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Seja bem-vindo a mais um "Sem Falta", é o programa do Pedro Henriques. No final de cada emissão especial de desporto, avaliamos o trabalho da arbitragem. Anthony Taylor foi o árbitro inglês que esteve neste Sporting 2, Paris Saint-Germain 1, um belo resultado para a equipe portuguesa. Pedro Henriques, muito boa noite, bem-vindo mais uma vez. Numa primeira parte sem grandes incidências, com domínio claro do Paris Saint-Germain, e daí que a tua primeira análise incida ao minuto 29, num possível pênalti de Matheus Reis.

Sim, na altura tinha dito que tinha sido o Luís Suárez na área do Sporting, mas foi o Matheus Reis. É um momento em que há disputa de bola do Ricardo Mangas com o adversário. O Ricardo Mangas, ao cortar a bola, chuta a bola contra o Matheus Reis, que estava no chão. A primeira impressão é que a bola podia eventualmente ter batido no braço, mas não, pois com a repetição percebe-se que o Matheus Reis não só tira os braços para mostrar que estando no chão nem quer tocar na bola, mesmo que tocasse era sem querer, e a bola tocou-lhe ali na zona da anca, do lado direito do corpo. Portanto, tudo certo aqui, sem qualquer infração, nomeadamente a nível de pênalti.

Ao minuto 31 surge o gol do PSG, mas foi anulado.

Sim, e bem anulado, o gol foi do Emry, mas a recuperação de bola por parte do Paris Saint-Germain, que depois deu o gol do Emry, foi feita de forma faltosa. O Seni Mailu, com o pé direito, pontapeou a perna esquerda do Geny Catamo, e foi esse pontapé na perna do Geny Catamo que permitiu essa recuperação ilegal. O árbitro não viu, mas o VAR viu, e muito bem, e fez uma intervenção num momento crucial do jogo. E é para relembrar que as intervenções do VAR, nomeadamente em relação aos jogos da Champions do Sporting, fizeram toda a diferença. O próprio presidente do Sporting um dia destes tinha falado exatamente sobre isso, que em vez de estarem com 10 pontos, na altura votam com 13, podia estar só com três, e realmente na Champions têm sido muito assertivas as intervenções do vídeo-árbitro.

Seguimos para um outro gol anulado à equipe francesa ao minuto 42.

Eu diria que como título para este gol, que é tripla falta, portanto, é só escolher uma. No mesmo lance em que foi anulado o gol, neste caso até foi o Nuno Mendes que concretizou, há três infrações consecutivas e todas cometidas pelo Ousmane Dembélé. Primeiro, está em fora de jogo, depois carrega o Ruy Silva e joga a bola de forma deliberada com o braço direito. Era só escolher. Mas aquela que foi escolhida, e não é só escolher, obviamente, não é à sorte, aquela que foi assinalada, e bem, foi a primeira infração de todas, que é o momento do fora de jogo. Por isso, tudo certo.

Também um gol anulado ao minuto 58 ao PSG.

Sim, aqui foi o árbitro assistente que fez aquilo que diz o protocolo, que é deixar terminar a jogada e depois de terminar a jogada, levantar a bandeirola para anular o gol, porque realmente está fora de jogo. O Ousmane Dembélé estava adiantado em relação ao penúltimo adversário e, por isso, tudo certo também nesta decisão. Tivemos assim, de repente, três gols anulados, dois por fora de jogo e um por falta. E todas estas três situações que acabamos de falar, boas decisões.

Analisamos também ao minuto 59 esse amarelo que saiu para Mangas.

Sim, o Mangas vai em corrida por trás do Dembélé e acaba por com o braço direito empurrar as costas do avançado francês num lance já muito próximo de dar. E portanto, o árbitro considera aqui que houve um corte, e considerou bem, de um ataque protetor e cartão amarelo bem mostrado.

Ao minuto 74 surge o gol do Luís Suárez.

Sim, tudo legal, sem fora de jogo, o Geny Catamo remata, a bola vai bater no Vagyimis, o ressalto é nele, é no jogador do Sporting, que estava em posição legal e que depois acaba por fazer, sem querer, obviamente, esta assistência através desse toque ou passe pro Luís Suárez, que também está em posição legal. Nem quem leva a bola, o Vagyimis, nem depois o Suárez, estão em posição irregular e por isso tudo certo neste gol do Sporting.

Suárez, homem do jogo, acaba por marcar um segundo gol ao minuto 91, aqui também com tudo legal.

