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Olá, bem-vindos a mais uma semana do "Terapia de Casal". Espero que estejam bem. À minha frente está o meu marido. Ou seja, eu sou a Rita da Nova e à minha frente está o meu marido, Guilherme Fonseca, com soninho.
Não é sono.
É ressaca.
É ressaca. O que está a acontecer aqui é que eu estou com uma mini ressaca.
Meu Deus, ele está velhote, ele já não aguenta duas ou três cervejas numa noite.
Mas os velhos não são os que aguentam mais as cervejas?
Não.
Eu também fiz misturas, não devia ter feito. Porque eu bebi cerveja.
Depois bebeste vinho.
Depois bebi vinho.
Depois bebeste bagaço.
Depois bebi mais uma cerveja e depois bebi um copinho de bagaço.
E depois bebeste mais uma cerveja.
E depois bebi mais uma cerveja. E o meu corpo já não tem...
O teu corpo não está a querer.
Não, o meu corpo não queria.
Pois. O teu corpo é daqueles da "sem álcool, o teu corpo é um templo".
Ya. Eu estou "lux maxing" e ontem fiz "drink maxing".
Exato, não pode ser.
E não posso fazer "drink maxing", vai contra o meu "lux maxing".
Tens que fazer "drink minimum".
Zero, abstêmio.
Abstêmio. Tudo, só "raw dogging" a vida.
Exatamente.
Eu também estou assim, mas estou cansada.
Então a energia deste podcast vai ser isto?
Vai ser isto.
É um ressacado e uma cansada?
Não é muito diferente do normal dos outros dias. Olha, antes de irmos a temas que temos para esta semana, tenho um facto curioso para ti.
Então conta-me tudo.
Tu sabias que aquele cheiro de piscina, o cheiro de quando tu entras numa piscina e dizes: "É que cheira a piscina". Piscina interior.
Sim.
Sabes? Vais nadar, cheira a piscina, não é cheiro a cloro.
Não?
Aquele cheiro específico é o cheiro que resulta da combinação entre o cloro e os fluidos corporais humanos. Xixi, suor.
Não, não é possível.
Óleos corporais. Sim. O cheiro a cloro é um cheiro a lixívia, só, praticamente.
Então o cheiro à piscina...
O cheiro à piscina.
Mas quando tu dizes fluidos.
Xixi, suor, óleos naturais do teu corpo.
Não, mas é mais suor.
Tu achas que numa piscina que não é uma piscina recreativa, de "estou aqui a apanhar sol e vou molhar", não, uma piscina desportiva. Tu achas que as pessoas não fazem xixi numa piscina desportiva?
Não, é assim, eu sei que em todas as piscinas já se fez xixi. Isto é uma verdade absoluta da vida. Em todas as piscinas já se fez xixi.
Em todas as piscinas já se fez xixi.
Quer dizer, tu sabes as condições em que eu estou e a primeira frase que eu digo completa, tu vais gozar?
Não vou gozar. Pareces galego. "En todas as piscinas se fai xixi".
Se calhar eu este episódio estou a falar em catalão.
Pois estás.
Pronto. Se calhar eu estou. Não sei, se calhar bebi a um ponto em que fiquei a falar catalão.
Tinha uma amiga que falava muito bem francês quando estava bêbada.
Pois. "Language maxing". Era o que ela fazia. Mas eu sei que em todas as piscinas se fez xixi. Isso é uma verdade absoluta da vida. A questão é, eu estou a pensar, por exemplo, na piscina do Belenenses, onde eu uma vez vomitei.
Coitada. Tu vomitaste dentro da água?
Eu vomitei dentro da água.
Ó Guilherme.
Por causa da minha escola, eu ia muitas vezes às piscinas do Belenenses, que era ali ao pé, que a minha escola era em Belém. E houve um dia em que eu comi uma grande taçada de Nesquik.
Pois.
Com leite, de manhã, ao pequeno-almoço. E vamos dizer assim, alguns Nesquiks parecem cocós de cabra. Não foram mastigados, foram só engolidos porque vinham naquele leitinho que eu gostava, leitinho frio. E o que é que se passa? Eu fui para a piscina, comecei a me sentir mal e não saí da piscina a tempo. E então, o espaço onde nós estávamos teve que ser fechado, tiveram que fechar a piscina. E eu nunca mais me esqueço da cara das outras pessoas a ter que sair da piscina, porque uma criança tinha vomitado lá dentro.
Pois.
Leite e Nesquik.
Leite e Nesquik também fazem reação com o cloro.
E fazem aquele cheiro.
E fazem aquele cheiro.
Pois, eu não sabia que aquele cheiro tinha a ver. Eu acho que há mais suor do que xixi nas piscinas desportivas.
Suor, os teus óleos do corpo, tu tens óleos no corpo, naturais. Mas xixi acontece, não é?
Pois, xixi acontece.
Para que ires à casa de banho quando estás numa casa de banho?
Sim. Sabes que da mesma maneira que se inaugura um barco atirando uma garrafa. Sabes isso? Partes uma garrafa no barco com um Titanic. Eu acho que quando tu compras uma casa com piscina.
Sim, devias inaugurar o xixi. Mas de fora.
