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Pedro Henriques, novamente bem-vindo. Árbitro de leiria, Fábio Veríssimo, que logo ao terceiro minuto deu o primeiro sinal, cartão amarelo para Diomande.

Se tu isolares este lance e não olhares que é para o minuto três, não interessa. Isolas o lance, não colocas o minuto e mostras esse lance no enquadramento de um jogo. Tecnicamente, eu quando digo tecnicamente, na análise técnica, porque isto é uma sessão de natureza disciplinar, é fácil, e no bom sentido da palavra, qualquer árbitro ou comentador de arbitragem dar cartão amarelo, porque basicamente tu acabas de marcar um canto, há um jogador, que é o Maranhão, que vai a sair numa tentativa de contra-ataque, embora muito sozinho. E basicamente o que acontece é que há um jogador que desinteressa-se da bola e faz uma obstrução ao peito, neste caso, utilizando o braço. No fundo, faz uma obstrução para matar, parar, travar aquela jogada, a chamada falta tática. E dentro desta perspectiva, obviamente que o cartão amarelo é bem mostrado, o que é normal muitas vezes. Nestas situações, até os árbitros procuram, de alguma maneira, nos primeiros minutos, com uma pitada mais forte, fazer uma gestão às vezes um pouquinho diferente para tentar sacar o cartão o mais tarde possível, porque quando puxas cedo, mesmo que até seja correto, obviamente fica sempre, entre aspas, refém de que já mataste a jogada.

É o abrir de um precedente, quase.

Exatamente. E a partir de agora, se não segues o mesmo critério, vais ter problemas. E muitas vezes, o que os árbitros fazem em termos de gestão do jogo é dar um pouquinho mais de abertura no início, a não ser que sejam realmente situações inegociáveis, como se costuma dizer. Daquelas que não há hipótese, para depois mais à frente apertar o critério para que o jogo acabe 11 contra 11. Porque muitas vezes quando apertas o critério muito cedo, o risco que corres é se és uniforme e constante nesse critério, muito provavelmente vais ter muitos amarelos e poderá o jogo não acabar com 11. Portanto, isto é sempre uma discussão muito interessante que se tem em termos de arbitragem, se esta é a gestão mais correta ou se o cartão amarelo, que é ao minuto um, deve ser logo mostrado, porque é igual ao minuto ou minuto 90. Mas por isso é que as leis são 17 e nós falamos muito da 18ª, que é a lei do bom senso, que tem muito a ver com a gestão do jogo. E por que eu estou a mastigar um pouquinho mais? Porque este cartão amarelo não é somenos, é um cartão amarelo importante, porque o Diomande fica de fora do próximo jogo do campeonato e, portanto, neste caso, na ida do Sporting ao Boavista. O Sporting, entretanto, terça-feira, tem jogo da Taça de Portugal, que é outra competição, e esse cartão amarelo, ou este quinto cartão amarelo, não conta para castigar em relação à Taça de Portugal. Se fosse um vermelho direto ou por acumulação, aí é que o próximo jogo, fosse ele qual fosse, neste caso Taça de Portugal, contaria. Portanto, o Diomande com este amarelo fica de fora do jogo do Beça, mas pode jogar o jogo da Taça. De qualquer maneira, não se pode atacar esta decisão dizendo que o amarelo é incorreto. O amarelo é correto. Eu só estou aqui a chamar porque muitas vezes há este tipo de gestão do jogo que é feito e por vezes os árbitros passam um pouquinho por cima dessas situações de amarelos logo tão cedo, quando o cartão, de alguma maneira, pode ser gerido, como eu acho que até podia ser neste caso. Mas de qualquer maneira, é inatacável esta situação, porque se isolarmos o lance, como eu disse, independentemente do minuto, temos aqui uma situação de falta tática e, portanto, justificada com o cartão amarelo.

É um lance de área, minuto cinco. Não há pênalti sobre Vitor Gomes.

Não, porque a bola é metida para trás. O Sporting teve várias situações dessas tecnicamente muito interessantes, que é chegar um pouquinho à linha e depois cruzar a bola para trás, o que significa que tens que ter apoio atrás e o Giokers estava ligeiramente balanceado para frente e na tentativa de voltar, fazer a rotação e ir buscar esta bola, acaba por ele próprio escorregar sem que tenha sido agarrado, puxado ou rasteirado e por isso, boa decisão, sem pênalti.

