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Está no ar mais um Sem Falta da Rádio Observador. A 30ª jornada tivemos derby arbitrado por João Pinheiro, um derby que terminou com a vitória do Benfica em casa do Sporting por duas bolas a uma. Mas, Pedro Henriques, a nós interessa-nos menos o resultado e mais as decisões técnicas do árbitro. Vamos aos lances desta partida.

Sim, senhor. E hoje, até porque temos dois Sem Faltas para fazer, dos dois jogos praticamente seguidos.

Vamos aqui correndo.

Exatamente. Vamos fazer então, para já o do derby, e vamos fazer seguido, como já fizemos noutras ocasiões. Em primeiro lugar, minuto 14, um dos momentos importantes do jogo, porque o árbitro não assinala nenhuma infração e é o VAR que intervém para chamar o árbitro ao monitor para dar um penalti. Um penalti de Aursnes sobre Trincão. E realmente, com a imagem, sobretudo com as imagens mostradas pelo vídeo-árbitro, mais do que a própria transmissão, percebe-se que é uma falta clara e óbvia, pois o Fredrik Aursnes com o pé direito, além de não tocar na bola, e este aspeto é muito importante, acabou por pisar de sola o pé esquerdo de Francisco Trincão, que acabou por cair e portanto há a tal consequência. Pontapé de penalti bem assinalado com intervenção do VAR. Depois, ao minuto 19, um outro lance muito importante que tem a ver exatamente com este momento do penalti. Reparem que foi ao minuto 14, mas depois foram-se quase cinco minutos entre ir ao VAR, de resolver tudo, e a execução do pontapé de penalti. E este minuto 19, que decorre deste pontapé de penalti, tem duas coisas. No primeiro lugar, a execução do penalti, quando a bola é pontapeada em relação ao guarda-redes Trubin, que diz a lei que deve ter pelo menos parte de um dos pés, quando a bola parte, a tocar ou alinhado ou atrás da linha de baliza. Isto significa que pode movimentar uma perna para a frente ou um pé para a frente, e desde que o outro esteja ou a pisar a linha, ou no enfamento da linha ou até invindo para dentro. E neste caso concreto, o Trubin tinha o pé esquerdo para a frente e o direito para trás da linha da baliza. Tudo certo sob o ponto de vista da defesa propriamente dita. O que está a gerar muita polémica nas redes sociais e tem inclusivamente órgãos de comunicação social com responsabilidade, que estão a replicar uma situação que eu já percebi que já começaram, não é bem a limpar, mas a desculparem-se, porque não tinham o conhecimento da alteração da lei. Porque no momento em que há o remate do Luís Suárez, o Schjelderup está já dentro da área, isto é, invadiu a área. E depois do Trubin defender, o primeiro a chegar à bola é o Schjelderup, que acaba por tocar na bola. Ora, até à alteração da lei, até à época passada, qualquer jogador, neste caso, vamos centrar em quem defende. Qualquer jogador que defende e que está a defender o penalti, se o seu guarda-redes defende essa bola e esse jogador que invadia a área, que é colega do guarda-redes, fosse o primeiro a tocar na bola, tinha impacto na jogada, era este o entendimento, e automaticamente o pontapé de penalti tinha que ser repetido. O que é que mudou na lei? Mudou e mudou bastante radicalmente, que diz o seguinte: um colega do guarda-redes, neste caso, Schjelderup em relação ao Trubin, só é punido por invasão se tiver claro impacto em duas pessoas, ou no executante ou se tem claro impacto noutro jogador qualquer, portanto o executante é o Luís Suárez, noutro jogador qualquer do Sporting, que o impedisse ou que fosse disputar essa bola com esse jogador do Sporting, ou evitasse que esse jogador do Sporting marcasse o gol, ou tentasse marcar um gol, ou que criasse uma oportunidade do gol. Em conclusão, se o jogador, neste caso entendo Schjelderup, só jogar a bola sem consequência para o adversário, não é para punir. Dito de outra maneira, quando nós paramos a imagem do Schjelderup a tocar na bola, o Luís Suárez está longe, está na zona da marca, não está lá sequer a tentar recarregar e não há nenhum outro jogador, e o Uhmmann é um dos que está ali mais próximo, que esteja a tentar chegar à bola ou esteja perto da bola. E portanto, dentro destas perspetivas, não há impacto em relação a qualquer jogador do Sporting. Resumindo e concluindo, antes da alteração da lei, o penalti tinha que ser repetido, atualmente já não é assim. E isto significa que podemos não concordar com a lei, porque realmente há um jogador que invade a área e que depois é o primeiro a chegar à bola e a tirar a bola, mas é um bocadinho a reboque do fora de jogo, estarem-se em fora de jogo e sei lá não sei se punir. Um bocadinho a reboque disso, quer dizer o seguinte: esse jogador, quando vai tirar a bola, e entende-se o Schjelderup, impede que o Luís Suárez, pondo agora os nomes, pudesse fazer a recarga? Claramente não, que estão completamente afastados um do outro e a bola está longe. Impede que outro jogador qualquer do Sporting que pudesse ir recarregar, tivesse a disputar a bola com ele, impedisse, e nós percebemos que não, porque não está lá nenhum jogador do Sporting. Aliás, quando paramos a imagem, está o Schjelderup e mais quatro ou cinco jogadores, se não estou em erro, do Benfica em torno e nenhum jogador próximo. Repito, podemos não concordar, mas é o que está escrito na lei e foi uma alteração. E para quem tiver dúvidas, lei 14, que é a lei do pontapé de penalti, página 130. Está lá o novo texto, a alteração em relação ao passado, no que diz respeito à invasão da área de jogadores defensores após o guarda-redes defender a bola. Por isso, concordando ou não, a decisão foi correta, porque aquilo que está nas redes sociais é que o penalti tinha que ser repetido. Posto isto, que foi o momento mais longo, porque realmente eu acho que era importante, porque é decisivo e é fundamental. Ainda na primeira parte, minuto 25.

