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Está no ar mais um Sem Falta, hoje com a minha estrelinha europeia e também com a análise à arbitragem de Sandro Schärer, o árbitro suíço que apitou a vitória do Sporting por cinco bolas a zero frente ao Bodø/Glimt. Virou assim a eliminatória a equipa do Sporting, mas Pedro Henriques, o que nos trazes é a questão da técnica da arbitragem. Muito bem-vindo.
Muito boa tarde. Boa tarde? Já é boa noite.
Já é boa noite. Começou à tarde, mas nunca nos vemos.
Começou à tarde, mas agora é boa noite.
E agora vamos começar, Pedro, com o minuto seis, porque há um amarelo para Blomberg, da equipa do Bodø/Glimt. Bem mostrado?
Sim. O árbitro começou relativamente cedo a puxar os cartões amarelos e mostrou sete, e este foi o primeiro. É uma entrada bastante durinha, negligente do Blomberg, que sem qualquer possibilidade de disputar a bola, que na altura foi intercetada de cabeça pelo Max Araújo, isto na área do Sporting, ele projeta-se e acaba por acertar. Na altura pareceu-me que tinha sido com o corpo, mas vi melhor depois as repetições, acertou mesmo com a zona do braço, cotovelo, na cabeça do jogador do Sporting e daí o cartão branco ter sido bem mostrado.
Temos depois, ao minuto 34, o gol do Gonçalo Inácio, de canto de cabeça. Tudo legal também, Pedro?
Sim, duas coisas a dizer: aparece um jogador no chão, que é o número seis, e há um jogador que é o número cinco, já vou pôr os nomes neles, que supostamente poderia não ter saltado porque o Gonçalo Inácio teria apoiado sobre ele. Primeiro aspeto, o canto é batido, o Gonçalo Inácio cabeceia e faz o gol. Quem salta com ele e em contacto lateral é o Gundersen e portanto quem acaba por cair, cai porque choca contra o Gonçalo Inácio. O Gonçalo Inácio não empurra, não carrega, não faz nenhuma infração. E o Bjørkan, que é o que está à frente tanto do Gundersen como do Gonçalo Inácio, a dado momento vê-se ali duas mãos sobre os ombros. Uma delas é do Gundersen, ou seja, o próprio colega saltou apoiado no Bjørkan. E o Gonçalo Inácio tem ali um momento de contacto, não de apoio, mas de contacto também com a mão. Portanto, tudo certo. Isto dito de outra maneira, Gonçalo Inácio não faz falta nem sobre o Gundersen nem sobre o Bjørkan, gol legal.
Temos depois, Pedro, ao minuto 44, uma reclamação de pênalti na área do Bodø/Glimt, uma eventual falta sobre Fresneda. Resta saber se havia motivos para isso.
Não, boa decisão, até porque depois a repetição mostra uma coisa exatamente ao contrário. Quem fez falta foi Ivan Fresneda. É aquelas situações em que um jogador, e neste caso o Fresneda, o que ele fez foi com a sua mão esquerda, com o braço dobrado, mas com a sua mão esquerda agarra e puxa o braço direito do Bjørkan. E depois cai pedindo pênalti. Fica aquela ideia que ele teria sido impedido com o braço. Ele, Fresneda, mas não, quem fez a falta, aliás, havia falta, mas era falta atacante. O árbitro não marcou nada, menos mal, porque daí não resultou nada, agora pênalti é que não era, porque quem fez falta foi mesmo o Fresneda.
Temos depois, Pedro, ao minuto 46, já na segunda parte, um amarelo para Hjulmand, que vai deixar o capitão da equipa do Sporting de fora do próximo compromisso europeu.
Com o Arsenal, muito provavelmente, como as coisas estão. É com o Blomberg, é uma situação em que o Hjulmand, à entrada da área leonina, portanto, em situação defensiva, vem por trás e agarra, puxa o seu adversário, neste caso o Blomberg, e corta um ataque prometedor, cartão amarelo bem mostrado.
