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Olá, muito bom dia.

Muito bom dia?

O que é que aconteceu?

Muito bom dia. Bom dia.

Vou repetir. Olá, muito bom dia e bem-vindos a mais um episódio de "Terapia de Casal". Bom 25 de abril para todos, espero que tenham passado bem o Dia da Revolução, a data mais importante da história recente de Portugal. O meu nome é Guilherme Fonseca e comigo está a minha querida esposa, Rita da Nova, pessoa que me mostrou um TikTok muito interessante, que eu acho que nós devíamos falar aqui no início.

Então diz lá, qual deles? Porque são todos, na verdade. Era aquele do banana, la banana. Aquele da tempestade.

"La lluvia".

"La lluvia, muita lluvia, desta la banana".

Sabes que é muito esquisito falar de TikToks que as pessoas não viram porque não têm a referência.

Mas eu tive um ataque de riso com esse TikTok.

Tiveste com esse e tiveste com outro que mandaste que é: "O cachorrinho pode subir no sofá? Pode".

"O que não pode é tu subir no cachorrinho". Essa a primeira vez que vi, agora já me está a irritar um bocado, toda a gente está a fazer.

Pois claro.

Mas a primeira vez que vi, tive um ataque de riso com esse, mas tive mais um ataque de riso com o "muita lubia".

"Muita lubia". "Detta la banana".

"Detta la banana".

Não, não tem nada a ver com isso, o TikTok que tu mandaste e que eu acho que é interessante para quem nos ouve aqui no "Terapia de Casal", um podcast humorístico com sete anos sobre relações amorosas, é o podcast da alcunha.

O TikTok.

É o TikTok da alcunha. Eu acho isso muito interessante.

Gostei.

E eu acho que nós mais ou menos que falámos de uma coisa daquele gênero para nós, que nós temos uma frase de código, mas eu acho que esta ideia deste TikTok é mais smooth, é mais discreta e é mais fácil de aplicar e mais impercetível para quem não conhece. Eu quero que tu explanes o que tu mandaste.

Então, e não se estende só a relações amorosas. A própria rapariga que faz o TikTok no início diz: "Isto é para as vossas relações".

Se nós não começamos com boas dicas neste podcast, eu não sei o que é que vocês querem.

Então, o TikTok diz o seguinte, é uma senhora que diz que o que salva as relações e uma coisa que ajuda muito as relações a serem fortes e as pessoas estarem no mesmo comprimento de onda em relação ao que se está a passar, é vocês terem uma alcunha, que é uma espécie de palavra de segurança. Ou seja, vocês terem uma alcunha, que era uma coisa que vocês nunca chamariam à outra pessoa. Vamos imaginar que comigo e com o Guilherme era querido e querida.

Exatamente.

Nós nunca chamaríamos querido e querida.

Querida, nunca na vida.

Nunca. Mas talvez tivesse que ser um bocadinho mais smooth.

Sim, até porque eu acho que nós não conseguimos chamar querido e querida um ao outro sem sentirmos imediatamente a azeite a borbulhar. Tenta chamar-me querido da forma mais natural, tu és boa atriz.

Sim.

Já se falou aqui neste podcast. Tenta chamar-me querido da maneira mais natural que conseguires.

Querido, olha, amanhã vou às compras. Estás a rir.

Foi bem feito, querida. Vou-te já dizer, foi bem feito.

Até não foi. Mas pronto, vamos imaginar que seria querido e querida. E essa palavra-chave, essa alcunha-chave, pode ser um pedido de socorro ou uma forma de transmitir mensagens. Por exemplo, o exemplo que ela dá é um exemplo ótimo que é, o Guilherme chegava ao pé de mim e eu apresentava o Guilherme e dizia: "Olha, querido, cumprimenta as pessoas, estou aqui". Era uma forma de eu dizer, deixar alerta ao Guilherme para "eu não sei o nome de uma destas pessoas. Portanto, tu vais ter que te apresentar que é para eu saber o nome desta pessoa".