Mas Pedro, então relativamente a este lance, podemos dizer que o árbitro fez bem em não mandar repetir o penalti do Sporting, por causa da mudança da regra.

Fez bem. Sabes que isto para o árbitro é muito difícil de ver. Árbitro, terreno de jogo. Isto é daquelas situações, por isso é que isto no futebol profissional tornou-se mais fácil, porque o VAR agora é só parar, tem imagens, para a imagem no momento da execução do penalti e depois verifica quem invadiu, quem não invadiu, verifica se o guarda-redes, que neste caso defendeu, se está irregular ou não está, já vimos que não, e depois, vendo o Schjelderup a invadir, vai ver se ele tem impacto, e a lei divide em dois, ou em relação ao executante ou a qualquer outro jogador, neste caso do Sporting. E portanto, mais do que o árbitro, que isto é tão rápido para o árbitro, digo-te já, é impossível ver, mas no futebol profissional tem o VAR. E o VAR fez bem, eu diria mais que o VAR fez bem em não mandar repetir o pontapé de penalti. E isto tem pouco de interpretação, é quase lei pura e dura, portanto, é uma alteração. Que as pessoas concordem ou não concordem, é outra questão. Agora, aqui, e isto é importante passarA decisão de não mandar o retiro penalti, à luz da lei e a alteração das leis de jogo, repito, lei 14, pontapé de penalti e página 130, correta a decisão de não mandar retiro penalti. Seguindo, se me permitires, vamos lá então. Minuto 25, temos o golo do Benfica em que há um cabeceamento de Otamendi para golo. Não, peço desculpa, é o pontapé de penalti. É o cabeceamento de Otamendi e o Morita intercepta a bola com a mão direita.

De costas e com a mão assim.

Exatamente.

Quase como se fosse um muro.

Dizer duas coisas. Primeiro lugar, o Morita fica-se a queixar que o Tomás Araújo o tenha empurrado pelas costas. Realmente, o Tomás Araújo tem ali um ligeiro e, para mim, inconsequente contacto com as mãos nas costas do Morita sem o empurrar, ponto número um. E a seguir, após o cabeceamento de Otamendi, o Morita tem a mão direita, o braço completamente aberto, acima da cabeça, afastado. Chamamos a isto completamente fora do plano de corpo, clara volumetria e é penalti. Mesmo estando de costas, a maneira como se quer que interprete a lei é que aquilo não é a posição natural para o braço estar. Obviamente que se ele fosse empurrado e resultasse esse braço no ar em função do empurrão, o árbitro teria assinalado a falta atacante. No meu ponto de vista, correta a decisão. Não há falta de Tomás Araújo nas costas de Morita. O Morita realmente intercepta a bola com a mão direita, completamente fora do plano do corpo e em clara volumetria e o penalti foi bem assinalado. Depois, ainda na primeira parte, minuto 32, há um momento em que o Ivanovic fica caído no chão. Fica a ideia que o Quaresma podia ter rasteirado, mas com a repetição, o Quaresma não rasteira, isto é pé direito em relação ao pé esquerdo do Ivanovic. Nem tenho a certeza se há um ligeiríssimo contacto, mas para mim, mesmo com esse ligeiríssimo contacto ou não, tudo legal e sem motivo para pontapé de penalti. E o minuto 37, em que há um cartão amarelo para o Umann, aqui por protesto. O Umann é capitão, já sabemos que podem falar com o árbitro, mas uma coisa é falar, outra coisa é protestar e colocar em questão as decisões dos árbitros. Não tenho a certeza que assim foi, mas nós só vemos as repetições e não percebemos o que está a ser dito e falado, mas de qualquer maneira, o árbitro mostrou o respectivo cartão amarelo. Depois, em relação à primeira parte, estamos conversados, e se então permitires, vamos passar para a segunda parte.

