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Olá, minhas coisinhas boas, como é que estão em mais uma semana? Espero que estejam bem. Espero que o fim de semana vos tenha tratado bem. Sei que é chato estar a caminho do trabalho, mas é a vida.

Era mais chato se não tivessem um trabalho pra ir a caminho.

É verdade.

Não é?

Quer dizer, depende. Se tivessem dinheiro...

Não, são milionários e não têm trabalho.

Bom.

Estão muito bem.

Bom.

Têm trabalho e não são milionários. Bom.

Bom.

Não têm trabalho e não são milionários.

Mau.

Um grande abraço. Que Deus nos abençoe.

Um abracinho. Como é que estás?

Olha, eu estou bem. Há uma coisa sobre mim que eu quero falar mais à frente. Vou fazer já um cockteasing, mas estou bem.

Estás bem.

É uma boa semana. Ainda para mais, eu não me quero explanar já aqui, porque depois tu tens factozinhos pra dizer.

Tenho sim, senhora. Sabias que os ratos conseguem rir? Nós é que não os conseguimos ouvir, que eles riem numa frequência muito baixa.

Espera aí. Nós vamos ter que falar sobre isto. Os ratos riem? Os ratos acham graça?

Os ratos roeram a rolha da garrafa de rum do Rei da Rússia e riram.

E ficaram bêbados. Porque eu pensei que o único animal que tinha capacidade de rir... Não, mas os macacos também riem, não é?

Pois.

E os ratos riem, acham graça?

Os ratos riem.

A que os ratos acham graça?

Não sei a que eles acham graça, vais ter que lhes perguntar.

Um Comedy Club de ratos, o texto é sobre o quê? Queijo?

Sim. Sobre armadilhas.

Ya. Não, armadilhas não se pode.

Não.

Não, armadilhas não se pode.

Não. E vocês conhecem-

É o que a minha mãe morreu numa armadilha. Esse tema é proibido no Comedy Club.

Vocês já repararam que os ratos do campo...

Pois é, o rato da cidade e o rato do campo. Há de haver imenso humor de: "Eu tenho um primo de campo."

Depois eu fui ter com ela e disse: "Olha a sua rata", e ela: "Não, isso não".

Pois. Como é que tratam a rata na cama, não é? O que dizem? Mas é muito giro.

Gosto muito da tua pessoa.

Exatamente. Então, os ratos riem.

Os ratos riem.

E o que faz rir os ratos?

Não sei.

Os cientistas sabem o que causa gargalhadas nos ratos?

Não sei. Posso procurar num instantinho.

What makes mice laugh?

Olha, obrigada.

Estava a pensar que pesquisa é que eu faria. Calma, não estou a dizer o que tens que escrever, mulher independente e autoritária também.

"When they are tickled."

Eles têm cócegas?

Eles têm cócegas e riem-se.

Estás a brincar. Isso quer dizer que as Tartarugas Ninja podiam fazer cócegas ao sensei delas.

Sim.

Ao Splinter.

"Mice, as well as rats, have been documented to giggle when tickled by the human hand."

Olha, eu não estava nada à espera. Este episódio começa a descobrirmos que os ratos têm cócegas e riem.

E nós não ouvimos o riso, porque é uma frequência baixinha.

Mas sabes que há pessoas que são assim? Todos nós temos um amigo que ri sem som.

Chega uma altura em que o som-- eu às vezes sou essa pessoa. Às vezes sou essa pessoa.

Sai só assim um arzinho, não é?

Sim. A piada é tão boa que te tira o som.

Mete-te em mute.

Sim.

Ya. Olha, muito giro. Não estava à espera disso dos ratos.

Podias levar ratos a ver o teu stand-up, mas não ias ouvi-los rir.

Não faz barulho. Mas era aí que eu queria começar. Eu esta semana vou estrear o meu espetáculo.

Pois é. Como é que te sentes?

Vou arrancar em Coimbra na quinta-feira desta semana e depois vou ter mais ou menos uma data por semana, ao longo de nove semanas, 10 semanas, até acabar esta primeira volta do meu espetáculo. Eu estou muito entusiasmado, estou com muita pica pra ir a Coimbra. Já anunciei, esta semana vou lançar a entrevista com ele, com o João Miguel Costa, que é o menino que vai abrir o meu espetáculo.

O menino.

E estou muito entusiasmado pra ir pra estrada com ele. Estou com muita pica pra quinta-feira, mas queria saber do teu ponto de vista como é que tem sido aturar-me nestas semanas. Estavas a rir sem som?

