Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Quando falo, descubro mais sobre mim e quando escuto, compreendo mais os outros. Mas quer abra a boca ou preste atenção, tenho cada vez mais a certeza que somos todos malucos. Olá a todos, sejam bem-vindos a mais um episódio de Intermédios. Sim, eu sei que não houve a semana passada, mas vocês nem se preocuparam. Vocês nem liguem. Quer eu esteja cá, quer eu não esteja, ninguém quer saber. E por isso eu não me apeteceu fazer. E por isso não fiz, porque ninguém quer saber. Hoje estou assim. É aquela coisa do ninguém gosta de mim, ninguém quer saber. Na realidade, eu não gravei porque simplesmente não tive tempo. E isso é um bocadinho a abordagem que tem sido feita aqui nas últimas semanas. Já falei do stress, a tal questão da carga mental, que depois foi abordada também no podcast, de termos tanta coisa acumulada na nossa cabeça que parece que não há literalmente tempo para nada e a cabeça faz, no meu caso, um tilt completo, como os computadores, a tal questão do Windows encontra um problema, vai ter que encerrar. E esta semana eu não consegui gravar exatamente por isso. Estou num nível de trabalho muito exigente, muita coisa para fazer. É surreal. E não me estou a queixar. Vamos lá ver uma coisa. Ao mesmo tempo, é curioso. Eu estava aqui a pensar que nós temos muito trabalho. Quando nós temos muito trabalho e falamos que temos muito trabalho e na realidade estamos a queixar-nos, mas estamos a constatar algo. Se eu estou com muito trabalho, eu digo: "Estou cheio de trabalho". O primeiro comentário que toda a gente faz é: "Não te queixes. Queixa-te antes se tivesses pouco trabalho". É sempre o comentário que a malta faz. Quando tu dizes que tens muito trabalho: "Não te queixes. Não te queixes de ter muito trabalho". Eu não sei se esta é a maneira mais correta de ver as coisas, agora que estou aqui a pensar. Por que continua a ser esta cultura de nós estarmos sempre constantemente a desempenhar uma função e de estarmos gratos por essa função e por isso mesmo temos que a cumprir até o início da nossa morte, do fim da nossa vida? É a ideia que me parece. E eu estou grato. Claro que estou grato. Estou grato pela vida que tenho, eu estou grato pela minha família, estou grato pelo trabalho, estou grato por estar com uma data de projetos a acontecerem ao mesmo tempo, mas estou cansado. E sim, estou cansado. E eu acho que nós temos direito a dizer aquilo que sentimos, e isso não inviabiliza, nem tira mérito, nem lança uma maldição sobre aquilo que nos está a acontecer. Esta perspectiva vinda provavelmente da revolução industrial, de que nós temos que estar constantemente a produzir e a fazer coisas e a existir no meio de uma máquina demolidora económica. Acho que não faz sentido. Obviamente, estamos todos, e vocês que estão desse lado e estão a ouvir, certamente têm os vossos trabalhos. E se têm muito trabalho, podem estar gratos e podem estar cansados e podem queixar-se. Eu queixar-me das coisas não quer dizer que não as valorize. Estou simplesmente a constatar o momento e estou a deitar cá para fora aquilo que eu estou a sentir nesse momento. E neste momento, tal como quem não tem trabalho, obviamente, também tem toda a razão de se queixar e de procurar respostas. Mas também quem não tem trabalho, é aquela questão que nós dizemos, também são oportunidades. Eu acho que é sempre uma oportunidade quando nós não temos trabalho, portanto, é uma oportunidade de tentar descobrir e procurar novas coisas. Eu fiz isso durante muito tempo. Procurei fazer muitas coisas e procurei muitas respostas e muitas soluções e muitos ramos dentro daquilo que eu achava que eu poderia fazer. E fui procurando, porque obviamente não tinha trabalho, era uma maneira de me manter ocupado e de sentir que não estava simplesmente parado à espera que as coisas acontecessem. Do