Sim, alguém de pé a mijar lá para dentro.
Sim, claro. Não pode ser "vamos todos fazer um xixi na piscina".
Ou então alguém faz xixi para uma garrafa e partes a garrafa dentro. Não, mas depois tens vidros.
Não, mas partes assim fora.
Inaugurar uma piscina com xixi.
Pronto. Era o facto que eu tinha para ti esta semana.
Olha, bom facto, não estava à espera de começarmos a falar de xixi.
Nem do teu vomitado na piscina, que essa história é sempre boa. Olha, estamos esta semana os dois, além de um ressacado e uma cansada, estamos ressacados e cansados precisamente porque estamos a entrar naquela altura do ano em que vai cada um para seu lado. Tu vais para o teu solo de stand-up e eu vou para falar do meu livro pelo país.
Pois é, vai começar o pico de feiras dos livros, conferências, palestras e conversas sobre livros.
E eu tenho um nome para esta nossa fase.
Há um nome? Batizaste isto.
Batizei. É a fase do "correu bem?", porque é a única coisa que nós dizemos um ao outro.
Ya, percebo perfeitamente.
Nós estamos um dia inteiro sem falar e há um momento em que dizemos: "Correu bem?" E contigo, "correu bem?" "Correu".
E já reparaste que há um de nós que éDescritivo e o outro que é omisso.
Eu sou a omissa.
Eu pergunto: "Como é que correu tu?" "Bem, estou cansada, vou dormir." E eu: "Pronto, então está aqui a informação toda passada, o que mais eu quero mais?" Ainda bem que é escritora.
Não é não conseguir, só não acho relevante.
Pronto.
Tipo, correu bem. Estava gente, fizeram perguntas interessantes, pronto, está-se bem.
É, mas depois vamos jantar e contam-se coisas e há gossip e há histórias e ouvi aquilo e não sei o quê.
Mas o gossip é para ser contado-
E contaram aquela história daquela pessoa.
Mas o gossip é para ser contado pessoalmente.
Porque eu não sei se as pessoas sabem isto, mas os escritores e as pessoas do mundo das literaturas, são umas quadrilheiras.
Claro que são. Ser escritor é ser cusco.
É espetacular.
Ser escritor é ser cusco.
E depois vens sempre com esquisces e com histórias para contar. "E o que eu soube daquela pessoa, que aquele escritor fez não sei o quê". Sempre. Mas quando eu te pergunto: "Como é que correu? Correu tudo bem?" "Tudo bem".
Mas há histórias que são para ser contadas pelo WhatsApp e há histórias que são para ser contadas pessoalmente, para dar um chiripiti.
Mas reparem, eu também não quero gossip por WhatsApp.
Então?
Não quero o gossip por WhatsApp. Se eu tivesse gossip também te contava pessoalmente, mas dizia: "Tu nem vais acreditar. Aconteceu não sei o quê, imagina, foi o Vato. O Vato deu um estalo numa cabra em Cem Soldos. Não vais acreditar, mas depois eu conto". E deixo para depois te contar.
Não, mas aqui-
A questão é, tu perguntas-me assim: "Amorzinho, como é que correu?" E eu respondo-te: "Correu muito bem, o público em Cem Soldos riu mais de umas piadas do que de outras, mas acho que overall foi uma boa noite. O Ricardo foi experimentar 10 minutos, foi muito giro, as pessoas não estavam à espera de vê-lo. Fomos jantar a um bom restaurante em Tábua chamado Tabuleiro. Em Tomar, chamado Tabuleiro".
Tu não me disseste nada disso.
Eu faço um mini report.
Tu não me disseste nada disso.
E sabes o que tu me respondeste? Tu respondeste-me: "Como é que correu e tu?" "Bem". Aliás, da primeira vez que eu te perguntei como é que correu, isto é hilariante.
Não vou dizer que não sou omissa, sou muito mais omissa do que tu.
Aliás, ainda é mais giro. Eu posso ler tudo o que está na nossa conversa?
Espera, não sei o que está na nossa conversa.
Eu posso ou não?
Guilherme, por favor, que eu não sei o que está na nossa conversa.
Posso ou não?
Espera, eu não sei o que está na nossa conversa.
Anteontem na parte da fotografia, que eu te mandei uma fotografia do Ricardo em palco. Que o Ricardo estava a atuar, que era para tu ficares com uma prova física.
Podes.
Pronto. Então, o que acontece?
Podes, porque já é tema comum neste podcast.
Pronto, então vamos embora. O que está a acontecer? Rita meteu-se a caminho de Matosinhos, foi para onde ela foi. Vocês reparem o que se passa neste casamento, em termos de comunicação. Rita foi para Matosinhos, Guilherme foi para Cem Soldos. Eu fui fazer o meu espetáculo, a Rita foi falar dos lados de Jesus.
Não vamos esquecer que Rita conduziu até Matosinhos, Guilherme foi conduzido até Cem Soldos, portanto podia usar o telemóvel.
À 13h40, a minha mulher faz-me uma atualização sobre os ar-condicionados que estão a montar cá em casa, que já estão montados. Esta casa já tem ar-condicionado.
Já podem vir para aqui aquecer ou esfriar-se.
