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Empate na Pedreira, Braga 2, Benfica 2, com arbitragem de João Gonçalves. Já tenho comigo o Pedro Henriques. Pedro, muito boa noite.

Boa noite.

Bem-vindo a este "Sem Falta". Vamos começar a análise do trabalho do João Gonçalves pelo minuto número sete. Era pênalti sobre Paul Victor ao minuto sete?

Sim, dois lances que ocorrem no mesmo minuto, que vais já depois dizer o seguinte, porque é em sequência, mas este é o primeiro. Mas é um lance que passa despercebido, porque todos nós, mesmo em termos de comunicação social, e eu que estava a observar numa primeira análise, focamo-nos naquilo que está a ser pedido. E por isso eu, não querendo saltar já para o próximo lance, que é a questão do pênalti ou não sobre o Moutinho.

Também é o minuto sete, não é? É o lance todo em sequência.

Exatamente. É uma bola cruzada para a área, ficam três jogadores do Braga caídos no chão, mas aquilo que fica a ser mais focado e repetido é o lance do João Moutinho, possível pênalti do Fredrik Midtsjø, que não existe. Vou começar por aí para tentar explicar o anterior. O João Moutinho estica a perna direita e dá na bola com a canela, nem acerta bem com o pé. E o Fredrik Midtsjø também levantou a sua perna direita na tentativa de fazer frente, fica paralelo, mas não o pontapé é ao João Moutinho e, portanto, é o João Moutinho que há de continuar depois de tocar de canela, vai até ao encontro da perna do Midtsjø, que ficou à sua frente. E como todo o foco e as repetições foram dadas aí, o tal contacto entre o Leandre Barreiro e Paul Victor fica despercebido. Isto é, aparece a queda do Paul Victor, mas com o foco na repetição do Fredrik Midtsjø com o João Moutinho. E é preciso ir buscar a imagem quase do canto superior direito, ou seja, da repetição que estão a dar do Midtsjø com o Moutinho, para tirá-la, como eu fiz, para o telemóvel e depois ir ampliar esse momento e tentar perceber por que o Paul Victor se fica a queixar e fica no chão. E o que nós encontramos? Encontramos algo que, em termos de imagem parada, e atenção que as imagens paradas servem só para ver os contactos, não significa que haja falta, mas a imagem parada é muito explícita. O Leandre Barreiro está com o pé esquerdo a pisar por trás o calcanhar esquerdo do Paul Victor. Quando pomos o vídeo em movimento, isolando esse momento, percebe-se que o Leandre Barreiro vai em corrida, a bola passa por cima deles, eles não têm qualquer hipótese de jogar a bola, mas isso já sabemos, desde que a bola esteja em jogo, nem que a falta ocorra do outro lado do campo, a falta é para ser assinalada. E o que se percebe é que o Leandre Barreiro, em corrida, de forma imprudente, não tem a tal intenção, mas factualmente acaba por pisar o calcanhar esquerdo do Paul Victor, derrubando-o dentro da área. E portanto, este lance é para pênalti, é impossível para o árbitro em jogo ver este lance, é um lance claramente de TV.

Mas passou ao lado do VAR também, não é?

Exatamente, porque o vídeo-árbitro está focado naquilo que acontece com o Fredrik Midtsjø e o João Moutinho, que é ele que fica a queixar e a pedir assistência. Portanto, é um lance de televisão, é um pênalti que fica por assinalar, mas é um lance muito complicado, até para o VAR.

Até porque toda a gente ficou ali a contestar essa possível falta sobre o João Moutinho, que nem sequer é.

Que não é.

Muito bem. Avançamos para o minuto 15, amarelo a Tomás Araújo.

Sim, é aquela tesoura que o Tomás Araújo faz sobre o Lelo. Conforme a equipe do Braga estava a atacar, lateral da área do lado esquerdo, e é uma entrada negligente e bem apostado o cartão amarelo.

Ao minuto 18 é anulado um gol ao Braga.

