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Olá, sejam muito bem-vindos a mais um episódio de "Terapia de Casal", o vosso podcast comigo, Guilherme Fonseca, humorista, guionista e marido, e com a minha querida Rita da Nova, que é escritora, é parva e é a minha esposa.

Sobretudo parva.

Da lista toda de coisas que tu és...

É a mais importante.

E parva está no topo da lista, de certeza absoluta.

Sim, Rita da Nova, parva.

Exatamente.

É o meu cognome.

Rita da Nova, pessoa que no concerto de Rosalía estava embasbacada com o seu próprio balcão no MEO Arena.

Estava irritada com o meu próprio balcão. Podemos já começar por aí.

Eu gostava de começar por aí. Pegávamos em Rosalía, atirávamos-lhe umas magnólias e falávamos da tua reação ao que se passou na bancada um do MEO Arena.

Ora bem, isto é o seguinte: eu sempre fui a concertos na minha vida, desde pequena.

Muito bem. Teu primeiro concerto, qual foi? Panda e os Caricas?

Não sei, porque foi com a minha mãe grávida.

Foste numa barriga?

Fui numa barriga.

Muito bem, não pagaste bilhete.

Não paguei bilhete, é assim. O primeiro concerto que eu me lembro assim, impactante na minha vida, foi o concerto da Shakira no Pavilhão Atlântico.

Pois claro. Quem é que não se lembra?

E quem é que abriu?

Eu já sei, tu contaste-me essa história.

Quem é que abriu para a Shakira? Malta, os Adiafa, não sei se lembram do "estralá".

"Estralá, Bombay, o grito no ar". Sabes que eu tinha um ódio visceral dessa música.

A sério?

Visceral.

Eras muito snob.

Não é snob, a música é horrível.

"A benta fica todo queimado".

Não. Fica todo queimado.

Queimado, foi o que eu disse, mas não é preciso também exagerar aí o sotaque, Guilherme.

Porque eles não exageravam. Na musiquinha de merda com as unhas todas sujas de terra, ou lá o que era.

Continuando. Vou há muitos anos a concertos e sempre, agora nos últimos anos, dada a minha idade, tenho ficado sempre em bancada, ou seja, no balcão. Tenho sempre ficado sentada, lugares sentados.

Exatamente.

No sentido em que tu reservas o teu lugar, tens lá o teu lugarzinho, podes estar sentada.

Exatamente. Balcão um é vida. Eu já não quero ver mais concertos lá embaixo.

Mas não entendo como é que as pessoas não se levantam para assistir ao concerto.

Também te vou dizer uma coisa: queres estar de pé, vais lá para baixo para a plateia.

Guilherme, não. Guilherme, não sejas o Nilton. Já me estás a irritar.

Pois é, eu ia buscar esse post, por que me estás a estragar?

Já me estás a enervar.

Nunca me tinham chamado Nilton. Olha que até me tocou aqui num sítio que está a chatear.

Nunca tinha assistido a isto. E pessoas irritadas por pessoas estarem em pé. Vou-te dar um exemplo. Eu estive em fevereiro, como já disse aqui no podcast, em Manchester, a ver a Florence and the Machine lá numa arena que eles têm.

Estiveste sim, senhora.

E eu tinha lugares sentados, tinha lugares de bancada. Mas na própria aplicação da arena, que é a Coop Arena, eles dizem: "Os teus lugares são sentados, para tu teres esse lugar, mas não significa que tenhas que estar sentado durante o concerto".

Pois claro que não, porque é um concerto.

É um concerto.

E tu fazes o que tu quiseres.

As pessoas estarem sentadas, para mim, até é meio falta de respeito para o artista, a não ser que seja uma coisa tipo música clássica, que não, claro, não vais estar em pé. Mas estava-me a fazer confusão.

Por acaso foi engraçado, porque nós estávamos lá, entra a Rosalía, começa o concerto com a Rosalía lá em palco a dançar e a cantar e a fazer as suas motomamices. E a Rita olha à volta para a bancada e diz assim: "Ninguém se vai levantar? Ai, então ninguém se vai levantar? Começou o concerto, ninguém se levanta?" Tu estavas pasmada.

Não sei. E depois o ódio das pessoas que compraram bilhete sentado, no dia seguinte, a dizer que foi uma falta de respeito as pessoas levantarem-se para assistir ao concerto.

Não, eu posso ler o post do Nilton?

Podes, por favor.

Eu vou ler o post do Nilton, porque o Nilton mete uma foto da Rosalía, que ele não consegue ver a Rosalía porque estão dois senhores de pé a bater palmas e a cantar e a dançar. E o Nilton põe um post que diz assim: "Quero a vossa opinião sobre os cromos que compram bilhetes para os lugares sentados, mas depois estão o concerto todo de pé e os de trás que se lixem. Ponte pé na boca ou só um calduço?" Primeiro, hilariante este post.

Não, sério. Top comedy.

Onde é que será que ele viu este post para fazer?

Exato. Também é essa. Viu na internet toda a gente dizer que... E depois havia relatos de pessoas mal-educadas com quem se estava a levantar. A dizer: "Senta-te lá, caralho".

Atenção, vou só dizer uma coisa. Este post, esta observação que eu fiz sobre onde é que o Nilton viu isto para fazer igual, é uma acusação que vem diretamente da minha mulher, porque a minha mulher foi roubada pelo Nilton há uns anos.

Nilton roubou-me uma piada no Twitter.

Exatamente.

Uma piada hilariante.

A Rita fez uma piada da sua própria cabeça no Twitter e o Nilton roubou, pôs nas suas redes sociais como se fosse sua e ainda fez na sua rubrica na RFM. Estou só a deixar aqui.

Portanto, eu tenho bife com o Nilton. Eu tenho bife com o Nilton e este post que ele fez agora armado em Xololó também não me ajudou. Percebes?