Exatamente. Mas há outras situações. Por exemplo, lá no TikTok também dizia: queres ir embora de uma festa e não queres ser desagradável, e então dizes qualquer coisa do gênero: "Querido, que horas são?"

Sim.

Alguma coisa qualquer assim.

Ou "querido, a babysitter... Não, ou querido, podemos ficar para beber mais uma cerveja?"

Exatamente.

E tu é que dizes: "Não, olha, a babysitter está..."

O querido indica a outra pessoa. Não, esta pessoa não está a querer ficar para mais uma cerveja.

Ao contrário se eu te dizer: "Olha, amorzinho, ficamos mais 10 minutos".

Aí eu já sei que é por amorzinho que tu me costumas chamar. Exatamente isso. E eu acho que isto é essencial para os casais.

E até para as amizades.

E para as amizades, sem dúvida nenhuma, porque às vezes tu não queres ser desagradável. Às vezes a honestidade é boa nas relações. Eu falei disso no "No Bad Vibras", por exemplo, de como a Joana diz: "Olha, eu sei que temos um jantar, hoje não me apetece". Pronto, é tranquilo isso. Mas há coisas em que tu não queres ser desagradável ou ir longe demais na honestidade, e a honestidade até pode magoar. E não te apetece ficar mais tempo numa festa e queres ir embora. E isto é uma maneira muito simples de...

Salvar a outra pessoa, te salvar também.

Exatamente.

É um pedido de resgate.

Exatamente. Agora, é uma coisa que tem que ser combinada dentro do casal. Eu acho que as pessoas que nos estão a ouvir já estão a pensar que alcunha é que dariam a uma pessoa com quem estão, mas acho que é uma ótima tática.

Eu acho que no nosso caso, quer dizer, não devíamos dizer aqui.

Não podemos dizer aqui, porque depois imagina que aplicamos.

Não vai ser querido nem querida.

Não, querido e querida não vai ser.

Mas sim, a ideia é que a pessoa, quando é chamada com essa alcunha, te possa vir salvar de alguma situação.

Ela sabe que se passa qualquer coisa. É nome de código para estar atento e percebe.

Ajuda-me.

Passa-se aqui qualquer coisa. Ou está aqui uma pessoa que é desagradável para mim, tira-me daqui, ou eu não me lembro de qualquer coisa, ajuda-me a lembrar-me do nome de uma pessoa do grupo, ou estou farto de estar aqui, tira-me desta situação, estou farto desta conversa, tira-me daqui. São sempre dinâmicas dentro do casal para te ajudar em situações sociais.

Exatamente.

Eu adorei esse TikTok.

É muito bom.

É uma boa dica para os casais

Portanto, façam as vossas alcunhas, pensem, considerem. Também vou ver se tenho uma com a Márcia, que é para ver se ela também me salva de situações.

Ya. E pronto, queria abrir o podcast com isto.

Muito bem.

Acho que isto é um nome de código, vou chamar assim.

Nome de código, exatamente.

Rita, eu acho que há algo que se passa nesta casa que está completamente descontrolado.

És tu.

Completamente descontrolado. Eu não.

Já sei o que é que vai ser.

Já sabes o que é que vai ser?

E não tenho como desculpar. A culpa não é minha.

Mas, Rita...

Olha, quando eu era pequena e morávamos lá no meio do mato, quando os meus pais quiseram ir morar para o meio do mato.

Muito mato. Mafra não é meio do mato.

Não era Mafra, Vés. Estás a ver? Tu não sabes tudo da minha vida. Era lá no meio do Cadaval. Não era no Cadaval terra, era lá numa terrinha.

Era no Cadaval do Cadaval.

Exato. Havia uma senhora que tinha uma papelaria, só havia uma papelaria e um café. Era o que havia.

Exatamente.

E ela tinha a papelaria e uma vez estava-

É muito engraçado tu agora dizeres: "Esta zona onde nós moramos agora tem tão pouca coisa."