Não, estava a pensar. Tem sido ok. O que tu queres que eu diga? Da outra vez, tentei-te puxar pra cima, fui agressiva. Estás a rir sem som, estás a ver?

Estou, porque não quero interromper. Estás bem a falar.

Da outra vez eu estava a te dizer: "Não, vai correr bem, não sei o quê. Estás aí todo nos cantos." Fui má esposa. Má esposa, depois incentivou o seu esposo. Agora...

Tough love. Um bocadinho tough love.

Queres saber como é que tem sido aturar. Tem sido ok.

Não estou mau. Naquela altura, estava pior, estava mais nervoso.

Estavas muito mais nervoso, sim.

Agora estou ok.

Agora estás ok. Então estás motivado, isso é bom.

Agora estou com pica pra começar. Mas queria saber o teu ponto de vista. Como é que foi a viagem até agora, até à estreia?

Acho que vamos deixar passar.

E depois tu dizes.

Depois eu digo a viagem toda, porque depois vai haver a estreia, depois vais ter a montanha-russa que tens habitualmente. Estreaste, estás contente, mas muito mau.

Há problemas e é preciso.

Muitos problemas. Depois, uma data qualquer que o público foi difícil: "Meu Deus, o que eu estou a fazer? Eu não devia estar a fazer isto, não sei o quê." Depois uma data que corre bem e meia, corre muito bem, que bom, que fixe, blá blá blá. Depois, no final, foi tipo: "Isso foi tão bom, mas eu nunca mais volto a fazer stand-up na vida, estou cansado, estou não sei o quê." Duas semanas depois de acabar: "Não, tenho que ir preparar texto." É sempre assim.

Ok, acho que é um bom resumo.

É um resumo de como é viver contigo quando tu estás sempre neste processo.

Ya. Sim, senhora. Olha, eu pretendo isso mesmo.

No fundo, o teu processo criativo é um bocadinho como o ciclo menstrual. Vou deixar aqui.

Ok. Tu achas que eu sangro comédia.

Não. Não é nada disso que eu disse. Estás a ver?

Ok.

É que isso nota a tua ignorância.

Ignorância em relação à comédia.

Que tem altos e baixos.

Ok.

Que é o momento de menstrua mal Que horror, que difícil. Assim que acaba de menstruar: "Bom, estou-me a sentir melhor, estou fixe, estou bem". Depois chega uma altura que é a altura da ovulação e é tipo: "Eu sou buéda bom, venham todos". E depois começas a entrar na fase lútea. Se caso não haja conceção de bebé.

Exatamente.

É tipo: "Ninguém quis o meu ovo, ninguém quis, vou morrer, sou péssimo".

No fundo, tu achas que eu vou a Coimbra sangrar?

Sim, vais começar.

Ya, ok.

O início do ciclo menstrual é o primeiro dia da menstruação. Portanto, tu vais menstruar a Coimbra.

Eu vou mestriar e menstruar a Coimbra.

Olha, até te dou um tampão.

Chegámos aqui.

Dou-te um bacalhau. Dá cá.

Muito bem. Boa conclusão a que nós chegámos aqui. Olha Coimbra, preparem-se, tragam tampões.

Tragam tampões. Quem sou eu? Sou eu, a tua menstruação. Lembraste desse anúncio?

Perfeitamente. Acho que é uma boa maneira de resumir o que vai acontecer.

Acho que sim.

Por mim fechamos este tema. Tenho mais duas coisas que eu gostava de falar.

Eu também tenho uma coisa que gostava de falar, mas se quiseres fazemos uma sanduíche e metemos no meio das tuas.

Sabes que eu gosto de meter no meio das minhas. Não, mas vai, fala da tua.

Não sei se estás a par de uma trend do TikTok muito recente, que é as pessoas irem ver que pesquisas é que levaram as pessoas aos seus vídeos.

Ah, ok. Como é que eu vejo isso?

Ainda bem que perguntas. Abre o YouTube, põe sem som, se faz favor.

Ok, espera, vou pôr o meu telefone sem som.

Vocês se quiserem podem todos fazer isto.

Ok.

Vocês se fizerem vídeos no TikTok.

Abro o TikTok.

Abres o TikTok, vais aos teus vídeos.

Ok.

Vais aos teus vídeos.

Profile. E estão aqui os meus vídeos.

Vai a um vídeo qualquer, ao último que puseste.

O último que eu pus, mas não é os pending, porque eu tenho três pending.

Um qualquer.

Ok, abri.

Tens aí no cantinho inferior direito, mais insights.

Aqui no cantinho inferior direito. Aqui, isto.

Não. Não tens uma coisinha a dizer mais insights?