Exatamente, podem vir que já está. A minha mulher faz-me uma atualização. Diz: "Só falta a parte elétrica, tem mesmo de se desligar a eletricidade". Isto às 13h40, ok?
Mas antes eu tinha dito: "Vou agora sair".
Sim senhora.
Pronto. Não é como se eu tivesse...
Certo. Depois, às 16h40, três horas depois, eu pergunto assim: "Como é que está a minha mulher? Eu já cheguei a Cem Soldos". E ela responde-me às 17h15, porque foi quando mexeu no telefone. "Só cheguei agora e saí antes das 14h00, que caos, porque apanhaste trânsito, vou-me arranjar e vou sair para a biblioteca", não sei o quê. Isto às 17h00.
Sim.
E eu perguntei: "Caos por quê? Muito trânsito?" E tu respondeste-me duas horas e meia depois.
Porque 17h30 foi a hora que eu cheguei à biblioteca para a minha conversa, que a minha conversa era às 18h00.
Exatamente.
E a minha conversa durou duas horas.
É, mas é que tu abres o muito trânsito, não respondes, lês, fica azul, não respondes e respondes quando acaba. E respondeste-me às 20h00 dizer: "Imenso, mas já está". E eu: "Boa, mas correu bem?" Eu gostava que tu me dissesses nesse dia.
Não te respondi, desculpa.
Não.
Não te respondi porque depois mandaste uma foto do Ricardo a fazer stand up e eu distrai-me.
Exatamente, mas mandei uma foto do Ricardo a fazer stand up quanto tempo depois?
Duas horas depois.
Portanto, eu pergunto: "Boa, correu bem?" Às 20h00 vais jantar.
Porque entretanto fui jantar.
Pois, não me respondes.
Fui jantar com os meus amigos dos livros, deixei-me estar.
Eu mando uma foto do Ricardo a fazer stand up porque tu também não acreditavas, como muita gente, que o Ricardo iria testar na minha data em Cem Soldos. E tu dizes: "Hahaha, aconteceu mesmo", com dois pontos de exclamação. E eu: "Ai, ela está viva". Pronto, ela está viva.
Em caps lock.
Em caps lock, gritaste a seguinte mensagem no WhatsApp: "Que vontade de cagar e só cheguei agora ao quarto". Muito engraçado. Eu, às 22h20, estava em palco, portanto era uma impossibilidade responder ao teu WhatsApp.
Mas riste quando leste.
Ri-me muito, exatamente, depois escrevi: "Hahaha, coitadinha".
Exato.
Não te respondi e tu respondes só depois: "Vou dormir, que estou podre, amorzinho, amo-te", com um coraçãozinho. E pronto, e foste dormir. Portanto, agora diz-me, quem é que lê e não responde.
Tu também leste a minha mensagem do "estou a cagar" e não respondeste.
Respondi assim que li. Foi quando saí de palco.
Sabes que era de todas a mais importante para mim, devias ter lido até em palco.
Não, porque eu não tenho o telefone ligado.
Tens o relogiozinho.
Não, está desligado. Portanto, agora diz-me, quem é que demora a responder, quem é que lê e não responde.
Eu não disse o contrário. Eu disse sempre que eu sou muito mais evasiva do que tu, porque estou ali com as pessoas, não quero estar a pegar no telemóvel e não contar.
Pronto, eu vou passar a responder à mesma velocidade e na mesma quantidade que tu respondes
Ele está chateadinho.
Não é chateado, estou só a dizer: "E vais ver, vais sofrer através da empatia o que tu fazes os outros sofrer". Deixe-me terminar, senhor deputado. Se esta é a fase do que correu bem.
Temos de responder ao que correu bem.
É ou não é?
Tens toda a razão.
Admites a falha? É porque eu pergunto: "Correu bem?", e tu o que é que fazes?
Admito a falha.
Quando tu me perguntas se correu bem, eu respondi-te exatamente como é que correu. "Correu bem, foi muito giro, o rap esteve ótimo, como é óbvio, fiz três minutos". E depois: "E tu como estás?" "Ok, estou curiosa. E tu como correu?" Perguntaste como é que correu. Não, espera. "E tu como estás?", tu também não respondeste.
Eu respondi.
Não, repara, no dia a seguir. Isso é espetacular, as coisas que uma pessoa se apercebe a reler as conversas do WhatsApp.
Porque entretanto às 10:00 da manhã estava eu noutro evento.
Claro, foi outro evento.
Tu também tens de mandar mensagens entre.
Às 10:00 da manhã eu pergunto: "Tu como estás, meu amor?" Ela nada, não responde, perguntou-me só como é que tinha corrido o meu. E eu respondi como é que correu o meu. Depois eu volto a carregar na fanheira e digo: "E tu, como estás e como correu?" E ela responde: "Correu muito bem". Pronto, também é preciso ser mais o quê, não é? Correu muito bem. Está bom. Tu estás a caminhar a passos largos para te transformares numa boomer que mete só o polegarzinho.
Olha, vais levar com essa agora.
Só a mãozinha com o polegar. "Como é que estás? Como é que correu tudo? Como é que foi a viagem? Como é que correu a apresentação?" Polegarzinho.
Polegarzinho.
