dos casos da partida, neste caso, é o cartão vermelho direto mostrado ao central Gonçalo Inácio. É uma jogada que o jogador do Gil Vicente poderia ir isolado para a baliza de Rui Silva.

Exatamente. Quando temos a imagem parada, e o jogo obviamente não é de frames, nem de imagens paradas, não fica dúvida nenhuma, mas absolutamente que é cartão vermelho. Aliás, eu dou como boa a decisão do cartão vermelho. Em movimento normal, quando o guarda-redes coloca a bola e depois vê-se a bola a bater, podem sobrar algumas dúvidas naquilo que é a questão do domínio de bola, porque são quatro os fatores. Quando há uma infração e tu vais analisar se é vermelho por causa de uma clara oportunidade de golo, tens que analisar sempre quatro fatores. Primeiro, se o jogador vai na direção geral da baliza, e percebe-se claramente que é na direção da baliza, se a distância entre a falta e a baliza é relativamente perto, e ali estávamos sensivelmente seis, oito, nove metros no máximo de distância da linha de baliza. E portanto, tudo o que é do meio-campo pra frente é considerado relativamente perto. Depois, se alguém poderia intervir no lance para além de quem faz a falta, isto é, os outros defensores, e o que está mais próximo é o Maxi Araújo, mas que está mais afastado pra direita, mais pra linha lateral, quatro, cinco metros afastado e ligeiramente atrás. E digamos que se aproxima mais, porque como o Gonçalo Inácio está a agarrar o seu adversário, vai tirando velocidade e isso permite ao Maxi Araújo, digamos, aproximar-se, mas de qualquer maneira está afastado quando há o momento da infração. E o tal quarto fator, e este aqui talvez onde possa surgir as dúvidas, que é relativamente ao jogador que sofre a falta. O fator chama-se possibilidade de manter ou controlar a bola. O que isso significa? Se ele leva a bola controlada ou se, que não é o caso, porque a bola vem no ar, se ele tem hipótese de ir controlar aquela bola. E este é o fator que pode deixar mais dúvidas, porque a bola vem com velocidade. Quando nós paramos a imagem, no momento da falta, a bola está mesmo perto, está ali à frente. E obviamente que temos que perceber sempre o seguinte: a bola foge-lhe porque o jogador é parado, porque se o jogador não é agarrado, não é parado, ele próprio também tem outra velocidade pra poder chegar a essa bola e controlar a bola. E é por isso que, não sendo, se calhar, o lance que pode ser mais consensual do mundo na questão das claras oportunidades de golo, eu dou em campo como boa decisão. E também em termos do vídeo árbitro. O vídeo árbitro, para anular uma situação destas, para reverter o vermelho, tinha que ter imagens que pudessem contrariar a decisão, imagens claras e óbvias. E todas as imagens, então as paradas, vão sempre no sentido de direção da baliza, distância curta, a infração existe, ninguém pode intervir no lance e o jogador tem possibilidades de poder vir a controlar essa bola. E quando falo do jogador, estou falando do Gustavo Varela, que foi agarrado pelo Gonçalo Inácio. Por isso eu dou como boa a decisão do cartão vermelho.

Decisão acertada então de Gustavo Varela neste lance que dá a expulsão direta de Gonçalo Inácio. Um pouco depois, minuto 87, há o gol do Gil Vicente, de autoria de Carlos Eduardo, mas num lance que ainda poderia suscitar alguma dúvida numa falta sobre Alisson.

Exatamente. Há aqui dois momentos: um momento que claramente percebe-se que é bem decidido e um momento que para mim foi mal decidido. E obviamente que não são com as imagens do direto da Sport TV que nós conseguimos tirar isso, porque infelizmente, uma vez mais, péssima transmissão. Se há uma possível falta ao segundo poste, eles têm que arranjar imagens da câmera que filma o jogo, ou da master ou da câmera topo, porque todas as imagens que foram dando repetições, quando a bola chega, já o Alisson está no chão e percebe-se que ou não houve nada ou há a ver alguma coisa antes da bola chegar. Portanto, tem que se mostrar o filme visto aí. E nas câmeras que são da própria filmagem, nomeadamente a câmera, por exemplo, da master que filma o jogo ou da fora de jogo, exatamente o lado contrário, é essa que consegue dar os jogadores em movimento. Decompondo este lance em duas partes, qual é a parte correta? Não há fora de jogo. Realmente, quando o Luis Esteves cruza a bola, o Carlos Eduardo está em jogo por 35 centímetros e isso depois a Sport TV mostrou mais à frente e os centímetros já sabemos que é a cidade do futebol que permite mais à frente injetar esse sinal. A questão aqui está com as imagens que são mostradas a posteriori e não na transmissão, em que realmente o Carlos Eduardo, ao antecipar-se ao Alisson Santos e estando na frente dele, movimenta o braço direito para trás e acerta com o cotovelo na zona do queixo, cara do Alisson Santos. Tudo o que é cotoveladas ao nível do rosto eu não posso estar a definir intensidades, porque uma coisa é mão nas costas para empurrar ou não empurrar, que aí sim há intensidade, há causa e efeito. A partir do momento que tu tens um movimento de braço e acertas na cara do adversário, a intensidade só pode servir para dares amarelo ou dar cartão vermelho. A infração existe. E o fato é que assim que há o toque na cara com o cotovelo, o Alisson cai e provavelmente até se calhar não conseguiria interceptar aquele lance, aquela bola, o fato é que com aquele cotovelo na cara ficou impossibilitado, claramente, de o fazer. Portanto, eu vou dar como má a decisão, uma falta atacante dificílimo de ver para o árbitro e o vídeo-árbitro, que tem todas as condições de todas as imagens, era o único que poderia aqui fazer algum tipo de intervenção.

