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Vamos a mais uma edição do "Sem Falta", na Rádio Observador, como sempre, com o Pedro Henriques. Pedro, seje muito bem-vindo. Vamos olhar para o trabalho do árbitro Tobias Stieler, juiz alemão que esteve no comando deste jogo entre o Sporting e Clube Rouge, a contar para a Liga dos Campeões. E vamos, sem mais demoras, olhar e falar sobre estes lances, Pedro, sendo que ao minuto nove, talvez um dos lances mais importantes da partida, envolve Morten Hjulmand, jogador do Sporting que viu cartão vermelho direto, mas após revisão do VAR, o lance acabou por ser revertido e o médio do Sporting viu apenas amarelo. A decisão foi correta, Pedro?
Sim, foi correta, depois de o VAR ter feito a sua intervenção. O que o árbitro vê, até porque cá em Portugal nós temos andado a discutir muito isso e o diretor técnico nacional tem posto muita ênfase e depois até naqueles programas semanais que vai fazendo, agrupou uma série de lances que todos nós temos na cabeça. Logo na primeira jornada, o Vitória Esporte Clube com o Guimarães, que foi dada amarela e era pra vermelho, aquela situação sobre o Gonçalo Inácio, pitons, sola. Ou seja, o que a UEFA, o International Board e a UEFA têm dito é tudo o que seja pés desgovernados, entradas em karatê, são as expressões que eles utilizam, solas, pitons, acima, sobretudo, do joelho, mais grave se é acima da cintura e que depois acertam no adversário, conduta violenta, cartão vermelho. Isto para evitar exatamente esse tipo de entradas um bocadinho assassinas, mesmo que muitas vezes os jogadores tenham a dita intenção de jogar a bola, se acertarem ou deixar. E o que o árbitro vê é realmente o Hjulmand entrar com o pé direito todo no ar, de sola, pitons, e supostamente a ter atingido de sola o seu adversário, e por isso não hesitou em mostrar o cartão vermelho, porque isto é um momento muito rápido. Ainda por cima o jogador ficou-se ali a queixar. Quando se vê depois a repetição, percebe-se que não é bem assim. Realmente, o Hjulmand levanta o pé direito, muito alto, toca na bola, mas isso, sendo um ato inuante, por si só não chega. E depois, e aqui é que está, realmente o por que não é vermelho. Ele dobra a sua perna e vai acertar no ombro, braço, ombro do seu adversário, mais concretamente de Sankovic, com a canela. E portanto, nunca lhe acertou com os pitons de sola. E é isto que faz com que não seja uma entrada para conduta violenta. Lá está o tal cartão vermelho, que eventualmente o árbitro tinha visto, mas sim a chamada entrada negligente, que não tem em conta o perigo e as consequências do seu ato na maneira como aborda o lance. Por isso, bem o VAR e o árbitro também com as repetições, não teve dúvidas e portanto, aqui está um bom exemplo daquilo para o qual o VAR foi criado, na sua essência, que é para erros claros e óbvios, para evitar gols com a mão, gols em fora de jogo, e este tipo de entradas que às vezes são mesmo para vermelho ou estas que eram erro grave. Repara, estamos com nove minutos de jogo. Num jogo normal, o Sporting ficaria, normal no sentido sem VAR, ficaria reduzido a 10, ainda por cima de forma injusta, obviamente, e porventura não estaríamos a falar do resultado que o Sporting obteve. E portanto, a importância do VAR é para repor esta verdade desportiva e neste caso foi crucial esta sua intervenção.
Vamos avançar, Pedro. Minuto 19, um lance de cartão amarelo para Onyedika. No teu entender, foi bem mostrado ou não?
Foi bem mostrado, mas isto é daqueles lances que na primeira repetição, que é vista pela câmera que está a transmitir o jogo e, portanto, digamos, a meio do meio-campo está uma câmera, que é a chamada master, e depois tem uma de plano de curtos. Não há dúvidas que o Kenda quando faz a finta, e ele vai entrar pelo biqueirário, do lado esquerdo, vê-se que o Onyedika estica a sua perna esquerda e provavelmente teria arrastado de forma muito clara e evidente o Kenda quando ele vai entrar na área, portanto, livre direto e cartão amarelo. Curiosamente, eu vou dar como boa a decisão, mas por trás da baliza, percebe-se que ele ao esticar a perna esquerda, obviamente que se põe a jeito num possível contacto, mas que o Kenda, também ele próprio, sabendo daquela perna pra frente, se projeta e também ele próprio promove o contato. Não há simulação, mas isto para dizer que o Kenda sabe tirar partido, é daquelas faltas bem sacadas. E por isso, há contacto, há infração, livre direto e cartão amarelo, mas não deixa de ser engraçado como duas imagens vistas, digamos, por trás da baliza e outra vista por trás do Kenda e outra vista por trás do seu adversário, como dão perspectivas diferentes. É por isso que o VAR é muito importante para às vezes analisar coisas que para o árbitro, para os olhos do árbitro, muitas vezes são decisões muito claras e óbvias e que depois não são no papel. Cartão amarelo bem mostrado.
E Pedro, ainda o último lance que tens aqui a assinalar da primeira parte é o minuto 29. No teu entender, não há pênalti sobre o Tsolis.