Pronto, vamos andar.
Que siga.
Mas percebes este desequilíbrio na nossa relação?
Percebo perfeitamente. Eu admito que sou assim, porque estou ali com as pessoas e sinto que não consigo estar a dar atenção a tudo ao mesmo tempo.
Percebo perfeitamente. De facto, não consegues.
Não consigo e não tento.
A questão é essa, é que não tentas e o teu marido...
Coitadinho, estava tão triste em Sensol des a beber cervejas com os seus amigos da comédia.
Ninguém disse triste. Há uma diferença entre estar triste e abandonado e estar interessado e curioso com a vida da nossa mulher.
"Mas eu ia chegar a casa e depois podíamos falar sobre isso".
Pronto. Então tu queres é falar ao vivo.
Eu gosto mais.
Está bem, mas faz-me só uma atualização.
Está bem. Hoje é domingo que estamos a gravar, vou para o Guinguens do Não Sarás e vais lá uma atualização.
Sim, senhora. Eu quero saber como é que chegaste, se conseguiste fazer cocó.
É verdade.
Eu quero saber como é que tu estás.
Essas coisas. Hoje à partida não farei em viagem, porque já fiz.
Hoje já fizeste. Isso também é muito importante.
Tens mais alguma coisa que queiras dizer?
Tenho mais três temas.
Eu também tenho um tema.
Não, mas não tem mal.
Não, vai tu.
Aconteceu esta semana uma coisa muito engraçada. Aliás, duas coisas que aconteceram. Como nós agora andamos, lá está, estamos na fase do correu bem, nós estamos muito separados, porque cada um passou o lado a fazer as suas coisas. Só ontem quando nos juntámos é que fomos jantar e o que aconteceu? Eu estou de ressaca. Também há essa.
Mas não foi cá em casa. Atenção, fomos jantar com amigos. Não pensem que foi tipo estamos os dois em casa.
Com o ar-condicionado, pôr o ar no máximo. Já temos ar-condicionado. Então o que é que se passa? Ia na rua, pus os meus fones e ia para o metro, porque eu agora desloco-me de metro, muitas vezes. Gosto muito de andar de metro. Qual é o problema do metro de Lisboa? Também vou já dizer esta. Isto é um side note, mas é genuíno. O metro de Lisboa é muito barulhento.
Pois é.
E com os fones praticamente no máximo, o barulho do metro abafa o som dos fones. E então é desconfortável ouvir música e podcasts no metro, porque não dá bem para ouvir.
Pois é.
Queria só dizer isto, é uma crítica que eu deixo ao metro de Lisboa. Mas saio de casa, ponho os fones, pego no meu relogiozinho de pulso e meto outdoor walk, que é para dizer olha, vou começar a andar. E do nada, vem uma senhora para aí dos seus 60, 70, a correr no meio da rua, a esbracejar a olhar para mim. Mas a esbracejar imenso, fazer assim tipo...
Como se estivesse a pedir ajuda.
A pedir ajuda no meio da rua, a correr. E eu: "O que se passa aqui?" Olhei duas vezes, olhei à minha volta para ver se era comigo, olho sempre para a senhora e a senhora faz-me assim mais um três vezes e depois percebe que eu já percebi que é comigo. E eu tiro um fone e olho assim para a senhora e a senhora veio os últimos 20 metros no meio da rua, parou de esbracejar, mas também não falou. Ou seja, quando tu abordas uma pessoa a pedir ajuda.
"Olhe, desculpe".
"Olhe, desculpe, desculpe estar a chatear". Ela não. Esses últimos 20 metros veio em silêncio olhar para mim nos olhos. E quando chega para aí a um metro de distância de mim, se aproxima a uma distância normal, foi estranhíssimo, é quando ela começa a falar e diz com o ar mais sério do mundo: "Olhe, desculpe, posso pedir a sua ajuda? É que o meu filho travou o meu carro e eu agora não consigo tirar o travão de mão". E eu imediatamente comecei-me a rir, porque a senhora fez uma tensão para uma merda.
Sim.
Pronto. Eu ri-me e disse assim: "Olhe senhora, claro que sim, eu ajudo. Deixe ver se eu consigo, não vá o seu filho ser mais forte do que eu, não sei". E ela riu. Então eu sentei-me no carro da senhora, destravei o carro à primeira e ela: "Pronto, era só isto, obrigado". E eu: "Sim, senhora, até à próxima".
O filho dela é igual a ti, porque às vezes quando eu ando no nosso carro que tem travão de mão, minha Nossa Senhora, é preciso comer um bife para destravar.
Ya, eu percebo perfeitamente. A minha mãe queixava-se muito da maneira como eu travava o carro.
É que é exagerado. Tu puxas tudo para cima.
Aquele carro vai ter um ramalho, mas ele não vai sair do lugar. É um bom lugar, vai ficar naquele lugar.
Pois.
Não interessa o que vai acontecer.
Eu acho que isso também deve fazer mal ao carro. Está ali tudo. Ali, apertadinho.
Acho que estás a confundir contigo a chegar ao quarto do hotel.
Pois é, verdade. Ali apertadinho.
Mas...
Tu ajudaste a senhora.
Ajudei a senhora.