mesmo modo, quando nós temos o mesmo volume de trabalho exagerado, eu acho que é uma oportunidade para nós percebermos como é que podemos gerir melhor as coisas, porque eu giro muito mal. Eu não consigo gerir o excesso de trabalho. E isso reflete-se claramente na minha saúde mental. Eu não sei como é convosco, mas reflete-se na minha saúde mental. Eu no outro dia estava a falar com um amigo meu e eu estava a dizer-lhe que as minhas obsessões e a minha ansiedade, mas sobretudo as minhas obsessões, eu começo a perder a minha barreira de segurança. Portanto, imaginem que nós somos uma barragemE uma barragem cheia. E quando eu entro num volume de trabalho muito grande e começo a descurar uma data de coisas, imaginem uma barragem que começa a abrir pequenas fissuras. E essas pequenas fissuras vão se tornando maiores. E o que são essas fissuras? Neste caso, são as obsessões que não estão a sair, é como se estivessem a entrar. Eu sinto muita falta de controle e sinto falta de capacidade para colocar em prática aquilo que aprendi na terapia ou que aprendi em processos de autoconhecimento. E então tudo que é pancadas ganham uma importância ridícula. E é muito difícil meter um travão. E eu acho que o volume de trabalho é uma oportunidade não só para eu aprender, eu estou a falar na minha pessoa, mas eu acho que isto é uma questão de reflexão para todos nós. O meu volume de trabalho, o vosso volume de trabalho, o trabalho em excesso, é uma oportunidade para nós percebermos como é que podemos gerir isto da melhor maneira. E eu sei perfeitamente, sei, mas sou sempre apanhado na curva. Sei, mas só me lembro depois, quando já está a merda feita. Eu sei perfeitamente quando eu começo a não treinar. Eu treino praticamente todos os dias. Esta semana treinei duas vezes, porque não consegui mais. Mas o problema é que para mim, o treinar, mais do que físico, é mental. Eu noto a diferença quando treino. Isto está provado cientificamente, o desporto é um pilar para a saúde mental e eu noto perfeitamente a diferença quando treino. Eu sinto a necessidade de treinar. Ontem não consegui treinar, treinei anteontem e hoje treinei e eu estava cansado e pensei: "Eu tenho que ir treinar". E não é um "tenho", é um "eu preciso mesmo, eu tenho que ir treinar". O treinar, o ler um bocadinho, o estudar coisas que gosto. Quando eu começo a colocar tudo isto de parte e olho para trás e já não faço isto há três, quatro semanas, pronto, vai dar cocó pela certa. Todos nós temos mecanismos de defesa, temos mecanismos de regulação. É tão estúpido nós não percebermos que isto é real e que estes mecanismos de regulação são fundamentais, tal como a meditação. Eu quando tenho pouco trabalho, claro que consigo meditar, mas quando tenho mais trabalho, era a altura que eu devia continuar a meditar e é a altura que eu paro de meditar, por quê? Porque tenho mais trabalho e começo a encavalitar as coisas umas nas outras. E depois dá asneira, como é óbvio. Como é óbvio, pois. Como dizia o meu pai: "Pois, pois que dá asneira, claro que dá asneira". Que parvo íisso. Eu não sei, espero não ser o único assim. Mas por que eu não me lembro destas coisas antecipadamente? E depois estou a correr atrás do prejuízo. Hoje é sábado, vocês estão a ver isto, é sábado. Tenho espetáculo na Benedita, em Alcobaça, e depois vou gravar podcast segunda-feira, dois convidados, ou melhor, um convidado, e depois vou ter três dias sem nada para fazer. Eu já prometi a mim mesmo: eu não vou fazer porra nenhuma. Não vou andar a pensar em conteúdos, podem surgir naturalmente, obviamente, mas não vou andar a pensar em conteúdos, não vou falar de trabalho, não vou responder a merda, não vou. E isto tem que ser um ponto assento. E eu acho que nós, pelo menos eu, cometo muito esses erros. Eu tenho muita dificuldade em parar. Voltamos ao mesmo ponto. Eu acho