Eu não sei o que estás a fazer. O que é isto do mais insights?

More insights, olha aqui embaixo.

Ah, cá embaixo mesmo. Ok, já está, já carreguei.

Agora vais andar tudo para baixo.

Tudo para baixo.

E vais ver search queries.

Search queries, está aqui.

Mas antes vais ver, ver data para outros posts.

View data for other posts. Ok.

E agora vais fazer o mesmo. Vais a overview.

Overview.

E vais andar tudo para baixo.

Tudo para baixo.

E agora vais dizer quais foram as pesquisas que levaram as pessoas aos teus vídeos.

Muito engraçado, vou-te já dizer.

Isto é nos últimos sete dias.

Nos últimos sete dias. Então, os search queries que vieram dar a mim são...

Ou seja, o que as pessoas pesquisaram no TikTok para ir dar ao teu vídeo. No fundo, é isso.

Ok. Sendo que não há nenhum com uma porcentagem muito alta.

Ok, qual é o máximo das tuas porcentagens?

1,5%.

A sério? Mostra. Ok.

Porque se calhar há algum tempo que eu não ponho um TikTok, também pode ser disso. Então as respostas são: stand up comedy Teatro A Barraca.

Ok.

Segunda, Vítor Sá, João na Igreja.

Ok.

Terceiro, Cândido Costa.

Ok, faz sentido.

Quarto, Cândido Costa Coca-Cola.

Ok.

E quinto, Luana do Bem, rapidez, caixa de supermercado.

Ok.

Ya.

Pois, os meus são com 39,7%.

Porra, mas isso é imenso.

Rita Danova, tudo junto.

Só pesquisar o teu nome, para saber quem é que tu és e o que é que as pessoas querem saber.

Com 15,9%, Rita Danova separado.

Separado?

Rita espaço Da espaço Nova.

Já entendi, ok.

Com 12,7%, Rita Danova livros.

Ok.

Com 6,3%, Rita Danova unfollow.

Unfollow?

Que eu não sei se não será unfollow, mas as pessoas escreveram mal.

Unfollow.

Unfollow.

Mas 6% das pessoas que escreveram, escreveram mal unfollow?

Não sei. E depois, Mártir Book.

Deves aparecer tu quando se fala do Mártir, se calhar.

Sim.

Muito bem.

Pronto. As pessoas podem fazer e podem ir em busca.

Unfollow.

Unfollow. Podem ir em busca do que é que levou as pessoas aos seus vídeos. E depois dá para veres vídeo a vídeo. Por exemplo, vai aí a um vídeo qualquer do teu stand up ou da tua tour.

Sabes o que é engraçado? Porque depois aqui no overview, eu estava a ver os últimos sete dias, mas tu podes ver 28 dias, 60 dias.

E muda.

E muda o que as pessoas pesquisaram. Guilherme Fonseca Cândido, língua gestual, Cândido Costa. Então tu queres que eu vá ver um vídeo específico?

Um vídeo específico. Vai a um da tua tour.

Ok, então vou abrir aqui, por exemplo, do stand up do Olá, eu sou o Pedro.

Ok, então agora vai ao...

More insights. E agora vou aqui abaixo.

Vais abaixo.

Cá abaixo tudo e vou ver search queries. Each search query has low traffic at the moment.

Ok, então tens de voltar para trás.

Mas este TikTok tem 186 mil pessoas que viram.

Então, mas vê, aumenta o tempo, porque se calhar nos últimos sete dias pouca gente foi lá.

Já percebi. Não, mas aqui não dá para fazer essa coisa do tempo.

Ok, então vai a outro vídeo.

Vou a outro vídeo. Deixa-me vir aqui ao da Luana do Bem. Vamos ver aqui, abrir este. Ok, então search queries diz: Luana do Bem, namorada da Luana do Bem, Guilherme Fonseca, Luana do Bem e namorada. Troca, não é? Primeiro namorada da Luana do Bem, depois Luana do Bem e namorada. E o último, com 5%, é só Gui Fonseca.

Ok.

As pessoas pesquisaram Gui Fonseca.

As pessoas querem mais saber da Luana e da namorada da Luana do que de ti.

Sem dúvida, absolutamente nenhuma. Mas eu próprio, eu estou mais interessado na Luana e na namorada do que em mim próprio. Muito giro.

Dá para fazeres isso nos vídeos e tenho visto muitos criadores de conteúdo a ver quais são as perguntas que as pessoas mais fazem ao TikTok para chegarem aos vídeos delas e a responder às perguntas.

Ok.

Pronto. No meu caso não dá, porque é só Rita da Nova, Rita da Nova livros.

