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O som não engana. Está dado o toque de saída para mais um "Sem Falta", podcast aqui da Rádio Observador, em que juntamente com o Pedro Henriques, vamos analisar tudo o que se passa no Campeonato da Europa, atribuir notas, dar uma lei, falar sobre leis e também um destaque que o nosso Pedro Henriques, assim por bem, entenda trazer. Desde já, Pedro, bem-vindo. Boa noite.
Boa noite. Vamos lá, mais um podcast.
É isso, vamos a isso. Hoje tivemos quatro jogos, grupo C e grupo D. De forma muito resumida, tivemos três empates, Dinamarca-Sérvia, Inglaterra-Eslovénia, isto do grupo C, empataram a zero. E depois no grupo D, uma vitória apenas foi da Áustria sobre os Países Baixos, sendo que a França empatou com a Polónia e fez com que os austríacos vencessem o grupo D, passaram em primeiro lugar, com a França em segundo e os Países Baixos em terceiro. No grupo C, Inglaterra em primeiro, Dinamarca em segundo e Eslovénia em terceiro. Assim terminaram as contas destes dois grupos. Pedro, vamos avançar para o primeiro segmento, que é o teu destaque do dia. Qual é para hoje?
O meu destaque é o penalti que o Lewandowski bateu e que o Maignan acabou por defender, mas de forma irregular e que foi repetido. Curiosamente, ontem tínhamos abordado na lei tal situação ou todas as situações, circunstâncias e requisitos que tornam o penalti, ou melhor, a colocação do guarda-redes na baliza, quando é legal e quando passa a ser ilegal.
Já estava a prever o que iria acontecer hoje.
Mais ou menos. Mas quem ouviu ontem, percebeu. E o que aconteceu hoje? É que realmente o Lewandowski, quando bateu, ele próprio acabou por apontar para o árbitro que havia ali uma irregularidade. Não que isso seja importante e já vou explicar porque não é importante, porque o guarda-redes Maignan realmente não tem nenhum dos pés e tem que ter pelo menos um pé sobre a linha de baliza ou no enfcimento da linha de baliza, ou eventualmente esse pé ter escorregar para dentro da baliza, isto é, pode movimentar uma perna para frente, não pode é movimentar as duas e ele tinha as duas pernas. É um facto que o Lewandowski ainda está, como todos os outros jogadores, pensando que ao fazer um determinado gesto, ao fazer um determinado apontamento, é isso que vai influenciar a arbitragem. Era assim quando só havia árbitro. Com vídeo-árbitro não adianta, porque faz parte do protocolo, o VAR sempre que, neste caso concreto, vamos falar só especificamente do guarda-redes, defende um pontapé de penalti, ele tem que verificar se no momento em que o penalti é executado, que a bola parte, se o guarda-redes está ou não com os dois pés para a frente, avançado em relação à linha de baliza. Portanto, automaticamente o VAR tem que fazer a intervenção. E foi isso que aconteceu, e portanto o penalti é repetido. Não adianta os jogadores pedirem, não adianta os guarda-redes cometerem irregularidades porque pode passar no crivo do árbitro, nunca vai passar no crivo da vídeo-arbitragem. E mais importante é dizer às pessoas que, de acordo com o protocolo, boa intervenção do VAR, de acordo com a lei, bem a resolução que foi mandar repetir o pontapé de penalti.
Pedro, para quem acompanhou o jogo, que foi o meu caso, dá a ideia que o próprio Maignan cai ali um bocado na cantiga do Lewandowski, porque ele faz uma espécie de paradinha. É verdade que não para totalmente o movimento e parece-me que é aí que o Maignan depois se adianta quando ele faz essa tal paragem, ainda que não seja detetado.
Exato. Mas dizer que o jogador que vai executar até chegar à bola pode fazer as paradinhas todas que quiser. No momento em que apoia o pé de apoio, passo aqui a insistência, o pé de apoio ao lado da bola, o outro pé que já não pode enganar o guarda-redes e tem que fazer ato de continuar estar. Portanto, as paradinhas, dito de outra maneira, até à bola podemos fazer as paradinhas que quiseres, em cima da bola não pode fazer as paradinhas. E as paradinhas são legais, mas sim, foi essa paradinha que levou muito concretamente o guarda-redes a tomar uma decisão, no fundo a ser, entre aspas, ludibriado na perspectiva da finta, da paradinha, do momento de paragem, e a fazer com que, se calhar, tenha se movimentado. De qualquer maneira, tem que esperar e tem que deixar um dos pés lá em cima e deixa-me dizer que a porcentagem de defesas de guarda-redes aumentou significativamente com a alteração da lei, porque os guarda-redes, como ficaram obrigados a esperar mais tempo, já não dão tanto a entender qual é o lado por que se vão atirar como dantes acontecia.
Olha, é bastante interessante.
Isso faz com que a porcentagem dos guarda-redes aumentou acerca de 20 e tal%, ou seja, em cada quatro penaltis, é um penalti e meio a defendido.
Por acaso até tinha ideia que fosse o contrário, sinceramente.
Não, deu exatamente essa vantagem aos guarda-redes, ao contrário do que se estava a pensar, porque também a lei evoluiu no sentido de uma das pernas poder se movimentar para frente e antes não podia, pelo menos em teoria não podia. E agora ao poder se movimentar uma das pernas para frente, eles de alguma maneira já estão a dar um certo balanço para se atirarem, o que reduz uma fração de segundos. E como estão também a retardar a saída do outro pé, permite ver, sentir, analisar, isto é tudo uma fração de segundo, para ver se a bola vai para a direita ou para a esquerda e estão a adivinhar mais as bolas e os locais de onde a bola vai e a defender penaltis.
Ora bem, e deste teu destaque de hoje, vamos passar para a lei traduzida. Pedro, o que nos trazes hoje?