Não. As três repetições são muito más e só na primeira repetição, em que aparece, repara no canto superior direito da televisão, o momento do contato devia estar ao centro da imagem, fica a ideia de que o Frasnedi, que está a correr nas costas do Christos Tsolis, tem ali um momento em que a gente para a imagem e fica a ideia que o pé esquerdo está encostado ao pé esquerdo, porque repara que o Tsolis cai e fica-se a queixar de ter sido pisado no pé esquerdo e, portanto, tem que se procurar porque ele se queixa daquele pé. E há ali momento, talvez, de um possível, eu nem lhe vou chamar pisão, de um contacto lateral. Para mim, com estas repetições, e então em movimento normal, parece-me que é um toque de raspão, claramente inconsequente e que nada tem a ver com a queda. E por isso eu vou dar como boa a decisão de não haver pênalti. E com esta questão, nós só temos estas três posições, mas o VAR tem todas as câmaras e tem todas as posições que quiser. E se ele tem todas as posições que quiser e viu com certeza ampliado vários ângulos e não num canto superior da imagem, e se ele próprio valida a decisão de não ser pênalti, portanto, aquilo que é a minha impressão, provavelmente também estará correta e por isso boa decisão sem pênalti.
Vamos avançar para a segunda parte, minuto 50, novo lance de área. No teu entender, Pedro, não há penalti de Fresneda.
Não. É junto à linha de baliza. O Fresneda estava a fazer como defesa direito naquele momento, cruzamento do Tzolis praticamente em cima da linha de baliza. A bola bate no solo, sobe e de ressalto vai ao cotovelo esquerdo do Fresneda, depois sai pela linha de baliza e o árbitro apita o pé de canto. O Fresneda faz aquilo que é, podendo não dar muito jeito, mas é o que eu digo aos jogadores, não dá jeito nenhum andar a correr com as mãos atrás das costas. Eu percebo isso, ergonomicamente não serve para um jogador correr, mas é a solução para que se uma bola bater na mão ou braço, neste caso cotovelo, o árbitro nunca punir. Por quê? Porque tu estás a mostrar claramente que tens as mãos atrás das costas e que não queres, não podes fazer mais nada, já não consegues tirar dali os braços. E se a bola bater no braço, tu não tens culpa. Portanto, não há movimento deliberado, não há voluntariedade, não há nada. E por isso, a bola vai ao cotovelo de um braço que está junto e encostado ao corpo, com as mãos dadas atrás das costas, sem voluntariedade, portanto, sem penalti.
Pedro, avançamos. Minuto 68, cartão amarelo mostrado a Tzolis.
O árbitro tinha falado com eles, a malta estava um bocadinho picada. O Tzolis e o Fresneda tiveram vários lances juntos, como já vimos, e aqui é claramente o Fresneda em posição defensiva a proteger a bola e o Tzolis já estava um bocadinho farto do Fresneda e porventura o Fresneda dele. É o que a gente costuma dizer tirar de esforço. Vai com o pé direito para tirar a bola, já não está lá a bola e com o pé direito pisa, sola com os pitões de cima para baixo o pé direito do Fresneda. Uma entrada dura, negligente, passível de cartão amarelo, foi bem mostrado.
Falta-nos apenas um lance também de cartão amarelo.
Sim, para o João Quincez, que acabou por fazer aquilo que nós chamamos de varrer o seu adversário. Aqui o adversário, Trincão, a dois pés, meio tesoura, meio varridela, uma entrada dura, também negligente. Até virou o Francisco Trincão, que levantou, como a gente costuma levantar as pernas, levantou voo e, portanto, livre direto e cartão amarelo bem mostrado.
Ficam então analisados os lances. Falta a nota, Pedro Henriques. Tobias Stieler tem motivos para estar feliz?
Sim, eu acho que sim. Nota 7. Vou dar uma nota claramente positiva. Eu normalmente baixo um pouquinho a nota ao árbitro quando há a grande intervenção do VAR, mas é um lance tão decisivo e tão importante que eu vou englobar o VAR também nesta decisão e valorizar aquilo que o VAR faz neste jogo, que tem um momento em que vai agir e age, e é muito importante para o jogo e para aquilo que podia ter sido completamente, e repara a implicação que isto tem nos pontos e depois ir às oitavas de final e dinheiros, etc. Portanto, muito bem o VAR, que evitou um erro claramente grosseiro. Uma boa exibição, um jogo com apenas 22 faltas, três cartões amarelos, um deles ia sendo vermelho, mas foi amarelo e, portanto, vou dar nota 7, nota positiva. Com este único parêntesis, também aqui a desejar e espero uma boa recuperação do guarda-redes belga, do Noordin Jackers, que realmente num lance claramente fortuito, meramente casual, com o Blopa, acaba por sair, penso eu, bastante lesionado, por ter saído de maca e o tempo inteiro a ser assistido. E por isso, as melhoras para o guarda-redes. Foi talvez a nota menos positiva deste jogo. De resto, para o árbitro, nota 7.
Nota 7 dada pelo Pedro Henriques ao trabalho do árbitro alemão, que esteve no comando do jogo entre o Sporting e o Club Brugge para a Liga dos Campeões. E é desta forma que fechamos mais uma edição do "Sem Falta". Pedro Henriques, muito obrigado. É sempre um gosto.
Um abraço.