Foi aqui na rua?
Foi aqui na rua, foi aqui na parte de trás. A senhora estava aqui com o carro, coitada, estava ali, não conseguia sair, eu fui ajudar. Segunda coisa que aconteceu, esta mais graveE que eu não te contei para contar aqui.
Ah, não!
Não, mas se me perguntares como é que correu, eu digo-te como é que correu. E então o que aconteceu? Eu estava a tomar banho e eu já pensei várias vezes que um dia isto ia acontecer, porque eu estou sozinho em casa, tu não estás.
Tocou a campainha.
Tocou o carteiro comigo no banho.
Quantas vezes isso já não me aconteceu?
E o que tu fazes? É porque eu tomei uma decisão executiva.
Ignoraste.
Não.
Foste de toalha. A minha decisão executiva é: paro o banho, ponho o robe e venho à porta.
Eu não pus robe nenhum.
Ficaste todo nu?
Eu parei o banho, e atenção que eu estava todo ensaboado.
Espera, o que tu fizeste?
Ouve-me até ao fim. Tocou o carteiro e ele tocou duas vezes. Eu a primeira ignorei, que ele disse: "Olha, azar, não está ninguém em casa".
Ele toca sempre duas vezes.
Exatamente, como já se dizia lá no livro. E então ele toca à nossa campainha e eu estou no banho. Adeus, estou aqui a esfregar as axilas, não me chateies. Ele toca a segunda vez e duas vezes, ficou a carregar e eu: "Ok, sim, já percebi. É entregas, eu vou aí". E então eu saio do banho, ponho-me nos chinelos, venho até à porta e disse ao senhor: "Olhe, deixe aí na porta que eu já vou aí buscar. Encoste só aí fora na porta". E o senhor encostou cá fora na porta e falou com uma pessoa toda nua e ensaboada. E eu estava à espera do dia em que isto acontecesse e finalmente aconteceu.
Mas tu achas que podes pôr uma toalha à volta e abrir assim só devagarinho.
Não, mas o senhor encostou à porta e eu voltei, acabei o meu banho, continuei o meu banho, fiz a segunda mão do banho, lavei-me e depois sequei-me e a primeira coisa que fiz foi ir ali à porta que estava um pacotinho, que é mais um livro que tu recebeste. Tu recebes sete livros por dia.
Por acaso acho inteligente. Eu estava a criticar, mas acho inteligente, que é tipo, o senhor Orlando não sabe o que estava a acontecer.
Não era o senhor Orlando, era o das entregas.
Pronto, então. Mas ele não sabe o que estava a acontecer. Tu podias estar ocupado, podias estar a fazer uma coisa que não podias mesmo abrir a porta, podias estar com as mãos sujas ou assim. Podias estar no banho, podias estar impróprio ou todas as três.
Eu vou te dizer uma coisa: eu banho ainda interrompo, mas imagina que eu estava a fazer cocô. Eu não vou interromper um cocô por causa de um carteiro. Fica aqui dito e olha, o teu irmão que me perdoe, que o teu irmão é carteiro. Eu não vou interromper um cocô por causa de um carteiro.
Pois.
Fica aqui dito.
Dá vontade de berrar e dizer: "Deixa à porta".
Ya, porque quando tu estás sozinha em casa, às vezes há assim momentos destes.
Claro.
E finalmente aconteceu com o banho. Nós moramos aqui há quanto tempo?
Nunca te tinha acontecido?
Nunca me tinha acontecido.
Farta-se de me acontecer.
Estás sempre no banho?
Não estou sempre, mas já aconteceu pelo menos umas quatro ou cinco vezes.
Pois.
Eu já tenho a técnica, é robe e venho à porta.
Pois, tem que ser. Mas pronto, finalmente aconteceu.
Muito bem. A mim aconteceu-me uma coisa esta semana também muito engraçada, que nem explanei a 100% na nossa conversa do WhatsApp para explanar aqui.
Exatamente. Vamos embora.
Que é, finalmente também me aconteceu uma coisa que eu queria que acontecesse há muito tempo e nunca tinha acontecido, que é apanhei um conto do Uber das teorias da conspiração.
Epa, eu gosto tanto.
Eu nunca tinha apanhado um.
Que maravilha.
Porque eu não dou muita conversa.
Pois.
Eu não dou. Eu sento-me, "boa tarde", não sei o quê, pego no livro, pego no Kobo, estou a ler.
E não conversas.
E não converso. Mas esta semana apanhei um Uber e sentei-me e tal e ele diz-me: "Desculpe lá a demora, mas fui ali entregar uma senhora que ia para uma entrevista de emprego e ela estava nervosa, eu estive a ajudá-la", não sei o quê. Então ele meteu logo ali o início da conversa.
Queria conversar e meteu logo ali.
E ele cola logo uma conversa com a outra. Não dá ali um espaço para eu "Haha, pois".
Ok.
Não, começou logo. Imediato. Então está-me a contar isto da senhora e não sei o quê. Eu pois, coitadinha, estava nervosa e ele pois, não sei o quê. "Pois parece que vamos ter um bom dia", diz-me ele, "sem nuvens".
Ok.