Temos depois, Pedro, ao minuto 52, mais uma reclamação de pênalti na área do Bodø/Glimt para os homens do Sporting, desta vez por uma ação sobre Geny Catame.
Exatamente. É aquele lance em que o Geny Catame consegue rematar com o pé direito, se não estou em erro. Não houve grandes queixas, mas ficou a dúvida se o Bjørkan, que era quem estava em marcação lateral, teria puxado o braço do Geny Catame. Realmente, o Bjørkan promove um ligeiro contacto lateral com a mão direita ao nível do braço esquerdo do Geny, mas é exatamente naquelas situações em que os jogadores muitas vezes utilizam os braços para sentir o adversário. Ou seja, não estás a agarrar, não estás a puxar, tens ali o contacto para sentir o corpo, sentir o jogador. E, portanto, não há aquele empate, o Geny não ficou impedido de rematar ou ter rematado com dificuldade porque eventualmente estaria a ser puxado, carregado ou agarrado. Nada disso. Mais uma decisão correta dentro da área, sem motivo para pontapé de pênalti, neste caso, que seria a favor do Sporting.
Ao minuto 67, temos novo amarelo para um homem de amarelo. Desta feita, do Bodø/Glimt, foi Hauge que viu o amarelo, Pedro, ao minuto 67.
Minuto? 67.
67, 67.
67. Estava a pensar em 77.
Não, é 67.
Ok. É isso. É o Hauge. Pensava agora 77, peraí, faltam quilómetros. E um deles é muito importante. No minuto 67, o Hauge, na disputa de bola com o Max Araújo, o Hauge está em situação de ataque, o Max Araújo está no seu corredor esquerdo, em situação defensiva, junto à sua área, quando faz uma finta para a direita e para a esquerda, o Hauge, ao esticar a perna esquerda, acerta um enxerto sólido com os pitões no pé esquerdo do Max Araújo. Uma entrada muito dura, negligente e muito bem mostrado o cartão amarelo.
Temos depois, ao minuto 73, Pedro, um amarelo para um homem do Sporting. Foi Ivan Fresneda, exatamente.
Exatamente. É uma falta sobre o Bjørkan, uma entrada também dura, negligente, passível de cartão amarelo. É aquela situação em que ele vem por trás, não para o movimento, não é que dê com a sola, mas acerta com o seu pé esquerdo na perna esquerda do Fredrik Bjørkan e, portanto, cartão amarelo bem mostrado por esta entrada negligente.
Bjørkan, que ao minuto 75 foi o responsável por aquela mão que fez primeiro o avalado explodir de raiva e depois, da análise do árbitro, a vídeo-árbitro, explodir de alegria.
Certo, o árbitro tem dificuldade em perceber até se houve mão ou não, porque uma coisa é vermos a mão e depois analisar sim ou não, outra coisa é que dá a ideia que ele nem se apercebe disso. É um cruzamento do Frederico Esgaio e a bola é interceptada pelo Björkan. A bola resvala na barriga e, portanto, não é daquelas bolas que vai logo direitinha ao braço, mas não é propriamente um ressalto, aquelas situações em que ressalta do corpo e depois vai à mão. Além disso, o Björkan tem a zona do braço encostada ao corpo, mas o antebraço, a partir do cotovelo para frente, e a mão inclusivamente, completamente fora do plano do corpo, a ganhar volumetria, a fazer o chamado "make the body big", a tornar o corpo maior, a aumentar aquilo que nós fazemos quando muitas vezes utilizamos os braços e as mãos para dar extensão ao nosso corpo. E com isto, até vou mais longe, ele até faz aquele movimento de forma deliberada, está ali um movimento deliberado de interceção da bola. E por isso, pontapé de penalty bem assinalado, com o vídeo-árbitro a ter um papel muito relevante e importante, porque reparem que este é o golo que empata a eliminatória, portanto tem um papel decisivo e importante para aquilo que foi o desfecho da eliminatória.