Sim, e bem, é um gol bem anulado aos bracarenses por falta atacante. Na ocasião, o Otamendi chegou claramente primeiro à bola e cabeceia a bola e o Ricardo Horta, fora de tempo, levanta o pé direito e acaba por pontapear a cara do central do Benfica. Além do essencial, que foi realmente o gol ter sido anulado ao Braga, ficou aqui também cartão amarelo por mostrar ao Ricardo Horta, porque acaba por pontapear o seu adversário e estas entradas negligentes são passíveis de cartão amarelo.

Avançamos para o minuto 23. Faltou um amarelo para Dorgeles?

Sim, o Dorgeles estica o braço esquerdo e com o braço quase ao nível da zona do cotovelo, acerta na cara do Otamendi e portanto era cartão amarelo e aqui ficou o amarelo por mostrar.

Ao minuto 29, surge então o gol do Otamendi. É um belo cabeceamento.

Sim, aqui a questão que se coloca é que o João Moutinho fica-se a queixar de ter sido empurrado. E vou já acelerar, por isso é que ele no minuto seguinte ao gol, era o lance que tínhamos a seguir, vai ver cartão amarelo porque protesta a decisão do árbitro, é no gol. Há um momento em que, parando a imagem só por trás da baliza, é que se percebe que o Enzo Barrenechea tem momento de contato rápido da mão nas costas de João Moutinho. Eu diria que quando se vê parado, fica-se na dúvida se o empurrou ou não. O fato é que o João Moutinho se projeta para a frente. Eu acho que não há intensidade nem consequência em relação àquilo que é o resultado da queda, ou seja, potencia claramente o sentido desse contato e projetar-se. Porque é mais aquela questão do braço esticado para controlar a posição, para uma vez tens jogador à tua frente, não permitires que ele venha para trás chocar contigo e tu protestas, tens a mão esticada, ou seja, controlas a posição, mas não o empurras. Não é aquela situação típica em que eu vou saltar e para tirar o jogador da jogada, faço um movimento de trás para frente e empurro o meu adversário. Portanto, para mim, gol legal do Benfica e sem falta, neste caso, que seria do Barrenechea, falta atacante do Barrenechea sobre o João Moutinho. Portanto, por parte do Barrenechea sobre o João Moutinho, é isso que eu queria dizer.

E Moutinho também por esses protestos, como já disseste, no minuto 30 leva esse amarelo. Ao minuto 36, há pênalti de Dal.

Sim, o penálti é claro. Dorgeles cabeceia, a bola ia para a baliza e o Dalot com o braço direito aberto, afastado do corpo, em volumetria, intercepta a bola com a mão. Acho que ninguém tem dúvidas em relação a isso e o penálti está bem assinalado. Qual é a dúvida? É que a bola há de contínuo. O Dalot acaba por tocar a bola com a mão, desviar a bola que ia na sua trajetória para a baliza. E vai para onde? Vai para outro sítio, vai para o Paul Victor, que faz o remate à baliza e faz gol. O gol seria anulado por fora de jogo, porque o Paul Victor estava em fora de jogo. O facto de ter tocado no adversário é o chamado ressalte e, portanto, mantém-se sempre a posição de fora de jogo. Aqui a questão que se coloca é que, uma vez que há um jogador que está fora de jogo, se era o fora de jogo ou o penálti que era primeiro. Neste caso concreto, como a bola não ia para a baliza, o que faz com que a bola vá para o Paul Victor é o desvio na mão. E, portanto, o que acontece primeiro é claramente o pontapé de penálti, porque às vezes temos situações em que a bola é metida de um jogador para o outro, que já estando em fora de jogo de posição, já se considera que vai tomar parte ativa na jogada. E muitas vezes existe um penálti e é o fora de jogo que conta primeiro. Neste caso concreto, não, porque o fora de jogo só acontece porque o Paul Victor recebe a bola, que de ressalto, vem da mão do Dalot para ele e esta mão desvia a trajetória, porque a bola não ia para lá. E, portanto, o que conta aqui claramente é o penálti, e o penálti foi bem assinalado.

Em tempo de compensação da primeira parte, surge o segundo gol do Braga. Tudo bem aqui, Pedro?