E eu: "Pois é, parece que sim". E ele: "Mas eu já não sei nada. Vou lhe dizer que eu já não sei nada, as coisas que eu leio, eu já não sei nada". E eu: "O que lê?"
Tu achaste que era livros?
Sim.
Tu achaste? A sério.
Porque eu estava com o livro na mão.
Pois claro, "e o que é que lê?" E ele: "Pausa Facebook". E tu: "Ah, pois, não vem por aí que eu achei que este homem ia sair".
E, por exemplo, "sabe o que são os chemtrails?", pergunta-me ele. E eu: "Sei perfeitamente". Ele: "Pronto, que é quando os aviões passam no céu e deixam aquele rasto".
Claro.
E eu: "Claro". E ele: "Há quem diga que esse rasto..."
Mas atenção que ele foi com pezinhos de lã. O há quem diga não é eu acredito.
Sim, não. Há quem diga que esse rasto são os governos deitarem produtos que controlam a população.
Que é para ficarmos todos calminhos e ninguém se revoltar. Exatamente.
E eu: "Pois, mas sabe como é que é, isso são teorias da conspiração", disse-lhe eu.
Olha o que tu foste dizer.
E ele: "Pois, mas eu também já não sei no que é de acreditar, porque o que eu vi agora?" Porque, por exemplo, esses chemtrails têm assim uma ordem. E depois há as nuvens normais.
Ok.
Mas depois há umas nuvens que de facto aparecem depois dos aviões passarem, que ficam assim mais espalhadas. Imagina um chemtrail maior.
Ok.
E ele até apontou: "Olhe, está a ver aquela ali?"
Pois, claro.
É uma nuvem que é estranha, não é um chemtrail, nem é uma nuvem fofinha como nós estamos habituados.
Pois.
E o que eles dizem? Qual é a nova teoria da conspiração?
Tu atualiza-me, porque tu sabes que eu adoro.
O que eles dizem na internet? Que há grandes corporações que têm satélites.
Eu também adoro o termo grandes corporações. Mas sim.
Que têm satélitesQue desbloqueiam estas nuvens, que bloqueiam e desbloqueiam o mau tempo.
Ok.
E estes satélites agora desbloqueiam estas nuvens. Portanto, o que acontece? Estas grandes corporações que detêm estes satélites, para que os governos lhes paguem para eles desbloquearem as nuvens.
Ok, estás a pagar sol.
Exato.
Ok.
Quem tem estes satélites bloqueia as nuvens com os chemtrails.
Ok.
Ou seja, põe nuvens no céu, bloqueia o sol.
Já entendi. Bloqueia o sol.
Como eles têm estes satélites que desbloqueiam a luz solar.
E Portugal, como está na merda de dinheiro, nós tivemos quatro meses de chuva. Eu já percebi tudo. Eu agora acredito nesse senhor.
Ora aí está. E o que ele diz? A menina não reparou que nós temos todos deficiência de vitamina D.
Exatamente.
São as grandes corporações que nos estão a tirar o sol para nós pagarmos pelo acesso ao sol.
Exatamente. Olha, eu acho uma grande teoria. Sabes que o meu livro de teorias da conspiração, o "Dev Ser Dev", nasceu de uma viagem de Uber com um senhor que me falou dos chemtrails, era completamente maluco a dizer que...
E tinha fotos, não era?
E mostrou uma galeria dele e começou-me a mostrar chemtrails que ele tinha fotografado. E o senhor andava a conduzir e disse: "Olha, está a ver aquele ali? Aquele é dos bons" e não sei o quê, estava a admirar nuvens. E portanto, eu adorava que tu tivesses apanhado o mesmo senhor, mas já numa fase um bocadinho diferente da vida dele.
Acho que não é o mesmo, porque este está com um pezinho não sei se acredito.
Pois, aquela atitude meio blasé, não é? Do género, vai saber.
Sim, e ele assim: "Pronto, isto são os americanos, não é? Os americanos é que controlam tudo."
Claro, é os americanos.
Pois, os malucos dos americanos. Acha que está a acreditar nos malucos dos americanos.
Pois, pois, claro.
E ele: "Pois, eles também são um bocado doidos da cabeça, não é?" E eu: "Pois, não é um bocado, é bastante."
Pois, por falar em doidos da cabeça.
Exato. Pronto, e então agora é isto. Há uns satélites que te dão acesso, que bloqueiam e desbloqueiam a luz solar.
Já percebi. Eles metem uma pala e tu não apanhas sol, não é?
Exatamente.
É uma pala de nuvens.
E depois se queres desbloquear o acesso premium ao sol, tens de pagar aos satélites que desbloqueiam. E esses satélites são de grandes corporações que estão a fazer dinheiro com o nosso acesso ao sol.
Claro, com a nossa necessidade de bronzear. Já percebi tudo.
Pronto. Por isso é que nós estamos sem sol, por isso é que o tempo anda muito esquisito.
E por isso é que aqueles países mesmo muito ricos, não é?, como em África.
Têm muito sol.
Têm muito sol, porque são mesmo muito ricos, não é?, e podem pagar para desbloquear.
Eles estão a pagar para desbloquear o sol e depois não há dinheiro para outras coisas.