Pois, eu não percebo qual é o problema, porque tudo bem que tu compraste uma cadeira, estás a comprar um lugar sentado, mas um concerto é um concerto e depois a certa altura, quando começa lá o bergaim, que se aqui tem aquela emoção.

As pessoas agora querem-se levantar.

Agora já querem dançar. E tu devias ter sentado e devias ter dito: "Então, agora está tudo de pé, não consigo ver."

Irritou-me. Irritou-me solenemente. O concerto foi lindo, foi maravilhoso, foi um dos melhores concertos que eu vi na vida.

Completamente. Não estava nas minhas expectativas chorar com a Carminho e com a Rosalía.

Mas a vibe da bancada não estava.

Não, eu acho que foi tranquila. Depois quando tu te quiseste levantar, levantaste-te e ficámos os dois de pé e vimos ali o resto do concerto.

E fiquei em pé. Não quero saber. Prendam-me. Olha, prendam-me

"Prendam-me" é lindo.

"Prendam-me". É da maneira que eu vou para a prisão ler. Prendam-me!

Houve outra onda de ódio em relação ao concerto da Rosalía. Houve esta do senta, levanta do post do Nilton, mas houve outra onda que foi Filomena Cautela, entre outras pessoas que eu também já vi nas redes sociais, a dizer assim: "Como é que é possível, as pessoas vão aos concertos e estão o tempo todo com o telemóvel na mão. Porque é que as pessoas não aproveitam o concerto e estão com o telemóvel na mão?" Vi outra pessoa também nas redes sociais a falar disto, uma pessoa que eu até já vi inclusivamente a filmar-se a chorar, mas num concerto acha mal estar-se a filmar. Quando essa pessoa chora nas redes sociais, é normal. "Eu estou a divulgar a minha saúde mental, não posso gravar a chorar?" Como se a preocupação principal das pessoas quando começam a chorar é: deixa-me apanhar aqui o melhor ângulo para pôr nas stories. Mas depois eu vou a um concerto e não posso gravar um vídeo com uma parte da minha música favorita ou tirar uma fotografia para me lembrar ou para fazer uma story a dizer que gostei muito deste concerto. Qual é o problema? Eu não percebo este moralismo com: "Vão para os concertos, vão filmar?"

Eu ainda vi outra que foi: quando é que se tornou aceitável um artista atrasar 25 minutos um concerto?

Desde sempre.

Olha, linda, em Portugal, desde sempre.

Desde sempre. Não, atenção, mas eu não estou a perceber essa. Desde sempre.

Desde sempre.

Que concerto na história da música em Portugal-

É que começou à hora certa

...eu estou a falar de artistas internacionais, não estou a dizer: os portugueses atrasam-se todos e os chutes nunca estão lá à hora. Não é isso que eu estou a dizer. Concertos internacionais, é normal 15, 20 minutos depois.

E o espetáculo nunca começou à hora.

Claro.

Enfim.

Espera, mas essa aí já é outro nível.

Sim.

Eu estou a pagar parque, eu estou a pagar babysitter.

Exato. Olha, não tivesses filhos, linda.

Não, mas esta onda de ódio ao telemóvel com pessoas que depois vão para o carro gravar stories.

A chorar.

A Filomena disse: "Como é que estas pessoas estão sempre no telemóvel?" Gravando-se no seu carro, no seu telemóvel. Ou seja, é uma hipocrisia do caraças. Reparem nesta imagem de um concerto dos anos 70, e eram as pessoas todas a dançar e a bater palmas. Pois claro, porque o único telefone que tinham estava colado à parede de casa.

Sim, porque se estivesse com elas, fosse possível.

Claro.

Opá.

Como é óbvio.

Ya.

Como é óbvio. Eu achei tão estúpido. É normal que as pessoas queiram uma recordação daquilo que lhes aconteceu.

Claro.

Se a Filomena for no meio da rua, à minha frente, tropeçar e cair, eu garanto que eu vou filmar e depois vou ajudar. Garanto. Garanto que eu vou fazer isso.

Porque tu queres uma recordação da Filomena a cair.

Eu quero uma Filomena, de qualquer recordação a cair. Era o que eu ia dizer. A minha questão é só, eu não percebo porque é que se critica as pessoas por quererem memórias de coisas boas que lhes acontecem na vida. Ontem estivemos no Porto por causa do meu solo. Já vamos falar disso.

Ontem à noite, não foi ontem.

Pois é. No fim de semana estivemos no Porto e nós fomos a um restaurante muito bom no Porto, que a nossa amiga Sofia descobriu, que eu não conhecia, que se chama Out to Lunch, que é um restaurante que tem comida japonesa. Nós vamos ao Japão todos, estamos a preparar a viagem, ela disse: "Por que não vais comer comida japonesa?" Vocês, eu por acaso comida não faço isso, mas vocês, fotografaram o prato. Dizer: olha, que está aqui.

Só para me lembrar.

Um caril com carninha, com um pouquinho de arroz branco. Olha aqui uma bela foto, vou tirar uma foto ao que eu vou comer. Qual é o mal? Qual é o mal disso? Há de certeza prints, carinhos e fotos muito mais estúpidas que as pessoas têm no telefone. Qual é o problema?

Não, e a verdade é que eu uso muito a recordação das coisas que eu gravei ou que eu fotografei.

Claro.

Às vezes tenho saudades de alguma coisa e vou ver uma foto e fico tipo: olha.

Mas sabes que é muito mais para isso? Porque, por exemplo, nós no fim de semana passado fomos à Disney, e também já vamos falar disso. Fomos à Disney.

Fomos à Disney. Tu hoje estás assim, porque é mesmo assim. Porque é mesmo para eles perceberem.

Tens toda a razão.

Que eu hoje estou assim.