Temos depois, já em período de prolongamento, ao minuto 92, golo de Maxi Pereira Hugo, explosão de alegria em Alvalade. Resta saber se também tudo bem do ponto de vista disciplinar, Pedro.
Sim, aqui não é a questão disciplinar, mas é a questão do fora de jogo, que não há. É o Nuno Santos que assiste o Daniel Bragança e o Daniel Bragança está claramente em jogo, não está em fora de jogo e depois não há continue. A jogada segue e o Maxi marca o respetivo golo. Este lance depois mais à frente é recuperado pela televisão, com as imagens do fora de jogo semiautomático, em que se vê claramente o jogador do Bodø/Glimt a colocar, neste caso, o Bragança em jogo e, portanto, tudo legal.
Temos ao minuto 104, também no prolongamento, amarelo para Nuno Santos. Bem mostrado?
Sim, por protestos com gesto. É uma falta que o árbitro marca do Trincão, cometida pelo Trincão, e o Nuno Santos que está perto protesta, faz um movimento de deviamento com o braço e o árbitro mostra cartão amarelo por esse protesto.
E temos depois, Pedro, ao minuto 105 mais dois, ainda na primeira parte do prolongamento, amarelo para Bassi, do Bodø/Glimt.
Porque o árbitro termina o jogo quando a bola está na posse do Bodø e numa situação relativamente próxima da área. Por causa desse protesto, cartão amarelo. Dizer duas coisas rápidas. Primeiro, a partir do momento que o árbitro entende que o jogo terminou, sob o ponto de vista do tempo, e neste caso com o tempo extra, pode terminar o jogo em toda e qualquer situação. Nem que tenha assinalado um livre direto à entrada da área, uma coisa qualquer, e já não deixe marcar o livre, ou num pontapé de canto, ou até quando o jogador está no limite, para as pessoas que percebem em termos leigos, quando vai isolado. Só não o pode fazer quando há o assinalado um pontapé de penalty, e aí, mesmo que olhe para o relógio e diga: "Olhe, o tempo terminou", é a única exceção em que é obrigado a deixar executar o pontapé de penalty. Dizer ainda que aquilo que está aconselhado aos árbitros é tentarem terminar o jogo em situações de bolas neutras. Por uma questão de bom senso, evitar quando a equipa está a atacar, num pontapé de canto, num livre à entrada da área. E nesse sentido, embora o tempo já tenha sido esgotado, o árbitro podia eventualmente ter apitado um ou dois segundinhos antes, evitando que a bola chegasse a uma zona tão à frente. De qualquer maneira, o árbitro não cometeu nenhum erro e o protesto, por muita razão que o jogador tivesse, que não tem, acaba sempre por ser punido com cartão amarelo.
Temos ao minuto 111, mais uma reclamação de penalty na área do Bodø/Glimt por parte dos homens do Sporting, desta feita no lance a acontecer sobre Hjulmand, o capitão do Sporting.
Exatamente. São dois cruzamentos e duas interseções de bola com o peito do Hjulmand. Na primeira, ele tem o braço encostado e ao longo do corpo e depois a bola volta outra vez para um jogador do Bodø, que faz outra vez o cruzamento e o Hjulmand já teve o cuidado até de agarrar a mão esquerda com a mão direita atrás das costas, que é aquela questão que é: "Eu já não consigo fazer mais para tirar os braços daqui, portanto, se a bola bater no braço, eu não consigo fazer mais, está junto ao corpo". E esta questão, tanto no primeiro como no segundo, braço ao longo do corpo, junto ao corpo, sem volumetria, e ainda por cima no segundo com as mãos agarradas, retiram qualquer circunstância em que uma bola e eventualmente mesmo batendo no braço, possa ser penalizada. Neste caso, foi com o peito que interceptou, sem motivo para o pontapé de penalty, mais uma boa decisão.