Ao minuto 45 mais um, exatamente, é a questão de havia ou não fora de jogo na construção da jogada. Portanto, é o momento do passe do Rodinei que sai a Salazar para o Victor Gomes que conta. E aí, a imagem parada e a televisão depois mostra no intervalo, através do sinal que é injetado pela cidade do futebol, o Orsners está a colocar, neste caso, no momento do passe do Salazar para o Vítor Gomes, está a colocar o Vítor Gomes em jogo por 11 centímetros, portanto, gol dois do Braga, legal, sem fora de jogo na construção da jogada.

Vamos à segunda parte e ao segundo gol do Benfica, que surge ao minuto 53.

Sim, antes do gol, no outro meio-campo, há efetivamente uma falta nas costas do Richard Rios sobre o Ricardo Horta. Só que desse empurrão, a bola sobra para o Vítor Gomes e, portanto, o árbitro, no fundo, acaba por dar a lei da vantagem, ou seja, a bola ficou na mesma, na posse de bola do Braga. E o Vítor Gomes tem a bola dominada, controlada e continua a jogada na direção da baliza adversária. E só depois é que é desarmado. E desse desarme, que foi legal, é que vem resultar na outra baliza, no outro meio-campo, o gol do Benfica. Portanto, aquela falta que existiu, nunca podíamos ir buscar essa falta para anular o gol, porque na prática a bola ficou claramente de posse de bola do Braga, que continuou a jogada. E, portanto, não há aquela questão de falta, depois de ato contínuo, se fosse considerado na mesma fase, íamos anular o gol. Não, porque a bola ficou no Braga, o Braga continuou com a bola, ficou de bola dominada e, portanto, essa falta pertence a uma outra jogada, no sentido da lei. Por quê? Porque o Braga ficou com a posse de bola e teve ainda mais dois, três metros de posse de bola e depois é que é desarmado mais à frente. E, portanto, tudo legal neste gol do Benfica, no segundo gol dos encarnados. Essa falta nunca podia ser buscada para aqui.

Exato.

Porque existiu, mas houve lei da vantagem e o Braga ficou com a bola.

O Ricardo Horta acaba expulso mais lá para o final da partida, mas sai o primeiro amarelo aos 65 minutos. Bem mostrado?

Sim, é uma falta em que o Ricardo Horta, com o pé direito, de forma negligente, pontapé à perna esquerda do Leandro Barreiro, uma entrada bastante dura quando o Leandro fazia a transição ofensiva e, portanto, não só a entrada em si que é negligente, o corte da transição ofensiva também já dava para cartão amarelo, portanto, tudo certo.

Ao minuto 66, há um gol anulado ao Benfica, um gol de Pavlídis. José Mourinho diz que venceu por 3 x 2, refere-se a este lance.

Mas não é este.

Não é neste? Ok. Vamos então analisar este.

Sim, este é aquela questão que é anulado, porque o assistente levanta a bandeirola e bem, o VAR confirma, é aquele passe do Sudakov para o Pavlídis.

Ok.

E o Pavlídis está adiantado 59 centímetros em fora de jogo. Portanto, tudo certo.

Ao minuto 75, não há penálti de Mbemba?

Sim, agora vamos dar os dois lances.

E depois há o gol anulado.

É parecido com o minuto sete.

Exato. E na sequência, há o gol anulado ao Benfica.

Portanto, no primeiro, que é esse que estás me a perguntar, o Fredrik Midtsjø cruza a bola e ela vai bater no cotovelo direito do Mbemba. O Mbemba tinha o braço dobrado, encostado e junto ao corpo, e com a mão e parte até do braço direito para trás das costas. Ele colocou o braço atrás das costas, o cotovelo ficou de fora, não há outra hipótese. E não há volumetria. Não há hipótese de esconder mais o braço e, portanto, não há penálti. Ato contínuo. O árbitro, como não assinala, a bola segue e agora a segunda pergunta.

Há gol anulado ao Benfica, não é?

Exatamente.

E é deste que se queixa o José Mourinho.