Nós no fim de semana passado fomos à Disney.

Continuas, mas estás a chegar.

Há amigos meus, nomeadamente Pedro Silva, com quem eu faço o Private Joke, Terapia de Casal é contigo, às vezes confundo. Que me disse assim: "Foste à Disney? Eu não vi nenhuma story".

Ya.

Porque repara, eu posso tirar fotografias e fiz fotos e vídeos do nosso sobrinho e de momentos que nós passamos todos na Disney e nos concertos, mas não estou sempre a fazer stories. As pessoas estarem a fotografar e a fazer vídeos não quer dizer que estejam a fazer stories.

Sim.

Sabes o que eu acho muito mais condenável, que também se passou em relação ao concerto da Rosalía? Foram celebridades a pedinchar bilhetes porque não compraram.

Olha, é mesmo.

Estão a ouvir o "Once in Lisboa" e Rebeca Caldeira? Estou a falar para vocês.

Eu hoje venho com as big guns, vocês não têm noção. É assim, eu adoro, pessoalmente, adoro, porque assim não tenho que ser eu a fazer este papel.

Comprem bilhetes para o meu espetáculo amigável.

Não há ofertas.

Porque as pessoas provavelmente tentaram bilhete e não conseguiram, ou se calhar nem se esforçaram muito porque sabiam que depois eventualmente uma marca lhes dava.

Também há essa.

Pronto. E então, nos dias antes do concerto, fazem um choradinho inacreditável a pedinchar. Eu tenho um amigo que é o Cláudio Almeida, que identifica um tipo de post que é o pedinshagram.

Pedinshagram, adoro.

Pedinshagram é um ganda nome, foi Cláudio Almeida que inventou. Cláudio Almeida diz pedinshagram, que é aquele post de: "Ó malta, alguém arranja um bilhete?" Não sei o quê, mas também há pedinshagram de outras coisas, já deves ter reparado, que são pessoas que dizem assim: "Ó malta, alguém conhece um bom canalizador de piscinas a bom preço que possa vir à minha casa?"

Mas não, mas isso não é pedinshagram, eu já usei isso para encontrar, por exemplo-

Há celebridades que usam isto para ter descontos e para fazer o postzinho.

Ok, mas, por exemplo, as santas que tens aqui em casa, só as descobri porque alguém me recomendou o Ping Rust.

Mas pagámos as nossas.

Claro, óbvio.

Pronto, mas quantas celebridades não fazem parceriasinhas assim? Ó malta.

Mas se te oferecessem as santas, não aceitavas?

Não sei.

Ó Guilherme, sê honesto.

Mas eu fui para o Instagram pedir encher prateleiras e depois ofereceram-nas.

Não, eu fui para o Instagram pedir recomendações de carpinteiros que pudessem fazer esta obra.

Pronto. Tu achas que as pessoas, as celebridades e os influencers que foram pedir encher bilhetes para a Rosalía não tiveram a oportunidade de os comprar? Obviamente, estavam à espera de uma marcazinha que lhes arrasasse os bilhetes. Eu acho isso muito mais condenável do que pessoas que estão propriamente a filmar o concerto, porque pagaram com o seu dinheiro e querem ter uma memória do que aconteceu ali dentro. Desculpem lá.

O meu luz está aceso. O Guilherme Fonseca está aceso. Podemos falar da Disney para irmos para um lugar melhor?

Eu gostava de ir para um lugar onde há princesas, brinquedos, reis.

Heróis da banda desenhada, bolos, chatos e muitos trabulhos. Fomos à Disney.

Fomos sim, senhora.

Fomos à Disney. Não dissemos aqui a semana passada que íamos, para ser surpresa.

As pessoas não têm de saber onde é que nós andamos. Essa também é essa.

E eu pus stories da Disney no fim, quando já estava em Portugal. Só naquela. Eu adoro quando isso acontece, que é quando eu ponho stories, já não estou no sítio e pessoas a dizer: "Aproveita, diverte-te" ou "Não te esqueças de fazer não sei o quê". Ó lindos, já foi.

Obrigado pelos dicas, mas já está.

Fomos à Disney. Basicamente, no Natal deste ano, decidimos oferecer ao meu irmão e ao meu cunhado, que não tínhamos ideia de prenda, entradas para a Disney.

Desculpa, não tinhas ideia de prenda, mais ou menos, foi uma grande prenda.

Não, tivemos esta, ou seja, não tivemos ideia de outra prenda, e a minha irmã há anos que queria ir à Disney. E então, há um bocadinho, a desculpa do meu sobrinho. Só tem um ano e três meses, nunca na vida se vai lembrar que foi à Disney.

Nós vamos fazer uma coisa muito gira, que é: nós tiramos imensas fotos ao Duarte na Disney, e o Duarte daqui a uns anos, quando já falar, vai dizer: "Eu quero ir à Disney". "Tu já foste, olha aqui estas fotos."

"Não te lembras? Olha tu aqui nas chapinhas da Bela e o Monstro. Olha tu aqui a rolar." Pronto, é para isso que servem as fotos e os vídeos no momento, é para depois mais tarde acusar os sobrinhos de que já fizeram.

Quando nos cobrarem, nós: "Tu já fizeste".

Já fizeste, já pagámos.

Já tiveste. Vai ao banco de memórias, à cloud, e vai buscar. Já tiveste.

E pronto, então fomos um dia a um parque e outro dia a outro. Fomos um dia ao Disneyland Park e um dia ao Adventure World Park.

Pois, Disneyland Paris, que é o nome oficial, já se chamou EuroDisney, eles tiraram o euro.

Mas ainda há muita gente que diz EuroDisney.

Mas sabes que erradamente, porque no outro dia eu para o private joke estive a fazer um quiz ao Pedro sobre a Disney, para o lá testar, e fiz com várias perguntas. Por exemplo, faço aqui uma pergunta: sabes quantas pessoas já morreram na Disney desde 92?