Seguindo, ainda nesta primeira parte a análise com o gol. Gol do Sporting, gol primeiro aos 12 minutos.

Sim, é um gol que tem esta situação. Há um remate inicial e há um possível braço, mão de Marcelo, que com o seu braço, neste caso, mais braço até do que mão, podia ter tocado na bola. Depois na repetição percebe-se que sim, depois é aquela questão, tocando, nem sempre quando se toca a bola com o braço é infração. Depois vêm aqueles critérios da voluntaria, do jogador deliberado, se o braço está em posição normal e natural, etc. Mas há de contínuo que este toque acontece ao arremate do Giokers e, portanto, há gol. Primeiro, o gol correto, legal. Há efetivamente mão com o braço ligeiramente aberto ou mais aberto do que o normal para ganhar voluntaria. E se não fosse gol, eu acho que havia aqui margem, na minha opinião, para o VAR intervir, porque para mim, não sendo gol, ou melhor, isolando este momento aqui, é um momento de pontapé de pênalti. Relembrar que não há lei da vantagem nos pontapés de pênalti. Há outra coisa totalmente diferente chamada compasso de espera. Também não tenho a certeza que o árbitro tenha percebido que era infração para pênalti. Se o árbitro entende, por exemplo, que há um jogador que joga a bola com o braço e que comete uma infração para pênalti, se perceber que naquele segundo que se segue, dois segundos no máximo, que há de contínuo, há a possibilidade de um gol, o árbitro não dá a lei da vantagem, não diz nada, apenas faz o compasso de espera. Se for gol, valida o gol. Se não for gol, tem tempo de apitar para o pênalti, portanto nunca dar a lei da vantagem, porque depois ao dar a lei da vantagem, se ela não se concretiza, no plano teórico, o árbitro já não pode voltar atrás. É por isso é que se diz que nos pênaltis não se dá a lei da vantagem. Faz-se é um compasso de espera quase mental para perceber se for gol, valida. Se não for, tens tempo para apitar a infração do pontapé de pênalti. Neste caso concreto, isto é ato contínuo. Não tenho a certeza se o árbitro se apercebe da mão ou, neste caso, do braço esquerdo do Marcelo e um braço esquerdo para pênalti. De qualquer maneira, tudo certo, porque foi gol e a partir daí está tudo resolvido em relação a este lance. Mas, e termino com isto, este lance, se não fosse gol, para mim era motivo para pontapé de pênalti.

Primeira parte está analisada. Segunda parte, livre, minuto 50 é o livre que resta o gol do Vitor Giokers. É o 3x0 para o Sporting.

Sim, é porque o Bernard vai nas suas costas e é o Giokers que com o pé direito vai ao contato das pernas do Bernard, abrindo a perna. Nesta perspectiva, pode dar asa que as pessoas interpretem que ele sacou a falta que foi feita nas costas mesmo na entrada da área. A questão está no braço direito do Bernard que, no meu ponto de vista, ao colocar também sobre o braço direito do Giokers, tipo agarra e puxa, faz dois movimentos simultâneos, desequilibra completamente o Giokers. E portanto, para mim, não obstante depois A ver o contacto na perna provocado por Gyökeres e isso faz com que o Gyökeres caia, a infração em si existe. Ainda por cima, um jogador que está de frente, em posição ganha, vai na frente em relação ao adversário, está nas costas, qualquer agarrão, puxão, qualquer toque no braço é suficiente para desequilibrar alguém que vai em movimento, a deambular ali na entrada da área. Por isso, como deste livre nasceu o gol, para mim era importante falar deste lance, porque para mim há efetivamente uma falta e o livre direto foi bem assinalado. Desculpe, e cartão amarelo.

E o amarelo.

O árbitro, amarelo, porque cortou um ataque promissor.

O gol do Moreirense, o que é que se pode dizer?