Tem uma papelaria. Não tem? Tem meio café. Estás a ver? Quando eu morava no meio do mato, tinha uma papelaria com uma senhora que dizia: "A minha culpa não a tenho".

"A minha culpa não a tenho". Também é verdade que nesta história a tua culpa não a tens, mas isto tem que ser travado. Isto tem que ser absolutamente travado. O que se passa é o seguinte: todos os dias, praticamente sem exceção absolutamente nenhuma.

Tens estado a fazer contagem de dias em que chegaram ou não?

Não, por acaso não. Mas todos os dias, praticamente sem exceção, eu vou dizer que é dia sim, dia sim, dia não. Vou dizer que a frequência é esta. O nosso carteiro, o pobre do nosso carteiro, e atenção que isto não é uma história de amor como é no caso do Quixote. Aqui é uma história de sofrimento e de escravidão. O nosso carteiro tem todos os dias, o pobre do Orlando, de acarretar livros para ti. A quantidade de livros que tu recebes em casa.

No outro dia senti-me muito mal.

Isto foi em um dia.

Foi um dia.

Foi terça-feira desta semana. O que se passou foi que nós recebemos um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete pacotes de livros no mesmo dia. Isto é um dia.

É um dia. Não, nesse dia aconteceu uma coisa que eu guardo-

Podemos pôr isto para divulgar o episódio.

Podemos. Mas eu não comprei nenhum desses livros, atenção.

Não, são coisas que te mandam.

Pronto. O senhor Orlando não é um homem alto, é até um homem bastante baixo. É mais ou menos da minha altura.

Sim, é um palmeirinho.

É. E quando eu o vi a sair do elevador, ele toca sempre para nós, porque ele sabe que nós estamos quase sempre em casa, eu vi-o a chegar, abri e já sei que quando ele toca para nós é porque normalmente tem coisas para nos entregar. E quando ouço o elevador, abro a porta e vejo-o a vir. Eu não vi a cara dele. Ele estava tapado pelos embrulhos.

São sete pacotes de livros.

Ele estava tapado pelos embrulhos.

Não faz sentido, Rita. Eu acho que tu devias, quando o Orlando se reformar com dores nas costas, tu sabes de quem é que vai ser a culpa ou não?

Nós já sabemos que o nosso carteiro tem um problema no rabo.

Coitadinho.

Agora, eu não quero ser também culpada por mais um problema. Por isso é que ele tem aquele carrinho tipo as velhotas das compras.

Mas mesmo assim.

Tem de puxar, não é?

Já viste o alívio que é o pré e o pós casa de Rita da Nova.

É verdade. Mas ele é muito querido.

É superquerido.

Ele é muito querido. Ele disse: "Eu tenho aqui muitas coisas para si hoje".

Pois claro.

Porque eu acho que esta terça-feira o que ele fez foi, ele na semana passada não entregou livros, foi tipo: "Olha, que se lixe, ela não precisa disto tudo. Eu espreito para dentro da casa dela, vejo que ela tem muitos livros lá dentro."

Pois claro.

"Ela não vai precisar disso."

No outro dia cruzei-me com ele na rua, ele estava a chegar ao nosso prédio e eu estava a sair. E ele disse assim: "Oh, senhor Guilherme". Eu: "Então, tudo bem, como é que está, senhor Orlando? Tem mais aí um livro, não é?" E ele: "Pois claro". E deu-me o livro para ti. Não faz sentido nenhum. Tu estás absolutamente descontrolada.

Eu não estou descontrolada. As editoras é que estão descontroladas.

Descontroladas.

Descontroladas. Quando as editoras me perguntam diretamente: "Temos um livro para te enviar, queres receber?" Eu só digo que sim se tiver interesse no livro. Mas depois o que é que acontece? As editoras têm a minha morada.

Mas não te perguntam se queres receber, mandam só.

Mandam só. Portanto, há coisas.

A quantidade de árvores que estão a ser abatidas por tua causa.

Não, os livros já existiam. A verdade é que os que quero ler, fico com eles, os que não quero ler, eu ofereço a pessoas.