Rita da Nova livros. E a minha é Luana do Bem namorada, Luana do Bem Cândido Costa.

Exato. Tens de pôr a Luana do Bem e o Cândido Costa a fazer um vídeo para o teu TikTok a responder às perguntas.

Eu adorava que o Cândido Costa viesse a este podcast. Para fechar aqui o capítulo.

Também queres?

Sim. Eu adorava.

Mais uma pessoa que quer Cândido Costa.

Sim, porque repara, o meu problema com o Cândido Costa nunca foi eu não gostar dele. Mas criamos aqui esta resília.

Tu é que criaste.

As pessoas criaram, eu não criei nada, eu adoro. Bom, o que eu ia dizer? Ainda bem que estamos aqui na parte tecnológica do nosso podcast, porque nós descobrimos recentemente, suspeitamos, que nós o chocolate nunca descobrimos quem é que roubou. Não fazemos ideia quem é que roubou o chocolate, não sabemos dessa situação.

Continuamos sem saber.

Esse crime vai ficar por resolver, a menos que seja um cold case daqui a 40 anos, em que alguém abre.

E posso dizer uma coisa desde já relativamente ao caso do chocolate, que é: eu esta semana reorganizei a nossa despensa toda. Fui ao IKEA comprar uns móveis novos para a nossa despensa, reorganizei e pus a nossa despensa de pantanas e nada de chocolate. Portanto, ele foi comido.

Ele foi comido. Essa é uma certeza que nós temos.

É uma prova nova.

Já era uma suspeição que eu tinha.

Agora é uma certeza, ele foi comido.

O que é que se passa? Alguém nos anda a roubar a internet. Por quê? Não vale a pena estarmos aqui a dizer que contrato é que nós temos cá em casa, porque ninguém nos paga para dizermos. Mas é uma operadora que tem uma aplicação que dá para ver quem é que está ligado à nossa internet e em que divisão, porque nós temos potenciadores de sinal pela casa. E nós temos aqui uma aplicaçãozinha em que eu consigo abrir e vejo pela casa em que divisões é que as pessoas estão. Neste momento estão quatro coisas ligadas na sala. Depois temos o meu escritório e o teu, e neste momento não está lá nada ligado, mas o sinal está excelente. Depois podemos ver por pessoas. Eu tenho um telefone, tenho o meu computador e quando ligam à nossa net aparece aqui. E depois temos só devices no geral.

Sim.

E não é que nós temos um computador suspeito a ligar-se à nossa internet. Há um computador suspeito, que às vezes se liga a horas esquisitas, que aparece ligado à nossa internet. E nós não sabemos quem é que é.

E a quem o Guilherme chamou de gatuno.

Eu chamei na nossa aplicação gatuno.

Gatuno?

Gatuno. Exatamente assim, com o nome de gatuno. E agora a questão é: quem será esta pessoa que está a entrar na nossa internet? Como é que teve acesso à nossa internet e que horários são estes esquisitos que esta pessoa está a fazer? No outro dia foi às 3:00 a.m.

Eu imagino uma pessoa sentada aqui à porta de casa.

E que vem cá roubar a internet. Ou no carro, na rua, ao lado do prédio. Será que apanha sinal no carro?

Apanha às vezes, não muito, mas apanha.

E como é que esta pessoa tem a nossa password?

Se calhar temos de mudar a nossa password.

Achas? E se continua a aparecer este gatuno?

Aí é esquisito.

Mas nós agora somos um café, que vêm para aqui sem pedir passe para o wi-fi.

Muito obrigada a todas as pessoas que deram dicas na semana passada.

Quantos cafés é que tu recebeste?

Muitos. Alguns foram os que me expulsaram. Portanto, tive que dizer às pessoas que há aqui informações contraditórias.

É que ainda em cima nós tivemos o cuidado de não dizer os nomes dos cafés que te expulsaram, mas de facto as pessoas sugeriram alguns que foram os dois que te expulsaram.

Mas está tudo bem.

Mas nós agora temos um gatuno a roubar-nos internet. E nós ainda não percebemos muito bem quem é que é.

Pronto, fica aqui mais um mistério para ser resolvido por nós, que resolvemos tão bem o mistério do chocolate.

Será que há uma pessoa escondida cá em casa que anda a comer chocolate e a usar o computador?

Olha, é um ratinho. E ele está a se rir imenso.

Ele está-nos a ouvir este momento e a rir.

E está a se rir bué. Só que como nós não ouvimos, está resolvido. É um ratinho que tem o seu mini portátil.

Eu acho que nós temos que arranjar um nome para este ratinho.