É deste que se queixa. A imagem boa e a imagem perfeita, ou as imagens perfeitas, foram aquelas que a transmissão televisiva dá, não aquelas que agora aparecem vistas da bandeirola de canto, que é mesmo quem mostra uma imagem onde não se consegue perceber se há falta ou não. E, portanto, obviamente que os clubes muitas vezes fazem os seus comunicados em função das imagens, que às vezes até são melhores que aquelas que são nas transmissões, outras vezes servem um pouquinho para mascarar ou para tentar não mostrar tudo. E nas imagens mostradas, seja em câmera lenta, seja em movimento corrido, todas elas mostram a falta que existe e a falta atacante. Richard Rios está em disputa de bola com o Vítor Gomes e o Richard Rios com o braço esquerdo, ali dobrado, carrega claramente, vamos chamar ali na zona abaixo da axila, toda aquela grelha costal, e também com o próprio corpo, carrega lateralmente o Vítor Gomes. E é esta carga com o braço e também com o corpo que não é permitida, que é incorreta, que retira o Vítor Gomes da jogada. Portanto, há efetivamente uma falta, há uma carga com o braço que empurra e tira o Vítor Gomes da jogada com a intensidade suficiente para o retirar, com consequência por essa carga. E portanto, para mim, bem o árbitro, que até não assinalou logo a falta, permitiu que a jogada terminasse, isto daria sempre intervenção de VAR a seguir, mas assim que a bola entra na baliza, está a penalizar esta falta atacante. Além do árbitro achar que há falta, eu também acho, o VAR tem que confirmar se realmente houve ou não a infração, porque podia atuar uma vez que a interrupção do jogo só foi feita após a bola entrar na baliza. E o VAR tem exatamente a mesma opinião. E no meu ponto de vista, a falta atacante existe, há a mesma carga de Richard Rios ao Vítor Gomes, utilização do braço para empurrar e tirar o Vítor Gomes da jogada. E por isso o gol, que seria o terceiro gol do Benfica, foi bem invalidado.

Vamos ao minuto 88 e esse amarelo ao Muscardo.

Sim, é o amarelo ao Gabriel Muscardo por agarrar de forma evidente e ostensiva por trás o Ivanovic, o comportamento antidesportivo, bem sancionado disciplinarmente.

E depois a expulsão de Ricardo Horta, que surge já ao minuto 93.

Sim, e é, porque ele com o pé direito por trás pontapeia também o pé direito do Prestianni, e não consegue jogar a bola, é uma entrada dura, negligente, e este segundo cartão amarelo e consequente expulsão está certa.

A nota para o árbitro João Gonçalves, Pedro.

Isto numa situação normal de 2 a 2 e com um penálti que no meu ponto de vista fica por assinalar, eu daria uma nota negativa quatro. Mas eu não consigo dar este quatro e vou já explicar. Vou dar cinco, que é uma positiva baixa pelo seguinte: efetivamente, o erro do jogo para mim é o tal minuto sete, em que só o VAR podia ajudar num penálti televisivo extremamente difícil, ainda por cima com o VAR a focar-se naquilo que toda a gente estava a queixar, que era a possível falta do João Moutinho. Mas depois temos três gols anulados, dois por faltas atacantes e um por fora de jogo. Tivemos um penálti que foi também bem assinalado. Tivemos, pois, gols, como aquele caso do gol do Braga, em que teve que se ver por 11 centímetros se havia fora de jogo ou não, e o assistente também erra. São demasiadas coisas boas em jogo extremamente difícil para eu só dar, em termos de nota, uma negativa pela questão do penálti, que realmente existiu. É um erro que tem impacto no jogo, embora tenha ocorrido ao minuto sete, não sabia o que ia acontecer a seguir. Agora, foram tantas e tão boas as decisões nos três gols anulados e no penálti que foi assinalado, que eu mesmo assim, mesmo com o tal erro do minuto sete não ter sido marcado o penálti em cima do Paul Victor, eu vou dar nota cinco ao árbitro. Foi um jogo de grau de dificuldade muito elevado e com muitas decisões boas. E com encerro.

Muito bem, nota cinco para João Gonçalves neste Braga-Benfica. Está feito. Sem falta com o Pedro Henriques.