Sem dúvida nenhuma.

Ou vendo, ofereço.

Tu tens a nossa amiga Rita e a tua amiga da poesia.

Exatamente. Ainda esta semana causei o pânico no Discord do Livrat, porque entretanto ofereci livros e foi uma loucura, parecia a Era Tour. Mas sim, ou seja, eu peço desculpa ao senhor Orlando.

Coitado do Orlando. É coitado do Orlando e eu não sei se tu não tens que indenizar os CTT pela carga de trabalho. Tu és responsável por mais horas de trabalho e mais desgaste nas equipes dos CTT.

Mas olha, o que tenho percebido, esta semana fui aos CTT do Oeiras Parque, que não é da nossa área de residência, mas fui lá. Adorei os senhores também. Não sei o que é que se está a passar, mas as contratações para os CTT.

Para os balcões, claro.

Estão inacreditáveis. A senhora ia-me vendendo uns certificados de aforro que eu ia comprando.

Sim, e eu acho que a nossa casa, como um de nós está sempre em casa. Nós temos horários laborais das 9h às 17h, como as pessoas normais. E, portanto, nós estamos praticamente sempre um de nós está em casa. É muito raro não estarmos. E eu acho que a nossa casa é à prova de "toquei, não estava ninguém", é impossível.

Exato.

Nunca vai funcionar, porque a maior parte dos gajos que fazem entregas não querem fazer a entrega e dizem: "Não estava ninguém em casa". Houve uma fase em que era péssimo.

Sim, que não era o senhor Orlando.

Que não era o senhor Orlando. Mas cá em casa é um bocadinho impossível.

Sim, nós somos um bocado a porteira. Nós somos as porteiras do prédio, nesse sentido.

Até tocam de outros andares para aqui porque querem abrir a porta do prédio e não sei o quê. Nós somos uma espécie de seguritas do prédio. E não tem mal, eu não me importo nada de ser o seguritas do prédio. Agora, eu estou preocupado com as costas do Orlando por tua causa.

Eu também.

Desculpa interromper-te, mas agora apercebi-me de uma coisa. Como é que se chama o teu massajador de costas?

Jefferson.

O Jefferson, exatamente. Não me lembrava do nome. Desculpa, Jefferson, não me lembrava do teu nome.

É um massajador automático, entretanto, não é uma pessoa.

Sim, é daquelas coisas que é uma espécie de mochilinha que fica a massajar as costas, vamos dizer assim.

Eu devia emprestar ao senhor Orlando.

Tu tens que oferecer um Jefferson ao senhor Orlando.

Pois é.

Tu tens que oferecer.

Tenho.

Ou uma massagem nos pés, um vale, uma coisa qualquer.

Pois, não sou eu a fazer, ainda bem que acrescentaste o vale.

Não, isso é esquisitíssimo.

Vale uma massagem.

Imagina eu chegar a casa e o senhor Orlando com os pés num balde com água morna e tu a massajar os pés do Orlando e ele sentadinho aqui numa das cadeiras da mesa.

Tinha muita graça.

Acho que era voltar a sair de casa. Era abrir a porta, ver isto e sair.

Tinha muita graça.

Mas pronto, eu estou só preocupado com o Orlando e acho que está absolutamente descontrolada a quantidade de livros que tu recebes cá em casa. Sete num dia.

Está um bocadinho. Mas eu acho que não mandaram sete nesse dia, acho que ele guardou até fazer um número grande e trouxe todos.

Pois.

Eu acho que ele agora já começa a pensar assim: "Não vou entregar livros todos os dias".

"Agora vou ter que levar isto tudo para esta gaja, todos os dias anda com um livrinho atrás".

Exatamente.

Era só o que me faltava.

Um dia ele decide e traz todos.

Pois, claro, percebo perfeitamente.

O que era muito giro, sendo que nós estamos a gravar de manhã, era tocar o senhor Orlando com livro durante o horário da gravação.