A ver vídeos no YouTube.

Exatamente.

E a rir muito.

E a comer chocolate enquanto se ri. E a roubar-nos internet.

Rouba-tatuí.

Rouba-tatuí. Olha, está decidido. Segundo aperto de mão, segundo tema fechado neste podcast. Para mim, excelente. Andam-nos a roubar a internet. E nós temos gigas bons e as pessoas podem fazer os seus downloads também.

Mas também os cheiros do ratinho hão de ser pequeninos.

Sim. Estão zipados.

E ele usa um rato?

Pois, o rato usa um rato ou é touchpad?

Deve ser touchpad. Acho que usar rato é escravatura.

É de mau tom. Um rato a usar rato. Rita, há mais uma coisa que aconteceu esta semana.

Já sei o que vais falar.

E que eu acho que nós devíamos falar aqui.

Estou muito entusiasmada com o que vais falar, podes introduzir o tema.

Não, eu acho que devias ser tu. Eu falei aqui do computador, fala tu.

Não, vai tu que estás mais apaixonada. Quer dizer, eu também estou apaixonada pelo que aconteceu, mas depois eu já vou contar. O Guilherme está obcecado.

Então, algumas pessoas viram a story e até perguntaram o que era para nós falarmos esta semana no podcast. Então nós vamos falar. Nós já falámos aqui que com o meu irmão de vez em quando fazemos sessões de dungeon.

De vez em quando, fizemos uma vez.

Fizemos tecnicamente duas. Foi uma, depois tentámos fazer no Natal a seguir e já não deu outra vez. Portanto, íamos fazer a segunda. Certo. Mas íamos fazer duas. Mas Dungeons & Dragons. O que acontece? Há uma versão que é mais ou menos a mesma coisa de Dungeons & Dragons, mas não é tão complexo e não é tão complicado em termos de regras e de possibilidades, que é uma coisa que se chama Candela Obscura O nome é Candela Obscura. Há uma pessoa que se senta e que tem aquela divisóriazinha para gerir e comandar a história. As pessoas criam a sua personagem e depois fazem parte de uma história e vão tomando decisões, lançam dados para saber se as ações que querem tomar têm sucesso ou não. E é uma tarde bem passada, nós estivemos das 15:00 até às 20:00.

A jogar.

Praticamente 21:00 horas, a jogar. E estivemos a jogar Candela Obscura, que se passa num universo meio-

Época vitoriana

...época vitoriana, e que é de terror e de mistério. Portanto, nós éramos uma equipa que estava a resolver um crime e que tinha que ir investigando. Cada um tinha a sua personagem, que podes escolher se queres ser mais físico e andar à porrada, queres ser mágico, queres ser médico, queres ser investigador e és mais inteligente, escolhes que tipo de personagem é que queres. E nós temos que agradecer à Leonor.

À Leonor Estrela.

À Leonor Estrela, que foi a nossa GM.

A nossa game master.

A nossa game master. E ao Tiago, que é o namorado da Leonor e que também veio e que esteve conosco no jogo e que foi uma das personagens. E foi a nossa primeira experiência a fazer uma coisa deste gênero, long form, e dentro de uma história com princípio, meio e fim, sendo que aquilo ficou mais ou menos pendurado. A nossa história ainda não acabou. Nós tivemos aqui quatro horas, passamos aqui um momento difícil em que andámos aqui à porrada com uma aranha.

Em que eu ia-me finando.

Pois é, a Rita ia morrendo e eu tive que pegar na Rita ao colo e tive que correr de lá para fora. Mas eu queria agradecer à Leonor.

Foi muito fixe.

Que nos veio mostrar como é que isto se joga. Eu não sei se nós jogámos bem ou não, se nós fomos bons ou não naquilo.

Fomos ok. Foi a primeira experiência, também não podemos ser os melhores logo, Guilherme. Do not fish for compliments.

Não, eu não quero compliments, eu só quero saber se nós estávamos a jogar bem, se fizemos aquilo bem. Mas eu entrei na minha personagem.

Matámos a aranha.

Exatamente. Pegámos fogo à aranha.

De forma convencional ou não.

Exatamente, mas pegámos fogo à aranha. Mas foi tão giro.

Foi muito divertido.

E a só ideia de: sentas-te com os teus amigos, copos, coisinhas para picar no meio da mesa, tens a tua personagem e há um narrador que vai contando uma história e tu e os teus amigos estão dentro da história e que têm que tomar decisões e decidir o que é que querem fazer, etc. É tão divertido.

E supostamente há mil outros sistemas de jogos do gênero, uns mais terror, outros mais fantasia, que parecem também muito interessantes.