Sim, primeiro o Frimpong no corredor esquerdo não está em fora de jogo. Antes, o Hoolman tinha feito falta sobre um adversário. O árbitro deu a lei da vantagem e aquela falta, se o árbitro até para ali o lance, seria para cartão amarelo. Mas de qualquer maneira, o Frimpong acaba por receber a bola. Portanto, o árbitro dá a lei da vantagem, a bola sobe pelo corredor esquerdo para o Frimpong, não está em fora de jogo. E depois o Cédric nas costas do Maxi Araújo, não empurra, não carrega, porque o Maxi Araújo de repente fica ali a queixar-se e desequilibrado como quem tivesse sido carregado ou empurrado na área, não foi. E, portanto, este gol do Moreirense é todo ele, nestas três componentes, correta, porque realmente há falta a favor do Moreirense, lei da vantagem, tudo certo. Frimpong no corredor esquerdo não está fora de jogo e depois o Cédric que faz o gol, acaba por fazê-lo sem qualquer falta sobre o Maxi Araújo.

Cartão amarelo para Viktor Gyökeres, é aquela simulação de pênalti.

Certo. Sim, e é mesmo simulação. Eu tenho sempre o cuidado de dizer que não gosto muito que os árbitros mostrem cartões amarelos quando há situações de contacto. Por quê? Porque a simulação tem que ser muito clara e evidente para que nós possamos dizer que sim, o jogador simulou. De qualquer maneira, este é um lance com características diferentes. O Marcelo está na frente do Gyökeres, tem a sua perna direita aberta. Primeiro, não faz falta, o Marcelo não rasteira, não impede a progressão, já tem a sua posição ganha e é o Gyökeres, e percebe-se que de forma muito clara, acaba por se projetar e abrir a perna direita ao contato da perna direita do Marcelo. Ou seja, não só não sofre falta, como provoca aquele contacto e projeta-se claramente para o chão. Ele não se desequilibrou porque bateu ali. Não, ele projetou-se para o chão na tentativa de ganhar o pênalti. Percebe-se isso com as repetições. E por isso, neste caso concreto, não só há pênalti, como há mesmo simulação. E por isso cartão amarelo ao Gyökeres, correto.

Minuto 66, aqui cartão amarelo para Maranhão.

Sim, é uma tesoura sobre o Maxi Araújo, feita por trás, vai lateralmente, mas ligeiramente mais atrás, faz uma tesoura, rasteira ao Maxi Araújo e, portanto, livre direto e cartão amarelo. Na sequência, o Hoolman tem que ter mais cuidado, já falámos aqui sobre a sua personalidade, porque o Hoolman como vai na direção de toda aquela jogada, o árbitro abre o braço esquerdo na tentativa de impedir que ele fosse, porque é essa a impressão que se tem, parece que ele vai tirar de esforço ao jogador adversário. E para evitar que houvesse ali contato, o árbitro ligeiramente abre o braço esquerdo para evitar, para impedir que o Hoolman chegue lá. E o Hoolman dá ali um gesto de um chega para lá na mão, não é bem uma palmada, porque aí teríamos a fazer outra coisa, mas é um chega para lá na mão, no braço. E estas situações são sempre muito complicadas, porque é a questão do respeito que tens que ter pela aquilo que é a autoridade máxima do jogo, que é o árbitro, e se o protesto em si, muitas vezes e gestos, já são complicados ao colocar essa autoridade, independentemente do jogador ter ou não razão, contactos físicos desta natureza, nestes momentos, são sempre mais complicados. E, portanto, uma chamar a atenção aqui para o Hoolman, que se tivesse visto o cartão amarelo, era adequado, porque não pode ter o comportamento que tem, ainda por cima, tendo as responsabilidades que tem como capitão do Sporting.

Entretanto, a entrada no último quarto de hora. Minuto 74, aqui um cartão amarelo para o Dinis Pinto.

Pois, é aquele lance que o árbitro não mostrou o cartão amarelo e depois de falar ligeiro com ele é que puxa do cartão amarelo. Até ficamos com aquela ideia, poucas para o banco do Sporting, algo que disse ao árbitro, algum protesto. De certeza que foi dentro deste contexto das palavras, porque o árbitro não iria mostrar cartão amarelo se não tivesse como base alguma contestação, protesto, alguma palavra que foi dita e incorreta por parte da equipe, neste caso, do Dinis Pinto.

Muito perto do fim, há aqui lance com o Santos justo. Ele faz ou não pênalti?

