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"Sem Falta", com o Pedro Henriques, uma vez por semana, numa edição especial dedicada a este mundial de futebol, que continuamos a acompanhar na Rádio Observador. Bem-vindo, Pedro.

Muito boa tarde.

Pedro, vamos começar por fazer um resumo desta competição. Na última edição do "Sem Falta", ainda com poucos jogos realizados, entretanto, já com uma semana de competição. Que resumo fazes? Estão a correr bem as coisas entre México, Estados Unidos e Canadá?

Sim, em termos de arbitragem, de maneira geral, estão a correr bem. Claro que nesta fase da competição, a arbitragem ainda não tem esse peso. Quando for a eliminar, qualquer possível erro ou, pelo menos, lance polêmico terá simplesmente mais peso. Mas, de qualquer maneira, a grande expectativa para este mundial foram as alterações produzidas após a reunião de 28 de fevereiro, no País de Gales, e que iriam entrar em vigor no Campeonato do Mundo de Seleções, que está neste momento a decorrer, e tentar perceber como é que os jogadores, que acabaram todas as suas competições nos seus países, vêm de uma determinada lógica de arbitragem e depois vão conviver, vamos dizer assim, numa competição tão relevante e importante, em que tem que estar muito focado no jogo, conviver com as alterações que têm impacto. E havia muitas alterações a terem impacto. E o resumo, que eu vou fazer de forma muito rápida, é um apanhado, baseia-se um bocadinho nisto. Em primeiro lugar, uma curiosidade, um jogo que é preciso voltar a 1966 para perceber um jogo com tão poucas faltas, como foi o Cabo Verde com Espanha, em que houve 11 faltas e, sobretudo, a particularidade de uma seleção, este é mesmo um recorde absoluto, ter apenas cometido uma falta, que foi Cabo Verde ou, pelo menos, que o árbitro assinalou. Realmente é fora de lugar. Depois, as alterações começaram-se a perceber nos jogos, que vai ser alvo daquilo que nós temos aqui, que é, no fundo, a lei traduzida, que é a questão dos Estados Unidos e Paraguai. Pela primeira vez, a questão do alargamento àquilo que é o cartão amarelo, neste caso podia ser vermelho, mas amarelo ou vermelho, em que há uma troca de entidades. Iremos depois abordar isso mesmo. Depois, a questão dos cinco segundos, quer para os pontapés de baliza, quer para os lançamentos de lateral. E o primeiro jogo, já houve vários, foi a Tunísia e a Suécia, onde aconteceu isso. Basicamente, um jogador que demorou no lançamento de lateral a repor a bola para lá dos cinco segundos e o árbitro faz aquela contagem com o braço, fazendo o movimento vertical e apita e começa a fazer contagem. O jogador só não lança se não quiser, vamos dizer assim. E foi o primeiro lançamento revertido. Depois tivemos na Espanha e Cabo Verde também ao minuto 80, o Yamal foi o último a tocar na bola, e o árbitro deu canto, era pontapé de baliza e o árbitro que iria assinalar um pontapé de canto de forma incorreta, o VAR fez a sua intervenção e trocou. E um alargamento, que ainda está a FIFA agora de volta com este lance, que também aconteceu aqui no Portugal x Congo, em que há uma questão de um fora de jogo, antes de um pontapé de canto. E, neste caso concreto, a dúvida era, mas só se pode fazer a troca entre cantos e balizas. Então e se houver uma outra irregularidade, como era o caso de um fora de jogo que não foi assinalado, e vai se dar um canto, porque a ideia de não deixar cantos errados é que desses cantos possam resultar gols, porque toda a gente vai dizer: "Não era canto". Normalmente, isso é pontapé de baliza. Então, e neste caso, que era fora de jogo. E o árbitro fez essa correção. E digamos que houve aqui um alargamento, no meu ponto de vista, correta a interpretação, porque o sentido é o mesmo, é que não resulte nenhum gol de um canto que não era canto. E normalmente, quando não é canto, é pontapé de baliza, mas neste caso era fora de jogo. E acho que foi uma aplicação correta, embora falte essa confirmação, mas penso que sim. Depois, os últimos dois pontos deste resumo do Argentina x Argélia, em que fica um cartão vermelho claro, óbvio, para mostrar ao Messi, que é o pisar por trás numa zona de impacto muito perigosa para pôr em risco a segurança e integridade física, que é a zona do tendão de Aquiles, mesmo que sem querer, as pessoas associam muito, "mas foi na passada, foi sem querer". O sem querer não conta. Portanto, há um ato físico, é um jogador que se aproxima em demasia, mesmo sem querer, acaba por acertar de sola de pitons na zona do tendão de Aquiles e isto é punido com cartão vermelho, porque entra naquilo que é o uso de força excessiva, enfim, e que põe em risco a segurança e integridade física. E finalmente, uma nota em que neste mundial 2026, ao jogo 27, entretanto, já houve mais uns jogos aqui, os de ontem à noite, mas ao jogo 27, ou seja, quando acabou o jogo arbitrado por João Pinheiro, nós estávamos com 27 jogos e já tínhamos, incluindo o cartão vermelho que o João Pinheiro mostrou, e bem, no jogo, já tínhamos cinco cartões vermelhos. Só para relembrar que no mundial de 2022, portanto, há quatro anos atrás, em 64 jogos, com o mundial todo feito, apenas se mostrou quatro. E há aqui uma diferença bastante grande. E este é o resumo da semana.

