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Verde, vermelho e amarelo são as três cores do semáforo à disposição da Judite de França e da Raquel Abrucassys, e que servem para analisar e avaliar temas e protagonistas da atualidade. Hoje vamos começar por ti, Raquel. Traz a este semáforo a audição de Pedro Passos Coelho no âmbito do julgamento do BES. Foi ouvido na qualidade de testemunha, prestou todos os esclarecimentos e mais alguns. O que é que tens a dizer sobre esta presença de Passos Coelho em tribunal?
Acho que é um bom momento para recordarmos o que aconteceu nessa altura. Estamos em 2025, isso traça em 2016. Onze anos, uma coisa qualquer assim, à boa moda da justiça portuguesa. Mas não é sobretudo de justiça que eu gostava de falar. Gostava de falar dessa decisão e do papel que Pedro Passos Coelho teve naquilo que foi o desfecho.
Já agora, deixa-me só fazer uma correção, 2014, bem me parecia. 2014 começou o caso, portanto 11 anos.
Exatamente, 2014. Sim. Que o governo Passos Coelho acabou em 2015. Exatamente. Mas gostava de falar dessa decisão que na altura Passos Coelho tomou, e foi sobre isso que ele hoje foi falar, testemunhar a tribunal. Foi uma decisão que na altura não foi fácil. Recordo-me bem dos tempos que se viviam nessa altura, do estatuto que Ricardo Salgado tinha na sociedade portuguesa, até entre os meios de comunicação social, porque na altura o Banco Espírito Santo patrocinava muito do que era a atividade da comunicação social, as conferências, os debates, etc. O Banco Espírito Santo era o banco mais importante do país. Nós estávamos a sair da situação financeira de bancarrota e Passos Coelho é confrontado, e eu apostaria, embora ele não testemunhou isso, que não terá sido a primeira vez que Ricardo Salgado bateu à porta da residência oficial do primeiro-ministro para pedir ajuda. Sim, não teria sido a primeira vez.
Não, isso sabe-se. Mas também houve primeiros-ministros, o mesmo, aliás, que também bateu à porta para o BES comprar a dívida pública. Foi o mesmo, não é?
Sim. Mas acho que Passos Coelho tomou a decisão certa, agora, 11 anos depois, como ele hoje dizia em tribunal, se na altura se tivesse metido naquele problema, ainda hoje estaríamos a pagar por ele e estaríamos todos numa situação bastante mais difícil.
Metido naquele problema, entenda-se nacionalizar o banco.
Sim, nacionalizar o banco, pedir à Caixa Geral de Depósitos que salvasse o banco. Enfim, todos aqueles detalhes de que ele hoje falou em tribunal, tudo isso teria sido uma péssima solução para todos nós. E acho que Passos Coelho teve, na altura, a coragem de tomar uma decisão que não foi fácil, que não lhe rendeu politicamente, e da qual eu acho que o país não lhe agradeceu e provavelmente não lhe virá a agradecer. Mas acho que o fez, como ele próprio hoje dizia, porque achou que era a decisão que melhor servia o interesse nacional. Fez bem e eu acho que é justo e gostava de o dizer aqui hoje, que ele foi mais uma vez a tribunal testemunhar sobre aquilo que se passou nesses tempos. E acho que fez bem por uma razão que ele hoje também explicou, que este não era um problema do Estado português. Era um problema de um banco privado que não soube gerir a sua atividade. E se o Estado português tivesse intrometido para evitar eventuais riscos de contaminação no resto do sistema bancário, não teria provavelmente resolvido nenhum problema e estaríamos ainda hoje com a batata quente na mão, coisa que Passos Coelho evitou e por isso acho que deve ser elogiado. E depois queria só aqui fazer uma nota final, porque acho que de facto isto parece um país de fantasia quando no fim da audição há uma juíza que acha normal em tribunal perguntar à testemunha que estava a prestar declarações, se ela sim ou não candidatar a Presidente da República. Acho que isto só em Portugal. E portanto também não queria deixar passar este fenômeno, que de facto nós temos uma justiça muito curiosa, não só pelos timings, mas também pelas perguntas que acha que é normal fazer num ato oficial como é uma prestação de declarações de uma testemunha em tribunal.
Eu acho que isso aí não tem a ver com o país, eu acho que isso aí tem a ver com os juízes.
Não, mas é isso que eu estou a dizer. É uma justiça que de facto tem aqui alguma falta de colagem à realidade.
Sim, mas não foi no corredor, foi frente a toda a gente.
É exatamente isso. E portanto acho que isso é uma curiosidade que duvido que se passasse num outro país qualquer.
E eu não acho que seja de somenos, porque acho que um juiz, na sua condição de juiz, não deixa de ser juiz quando acaba a sessão, continua a ser juiz, está no seu lugar de juiz. Não é uma personagem qualquer, não é um funcionário público.
E não acabou a sessão, quer dizer, eles não estavam no corredor.
Sim, mas a parte propriamente do julgamento bé já tinha terminado.
Sim.
Já estavam na fase das despedidas. Mas uma coisa é dizer: "E então, e está a chover, que tempo horrível." Outra coisa é dizer: "Então, e já agora, como é? Vai para Belém ou não?" Só faltava dizer: "Olhe que está sob juramento." Quer dizer...
Sim.
Não, ela disse a esse propósito que Pedro Passos Coelho estava desobrigado de dizer a verdade na resposta a esta pergunta.