Não está na hora dele. Ele costuma vir um bocadinho mais tarde do que a hora que nós estamos a gravação este momento, mas tinha muita graça.

Tinha muita graça sermos interrompidos pelo senhor Orlando a entregar um livro.

Tinha muita graça. E quantos livros é que vinham na mão dele? Era a aposta.

Era a aposta.

Eu digo que ele traz dois.

Eu acho que ele traz dois ou três.

É impressionante. Estás a ver que nós estamos a apostar para dois.

É verdade.

O teu irmão é carteiro, tu não pensas no teu irmão. Não tens empatia pelas pessoas.

Eu tenho um irmão?

Coitadinho do Francisco. Grande Francisco. Um grande abraço para o Francisco.

Muito bem. Olha, peço desculpa ao senhor Orlando. Eu quando vou à porta, eu fico: "Olhe, desculpe, senhor Orlando, eu fico muito presa. Desculpe lá, estou bem carregada".

Ele faz sempre assim: "Pois, menina Rita, já sabe como é que é".

"Mais um livrinho pra ler". É que isso começou com ele a fazer as piadas. "Mais um livrinho pra ler". Eu acho que ele agora já ficou tipo...

Não, porque agora passou todos os limites do aceitável.

Eu acho que ele acha que eu tenho um problema com compras de livros.

Pois, é possível.

Eu acho que ele acha: "Esta tipa está-se a passar".

"Ela está descontrolada. Mas e o marido não faz nada?"

"Está a comprar sete, oito livros por semana".

"Os amigos não fazem uma intervenção? Ela lê sete livros por semana".

"Está-se a passar".

Tens mais algum tema?

Olha, infelizmente não.

Não tem mal, porque eu tenho mais um tema para falar aqui.

Infelizmente não. Esta semana o meu marido trocou umas voltas, estamos a gravar mais cedo, não me deixou viver a vida para trazer coisas interessantes.

Estamos a gravar mais cedo. Estamos a gravar um pouquinho mais cedo na semana.

Dois dias mais cedo já é muito cedo.

Certo.

Não estamos a apanhar o 25 de abril.

Eu vou para o Porto abrir o espetáculo do Ricardo Araújo Pereira.

Pronto, ele é muito famoso.

Estou só a dizer, vou lá fazer 10 minutos.

É sempre tudo pelos horários do menino, não é? O menino tem a sua vida.

Quantas vezes já mudámos a gravação disto por tua causa?

Uma.

É? Está bem, é uma. Mas pronto, se as pessoas depois, entretanto, estiveram no Porto e foram ver o espetáculo, digam coisas. O que acharam, o que não acharam. Gostava muito de saber o que acharam. Eu não vou mentir que estou nervoso, porque é responsabilidade, tem que me correr bem para entregar depois à pessoa.

Mas é assim, mesmo que te corra mal, depois a ele vai lhe correr bem.

Não, isso sem dúvida, porque é o Ricardo.

Certo.

E também é o Manuel Cardoso a seguir a mim.

Ya, então.

Portanto, eu sou um amuse-bouche do amuse-bouche.

Faz piada do cocó e do xixi, está tudo bem.

Não, o que eu ia dizer...

Já se prepararam.

Eu tenho mais um tema para trazer para aqui. Esta semana tive uma discussão muito acesa com uma condutora de Uber.

Pois foi.

Tive uma discussão muito acesa com uma condutora de Uber.

Mas tenho uma pergunta pra ti: tu exaltaste-te? Tu exaltino?

Eu nunca me exaltino.

Ok.

Eu nunca me exaltino. Nunca.

Sendo que exaltino é o oposto de exaltar.

Pois é.

Tu exaltas ou tu exaltinas?

Exatamente, já percebi. A escala é de exaltino a exaltar.

Exato. Tu exaltado.

Eu estou sempre exaltino, eu nunca me exalto.

Mas neste dia exaltaste ou exaltino?

Não me exaltei. Eu vou explicar exatamente tudo o que aconteceu e as pessoas vão perceber, porque eu mantenho sempre a calma, a menos que eu esteja a ser atacado com um pau, eu não me vou passar.

