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Pedro, João Pinheiro de Braga é um árbitro categorizado, um árbitro internacional, um árbitro que tem estado, naquilo que tu tens dito nos últimos tempos, é talvez um dos melhores árbitros da atualidade do futebol português. Analisa então este Porto e Benfica. Sete minutos, sem amarelo para Freddy Adjudas.
Sim, e bem. O Arsênios corta claramente a bola com o pé direito e depois há um ligeiro contato e choque com o Wendel. Foi pedido logo ali uma situação para cartão amarelo, porque realmente o aparato com que o Wendel cai, parecia que a entrada tinha sido muito mais dura. Na prática e na realidade não foi nada. Bem, o árbitro teve essa capacidade e discernimento, porque era uma fase de jogo em que está tudo a zeros e, portanto, todos os jogadores estão a tentar sacar cartões aos adversários e protestar e tentar, de alguma maneira, apalpar o pulso ao árbitro para tentar perceber se é controla ou não. E o árbitro esteve muito bem, muito tranquilo e não hesitou em não mostrar cartão amarelo, porque podia ter sido induzido em erro pela maneira como o Wendel caiu.
Entretanto, há uma bola na mão de Otamendi na área aos nove minutos.
Sim, Galeno remata, a bola vai claramente à mão esquerda de Otamendi, que está no setor interior da área, mas ele até à luva, porque ele está de luvas, e se repararmos, se a bola não bate na mão, bateria na coxa, o que significa que o braço não só está encostado ao corpo, como está à frente do corpo e, portanto, não há aquilo que normalmente nós utilizamos, que é a questão da volumetria, ou seja, o braço projetado ou para além ou fora do plano do corpo, que aí sim, poderíamos estar a falar de outro tipo de decisão. De qualquer maneira, aqui não há essa volumetria, é a bola que vai à mão, está encostada ao corpo, aliás, até está na frente da coxa e por isso tudo legal, sem motivo para pontapé de penal.
Minuto 11, aqui um cartão amarelo.
Sim, estamos naquela fase em que há protesto, em que há a tentativa de tentar, de alguma maneira, potenciar alguma influência sobre as decisões dos árbitros, principalmente em relação ao cartão amarelo. O árbitro tinha assinalado muito bem uma falta do Francisco Conceição junto ao banco por um toque, um pontapé no pé esquerdo do Morato. A falta foi corretamente assinalada. O próprio Francisco Conceição reclamou muito e o Sérgio Conceição reclamou mais e não foi o filho, foi o pai que levou o cartão amarelo.
O gol do Porto, minuto 20, também aqui tudo normal.
Sim, tudo normal, mas com a explicação. É que o Galeno quando remata, o Wendel está em fora de jogo posicional. E como viemos de há três dias da discussão do fora de jogo posição e de impacto que isso teve e na anulação de um gol do Benfica em Alvalade, para referir o seguinte: quando o Galeno remata, a bola passa entre o Trubin e o poste do lado direito do Trubin. O Wendel está do lado esquerdo do Trubin. Portanto, o Wendel em nenhum momento passou na linha de visão do árbitro, em relação à trajetória da bola. O Wendel não se movimentou para ir jogar a bola com o guarda-redes, Trubin. O Wendel não fez qualquer gesto ou qualquer ação que tivesse impacto ou influência naquilo que podia ser a defesa do Trubin. Portanto, posto isto, fora de jogo posicional, sem tomar parte ativa no jogo, tudo correto e, portanto, gol legal e sem fora de jogo.
O central do Porto, aliás do Benfica, adaptado à esquerda, Morato, choca de frente naquele corredor com o Chico Conceição e fez falta para amarelo.
Agarrou e puxou, e portanto, à semelhança do que temos vindo aqui a falar, essa questão do agarrar e puxar as camisolas, normalmente é numa tentativa de destruir jogadas e punidas normalmente também com cartão amarelo. Tudo correto.
O Porto chega ao dois a zero ao minuto 44 e aqui também tudo legal.
Sim, três momentos que estiveram em análise no vídeo ao árbitro, sendo que o último o mais importante de todos. Primeiro, Francisco Conceição quando cruza para Evanilson, o Evanilson não está fora de jogo. Segundo momento, se Evanilson fez falta nas costas do Arsênios. Não, Evanilson saltou na vertical e é o próprio Arsênios que ao recuar e ali de costas, acaba também por promover o contato com o Evanilson, portanto o Arsênios tentou chegar à bola, sem falta, portanto, Evanilson em Arsênios. E terceiro momento, o momento que o passe para o Galeno e o Galeno a rematar, se a bola tinha batido em algum momento na mão ou braço do Galeno. Como nós sabemos, na lei 12, e isto foi uma alteração de há alguns anos a esta parte, se um jogador tocar a bola com a mão ou com o braço, de forma mesmo sem querer, portanto, acidental, e diretamente a bola entrar na baliza ou imediatamente a seguir entrar, o gol tem que ser anulado, mesmo sendo acidental. E foi isso que teve que ser também a análise. Percebemos que em nenhum momento a bola tocou na mão ou no braço do Galeno e, portanto, não há fora de jogo de Evanilson, não há falta de Evanilson ou Arsênios, não há mão nem braço de Galeno. Gol dois do Porto, tudo legal.