que isto é cultural, tal como é cultural você estar com excesso de trabalho e ter aquela ideia que eu acho que é errada, não quer dizer que eu estou certo, é o que eu acho, mas que eu acho que é errada de teres muito trabalho, não te queixes. Tal como isto é errado, é errada a questão de não poder parar, que também já foi abordado aqui, não podes parar. Se estás parado, meu amigo, tens que fazer alguma coisa. E nós não percebemos se aqueles três dias que estão ali eu não tenho nada, eles podem ser produtivos não fazendo nada, porque ao não fazer nada durante aqueles dias, estou a garantir, de alguma maneira, frescura, leveza para os dias de volume de trabalho que vão surgir a seguir, novamente. Mas eu acho que a abordagem desta conversa hoje é mais um reminder para mim do que propriamente uma partilha. Vou deixar isto gravado aqui no telemóvel e vou pôr isto muitas vezes, porque esta ideia é terrível, de que o volume de trabalho é para aceitar tudo, que temos que estar gratos e que não podemos fazer nada em relação a isso e só fazer. E eu acho que não. Eu acho que tudo na vida é feito de alguma maneira para nós aprendermos a gerir. Se vocês repararem, tudo na vida é gestãoNós gerimos as nossas relações, nós gerimos o modo como interagimos com os outros, nós gerimos as nossas horas de sono, nós gerimos aquilo que ingerimos, nós gerimos o nosso esforço físico, nós temos que gerir tudo. Somos máquinas de gestão neste processo constante de regulação. Somos máquinas que precisam de constante regulação física e mental. E não se esqueçam disso. Deixem aqui nos comentários do YouTube o que acham desta partilha. Já sabem que eu venho aqui falar convosco. Muito obrigado. Estes episódios do "Intermédios" têm tido uma aceitação muito curiosa, sobretudo o podcast "Somos Todos Malucos". O "Somos Todos Malucos" é mais ouvido do que visto no YouTube, sobretudo no Spotify, no Castbox, iTunes, tem muitos downloads. O "Somos Todos Malucos" é o podcast de saúde mental mais ouvido em Portugal, acho eu. Senão, anda nos dois, três primeiros. Tem a plataforma observadora, mas não tem publicidade, não está sequer na rádio. E eu gostava de vos agradecer por isso também. É mais um trabalho que eu tenho, e este não remunerado, eu sei que também já me queixei aqui muitas vezes, mas é um trabalho que eu faço com prazer, porque eu acho que é importante. Mesmo que eu, por exemplo, não tenho fim de semanas, porque estou a gravar isto e tenho espetáculos e estive a preparar uma entrevista do "Somos Todos Malucos" que vou gravar na segunda-feira. E é isto. Eu tenho que arranjar espaço para parar, que eu tenho. Senão estou tramado com a minha vida. E quem está a ver isto no YouTube, a luz está sempre a mudar, porque eu estou a gravar de janela aberta e o sol está sempre a ser coberto por nuvens. Ora faz sol, ora está escuro. Basicamente, é como a minha cabeça. Malta, muito obrigado por estarem deste lado e continuamos juntos na luta, todos. Esqueçam-se. Esqueçam-se. Olha como é que isto está. Esqueçam-se. Não se esqueçam, por amor de Deus, não se esqueçam que cada um de nós tem uma história, mas é mais parecida do que aquilo que vocês pensam. E por isso é que eu tenho essa frase do "Somos Todos Malucos", porque somos. Como dizia o meu livro, somos todos estranhos até percebermos que isso é normal. E até percebermos que quando partilhamos a nossa história, que há sempre alguém que se vai identificar com ela, que certamente, como muitos de vocês, se calhar, se estão a identificar com esta partilha. Esqueçam-se, estou todo queimado. Malta, obrigado por estarem aí. Espero que estejam de boa semana. Eu também espero estar de boa semana. Vamos ver. Quando falo, descubro mais sobre mim e quando escuto, compreendo mais os outros. Mas quer abra a boca ou preste atenção, tenho cada vez mais a certeza que somos todos malucos.