Eu vou dar como não pênalti, porque as imagens que nos foram dadas na transmissão são imagens ligeiramente longe e afastadas. Eu sou a favor dos contactos, mas os jogadores na situação defensiva também têm que ter algum cuidado com os contactos. O Seijust pôs-se um bocadinho que a jeito, porque dá uma maneira ao saltar, acaba por provocar o contacto nas costas do Rúben Ramos, que se projeta para frente como quem é atingido com qualquer coisa na cabeça. O que eu quero dizer com isto? O contacto existe. Tenho muitas dúvidas que a carga tenha sido incorreta, porque as imagens não mostram isso de forma clara. Além disso, a certeza que eu tenho, e para basear o não assinalar, neste caso, pontapé de pênalti, é que a maneira como o Rúben Ramos se projeta para frente, não joga, por assim dizer, com o contacto que teve nas costas. Ou seja, acho que é demasiado exagerado e nós sabemos que esta questão do empurrar, do saltar, do carregar, tem que haver uma causa e um efeito. Não basta que haja este tipo de contacto, é preciso que produza um efeito. O jogador não consegue puxar a bola, não chega à bola, não consegue rematar, não consegue cabecear, ou remata com dificuldade, ou remata de forma defeituosa. Quer dizer, tem que haver uma consequência. E neste caso concreto, a consequência aqui é a maneira como ele se projeta e acaba por cair. E é isto que parece que não joga com o contacto que ele teve nas costas. Ou seja, demasiado exagerado na maneira como se projeta. Obviamente, se houver falta, não é isso que anula a falta. Agora, eu com as repetições, não tenho certezas para poder dizer de forma clara que sim, estamos perante uma situação de uma carga nas costas de possível pênalti e, por isso, neste caso, vou dar com a pulga atrás da orelha, neste lance, mas vou dar claramente o benefício da dúvida à decisão, neste caso, da equipe de arbitragem, vou dar como válida esta decisão.

Então que nota para Fábio Veríssimo?

Eu vou dar nota seis. Há aqui muitas fronteiras de dúvidas. Há aqui a questão, como falei, daquela questão do Hoolman, a questão do respeito, que parece que o Fábio Veríssimo ainda não conseguiu, e já estamos a falar de um árbitro que já está cá há muitos anos, com muitos jogos, hoje fez o jogo 186, um árbitro já com 42 anos, e parece que falta sempre aqui qualquer coisa para ele conseguir conquistar em pleno o respeito. Eu estive aqui na dúvida entre o seis e o sete. Eu, mesmo com as dúvidas dos lances, não posso penalizar um árbitro em lance em que eu não tenho a certeza que ele errou, como é o caso, mas fica aqui pulga atrás da orelha, sobretudo neste lance do minuto 86 do Seijust com o Rúben Ramos. Fica essa questão do Hoolman, que podia ter visto efetivamente ali o cartão amarelo. A maneira como ele gere, embora tenha razão, mas podia ter feito uma gestão diferente, se calhar, em relação ao lance do Hoolman. Enfim, há aqui muitas situações fronteira que metiram um pouco aquilo que podia ser uma nota um bocadinho mais alta. De qualquer maneira, nota positiva, nota seis, porque naquilo que é essencial, eu acho que acertou nas decisões principais e acaba por não ter impacto. Ou seja, não vimos o Moreirense, neste caso, que perdeu o jogo, a queixar-se da arbitragem como tendo sido esse o motivo e a razão. E isso também é um bom indicador de que esta arbitragem, tal como a arbitragem do jogo do Porto, depois de um fim de semana bastante tribulado como foi a semana passada, acaba por ser bom, porque os jogos do Porto, Sporting, e amanhã vamos ter um jogo difícil do Benfica, são sempre jogos que dão grande projeção para o positivo e para o negativo e depois de um fim de semana bastante tribulado, estamos neste momento num momento bom. Por isso, nota seis para a equipe liderada por Fábio Veríssimo.

Nota seis atribuída pelo Pedro Henriques. Amanhã, Pedro, de volta então.

Sim, e com grande jogo. Todos os jogos são grandes, mas amanhã percebemos claramente que um Vitória Sport Club com um Benfica é mesmo um destes grandes jogos e, portanto, estaremos cá atentos a todas as incidências da arbitragem.

Fica disponível sem falta através de podcast da Rádio Observador. Pedro, continuação de uma boa Páscoa e até amanhã.

Até amanhã, boa noite.

Grande abraço.