Como é que esta merda não é o futuro? Porque esta merda é: estás sentado com os teus amigos, toda a gente sem telefone, os telefones num canto, estás a participar numa história que te estão a contar, estás a tomar decisões, tens ação, tens drama. A minha personagem a certa altura, começou a haver uma backstory dela, começou a ter pontos nesta história do género: "Não acredito, isto tem ligação àquela coisa que eu tinha dito há bocado sobre a minha personagem". É tão giro, eu acho mesmo que esta merda é o futuro. E eu queria agradecer à Leonor, que a Leonor foi impecável.

Esteve a preparar tudo.

Preparou tudo, contou-nos a história, montou a história, depois deu-nos tempo para nós prepararmos as nossas personagens. Ela faz parte de uma coisa que é o Teatro à Espada, que faz "Dungeons and Dragons" live, e eu acho que as pessoas deviam todas pesquisar Teatro à Espada e deviam ir procurar o perfil de Instagram e seguir, porque eles fazem "Dungeons and Dragons" ao vivo. E a Leonor, que é nossa amiga, preparou-nos uma sessão de Candela Obscura.

Muito giro.

E eu vou-te ser honesto, eu agora quero isto.

Não, nós fizemos isto na quinta-feira, e ontem, nós estamos a gravar sábado, portanto, na sexta, fomos jantar os dois nos nossos dates mensais.

Tivemos um date, verdade.

E estávamos a conversar, entretanto surgiu este tema e o Guilherme vira-se para mim e diz: "Eu estava pronto para me sacrificar pelo Victor", que era a personagem do Tiago.

Era a personagem do Tiago.

"Estava pronto para me sacrificar pelo Victor". Nós estamos os dois num date, no nosso date mensal. Eu marquei um restaurante que o Guilherme não sabia qual era. Um restaurante bem bom. Estávamos os dois sentadinhos.

A comer.

Ambiente romântico, velinhas e não sei o quê. E o que é que ele diz? "Eu estava pronto para me sacrificar pelo Victor".

Exatamente. A minha personagem, que é o Zotto.

De risoto.

De risoto, mas é Zotto, é Z-O-T-T-O. É a minha personagem, é o Zotto.

É o Zotto.

É uma espécie de Nathan Drake, do "Uncharted". É assim mais ou menos, a minha personagem é um bocado por aí, que estava pronto para se sacrificar pela personagem do Tiago.

E não gosta de mim, a tua personagem.

A minha personagem é muito desconfiada da tua, mas mesmo na vida real, eu sou um bocado desconfiado de ti. Eu até hoje ainda penso assim: "Há aqui alguma coisa".

Mas eu gosto sempre de ser uma personagem que não dá muita confiança às outras.

Pois é, as tuas personagens são muito parecidas contigo.

Então? A inspiração é da vida real.

Mas olha, foi muito giro. Foi muito giro.

Muito divertido.

Eu estava a pensar, foda-se, eu agora queria fazer isto mais vezes.

Mas já temos marcado com eles para fazer outra vez.

Ya.

Queres todos os dias fazer.

Estou tão contente, porque agora vamos continuar a nossa história, no próximo episódio. E agora nós estamos juntos outra vez e já aconteceram coisas às nossas personagens e nós agora já temos mais informação para a nossa investigação, mas aquele caso específico resolvemos? Não sei se resolvemos. Nós não sabemos o que é que se passa. Vamos procurar mais respostas. Estou tão contente, é tão giro aquilo.

É muito divertido.

É tão giro. E pronto, estou muito contente e foi muito giro.

Boa. Vamos aos e-mails?

Vamos aos e-mails. Vais tu ler o primeiro e-mail.

Que é a invasão do Ferro Dengmar, da Ucrânia. Do Ucrânia.

Do Ucrânia, pois o nome é Ucrânia. Então vá, bora. Invasão do Ferro Dengmar.

"Queridos Rita e Guilherme, vou direto ao assunto porque vai ser longo. Aguentem-se até o fim. A minha esposa e os meus sogros sempre foram muito chegados, quase inseparáveis. Durante o nosso namoro, foi uma coisa que me fez alguma confusão. Não por eu não ser chegada aos meus pais, mas porque sempre gostei do meu espaço e das minhas coisas. Oito anos de namoro e três de casamento depois, chegou o nosso pequeno torrão de açúcar. A minha sogra sempre tentou fazer coisas em casa. Eu sei que a intenção é ajudar, mas tenho um princípio simples: na minha casa, os convidados devem ser convidados e não empregados domésticos por conta própria. No entanto, ela insiste em cozinhar e varrer o quintal. Algumas vezes, quando não estou, com a conivência silenciosa da minha mulher, porque às vezes sabe bem ter quem faça as coisas e prefere não a contrariar. Hoje estávamos nós em plena lida da casa, entre máquina de roupa e caos doméstico, e chegaram eles para ver o neto. A minha sogra jogou-se logo a um cesto de roupa do bebê para passar a ferro. Eu disse que quem ia passar aquela roupa a ferro era eu. A minha mulher mandou-me estar calado para não arranjar confusão. Eu insisti com a minha sogra, disse que não gostava que ela viesse à minha casa cuidar das minhas coisas e que se continuasse, era contra a minha vontade.