Para aí 150.

Cinco. Morreram só cinco pessoas lá, entre trabalhadores e pessoas que tiveram complicações em montanhas-russas. Só morreram cinco pessoas. Pensei que era muito mais.

Mas eu quero falar sobre isso, sobre complicações em montanhas-russas.

Não, eu tenho imensa coisa para dizer. E diversões em diversões.

Sim.

Mas já se chamou EuroDisney, agora chama-se Disneyland. E aquilo tem dois parques, um é muito maior do que o outro, sendo que o mais pequeno agora tem uma zona da Frozen, da Disney.

Não, e já estão a fazer a do Rei Leão. Eu no outro dia agora, como fomos à Disney, andei no TikTok a ver coisas sobre a Disney e agora o meu TikTok é a Disney.

E vai haver uma cena do Up lá.

E vai haver uma cena do Rei Leão, gigante, e eles mostram, agora no TikTok apareceram fotos de cima de drones a mostrar como é que vai ficar.

Mandam drones para a Disney para saber como é que vai ficar.

As pessoas que são loucas pela Disney, são loucas pela Disney.

Atenção, temos de falar disso. Eu adorei ir à Disney, foi muito mais divertido do que eu estava à espera. Para mim, eu achei que era uma cena de vamos em grupo, os miúdos vão gostar, o Du vai ficar mago com as luzes e não sei o quê.

Os miúdos, que é a minha irmã e o Du.

Pois claro, são as duas crianças, é a mãe e depois a própria da criança. Mas eu gostei muito de ir à Disney. Primeiro, apesar de ser fim de semana da Páscoa, que foi quando nós fomos, eu não achei aquilo muito cheio.

Não, estava okay.

Achei supertranquilo andar na Disney, entrar foi sempre rápido. Fomos diretos ao guichê e entrámos, e entrámos às 9h30, que era quando aquilo abria. Nunca tivemos mais de 40 minutos, que foi o máximo dos máximos de uma fila.

Mais ou menos. Eu estive numa fila, mas pronto.

Tu tiveste 80 minutos para andar numa, que eu depois tive 22. É só uma escolha do horário.

Então eu faço a média. 50 minutos. Está-se bem.

Mas nunca estivemos mais de 40 minutos numa fila para andar numa montanha-russa ou para comer. Nada.

Sim, foi supertranquilo.

Eu achei supertranquilo em termos de quantidade de gente na Disney.

Mesmo em termos de segurança, achei super.

Também. Agora, eu não estava à espera da quantidade de adultos que andam com bandoletes.

É verdade.

A quantidade de adultos que andam com bandoletes da Disney. Para mim é fascinante.

Mas também, por um lado, é do gênero: gastaste o teu dinheiro para ir ali, estás a aproveitar, estás a ligar-te, de certa forma, à tua criança interior.

Não, eu comprei um casaco da Disney. Eu tenho um casaco lindo, eu tenho um casaco espetacular que eu comprei na Disney. Mas adultos de bandolete, é que eu acho que há ali uma convergência de neurodivergência.

É verdade.

Há ou não há?

É.

Pronto, queria só dizer. A certa altura, eu não sei se não apareço no episódio do "Levando o Spectrum". Lá atrás a passar um episódio, um figurante a passar lá atrás. Não sei.

Mas acho bem. Também essas pessoas não fazem mal a ninguém.

Ya.

Vão ali, é a hiperfixação delas.

Eu não estou a acusar ninguém de fazer mal.

Claro. É esquisito.

Outra questão que me impressiona na Disney: a quantidade de gente que se peida na Disney.

Quero falar sobre isso.

É assim.

E não são as crianças, eu tenho a certeza que não são só as crianças.

Pode ser a excitação de: "Olha, está ali o Iron Man, está ali o Deadpool". Eu percebo a excitação.

Mas não são só as crianças, de certeza. Cheira a peido na Disney, desde que tu entras até que tu sais.

Pois é, cheira muito a peido na Disney.

Eu já não aguentava mais.

Eu não sei o que é que eu comi, quem anda a comer. Cheira de facto muito a peido na Disney. E como nós estamos muitas vezes em filas, tu queres andar é em montanhas-russas. Vais para uma fila, olha, 25 minutos, meia horinha para andares nesta. Sim, senhor, meia horinha estou tranquilo, levamos o nosso cubo, eu estive lá a ler também, estou tranquilão.

Claro.

Agora, como estás muitas vezes em filas, estás muitas vezes em sítios com gente que está de pé parada à espera. E eu não sei se isso não potencia ali o flato.

Eu acho que devia haver uma tecnologia que em multidões Sinalizar.

Tu queres aquela coisa da água mudar de cor das piscinas, mas no ar?

Quero.

Pois não, eu sou contra isso. Eu às vezes também dou um peido.

Pois, eu sei. Quero. Que era para nós tirarmos as teimas se eram de facto as crianças ou os adultos, porque eu acho que eram os adultos.

Não, aquilo é peido de adulto, não há criança que peide aquilo.

Sim. E depois estávamos a entrar no avião para voltar e cheirou a peido outra vez.

Mas em aviões é normal. Em aviões cheira sempre muito a peido.

Não cheira nada.

Por causa da pressão no ar. Eu peido muito em aviões, digo-te já.

Tu és o maior fã. "Eu sei do cheiro a peido e do peido e não sei o quê".

Eu peido muito em aviões. Queria pedir desculpa à indústria da aeronáutica, mas eu peido muito em aviões. É muita pressão lá em cima. As mulheres que estão a ver isto, os meus pés incham muito. Aquela cena nos voos, os meus pés incham muito. E a barriga.

A tua barriga incha muito. Mas pronto, cheirou muito a peido na Disney, mas foi muito divertido.