Hoje trago as dimensões do terreno de jogo, que impacta na lei um. A propósito, nós aqui não temos que falar só do Campeonato da Europa, falamos de arbitragem de uma maneira geral, sendo que o foco é no Campeonato da Europa. Mas há aqui uma ligação, eu diria meia indireta, meia direta. O Vinicius Junior, da seleção do Brasil, que está na Copa América, empataram o jogo, e uma das declarações que ele fez foi em torno das dimensões, foi da qualidade do relvado e das dimensões. Mas vamos focar na lei um, na parte das dimensões do terreno de jogo, porque não sei se as pessoas têm essa noção, a nível dos jogos internacionais, competições internacionais, a largura tem que variar entre os 64 metros e os 75, mínimo e máximo, e o comprimento 100 a 110 O que acontece? Dos 14 estádios onde se está a realizar o Estádio da América, 11 não estão preparados, segundo a própria organização, para ter as dimensões que se pretendia que tivessem dentro da lei, que são aquelas que estão standardizadas na Europa, que é na Liga dos Campeões, na Conference League, na Liga Europa e nas ligas principais, por exemplo, que é os 105 metros de comprimento por 68 de largura.
É muito estádio, 11 é uma parte significativa.
É uma parte significativa. E o que eles fizeram? Passaram a ter os estádios dentro da dimensão internacional, mas 11 desses campos têm 100 metros por 64. Ora, para os jogadores, e a maior parte deles joga na Europa, que estão habituados a jogar em Liga dos Campeões, em Espanha, Itália e Portugal, todos têm 105 por 68, como é o caso da nossa Primeira Liga, é só fazermos as contas. Um campo que tenha 100 por 64, tem 6400 metros quadrados de área. Um campo que tem 105 por 68, tem 7140. A diferença são 740 metros quadrados de área, neste caso, a menos. E agora pensem no seguinte: há uma coisa chamada princípios de jogo, de ataque e quem defende, e o quarto princípio do jogo, de quem ataca, é criar espaço. Quer dizer que quando estou a atacar, um dos princípios é tentar criar espaço para, em largura e em profundidade, poder chegar à baliza adversária. Quem defende, o que procura contrariar nesse quarto princípio de jogo é nesse espaço eu concentrar jogadores para eliminar essa possível vantagem.
Encurtar esse espaço.
Ora, se eu tenho menos 740 metros de área quadrada, para quem defende, eu tenho jogadores mais próximos uns dos outros, setores mais próximos uns dos outros. Quem é menor, quem é menos bom ou quem tem menos qualidade tecnicamente e vai defender mais, tem menos posse de bola e quer destruir, quanto mais curto o campo for, mais fácil se torna. E é isso que está a acontecer. As equipas com jogadores de maior qualidade, que precisam da tal largura, muito falada no futebol, e da profundidade para a construção das três fases de jogo, nomeadamente a segunda e a terceira, vão ter mais dificuldades. E é disso que se trata. E portanto, é interessante vermos esta questão, que por causa desta questão dos campos, eles reduziram dentro da lei, mas estão a fazer com que a maior parte dos jogadores que jogam em 105 por 68, passem a jogar em 100 por 64 metros e isso está a fazer a diferença, isso se calhar vai fazer diferença em alguns jogos como nós vamos ver na Copa América.
Exato, ainda por cima o exemplo que tu nos trazes do Vinicius Junior, que é um jogador muito explosivo, que joga precisamente no espaço, tem essa razão de queixa, digamos assim.
Exatamente.
Mas muito interessante esta tua lei traduzida de hoje. Avançamos para o último segmento aqui do teu podcast, do "Sem Falta", que é a nota do dia, relembrando aos nossos ouvintes que é uma nota de 0 a 10, sendo que o cinco é aquela positiva mínima.
Exato.
Pedro, qual vai ser a tua nota do dia?
Eu podia dar uma nota positiva, neste caso, ao Campeonato Europeu, por ter standardizado esta questão das medidas de 105 por 68 e, portanto, é uma vantagem, e para a qualidade dos relvados, neste caso, que se jogam os jogos na Alemanha, que até agora tem sido muito elogiada porque realmente são verdadeiros tapetes. Mas eu vou fazer ao contrário, vou dar nota 4 e nota negativa para a Copa América, para quem organiza aquele evento, que com dimensões mais reduzidas e com qualidade de relvados, tem vindo a ser muito criticados, que realmente são muito fracas, tiram qualidade, além de outras questões relacionadas com o jogo e até com possíveis lesões, tira claramente qualidade a uma Copa América que vai se afundando, na minha perspectiva, em termos de diferença para aquilo que se passa a nível da Europa.
Pois.
Eles lá têm uma grande qualidade de jogadores, um talento enorme, têm muito bons treinadores, isso nem sequer está em questão, mas se depois a parte material, a parte física, o sítio onde eles jogam, tem estas dificuldades, e são os próprios jogadores que lá estão a jogar, que estão a dizer, não sou eu. Isto é, qualidade de relvado e também as dimensões, obviamente que perdem. Por isso, nota 4 para esta duplicidade, dimensão de terreno e falta de qualidade dos relvados para a Copa América.
A nota 4 do nosso Pedro Henriques para também lançarmos um olho ao que se passa na Copa América, a par do que também está a acontecer com o Campeonato da Europa, essa comparação inevitável entre a organização europeia e a organização americana. Pedro, aqui o podcast, o "Sem Falta", chega ao fim por hoje. Amanhã temos seleção e, portanto, o teu Sem Falta será também diferente. Vais analisar lance a lance o que acontecer com o jogo da seleção nacional. Um abraço. Até amanhã, Pedro.
Um abraço, até amanhã. Obrigado.