Exatamente. E aqueles países muito pobres, como por exemplo o Reino Unido, a Suécia, a Noruega, são sítios que nunca têm.
Pois é. Porque gastam dinheiro noutras coisas.
Não têm sol porque gastam dinheiro noutras coisas. Faz todo sentido essa teoria, não tenho nada a apontar.
Nada.
Não há qualquer buraco lógico em tudo o que está a ser dito.
Eu adorei. Pensei: olha, nunca me tinha calhado este cromo.
É muito giro.
Portanto, esta semana foi uma semana de novas experiências para cada um de nós.
E normalmente tu não és muito pessoa de querer puxar a conversa, não é?
Não, eu só digo: pois.
É que eu fico fascinado. Eu fiquei, eu pedi ao senhor para ver as fotos.
Eu fiquei: pois, estou mesmo a ver que não sai até chegar, ok. É mesmo isso que vai acontecer. Mas pronto, deu tema aqui para o podcast.
Muito bem, excelente. Queres ir a um e-mail?
Quero ir a um e-mail. Temos aqui um já parado há não sei quantos episódios, que é a Encruzilhada Emocional da Cascona.
Sim, senhora, vou pedir para tu seres...
Do Cascão, não sei.
Encruzilhada Emocional. Então, mas agora onde é que isto está?
Está mais para baixo.
Olha, ah, está aqui.
Estás a ver?
Lê tu, se faz favor, que eu não tenho condições, vou beber água.
Encruzilhada Emocional. Preciso da vossa terapia. Olá, Rita e Guilherme. Adoro o vosso podcast e a forma como conseguem transformar as maiores nódoas emocionais em gargalhadas terapêuticas. Hoje escrevo-vos com a esperança de que consigam dar algum sentido à confusão que vai cá dentro. Tenho uma relação de seis anos e há cerca de seis meses começámos a viver juntos.
Muito bem.
Tudo parecia seguir um caminho normal, até que no verão passado comecei a perceber que talvez tivesse sentimentos por um amigo meu.
Olha.
Como ambos estávamos em relações longas, reprimi tudo achando que ia passar. Mas numa saída à noite acabamos por nos aproximar mais do que o normal.
Defina aproximar mais do que o normal.
No dia seguinte, decidimos conversar de forma honesta. Fui preparada para encerrar o capítulo por respeito às nossas relações e deparar-me com a surpresa. Ele tinha se separado.
Então só um é que traiu.
Nessa altura optei por me afastar completamente.
Muito bem.
Achei que o melhor seria cortar o mal pela raiz. Consegui manter esse afastamento durante cerca de um mês, mas desde então tudo se complicou. Não consigo reprimir os sentimentos. Continuamos a passar tempo juntos.
Ei.
Damo-nos muito bem.
Ok.
E a ligação emocional é evidente. Importa dizer que nunca houve contacto físico entre nós.
Ok.
Ele tem sido sempre muito respeitador nesse sentido . Desculpa. Ainda assim, sinto que estou a enganar os dois. O meu namorado, por motivos óbvios, e este amigo a quem dou esperança enquanto continuo numa relação.
Eu vou dizer uma frase que a Rita vai refilar porque tem um palavrão, mas é genuinamente o que se passa nesta situação, que é tu não estás nem a foder nem a sair de cima.
É verdade. Amo o meu namorado, mas se me sinto assim por outra pessoa, será que estou apenas confortável e habituada à relação?
Sim.
Sinto-me péssima, cheia de culpa e sem saber o que fazer. Se puderem ajudar esta alma perdida com uma boa dose da vossa terapia, com ou sem sarcasmo, ficarei eternamente grata. Obrigada e chamámos-lhe Cascona porque já não me lembro por quê. Porque Cascão? Já não sei.
Cascão, o sujoPorque é o que está sujo, não é? Do Charlie Brown.
Não, é da Turma da Mônica.
Turma da Mônica, exatamente.
Por que chamamos Cascona? Olha, já não sei.
Também não faço ideia. Olha, é a primeira vez que acontece, nós damos uma alcunha e não nos lembramos porque é que demos a alcunha.
"Para compensar a extensão deste e-mail, envio foto fofa das minhas gatas."
Sim, senhora. Pronto, isso depois nós avaliamos. São muito queridas. Podes começar.
Não, pode ser porque tu tens muitas coisas para dizer.
Eu acho que o que está a acontecer é o seguinte: esta pessoa está com sentimentos por outra pessoa. Ou seja, ela está numa relação, ela até tem carinho e amizade pela pessoa com quem está, mas eu acho que já não há nem paixão, nem desejo pela pessoa com quem está. E ela tem, de facto, sentimentos amorosos, ela tem vontade de fazer coisas com esta pessoa. E eu acho que não é justo nem para um, nem para o outro.
Nem para ela.
Não, mas para ela, neste caso, ela está numa encozinhada porque ela sente-se mal.
Onde?
Encozinhada, porque é uma situação em que tu não sabes o que vais fazer, mas tens fome. É uma encozinhada. Tu tens que acompanhar mais a língua portuguesa. Ela está numa encruzilhada, mas ela sabe o que é que ela quer.
Sim, ela está consciente do que está a fazer.