Fala em peido na Disney. Tu queres falar da tua atração favorita da Disney?

Eu não sei qual foi.

As casas de banho. Tu cagaste quantas vezes na Disney?

Caguei três vezes na Disney, malta. Três vezes.

Em dois dias na Disney.

Em dois dias caguei três vezes.

Foi sábado e domingo. Foi sábado e domingo de Páscoa. Cagaste três vezes na Disney.

Uma vez no sábado, duas vezes no domingo, que era para o Senhor ir contente para a sua ressurreição. É assim. Ao menos fiz na casa de banho. Não andei para aí a soltar.

Sim, não andaste a espalhar, mas foi muito engraçada a eficácia que tem como livrarias. Nós já falámos aqui.

Não. E também eu estava ciente de que nós tínhamos um horário para cumprir e que nós queríamos ver as atrações e ir às montanhas-russas e não sei o quê.

Mas não falhámos nenhuma montanha-russa.

Não falhámos.

Fomos a todas.

Porque eu sabia que quando eu for à casa de banho é para fazer, não é para estar ali.

Claro.

E então no segundo dia chegámos ao parque, eu disse: "Malta, eu vou à casa de banho".

Ya. Mas quando te perguntarem assim daqui a uns anos: "Rita, foste à Disneyland Paris, fizeste o quê?" Tu vais dizer: "Comi, andei em montanhas-russas e caguei".

E fiz cocó. E fiz cocó. E não tenho vergonha de admitir que fiz cocó na Disney. Não tenho.

E qual é o mal? E tiraste o telefone, fizeste um vídeo?

Não. Tirei uma foto. Não, ao cocó não, malta. Mas depois podemos usar para divulgar.

Então divulgamos com a Rita a fazer cocó na Disney. Great success.

Great success, mandei para eles.

Fala em fotos da Disney.

Eu acho também que não se fala de normalizar fazer cocó na rua. Não é na rua.

Porque as pessoas costumam ter muita prisão de ventre e ficam muito presas quando saem de casa, quando estão de férias e vão viajar.

Eu não.

A Disney tem boas casas de banho.

Tem boas, excelentes casas de banho.

Aliás, eu achei as condições da Disney excelentes. Gostei mesmo de ir à Disney. Eu achei que ia ser muito mais caótico e muito mais slide and splash, Zoomarine, a energia.

Slide and splash?

Slide and splash, sei lá como é que se chama. Sabes essa energia de Primark do Colombo? Eu achei que ia ser essa energia.

Iberes.

Não foi nada. Não foi absolutamente nada. Achei mesmo uma experiência fixe de lá ir em família. Foi supertranquila, espaço, andámos sempre com o carrinho, uma cena mesmo fixe.

Montes de parques para carrinhos. As pessoas deixavam os carrinhos nos parques.

Adorei os parques de carrinhos. Por falar em fotos na Disney, nós temos que falar do que se passa com as nossas caras em montanhas-russas, porque nós andámos em muitas montanhas-russas.

É assim, eu nem sei como é que isto não foi o teu tema de abertura. Como é que tu não dizes às pessoas que Rita Da Nova se superou. Isto foi superação.

Pois é. Tu andaste em todas menos numa, que a malta pode investigar as montanhas-russas todas da Disney. Disneyland Paris, vão ver. A Rita andou em todas as maiores, menos a do Indiana Jones, que tem um loop 360, que a Rita ia ficar com a cabecita virada ao contrário. E qual é o teu ponto? É que tu tens uma cena com as montanhas-russas.

Eu tenho uma teoria de como funciona para mim.

Exatamente, isto cada um é a sua surta, outras vezes é o que funciona para os outros, é o que não funciona para nós.

Montanhas-russas ao ar livre.

O que é que tu queres dizer com isto? É porque há pessoas que se calhar não sabem, mas há montanhas-russas que a estrutura da viagem da montanha-russa é dentro de um edifício em que a pessoa vai às escuras. Nem todas as montanhas-russas são como se costuma ver nos filmes, que é ao ar livre, cá fora. Há montanhas-russas em que a estrutura toda que uma pessoa faz sentada ou parte, é dentro e no escuro dentro de uma sala.

E normalmente dentro desse escuro tens projeções, tens animação, etc. O que é que eu percebi que funciona para mim? São essas montanhas-russas no escuro. Por quê? As ao ar livre, eu estou a ver o que é que me vai acontecer dali a uns segundos e eu fico nervosa. Eu já vejo o loop, já vejo a revienga.

Tu vês o que é que vem aí, não é?

Já vejo o vou ficar de cabeça para baixo, já vejo o vou dar três voltas encarpada, já fico nervosa.

Ok.

Nas escuras...

Tu és só chocalhada.

Abanem-me.

Se tu não souberes para onde é que te vão abanar, tu estás bem.

Estou muito bem.

Se tu consegues ver ali a curva e o loop, já não dá.

Fico nervosa, e isso não quero fazer.

Ok, percebo perfeitamente.

É uma questão de expectativa.

Sendo que a tua irmã é a maior burrona de montanhas-russas que eu já vi.

Mas andou em todas também. Só não andou na do Indiana Jones comigo.

E porque nós tivemos que enganá-la na minha favorita, que foi o Tower of Terror.

Sim, eu saí a tremer dessa.

Ya.

E o meu irmão disse bem: "Rita, agora não podes estar com essa cara." Quando dissemos à Bia que foi tranquilo, foi bom.

E depois ela foi e curtiu.

Ya. Pronto. Agora, as nossas caras são sempre muito sérias.

Pois é, em todas as fotos de montanhas-russas, porque aquilo a certa altura-

Tira-te uma foto

...e depois uma pessoa tem que pagar a fotografia no fim. Negócios lá da Disney, o Mickey faz o dinheiro como ele entender. Tirou uma fotografia a meio. E está toda a gente tipo "eh!" Mãos no ar, a malta com ar de pânico. Eu estou sempre sério.