Ui, drama direto.

Ela, velha raposa, disse que não era a minha roupa, que era a roupa do neto dela. E levou a melhor. Enquanto ela vencia a batalha do ver contra o engomar, eu retirei-me para lavar a louça num silêncio derrotado. Depois de ir embora, a minha mulher em lágrimas disse-me que tinha sido mau e injusto e que magoei a mãe dela. Acho que não faltei o respeito a ninguém. Terei sempre uma dívida de gratidão para com os meus sogros. Sei que a intenção é a melhor, mas não foi pela ação, foi pela atitude. Foi um "na tua casa mando eu, que tu não percebes nada disto". Estarei eu errado? Serei uma besta? Sei que é uma coisa minha e que muita gente está de joelhos que os pais e sogros lhes façam tudo em casa, mas eu não gosto. Devia ou devo permitir que a minha sogra faça o que quiser para a minha mulher ficar feliz? O meu objetivo é que a minha mulher e o meu filho estejam bem e sejam felizes. E se possível, eu me sentir bem e respeitado também lá pelo meio. Como é que se atinge este equilíbrio sem perder a sanidade? Aguardo as vossas sempre sábias dissertações. Beijinho e abraço, Ucrânia.

Ucrânia. Excelente e-mail. Há aqui drama a sério.

O tipo é o drama.

Bom drama, vou te já dizer. Foi um bom drama, mas o que eu acho que se passa? Primeiro, eu acho que isto é um bom homem. O Ucrânia é um bom homem, porque está preocupado com a mulher e com o filho.

Devia ter chamado Zelensky.

Pois é. Mas a sogra é a Mother Russia, está certo?

Exato.

É a senhora Putin que está a invadir a casa, não é? Vamos chamá-lo Zelensky.

Zelensky.

É o Zelensky. Eu acho o Zelensky um bom homem, porque eu acho que ele está preocupado à mesma. Apesar de estar a tentar impor os seus limites na sua casa, ele não quer nem magoar os sentimentos da sogra e muito menos da mulher.

Da mulher, sim.

Ainda para mais porque tem um filho, etc. Portanto, eu acho que ele podia ser muito mais agressivo, dramático ou mandão do que foi. Eu acho que ele é um homem respeitoso, é o que eu vou dizer. Eu acho que esta sogra está a ir longe demais e está a ser desagradável. Eu não sei se concordas comigo ou não, mas eu percebo a cena de: "é o meu neto, eu quero estar com o meu neto", mas a criança é deste homem também. É ele que manda na sua própria casa e não é para as pessoas entrarem e saírem, darem ordens na casa dele. E esta resposta que ela dá de: "Mas o neto é meu".

Sim, mas não é a tua roupa, é a roupa do meu neto.

Exatamente. Eu sou o pai da criança, eu mando na criança. Não é por serem avós. Eu passava-me de uma maneira que eu acho que esta pessoa não se passou.

Concordo, porém...

Olha.

O que eu acho? Eu acho que não tem de ser ele a dizer isto à sogra.

Sem dúvida nenhuma.

Pronto. Eu acho que a solução aqui, e eu percebo que para a mulher dele lhe dê muito jeito ter a mãe a ajudar, mas isto tem de ser uma coisa que ele fala com a mulher e que é a mulher que é o bad cop.

Pois, mas claramente a mulher não se quer meter.

Certo, mas não pode ser ele.

Pois. É injusto ser ele a ter que ter esta conversa. Porque eu percebo que dê jeito à mulher a mãe ir lá ajudar em casa, mas se fosse ao contrário, ela não gostava tanto.

Exatamente.

Se fossem os pais dele a ter exatamente a mesma atitude possessiva, sem limites, de entrar e sair daquela casa e a mexer nas coisas dela sem lhe dizer absolutamente nada, por muita ajuda que dê, ela tem que impor os seus limites e dizer: "Esta casa é minha, este filho é meu". Se fosse ao contrário, ela não gostava da mesma maneira. E eu acho que ela é mole com os pais.