Mesmo assim, às vezes eu mereci.

O que aconteceu? Eu chamei um Uber e eu ia para longe da nossa casa, vou dizer que é Cacém, porque o nosso carro estava na...

Na revisão.

Estava para fazer a revisão. Acabou a vida do óleo do carro. Eu não sabia que havia um prazo de validade do óleo do carro. Pronto, e eu fui lá para o carro. E então, o que se passa? Eu chamo o Uber para ir até ao carro, para eu levantar o carro. E quando eu chamo o Uber, o carro está relativamente perto do sítio onde me vai apanhar e liga-me uma senhora a dizer o seguinte: "Ó senhor Guilherme, não me diz aqui quanto é que é o valor da viagem?"

Como se fosse o chefe da Uber.

E eu disse assim: "Como assim? Não estou a perceber". E ela: "Pois, olhe, eu não sei quanto tempo é que isto vai ser. Vamos fazer assim, eu vou apanhá-lo, começamos a viagem e eu vejo se me vale a pena fazer esta viagem". E eu: "Desculpe, não estou a perceber". E ela: "Pronto, eu já aí vou". E eu: "Ok, mas o que é que está a acontecer aqui?" Então ela vai começar a viagem pra ver se vale a pena. Nunca me tinha acontecido em sete anos de Uber ou oito anos de Uber, já não sei há quantos anos é que há Uber aqui em Portugal. Chega o carro, sento-me e ela começa a viagem e ela olha e vê que é para ir para Cacém. É uma viagem de 20 e tal minutos, daqui de onde nós estamos, até porque causa do trânsito, não sei se não era mais para os 30 minutos. E ela vê o sítio para onde nós vamos e diz assim: "Ó senhor Guilherme, bom, nós temos aqui duas hipóteses, não é?" Temos aqui duas hipóteses: eu posso fazer aqui o caminho que ele me está a dar, que são 40, ou eu posso apanhar ali uma autoestrada, pagamos ali uma portagem e é um bocadinho menos e são 30. O que o senhor Guilherme acha?" E eu disse: "O que eu acho? Eu acho que é o que for mais rápido e que está no Waze". E ela: "Pois, qual é o problema? É que aqui o mais rápido tem aqui portagem, o Guilherme depois tem que me pagar isto".E eu: "Desculpe, tenho que pagar isto?". E ela: "Sim, tem que pagar isto. O Guilherme vai ter que me pagar aqui a portagem, mas depois podemos falar no fim". E eu: "OK". Fazemos a viagem toda e ela vai a tentar fazer conversa comigo pra me tentar amaciar. Começou: "Pois, estas poeiras, não é? Eu estou aqui com os meus bronquites, isto está péssimo pra mim. Estou aqui com os minhas bronquites, porque isto estão aqui umas poeiras..." E eu: "Pois, que chatice", não sei o quê, não sei que mais. "Ai, este trânsito, não é? Está aqui tanto trânsito e não sei o quê. Este trânsito, não é, Guilherme?" E eu: "Pois, está muito trânsito e não sei o quê". Fui a viagem toda, caguei, não me estava a apetecer muito fazer conversa com ela, porque eu percebi que ela me queria do lado dela, queria criar ali um rapportzinho que eu não ia criar. Passamos, de fato, numa portagem. Fazemos uma autoestrada pra chegar ao Cacém, ao sítio.

E ela tinha via verde?

E ela tinha via verde, passou na via verde. Tranquilíssimo. Eu até achei que ela me ia pedir moedas pra pôr na portagem.

Pois.

Eu achei. Porque agora vou ter aqui moedas e não sei o quê. Estamos a chegar ao sítio, lá ao concessionário, e para o carro. Aliás, estamos a começar a parar o carro, estamos na rua e ela começa-me a dizer assim: "Pronto, Guilherme, então só uma questão, MB Way é bom pra si?" E eu: "MB Way é bom pra si?"

Depende, pra receber é.