Era o novo lance de televisão, então.

Exatamente. Portanto, vou dar como má decisão e o gol não devia ter sido validado.

Fica então esta nota de que o gol, neste caso, de Carlos Eduardo, devia ter sido invalidado. Vamos aos minutos de compensação. Foram sete dados por Gustavo Correia e neste período houve três cartolinas amarelas, uma para Maxi Araújo ao minuto 92.

Sim, aqui o cartão amarelo é porque depois do árbitro interromper o jogo, e bem, o Maxi Araújo tinha a bola, mas tinha havido falta por parte do jogador do Sporting, pontapeou a bola para longe com o jogo já interrompido e portanto este comportamento desportivo acabou por lhe valer o cartão amarelo.

Mais à frente, minuto 95, segunda amarelo na prova para Martim Fernandes.

Sim, antes disso, minuto 90 mais quatro, Romulus vê cartão amarelo. Portanto, Romulus vê cartão amarelo, depois 90 mais cinco, Martim Fernandes. O Romulus vê cartão amarelo porque é um lance em que o Sporting fica a reclamar pontapé de canto e o árbitro dá pontapé de baliza e o Romulus ter-se-á evidenciado mais nesse protesto, provavelmente passando pelo árbitro, terá dito ali alguma palavra. Eu queria destacar neste lance aquilo que poderia ter sido também um arriscar em demasia do Uhman no que poderia ter sido o segundo cartão amarelo. Aquilo que se vê na televisão, e como eu não tenho o lance todo, vê-se numa câmera topo que ele está com os braços muito abertos. Fico com a ideia que estará por testar. Poderão dizer: "Não, ele se calhar está ali a dizer aos jogadores para virem para trás". Poderia estar a fazer o contrário. Ficam muitas dúvidas, mas que todo aquele gesto e toda aquela maneira como o Morton Uhman, porque é ele que está envolvido no lance e quer o canto, que poderia eventualmente, e arriscou aqui um segundo amarelo, na perspectiva dos protestos. Noventa mais cinco, como estavas a pedir, ao Martim Fernandes, ele empurra o Trincão por trás, nas costas, e corta claramente um ataque prometedor. E depois, o árbitro, muito bem, livre direto e cartão amarelo. Arrisca também o Martim Fernandes a vir para a rua, porque o árbitro está a lhe mostrar o cartão amarelo e ele vai na direção do árbitro, fica muito próximo do árbitro.

Faz o protesto, sim.

E toda aquela forma, aquilo que nós vemos, nós não ouvimos, obviamente, mas todo o protesto por palavras e toda a sua atitude corporal, arriscou claramente haver o segundo cartão amarelo e ser expulso também.

Fica então aqui este caso a caso, a análise de Pedro Henriques ao desempenho de Gustavo Correia. Para terminar, e como sempre neste "Sem Falta", nota para o árbitro da Associação Futebol do Porto.

Eu vou dar a nota negativa, nota quatro, porque concordando com o cartão vermelho, que é um lance difícil de análise, não concordo com a validação do gol, porque há falta atacante. Aqui VAR a poder dar uma ajuda, que não deu, na minha opinião. E na parte disciplinar, o risco, muito risco, tanto do Uhman como Martim Fernandes a acabar daquilo que poderiam ter sido segundos cartões amarelos e consequente expulsão. Aqui deixo um bocadinho o benefício da dúvida e eu diria, do lado positivo, o cartão vermelho, positivo no sentido de boa decisão do árbitro, obviamente, mas do lado negativo, a falta de VAR num gol que devia ter sido anulado por falta atacante por parte do Carlos Eduardo sobre o Alisson Santos.

De 0 a 10, nota 4 para Gustavo Correia, árbitro da Associação Futebol do Porto neste jogo inaugural da jornada número 17 da Primeira Liga, que deu um empate em Barcelos, 1 a 1 entre Gil Vicente e Sporting. Pedro, mais uma vez, muito obrigado e até amanhã para esse Benfica-Estoril. Até amanhã.