Vamos passar para a segunda, que acredito não tenha sido tão trabalhosa.

Não, tem pouca coisa. Tem aqui o minuto 53, o Rui Silva até sofreu uma falta, mas o árbitro é um livre batido para a área do Sporting, o Rui Silva sofre uma falta, o árbitro assinala não a falta, mas o fora de jogo, no fundo, a beneficiar, entre aspas, a equipa do Sporting, mas mesmo assim, o Rui Silva tem uma reação muito intempestiva, nem percebi bem se foi em relação ao árbitro, se foi em relação aos adversários, e o árbitro acaba por lhe mostrar o respectivo cartão amarelo. Depois, ao minuto 72, é o golo do Sporting, empate legal no momento do passe do cruzamento do Zé Dabast para o Morita. O Morita está em jogo, 110 centímetros e uma vez mais, no momento em que ele cabeceia, ele está nas costas de Ediks, há ali um contacto do braço nas costas de Ediks, mas não o empurra, não o carrega, não o tira da jogada, contacto absolutamente normal. E portanto, quer pela questão de fora de jogo, que não estava, quer pela eventual carga, que não existiu, o golo do Sporting ao minuto 72, na altura o empate, correto. Depois ao minuto 75, o Trubić viu o cartão amarelo supostamente no sentido de perder tempo na reposição de bola quando o pontapé de baliza, foi essa a interpretação que o árbitro fez. E depois, já nos descontos, no minuto 90 mais um, é o golo anulado ao Sporting. Percebe-se pelas imagens sem centímetros que no momento em que Francisco Trincão passa a bola para o Nél, ele está adiantado em relação ao penúltimo adversário. O assistente, depois da bola entrar na baliza, levanta a bandeirola, depois o VAR confirma e nós também percebemos logo, não é daqueles que deixava muitas dúvidas com as imagens paradas e portanto o gol, que seria o 2 x 1 na altura para o Sporting, foi bem anulado pelo árbitro, neste caso o árbitro assistente, e confirmado pelo VAR. Pronto, e com isto varremos os principais lances.

E vamos saber que nota merece a equipa de arbitragem liderada por João Pinheiro neste derby, que mereceu elogios, quer de Mourinho, quer de Rui Borges no final do jogo.

Sim, eu vou dar nota muito positiva, vou dar nota oito, vou começar por aí, porque é um derby, portanto é um jogo de grau de dificuldade bastante elevado. O VAR e o árbitro estiveram bem nos penaltis. Eu digo VAR e árbitro porque o primeiro, o pisão sobre o Trincão é o VAR que dá, o segundo, a mão do Morita é o árbitro que dá e portanto, tanto o VAR e árbitro estiveram bem nos penaltis e sobretudo nesta questão em que a alteração da lei impede a tal repetição do penalti defendido por Trubić. Obviamente que a responsabilidade última será sempre do árbitro, mas aqui seria claramente do VAR, porque só ele conseguiria ver a tal possível irregularidade, a entrada do Scheldrup e depois se tinha impacto em alguém ou não. Boa gestão disciplinar. Repara que é um jogo com 21 faltas e apenas três cartões amarelos. Eu diria que o único senão, e é algo que a nossa liga tem que rever, embora nestes jogos mais táticos e em que os resultados são muito importantes, até compreendo, mas tivemos 51 minutos de jogo jogado num total de 100. Foram quatro minutos na primeira parte, depois cinco, depois transformaram-se em seis na segunda, em cima dos 90, o que dá um tempo útil de 50,62, um tempo útil muito baixo. Mas isto aqui é um bocadinho, até num jogo que teve poucas faltas, até se esperava mais qualquer coisa disso. Mas nota oito, jogo difícil, que é sempre um jogo difícil, é um derby. VAR e árbitro estiveram bem nos penaltis, eu até escolheria isto como título, se fosse preciso, aqui para o nosso "Sem Falta", e por isso uma arbitragem claramente positiva. E é como tu dizes, eu da minha parte gostei muito da arbitragem de toda a equipa de arbitragem e por aquilo que também ouvi, tanto os dois treinadores, pelo menos, elogiaram também esta prestação.

Temos agora, Pedro, de fazer uma curta pausa neste "Sem Falta", porque vamos falar de um outro jogo.