Eu também, estou sempre tipo.

Será que nós estamos mortos por dentro?

Não, acho que não. Eu estou a repensar a minha decisão naquele momento, é o que está a acontecer.

Pois, mas é que eu estou divertido E aliás, eu queria mandar um grande abraço. Uma das montanhas-russas que eu fiz é uma coisa que se chama Star Wars Hyperspace não sei o quê.

Mountain, acho eu.

Que foi das mais divertidas. Está no meu top das montanhas-russas da Disneyland Paris. Foi das mais divertidas e calhou eu ir em single ride. Se a fila estiver grande, se tiver 50, 60 minutos, vocês podem ir em single ride. O que é que é?

Algumas, não todas.

Não é todas. Que é uma fila em que vocês vão sozinhos, ou até podem ir, eu a certa altura fui com o teu cunhado, fui com o Marcos.

O nosso cunhado.

Sim, com o nosso cunhado. Fomos os dois e depois cada um ocupou o seu lugar quando desce. Que é, há um grupo de três, são quatro lugares, metem um single ride. Ou seja, é uma maneira de te sentares mais rapidamente, mas não vais sentado ao pé das pessoas que tu conheces.

Exato.

Nessa do Star Wars Hyperspace Mountain, eu fui em single ride e sentei-me com três pessoas do Porto, portugueses do Porto. E foi a viagem mais divertida, porque eles estavam todos borrados. Eram duas senhoras e um senhor. E o senhor notou-se que era do Porto, porque foi a viagem toda, toda, em pânico, aos berros a dizer: "Ai, ca puta! Ai, ca puta! Ai, ca puta!"

E tu disseste-lhe que eras português?

Sim, eu disse quando estávamos naquela minifila, quando já estás à espera que pare a ride à tua frente pra te sentares. Eu percebi que eles eram portugueses, porque onde nós nos íamos sentar, esteve parado oito minutos à nossa frente porque estava avariado. E eles estavam com medo, do género: "Eu não quero ir no avariado, eu não quero ir no avariado, esteve avariado, eu não vou neste." E eu disse: "Não, está tudo bem, eles já trocaram, foi para trás e voltou, eles trocaram." E ele: "Não, mas este esteve avariado, eu não quero ir neste avariado." E então eu fui com eles e eles sabiam que eu era português. E eu acho que as montanhas-russas deviam ter sempre uma pessoa do Porto lá.

Sim.

Devia ser obrigatório. Tipo, esta montanha-russa, este carrinho tem 20 lugares. Só vão 19 pessoas, porque o 20º é um senhor do Porto.

Que vai o tempo todo a gritar.

Só pra dizer: "Ai, ca puta, filha!" Foi espetacular.

Eu também fui com umas meninas que eu acho que eram tailandesas ou vietnamitas, não percebi muito bem. E fui com uma ao meu lado, porque elas eram cinco, e então acabei por ir eu ao lado de uma delas, numa montanha-russa supersimples, nem sequer era das piores. E ela assim que se sentou começou a berrar, ainda antes de andar, e agarrou-se a mim o tempo todo. Porei agarrada a mim o tempo todo.

Pronto.

E eu olhava para trás pra minha irmã e pra o meu irmão, e a minha irmã desatou a rir. Minha irmã tem uma coisa engraçada, que é: ri-se do início ao fim nas montanhas-russas.

E bem, não é o objetivo de uma montanha-russa?

Do início ao fim. E a minha irmã ia-se rir imenso, e só ouvia a minha irmã dizer atrás: "Eu vou fazer xixi nas cuecas, eu vou fazer xixi nas cuecas, eu não aguento mais." Portanto, é muito engraçado ir com portugueses em geral, eu acho.

Sim, havia muitos portugueses na Disney. Vimos muitos portugueses na Disney. O que é que eu ia dizer? Tenho dois hot takes polêmicos pra deixar aqui pro fim.

Hot take já é polêmico, não precisas de dizer.

Eu tenho dois takes que são hot, agora pra deixar aqui pro fim. O primeiro é: show com drones é mil vezes melhor do que fogo de artifício. Eu não percebo o encanto com fogo de artifício. Não percebo.

Mas o fogo de artifício da primeira noite, ou seja, do parque principal, do grande, não tinha som. Que eu gosto.

Sem dúvida, melhora. Mas o espetáculo com drones, mil vezes melhor.

Muito mais giro.

O outro parque, o mais pequeno, que eu não sei os nomes.

Adventure World.

Adventure World, que era o Studios, não sei o quê. Esse tem drones no fim, muito melhor.

Muito giro.

Drones é muito mais giro. Segundo hot take: percebo perfeitamente as pessoas que põem trelas nos filhos.

Ya.

Eu sei que isto é superpolêmico, porque eu próprio já escrevi textos a dizer que achava esquisito pais que andavam com trela nos filhos. Estando na Disney e vendo como os miúdos saem a correr e ficam fascinados e são irrequietos.

E se perdem completamente.

E nós éramos um grupo de cinco adultos para uma criança, cinco adultos para uma criança. Eu, a partir de hoje, oficialmente, percebo perfeitamente pais que andam com os filhos à trela, assim com os corpetes e com uma trela. Percebo perfeitamente, nunca mais vou julgar nem criticar dentro da minha cabeça.

Olha, é muito bom ver essa modéstia, Guilherme, ver a capacidade que tu tens de repensar crenças.

Exatamente.

E de as destruir.

É isso que-

E desconstruir, é verdade

...faz com que uma pessoa cresça e evolua enquanto ser humano.

É verdade.