Só faltava isso.
Só faltava isso. Já agora, é só dizer que Pedro Passos Coelho respondeu que é público e notório que não é candidato à Presidência da República.
Mais uma vez.
Com muita elevação. Eu não sei se teria a mesma elevação, mas eu tenho uma mala pata de cor de roxo.
Eu hoje estou em dia de elogiar Pedro Passos Coelho e acho que ele teve muita elevação, não só nessa resposta, como em todo este processo, como na forma como vai testemunhar a tribunal. Nós não vemos outros primeiros-ministros, ex-primeiros-ministros portugueses a darem-se a esse trabalho, a sujeitarem-se a prestar esclarecimentos todas as vezes. Recordemos que há uma semana, 15 dias, ele foi chamado a tribunal e afinal chegou lá e havia greve, e voltou para trás e hoje voltou. Portanto, acho que isso o dignifica a ele como pessoa, como político e como ex-primeiro-ministro. E queria dar aqui um sinal verde, não só ao comportamento, mas também aos atos que praticou naquela altura.
E à juíza, que quis saber se Pedro Passos Coelho não ia mesmo entrar na corrida a Belém. Falta de juízo.
Sim. É assim um sinal encarnado às bolinhas, porque realmente só é de vergonha.
Na cabeça da Judite de França, ainda ecoam as entrevistas a Augusto Santos Silva e a Luís Marques Mendes. Eu juro que queria sair deste buraco que eu me meti, que são as presidenciais, mas não consigo, porque ontem eu ouvi Augusto Santos Silva dizer que é a segunda melhor coisa depois de António Vitorino e portanto desafiou António Vitorino a tomar uma decisão. Já se percebeu que algum PS que não quer Seguro está um bocado enfadado com esta forma de António Vitorino.
À beira de um ataque de nervos.
Não tanto, porque ainda falta tempo. Mas a questão é que se percebe por Santos Silva que se Vitorino avançar, ele não avança. Isto é, Vitorino é melhor para o país do que Santos Silva, segundo o próprio Santos Silva. Atenção, não sou eu que digo. Porque se António Vitorino não avançar, então Santos Silva avança. Portanto, basicamente na cabeça de Santos Silva está António Vitorino, Santos Silva, Seguro. É esta a ordem de Santos Silva. O que eu acho que acharmos que somos os segundos não é mau. Eu acho que sou às vezes a quinta, portanto, não acho nada mau. É bravo pela capacidade de honestidade intelectual. Agora, apesar da lógica subjacente, acho que este tipo de ultimatos em televisão são despiciendos. Quer dizer, eu acho que Santos Silva deve ter o número de António Vitorino. Liga-lhe e diz: "Como é? Vai ser candidato ou não vai ser candidato? Se não vai ser candidato, resolve isto rapidamente, porque nós temos que nos organizar." E eu acho que Santos Silva está a pressionar publicamente António Vitorino para ele tomar uma decisão. Conhecendo António Vitorino como conheço, não é pressionável.
Já Carlos César tinha pressionado com aquela marcação daquela famosa reunião, que também não teve bons resultados.
Mas ninguém pressiona António Vitorino.
Sim.
Está a falar sozinho então, Augusto Santos Silva. Está a falar para os seus, para a sua claque, que é diminuta, como se viu aliás na última comissão nacional. Depois, em relação a Marques Mendes, que deu a sua primeira entrevista depois de 12 anos de comentário num outro canal. Achei interessante. Primeira entrevista agora em outro canal. E enfim, acho que percebeu-se que o discurso é o mesmo: "Eu tenho experiência, eu sei, o outro é um teoso escuro. Se querem o almirante..." Eu percebo este discurso de Belém é um cargo político da qual é preciso experiência, etc. É evidente que o PSD não acha que seja precisa grande experiência internacional, isso é o PS. Luís Marques Mendes não tem carreira internacional, mas o PS acha que tem que ser internacional. Luís Marques Mendes acha que é preciso experiência. O almirante, nós não sabemos o que acha, mas acha que nenhuma destas coisas é importante. Dito isto, só para terminar, eu acho que Marques Mendes fez bem em dizer que fez pontes, que tentou limpar o partido, que quer fazer um pacto de regeneração com a política, que quer combater o divórcio entre as pessoas e a política e os partidos e as instituições. Eu acho que as pessoas estão divorciadas é dos políticos e não da política, mas enfim. E dito isto, também acho que fez muito bem em dizer que é muito amigo de Marcelo Rebelo de Sousa, mas que não é imitação nem cópia de ninguém. E isto são os pontos que Marques Mendes vai ter que repetir nestes nove meses, 10 meses, até às eleições. E portanto, acho que foi uma boa súmula da sebenta que Marques Mendes vai ter que usar para ir a Belém. E então que sinais, Judite de França, para Augusto Santos Silva e para Luís Marques Mendes? Eu dou um amarelo a Santos Silva, porque acho que Santos Silva ele próprio fica um pouco aziago sem saber a resposta de António Vitorino, e dou um verde a Marques Mendes por ter conseguido ordenar o seu pensamento, fazer isto como deve ser. E assim que se lançou, lançou já com a cartilha toda feita. E isso, não navegar à vista, é uma piada por causa do almirante, é um bom sinal. Os sinais atribuídos pela Judite de França a Augusto Santos Silva e a Luís Marques Mendes neste Semáforo Político terça-feira.