Segunda parte, três situações para analisar. O primeiro é o amarelo, primeiro amarelo para o Otamendi, minuto 51.
Sim, e é importante, porque 10 minutos depois ele vai ser expulso. Minuto 51, o Otamendi entra deslizande por trás sobre o Galeno, não lhe acerta de sola, porque se acerta de sola com os pitões, estaríamos na fase de vermelho direto, é com o peito do pé que acaba por pontapear o pé também do Galeno e, portanto, esta entrada por trás, em que ele deslizande de forma negligente, punida de forma correta com cartão amarelo.
Entretanto, o segundo amarelo, como aqui referiste, ao minuto 61.
Exato. É no corredor direito. Aparentemente, o Otamendi parece que tem a bola dominada e deixa escapar. E quando o Pepê Ganha essa bola e vai a fugir, ele, Pepê, pelo corredor direito, o Otamendi estica o pé direito e também uma vez mais por trás, no sentido de que está por trás dele, mas depois o toque é feito lateralmente com a perna, aponta a piar o pé do Pepê. Não só a entrada em si, uma vez mais dura e negligente, como corta ali uma saída em contra-ataque e, portanto, por isso o segundo cartão amarelo e consequente vermelho, nada a dizer, tudo correto.
E finalmente o amarelo para o Nico, ao minuto 79.
Sim, é aquela questão, porque o árbitro estava a dizer ao Nico, primeiro o Nico não estava a deixar bater o pontapé de livre a favor do Benfica. Foi lá, deu um pontapé na bola, joga e entrou num comportamento antidesportivo que o árbitro tentou amenizar. O árbitro estava a puxá-lo para trás e ele, Nico, em vez de vir para trás, não veio, o Benfica tentou bater o livre e ao bater o livre, o Nico, sem respeitar a distância, abre a perna e intercepta a bola. Portanto, não é uma situação em que um jogador quer bater rápido e não houve tempo para o adversário sair da frente. Aí tem que se deixar seguir. Aqui é uma situação em que o árbitro está a puxá-lo para trás, está a dizer para ele e ele não respeita claramente a distância. Portanto, é uma decisão em que ele não respeita a distância. Por isso, cartão amarelo bem mostrado.
Assim sendo, que nota para João Pinheiro?
Nota oito. Só não dou nove porque foi 5x0. E obviamente que um jogo de 5x0, mesmo com a rivalidade Porto-Benfica, perde intensidade, porque se isto tivesse sido um resultado com um ou com dois gols de diferença, hoje garantidamente dava nove, se tudo tivesse corrido bem, mas se calhar também os desafios seriam diferentes. De qualquer maneira, nota oito, o árbitro não tem culpa disso, fez uma arbitragem competente. É um árbitro que mostra autoridade. Eu gosto muito da maneira como o João Pinheiro arbitra os jogos, da maneira como se relaciona com o jogo e com os jogadores. É um jogo com 28 faltas, quatro amarelos, um vermelho. Não foi mau em termos de tempo útil, 59%. Não é mau para as nossas médias portuguesas. Perfeita a equipa de arbitragem, embora não haja arbitragem nem jogos, nem jogadas perfeitas, mas foi perfeita no sentido que conseguiu agarrar este clássico, de resolver de forma correta e última nota de apontamento, por causa daquilo que também já está nas redes sociais e muitas vezes acontece, e até na televisão já estavam a falar sobre isso, que é para dizer que não há nada de ilegal quando um treinador, neste caso foi do Futebol Clube do Porto, ao minuto 82 ou outro minuto qualquer, faz uma substituição em que substitui quatro jogadores. Até pode fazer os cinco substitutos ao mesmo tempo. Já estavam a dizer que não era legal fazer quatro. Não é verdade. O treinador tem três momentos para fazer substituições ao longo do jogo, sendo que ao intervalo isso não conta como paragem, tem essas três paragens para fazer, e nessas possíveis três paragens, se quiser só utilizar, por exemplo, uma e fazer cinco substituições ao mesmo tempo, pode fazer. Neste caso, fez quatro. Tudo legal, não há qualquer irregularidade. Nota oito para João Pinheiro, está de parabéns a equipa de arbitragem. Perfeito este trabalho que foi feito hoje no Dragão.
Cá está a nota oito, uma nota muito positiva para o árbitro João Pinheiro, de Braga, com a análise e a nota dada pelo Pedro Henriques. Pedro, até à próxima.
Até amanhã. Obrigado. Boa noite.
Grande abraço. Foi o "Sem Falta", que fica também disponível através de podcast da Rádio Observadora.