Exatamente. As outras pessoas não estão bem, porque há um indivíduo que está numa relação com ela e que está a ser enganado, porque ela tem sentimentos por outro homem e tem estado com outro homem por quem tem sentimentos e essa pessoa não sabe o que se passa. Acho isso injusto para essa pessoa. Ao mesmo tempo que ela anda a ter encontros, vou dizer assim, ou anda a estar com uma pessoa que também tem sentimentos por ela e ela sabe que ele tem. E essa pessoa está ali num ramerrame de, e vou dizer isto, ser correto e não fazer nada porque sabe que ela está numa relação.
Exatamente.
E ele não quer ser o amante e não quer que ela traia por causa dele e respect a este homem, mas ele também está ali à espera e quer saber o que se passa. E ela não deixa fugir, mas também não sai da relação. Eu acho que esta senhora, a Cascona, tem que perceber exatamente o que ela quer da vida dela e tem que tomar uma decisão. Ela não pode continuar com malabarismos.
Sim, eu acho que ela tem que ter rapidamente uma conversa séria com o homem com quem está, o namorado de há seis anos, com quem mora há seis meses, e tem de perceber exatamente o que está aqui a acontecer. É essa falta de entusiasmo pelo namorado, pela vida que tem com o namorado, ou é de facto uma pessoa que apareceu e por quem ela se apaixonou.
É que às vezes é mais só isso. Às vezes nós associamos, acho eu, ela como já não gosta assim tanto do namorado, apaixonou-se. Às vezes as coisas não estão diretamente ligadas. Às vezes pode ser, ela tem uma vida perfeitamente normal com o namorado, porque ela também não é maluca e não decidiu ir morar com ele não gostando dele. Ou seja, há ali sentimentos, mesmo que seja uma cena de estar já confortável e está encostada e é o hábito, e é a vida dela, e não sei o quê.
Mas também se calhar, gosta daquela pessoa e está entusiasmada.
Mas não romanticamente, é perfeitamente possível.
Mas eu acho que é possível tu gostares romanticamente de duas pessoas.
Da mesma maneira?
Não da mesma maneira, mas acho que é possível que tu gostes romanticamente da pessoa com quem estás, mas aparece outra pessoa que é completamente diferente, que tem outras valências, mas tem outras características e que te entusiasma de formas diferentes. Eu acho isso completamente possível.
Pois, também acho perfeitamente possível. É possível que esta pessoa queira ter duas relações.
Pois, eu concordo contigo. Não é porque ela necessariamente esteja triste e mal na relação onde está.
Que encontra fora.
Que encontra fora.
Eu isso não concordo.
Surgiu alguém, apareceu alguém que não era suposto aparecer, mas apareceu.
Sim, porque normalmente eu acho que quando se fala de "apaixonei por outra pessoa fora do meu casamento", associa-se sempre isso a uma energia de porque o casamento não está bem. E eu acho que isso não tem nada a ver.
Não tem nada a ver.
O teu casamento pode estar perfeitamente normal, estável e contente, e haver uma pessoa fora que te desperta sentimentos que tu não estavas à espera. Acho que as coisas não têm ligação direta. Portanto, eu não acho que tenha a ver com o estado em que está a relação dela. No entanto, ela tem que se lembrar que está numa relação.
Claro.
E que deve à pessoa com quem está respeito, honestidade e ela não gostava que fosse ao contrário. E se ela se sente mal é porque ela sabe que está a fazer coisas nas costas da outra pessoa. E eu acho que isso é que tem que ser corrigido.
Claro.
Ela não pode ser injusta.
Sim, acho que a traição não é só física. A traição começa muitas vezes por ser emocional.
Sem dúvida nenhuma. Quando as pessoas começam a esconder, quando tu começas a perguntar assim como é que correu e a pessoa não responde. Esses pequenos passos de começar a sonegar informação, é o que os americanos chamam o cold shoulder, que é quando tu começas a ficar frio e distante.
Pois, e a não contar as coisas.
A não contar, a não falar.
A não responder como é que correu.
A não responder, a demorar muito tempo. Lês e pensas: "Mas eu agora estou a jantar, vou estar a responder à pessoa que eu amo e com quem eu moro? Para quê? Para que eu vou estar a responder?" Vou só ler esta mensagem e responder daqui a duas horas e meia quando for para o quarto.
Quando tiver vontade de ir fazer cocô. É sério, é só para o que lhe interessa também, digo-te já. Olha, terapiadecasalpodcast@gmail.com é para onde vocês podem enviar as vossas mensagens, dúvidas, questões, dilemas, encruzilhadas emocionais.
Principalmente encruzilhadas. Vocês falem das vossas encruzilhadas.
Exatamente. Amorosas, de amizade, familiares, de vocês para vocês. Estamos aqui para responder a tudo. E para a semana cá estaremos.
E disseste o e-mail? Não ouvi. terapiadecasalpodcast@gmail.com.
Disse. Pois quem é que não ouve quem?
Pois, é que tu estavas aí blá-blá-blá-blá.
E te desligaste. Sabes o que é que aconteceu?
Eu estava a pensar que nas encruzilhadas para o amor, nós somos quem tem a receita. Era o que eu estava a pensar.
Desliga isso.