Eu acho que ela é mimada.

Ya.

Agora, ele tem que ter uma conversa com a mulher e os dois têm de estabelecer as regras do jogo, da atuação de sogros lá em casa, sejam sogros dele, sejam sogros dela.

Ya.

E essas regras vão ser iguais para cada conjunto de sogros.

Ya, as regras são iguais para os sogros. Aplicar a todos os sogros.

Agora, quem aplica as regras difere. Ele aplica as regras aos seus pais e ela aplica a regra aos pais dela.

Sim, sendo que ela claramente não aplica nenhuma regra aos seus pais.

Certo, mas o Zelensky tem de conversar com a mulher e dizer: "Isto é uma coisa que me deixa desconfortável. Eu não quero que isto aconteça. É a tua mãe. Impõe o limite".

Ya. Ela foi a chorar até com ele a dizer: "Foste mau para a minha mãe". A casa é dele, o filho é dele. Se ela quer passar a roupa do filho. É que há, de facto, um ponto em que a ajuda, quando se impõe, é malcriada.

Pois é.

Se alguém te está a dizer: "Eu não quero ajuda, eu não quero que tu faças isso por mim, sou eu que vou fazer isso", e tu te impões à mesma, ainda para mais com esta desculpa que a mim irritou-me só de ler de: "Mas o neto é meu". Ya, está bem, mas...

Não, ela não disse o neto é meu. É a roupa do meu neto, não é a tua roupa. Ela não disse o neto é meu.

Então qual é o subtexto de a roupa é do meu neto, não é tua?

Exato, não estou a tratar da tua roupa, estou a tratar da roupa do meu neto.

Mas o pai da criança disse: "Eu vou tratar desta roupa".

Eu sei, mas eu estou a dizer que não é tão grave como dizer o neto é meu.

Está bem. O subtexto é o mesmo, na minha opinião.

Não é.

Há nuance, mas o subtexto é o mesmo.

Nem acredito que estou a defender uma sogra.

Sim, mas vou ser honesto, eu não reagiria da mesma maneira e acho que esta sogra, por muito que goste da filha, queira ajudar a filha e que goste do neto, está a se impor na casa de outras pessoas. Aquilo não é a casa da filha dela e do neto dela, onde por acaso ela arranja. Aquilo também é a casa daquela pessoa e esta sogra tem que respeitar a casa do genro.

Muito bem, chegaste lá.

Ya.

Conseguiste dizer o parentesco.

Eu estou melhor com parentescos.

Muito bem.

Mas agora o que ele pode fazer? Ele tem que ter uma conversa séria com a mulher e dizer: "Olha, esta casa também é minha, este espaço também é meu. Eu também mando aqui, mando tanto como tu, porque nós estamos os dois a tratar desta casa. Mas os teus pais vêm cá a casa quando querem e quando lhes apetece. Esta casa não é deles, é nossa, e eu sinto-me desrespeitado pela maneira como os teus pais, e principalmente a tua mãe, usa e abusa deste espaço, do neto e das coisas do neto. Esta casa é minha. Eu tenho que me impor aqui. E claramente tu não tens capacidade para te impor, mas tens que ser tu a falar com a tua mãe, a dizer: "Olha, o meu marido também mora cá em casa e manda cá em casa. Não passas por cima dele porque te apetece."

Uma coisa é: "Olha, querem ajuda para fazer?" E a pessoa até dizer: "Olha, sim, ajuda-me aqui". Se a pessoa diz que não quer ajuda, não quer ajuda, ponto.

Ya.

Pronto.

Muito bem, respondemos bem ou não?

Boa sorte, Zelenskyy.

Pois, o Zelenskyy. Olha, exatamente como está a acontecer na Ucrânia, eu não sei se isto não vai ser uma luta de anos.

Verdade.

Espera, tu bocejaste ou arrotaste?

Bocejei, mas saiu um barulhinho, não foi? Espero que se ouça.

Um barulhinho de caldeirão. Será que as pessoas conseguiram ouvir?

Ouve-se mais isto do que o riso dos ratos. É uma tristeza.

terapiadecasalpodcast@gmail.com. É para onde vocês podem enviar as vossas questões todas, como fez o Zelenskyy. Tínhamos aqui mais e-mails, vamos deixar para a semana. E acho que é isto. Não sei se queres terminar com mais alguma...

Quero terminar só a dizer que as pessoas são muito lindas por ouvirem este podcast.

É?

Sim.

Gostas das pessoas?

Gosto.

Todas por igual?

Não. Gosto mais de umas do que de outras.