Muito bem, Pedro. Vamos analisar também as leis que este mundial trouxe aqui também algumas novidades e algumas que referias também há pouco, já foram possíveis de ver mesmo em campo.

Sim, a lei traduzida, que é digamos aqui um capítulo também rápido que a gente apresenta aqui para falar de algo que tem a ver com, neste caso específico, com aquilo que é os cartões mostrados ao jogador errado, que nós dizemos vulgarmente a troca de identidades. Até agora, digo, mundial começar, imaginemos que um jogador da equipe A, o número três, o árbitro mostrava-lhe cartão amarelo por uma falta que o número três tinha cometido. E o VAR olhava para as imagens e via que realmente a falta tinha existido, mas não foi o três, foi o cinco. E o árbitro tinha se enganado naquilo que era a identificação do jogador. E aqui o VAR podia intervir e dizer: "Olha, mostraste ao três, mas tens que mostrar ao cinco". Mas isso só era possível quando era o jogador da própria equipe. E o que foi alterado, que a maior parte das pessoas olharam para isso como algo até um bocado na dúvida, que é os cartões mostrados. O VAR pode intervir em cartões mostrados ao jogador errado de qualquer uma das equipes, o que significa que não é só quando há uma troca de identidades dentro da equipe, é quando, por exemplo, o árbitro assinala uma falta a uma equipe com o respectivo cartão amarelo para esse jogador, e depois as repetições mostram que quem fez a falta foi o outro jogador da equipe adversária. Ou seja, o árbitro errou na identificação da falta e que também merece cartão amarelo ou vermelho. Foi o que aconteceu ao minuto 50, Estados Unidos com o Paraguai. O árbitro, o Danny Makkelie, dá uma falta e um cartão amarelo ao Tim Ream, dos Estados Unidos da América, por uma falta, uma rasteira, sobre o Miguel Almirón