Temos depois, Pedro, ainda nos lances deste jogo, que foi de resultado épico para a equipa do Sporting, ao minuto 118, amarelo para Saltnes, também da equipa do Bodø/Glimt.
Conforme o Sporting estava a atacar, corredor direito já próximo da área do Bodø/Glimt, conforme o Bodø/Glimt está a defender no lado esquerdo, o Saltnes, ao saltar, acerta com o braço na cara do Rafael Nel e daí o árbitro bem assinalar o livre direto e mostrar o cartão amarelo por este toque. Quando eu disse cara, mais concretamente cabeça do adversário. Portanto, é a tal zona de proteção e tudo o que é braço e cotovelos, normalmente, além da sanção técnica do livre direto, é penalizada pelo menos com o cartão amarelo, a não ser que haja uma agressão, que não foi o caso. Portanto, bem aqui na questão do cartão amarelo.
E resta saber, Pedro, que nota merece Sandro Schärer, que hoje apitou esta vitória épica do Sporting frente ao Bodø/Glimt por 5x0, um árbitro de boa memória para as hóspedes portuguesas, que já tinha apitado também a final da Liga das Nações.
É isso mesmo. Essa final foi muito importante para Portugal, o 5x3 sobre Espanha. Agora também aqui num jogo que acaba por ser para o Sporting, mas também acho que para Portugal, histórico e épico, mas a minha opinião deixamos para a "O Campeão É".
Para o "O Campeão É", muito bem.
Exatamente. E tenho muito para dizer. Estou a brincar. Não, isto para dizer que a nota vai ser muito alta, porque temos um jogo em que o árbitro soube a perfeição. E quando digo o árbitro soube a perfeição, quando falhou ou quando não acertou, aparece o vídeo-árbitro. E é isto que é muito relevante e importante. Repara que o vídeo-árbitro aparece num 3x0, no momento do 3x0, de um penalty, que depois dá o 3x0, e que é praticamente decisivo para aquilo que imaginamos que não tinha acontecido. E o Sporting esta época tem dois ou três jogos, aliás, este é o terceiro ou quarto jogo em que, se não fosse a videoarbitragem, o Sporting não tinha ficado nos oito primeiros. Provavelmente, o Sporting nem tinha sido apurado para esta fase da Liga dos Campeões e nós percebemos aqui a importância e qual a implicação que isto tem em termos de milhões. E exemplos que não se trata só de um penalty, era aquelas situações de um árbitro marcar um penalty, depois afinal não era penalty, depois até deu expulsão ao adversário. Enfim, temos aqui várias situações de vários jogos do Sporting para nós relevarmos aqui a importância do vídeo-árbitro. Sobre este jogo, especificamente, vou dar nota oito. O árbitro esteve muito bem na gestão técnica, gestão disciplinar. Tivemos imensos casos de área que fomos aqui descrevendo, todos eles bem decididos pela equipa de arbitragem. Os assistentes estiveram bem no acompanhamento que fizeram também, sobretudo ao nível dos fora de jogo. E no momento em que o árbitro não acertou, aparece o vídeo-árbitro num lance de penalty. Por isso eu diria nota oito para o árbitro, porque árbitro e vídeo-árbitro em plano muito elevado.
Fica dada essa nota elevada para Sandro Schärer, o árbitro suíço que apitou a vitória do Sporting em casa frente ao Bodø/Glimt por cinco bolas a zero, jogo que valeu passagem histórica dos Leões aos quartos de final da Liga dos Campeões. Pedro Henriques, já sabemos que amanhã há "O Campeão É". De resto, emissões, vamos já na próxima quinta-feira ter novo compromisso europeu com esse Estugarda-Porto.
E amanhã temos o Braga, que não vamos acompanhar em direto, mas vamos torcer.
Mas que do portal vamos torcer, com toda a certeza. Um grande abraço.
Exatamente. Um abraço, obrigado.