E há outra coisa que eu também tive autoconsciência, que é: é um bocadinho esquisito, irônico e hipócrita da minha parte, que eu adoro montanhas-russas e depois fico desconfortável com turbulência do avião, porque, minha amiga, é a mesma merda.

É verdade.

É exatamente a mesma coisa. É vais do ponto A pro ponto B e treme a meio esta ride. Por que eu fico nervoso num e no outro acho giro?

Acho hilariante.

Por quê? É a mesma coisa.

Talvez porque no avião, se o avião cair, tu morres.

Então e uma montanha-russa?

Também. Verdade.

Pronto, então mas qual é a diferença? Por que eu fico nervoso num e não fico nervoso no outro?

Se calhar tu és o oposto de mim. Tu saberes como é que vai ser o caminho, tranquiliza-te. E eu, não estou a ver o que está a acontecer.

Pois, é possível. Mas isto não é hipócrita da minha parte?

Não é hipócrita.

É irónico.

O medo é uma coisa irracional.

Exatamente, também há essa. Mas eu adoro montanhas-russas, e se o avião treme, meu Deus, meu Deus.

Já estás nervosinho.

Já estou logo todo nervoso. Já começo eu a dizer: "Ai, ca puta!"

Adorei.

E acho que é isto. Eu não tenho mais nada sobre a Disney.

Também não.

Tu tens uma prima princesa.

Tenho uma prima que é princesa de Disney, mas acho que ela preza muito a sua privacidade.

Não vou dizer nomes, não vou dizer nada, mas tu tens uma prima que é lindíssima e parecia mesmo a princesa.

Parecia mesmo a-

Era a princesa. Quando nós a fomos cumprimentar.

A Bela, de "A Bela e o Monstro".

Quando nós fomos cumprimentar, ela era a princesa.

E ela não pode, quando está em personagem, não ser a personagem.

Não pode, porque é a personagem.

Exato. Então é até engraçado ver ela a ser a Bela "Olá!"

Excelente. E depois estivemos com ela depois do expediente de trabalho.

E ela era ela.

E era ela, e gostei muito de a conhecer e um grande beijinho para ela. Não vale a pena estar a dizer nomes de nada.

Obrigada por teres.

Mas quantas pessoas podem dizer: "Eu tenho uma prima que é princesa"?

É verdade, poucas. Ou: "Eu tenho uma prima que é princesa."

Exatamente.

Depois esclarece onde é que ela é princesa.

Exatamente, não interessa, é uma prima que é princesa. Eu tenho mais um tema para nós fecharmos, que a princípio vai ser muito rápido, que é: tu finalmente, e depois de um ano a chatear-te com esta merda, viste o meu solo.

Não, de um ano a chatear? Como assim?

Aqui em casa, com a insegurança, estou a montar, estou a escrever, vou sair à noite.

A maneira como disseste, parece que eu não queria ver o teu solo. Depois de um ano a chatear a Rita.

Sim, parecia que era: "Vamos lá ver o meu solo." Tu este fim de semana no Porto, que foi a minha primeira data esgotada e eu queria agradecer às pessoas do Porto que foram, fui fazer o meu espetáculo, terceira data.

Ao contrário do sotaque que tiveste há bocado, que estava péssimo, há um momento em que tu dizes duas palavras com pronúncia do norte. E depois eu estive com algumas pessoas do livro no dia seguinte que disseram que estava muito bem dito.

Pois claro. Não posso dizer porque é que está bem dito.

Ficas com este elogio.

Pois. Eu se calhar sou melhor a fazer sotaques do que eu acho. Eu só tenho que ir às boas fontes de inspiração.

Só tens de ouvir.

Exatamente.

É ouvir atento.

Mas tu viste o meu espetáculo finalmente de uma ponta a outra, com cenário, com música.

Está muito bonito o cenário.

O que é que tu sentiste? Queria só que desses a tua...

Tu queres que eu venda bilhetes por ti, no fundo é isso.

Eu quero os teus "tu sente".

Eu já te dei os meus "tu sente".

Mas não falaste aqui no podcast.

Ele quer ser elogiado. Quer dizer, a mim não me elogia.

Então eu vou deixar de falar do teu livro no podcast.

Não, a mim não me elogia. Não começa este podcast a dizer: "Fico impressionadíssimo que a minha mulher andou nas montanhas-russas todas."

Disseste isso depois da secção da Lisa.

Que coisa maravilhosa! Olha, até fiquei de pau feito. Não ouvi isso.

Vou dizer uma coisa. Se uma pessoa ficar de pau feito em montanhas-russas, é estranhíssimo.

Não é em montanhas-russas, é de ver.

De ver a mulher a ir a montanhas-russas. Eu adoro quando te chocalham.

Pronto, não ouviste aqui. Mas eu vou ser bigger person, que eu sou sempre nas minhas relações, sejam familiares, de amizade.

Pois, é o costume, tu és sempre muito superior.

Gostei muito. Achei que te divertiste.

Estava muito divertido.

Tu dizes que te esqueceste de duas ou três piadas, ou quatro.

Sim.

Mas não se nota.

E uma delas era uma piada.

Mas as pessoas não sabem.

Eu sei, mas fico aí chateado de me esquecer. É memoriazinha de merda.

Não é. Também te vou dizer esta agora, que é para te pôr uma humildadezinha. Tu estás a pôr mais impacto na tua fraca memória, com muitas aspas, do que ela realmente tem. Se tu relaxares, se tu não estiveres sempre a pensar: "Eu vou-me esquecer, porque a minha memória é horrível, porque a minha memória isto, porque a minha memória aquilo", vai correr melhor.

Pois. E numa hora e um quarto de espetáculo, eu esquecer-me só de quatro piadas também é muito.

Não é nada.

Mas esqueci-me.

Lá está, não é como se tivesses ficado cinco minutos a olhar para o público a dizer: "Peço imensa desculpa", como nas rides da Disney, que às vezes ficávamos parados cinco minutos porque alguma coisa de errado acontecia.