E o que o VAR descobre? Descobre que não só o Tim Berizen não fez falta, e portanto o amarelo é errado, como o Miguel Almirón, que não sofreu falta, simulou e é ele que tem que levar o cartão amarelo. Portanto, esta é uma boa aplicação desta alteração da lei, em que o VAR intervém para dizer: "Não mostres cartão amarelo ao Tim Berizen, mostra cartão amarelo ao Almirón, porque ele fez uma simulação". Até aqui tudo bem, só que qual foi, peço desculpa pela expressão, mas eu gosto muito e chamo a expressão militar, o pincha velho que veio aqui no meio disto tudo? É que normalmente o VAR quando vê isto, intervém antes do jogo recomeçar. E o VAR, talvez por ele surpresa da alteração da lei, estar ainda a marinar na alteração, estamos nos primeiros jogos, deixou que o jogo começasse com o tal pontapé livre, que até foi incorretamente mal assinalado. A bola é cruzada, é aliviada e o VAR está a dizer ao árbitro: "Olha, tens que ir ao monitor ver aqui uma coisa que há aqui uma troca de identidades". E o árbitro interrompeu o jogo. Pedro, ficamos aqui sem o teu contacto. Já vamos tentar recuperar a ligação com o Pedro Henriques, que nos falava deste caso das trocas de identidade. É uma das leis novidade neste Mundial de 2026 e de resto já com um caso prático que o Pedro Henriques nos estava aqui a explicar. São de facto algumas as alterações de regulamentos neste Mundial 2026, que estamos também a abordar neste Sem Falta Especial. Já sabe que no final de todos os jogos de Portugal temos sempre o Pedro Henriques conosco e também uma vez por semana durante este Mundial. Fazemos aqui um resumo das arbitragens, dos principais casos e alterações também às leis. Pedro, era isso que nos estavas a explicar. Ficamos na altura em que dizias que o árbitro demorou, de facto, a receber essa indicação do VAR. Esse reatar de jogo, ainda por cima com um lance que não devia ter sido assinalado, terá sido o grande erro dele.

Sim, o erro não está na troca do cartão amarelo, aí esteve bem. O erro está em que recomeçou com o pontapé livre indireto pela simulação, que era isso que ele devia ter recomeçado, se não tem o jogo entretanto reatado. Se o VAR tem feito essa intervenção rápida, mas o árbitro recomeçou com isso, devia ter recomeçado com bola sola, uma vez que a bola já tinha sido jogada e o árbitro interrompeu o jogo, porque o VAR o chamou já com o jogo a correr. Só para dizer que se porventura a bola tivesse saído à posterior, depois para um lançamento lateral, para o pé de Beliz e para o pé de canto e o VAR o chamasse, ele ia lá replicar, se é para a parte disciplinar, e recomeçaria em conflitado, com lançamento lateral, para o pé de Beliz e para o pé de canto. Mas este é um erro, como não tem impacto no jogo, não houve nenhum vermelho, não houve nenhuma situação de golo, nem de penalty pelo meio, não é considerado um erro de direito, um erro técnico. Isso era muito complicado, que é para o árbitro, que é para aquilo que era a FIFA, que estes erros de direito, normalmente com impacto, quando têm dolo, acabam por obrigar a repetição do jogo. Mas não foi o caso. E, portanto, o que importa aqui dizer às pessoas é que, seja por uma agressão chamada contra-violenta, seja por uma troca de identidade, mesmo que o jogo já tenha recomeçado, é as únicas situações em que o VAR ainda pode intervir. Para retificar a parte disciplinar, tecnicamente já não pode fazer nada.

Muito bem, Pedro, um minuto para olharmos a tua nota neste Sem Falta Especial.

30 segundos para duas notas, dois 20. Primeiro, sobre o ponto de vista feminino, para o trio feminino, no jogo é Checa-África do Sul, Tori Penso é a árbitra americana. Em 2026, juntamente com os dois assistentes, arbitra no mundial masculino. Há quatro anos, a canadense Francesca Frapparte a fazer exatamente isso. É a segunda vez que no mundial isso acontece. Há que quebrar barreiras. Parabéns pela coragem, pelo quebrar de barreiras e, como eu costumo dizer ao power woman, porque as mulheres são relevantes, importantes e se são competentes, têm que estar nos mesmos patamares. E nota 20, obviamente, para João Pinheiro, para Bruno Jesus, para Luciano Maia. Estrearam-se no Mundial, estrearam-se bem, foi no jogo de Bósnia e Suíça. Estiveram bem, inclusive no cartão vermelho que foi mostrado e isto dá-me sinais de que ele vai fazer pelo menos mais um jogo e que seja o princípio de mais e muitos jogos no plano internacional ao mais alto nível. Parabéns ao João Pinheiro, a Portugal, que também quando se diz vai dar Portugal, também vai dar Portugal na arbitragem. Nota 20 para João Pinheiro, Bruno Jesus e Luciano Maia.

Pedro Henriques numa edição especial do Sem Falta. Pedro, um abraço. Obrigado.

Um abraço. Obrigado.