Sim, é o momento do remate do Trincão. O Suárez está claramente em posição legal, depois o guarda-redes defende e a bola sobra pro Suárez, que aparece isolado, mas o conto é o momento do remate do Trincão para análise fora de jogo, e o Suárez está em clara posição legal.

Suárez, que depois leva um amarelo por um puxão mais ostensivo sobre Kvaratskhelia.

Exatamente, eu não vou repetir esse nome.

Nem eu consigo fazê-lo novamente.

Kvaratskhelia, tem várias coisas, várias capas. Mas é a garra, de forma evidente e ostensiva por trás, uma falta tática, incorporamentito e desportivo. Aqui neste lance, só o jogador que sofre a falta, o Kvaratskhelia, penso que estarei a dizer bem, acaba também por escapar aqui ao cartão amarelo, e digo que é só amarelo porque não houve grandes repetições. Aliás, não houve nenhuma repetição para dar o momento, mas vê-se claramente que ele vai contra o Luís Suárez derrubando, e portanto, era um componentito desportivo que o árbitro aqui devia ter punido também com cartão amarelo.

Esse mesmo jogador da Geórgia que marcou o gol do Paris Saint-Germain, leva depois esse amarelo logo no minuto seguinte, que na altura parece até mais por protestos, não é?

Exatamente. Eu vou dizer o primeiro nome dele, que é o Kvara.

Mais fácil.

Ele começa com K o primeiro nome e Kvaratskhelia, portanto, também com K. A falta que ele faz sem bola, por si só, já podia ter sido para cartão amarelo. E o árbitro aqui, no meu ponto de vista, devia ter logo mostrado o cartão amarelo, mas ele vê cartão amarelo por causa da reação que o árbitro depois tem, quando se dirige em corrida para o árbitro, na direção do Anthony Taylor, a protestar. De qualquer maneira, saiu o cartão amarelo, mas devia ter mostrado, não era pelo protesto, mas sim pela falta que ele comete inicialmente.

E vamos ainda analisar um amarelo que saiu já ao minuto 96 para Ruy Silva.

Quase passou despercebido, mas levou cartão amarelo porque na tal livre, que praticamente é o último lance do jogo, depois a bola sai pela linha lateral e o Paris Saint-Germain faz o lançamento lateral e o jogo acaba. O Ruy Silva na reposição de bola retardou, demorou na execução, até o árbitro ter mostrado o cartão amarelo e portanto, por esta perda de tempo, acaba por ver o cartão amarelo e portanto, também é uma decisão correta.

Anthony Taylor é um árbitro conceituado do futebol inglês. Que nota ele merece nesta noite?

Vou dar seis, porque eu acho que na disciplina falhou ligeiramente naquela parte final. Nada de especial, mas falhou. Podia ter sido aqui mais impositivo, até porque o jogo estava lhe a correr bem. Tem uma falha que é grave, mas que é corrigida pelo VAR, que é aquela questão do minuto 31, em que se realmente o VAR não intervém, o jogo podia ter outro desfecho, e estaríamos aqui a falar de uma arbitragem completamente errada. Lógico que o VAR faz parte da equipe de arbitragem, mas eu, como vos digo sempre, dou sempre um pontinho a mais quando as decisões que são corretas são todas elas tomadas pelo árbitro. Quando é o VAR a ajudar, obviamente que há bonificação, é positivo, que interessa ao trabalho final, mas tiro sempre um pontinho, porque não foi o árbitro que decidiu bem, mas foi a ajuda do VAR. Mas de qualquer maneira, vou dar nota seis, nota positiva. Há três gols que foram todos bem anulados, um pelo VAR, dois pelos assistentes, a nível fora de jogo. Os dois gols do Sporting, não que tenham sido grande dúvida, mas também não há fora de jogo nesses gols e portanto, tudo certo. Na disciplina, alguma irregularidade, sobretudo na parte final, podia ter sido mais assertivo. De qualquer maneira, sai com nota alta. Estava aqui quatro amarelos, 21 faltas, portanto, tudo muito tranquilo e acho que quem perde não sai a se queixar do árbitro, quem ganha, obviamente, também não sai a se queixar. E por isso, isto é o melhor que um árbitro pode ter em termos daquilo que é a análise. Nota positiva para a equipe liderada por Anthony Taylor.

Muito bem, nota positiva também para a tua avaliação neste "Sem Falta". Obrigado, Pedro Henriques. Voltamos a encontrar numa próxima emissão especial de desporto aqui na Rádio Observador. Um abraço.

Um abraço.