"Aconteceu aqui um problema, fiquem só aqui sentados." Aconteceu no do Spider-Man. Nós ficámos sentadinhos numa ride com uma pessoa com um ursinho de peluche.

Não é como se tivesses feito isso no espetáculo.

Também é verdade.

"Esperem só um pouquinho. O espetáculo já vai continuar brevemente."

Exato.

Não foi nada disso. Eu acho que está muito sólido, está muito melhor do que o teu anterior.

Tu achas?

Acho.

Ok.

E acho que as pessoas vão gostar muito de ver.

Também gostava muito que as pessoas fossem. Esta semana vou a Sensoltos, para a semana vou a Évora, depois tenho a Almada, que já está esgotada, e depois a Braga e Lisboa, que ainda têm bilhetes.

Portanto, olha.

E acho que vai ser muito divertido.

Aproveitem.

Vai ser muito divertido. E fiquei contente, tu viste o espetáculo. Hoje já viste o espetáculo, sabes como é que é.

Agora vou ver a Almada, é o próximo.

Vais ver a Almada?

Vou.

Muito bem. O que é que eu ia dizer, que também não é mentira? Aconteceu uma coisa em relação ao nosso espetáculo no Porto, ao meu espetáculo no Porto, só mesmo para terminar, que é: ficámos num hotel, a produção marcou-nos um hotel. E o hotel tinha parque de estacionamento. E foram-nos estacionar o carro. É esse tipo de hotel. Foram-nos estacionar o carro. Há um senhor que disse assim: "Não se preocupe, eu vou estacionar o seu carro." E eu: "Oh, desde que não me ache no banco, está tudo à vontade, ele é meu carro." Qual é a questão? É que depois ele vai ao quarto devolver a chave e houve ali um momento em que ele dá-me a chave.

E estende a mãozinha.

Não, não estende a mão. Ele ficou a olhar para as minhas. Faz aquele compasso de espera a olhar para as minhas mãos. E eu queria pedir desculpa a este senhor que trabalha no hotel e que me devolveu a chave do meu próprio carro, mas eu não sou o meu avô. Sabes o que eu quero dizer? Eu acho que essa dinâmica já não há.

Tu não só não és o teu avô, como não tens dinheiro físico.

Primeiro, não tenho dinheiro físico. Vou-te dar o quê? Vou-te passar um cartãozinho de multibanco da gorjeta? Foi aquele momento de pago ou não. Era suposto eu pagar a esta pessoa. Eu só depois, quando fecho a porta e penso: "Ele fez ali um compasso de espera com a chave. Quando me deu a chave, ele estava à espera de uma notinha." Imagina que eu só tinha moedas de 0,50 cêntimos, não ia dar. O que é que se dá a uma pessoa que foi estacionar o teu carro? Foi desconfortável. Eu não estou habituado a este estilo de vida.

Não, eu até acho que essas profissões têm de evoluir. Têm de ter um terminalzinho, pequenino, quadradinho.

Gorjetas com tap de cartão?

Então?

Não, eu acho que isso desvirtua a gorjeta. A gorjeta tem que ser por uma notinha.

A gorjeta é nojenta, não é?

É uma nota.

É suja e mete no bolso. A tua mãe quando ia à esteticista não punha sempre uma notinha no bolso da esteticista?

Eu não sei, punha?

Ou ao cabeleireiro, não punha?

Eu não faço com que espécie de gente.

Era uma cena, às vezes eu ia ao cabeleireiro com a minha mãe, com a minha avó, com a minha tia.

E punha uma notinha?

Não, mas era um secretismo. Às vezes até diziam a mim, que era: "Vai lá meter ali no bolso da menina." E eu ia pôr uma notinha no bolso.

Não, eu não tenho essa experiência. O meu avô era muito gorjeteiro, porque era político.

Queria comprar votos.

Não, era aquela coisa, era aquela energia de entrar numa sala e beijar bebés.

"Era aquela energia de entrar numa sala e beijar bebés."

O que é que os políticos fazem?

Esta é a família do Guilherme Fonseca. O lado fino.

Nós temos uma ilha onde nós fazemos as nossas pedofilias. Não, mas o que é que eu ia dizer? Pronto, eu queria só mandar um abraço para este rapaz do hotel.

Acho que não era bem o abraço que ele queria.

Mas eu fiquei a remoer, porque eu não sabia que ainda se fazia assim coisas nos hotéis, de notinha por trocar as chaves, estacionaste-me o carro. Senti-me nos anos 60 outra vez e não estava preparado para estar nos anos 60.

Tinhas acabado de vir da Disney.

Exato. Não estava preparado para bater na minha mulher, para dizer que Angola é nossa e para fumar um cigarro. Não estava. Aquela energia, não estava preparado para gorjeta depois de estacionar o carro. terapiadecasalpodcast@gmail.com é para onde vocês podem enviar todas as perguntas que vocês têm sobre inquietudes, suspeitas, problemas, irritações nas vossas relações. Podem ser relações amorosas, de amizade, familiares, qualquer que seja.

Profissionais.

Também profissionais do vosso emprego. Há um colega que é chato com isto, há um chefe que é chato com aquilo. Vocês podem escrever para nós terapiadecasalpodcast@gmail.com. Esta semana, porque tínhamos Rosalía, tínhamos o meu solo no Porto, tínhamos uma Disneyland, não tivemos aqui tempo para ir a e-mails, mas para a semana.

Para a semana vamos.

Vamos, sim, senhora, que temos aqui bons e-mails para responder. Vocês podem continuar a enviar e acho que é isto.

Até para a semana.

Adeus, amiguinhos. Isto é a minha voz do Mickey.

Foi péssimo. Faz a do Donald Duck. Péssimo, desculpa.