MB Way é bom pra si. E eu: "Desculpe, lá, eu não estou a perceber. MB Way como?" "Então, Guilherme, pra me pagar a portagem como concordou, como disse que ia fazer". E eu disse assim: "Olhe, primeiro, eu não disse que ia pagar portagem nenhuma. E segundo, se pagasse, não lhe ia pagar de MB Way, porque eu não quero que a senhora tenha o meu número. O que está a acontecer?" E ela passou-se. Tu não estás a perceber. A demeanor dela mudou completamente. Ela passou de tentar ser simpática pra perceber que eu não lhe ia pagar a merda da portagem. Passou-se, tu não estás a perceber o ataque de fúria que aquela gaja teve, e peço desculpa dizer gaja, mas nesta situação ninguém mais reagia.

É uma gaja.

A gaja passou-se. Está sentada no lugar do condutor, começa a chegar ao sítio, eu não me vai deixar e começa a abrandar. E começa: "Tinha concordado que me ia pagar a portagem. O Guilherme concordou que me ia pagar a portagem". E eu fui a viagem toda a confirmar, de todas as maneiras possíveis, que a portagem está incluída na viagem.

Claro.

O que acontece? Porque eu fui confirmar esta merda e confirmei a seguir na aplicação. Se vocês fazem uma viagem de Uber que passa numa portagem, esse valor da portagem, que imaginem, é 1,10 euro, é acrescentado no valor da tua viagem. Portanto, a viagem minha ia me ficar 13 euros e quando eu chego ao fim, está 14,5.

Claro, porque é portagem.

E se tu abrires o descritivo da viagem depois da viagem ter acontecido, está lá "an additional fare" foi acrescentada por causa da portagem, não sei o quê. E diz lá a portagem, passaste na A9, o que é, e está aqui, não sei o quê, não sei que mais. Portanto, tudo bem. E ela começa: "Concordou que me ia pagar a portagem". E eu disse assim: "Não, mas a portagem está incluída". E ela: "Não, mas então por que me disse que me pagava a portagem? Disse que me pagava a portagem". Eu disse assim: "Desculpe, eu não disse que pagava a portagem e em nenhuma viagem de Uber é preciso pagar a portagem no fim". E ela: "É. O Guilherme não repara quando chama o Uber que tem lá a dizer com portagem ou sem portagem?" E eu disse assim: "Desculpe. Não, não tem".

Claro.

Isso não existe. Uma pessoa quando pega no telefone e chama um Uber, o que estás a escolher é o tipo de serviço, é com Ford, é o Uber Black, é o Uber Green, que tem de fato diferentes valores.

Porque é consoante o carro.

Porque é consoante o carro e o tipo de serviço que tu estás a comprar. Não diz lá com portagem, sem portagem. A senhora está a mentir. Não diz em lado nenhum que é com portagem, sem portagem. Isso não está lá, não está na aplicação, isso não existe. "Não, o senhor é que não conhece a aplicação. O senhor não conhece a aplicação e agora eu vim dar esta volta toda. Eu dei uma volta de não sei quantos quilômetros, apanhei portagem e este dinheiro vai sair do meu bolso". E eu disse assim: "Não, não sai, minha senhora. Esse dinheiro não vai sair do seu bolso, esse dinheiro vai sair da viagem, porque a portagem fica incluída. Eu estive a confirmar durante a viagem". E ela disse assim: "Pois, com a gasolina nestes preços e agora eu ficar a dar com este dinheiro da portagem, o senhor devia me pagar a portagem". Eu disse assim: "Olhe, não, não devia. Isto nunca aconteceu. Eu ando de Uber há anos e a senhora está-me a tentar sacar o dinheiro da portagem. Obrigado, bom dia". Abri a porta, saí do carro, fechei a porta e fui-me embora. Tentaram me extorquir.

Pois.

Não há maneira nenhuma do que esta senhora tentou fazer, fazer sentido na minha cabeça.

Por 1,5 euro.

Eu até estive a ver que em alguns países há serviços tipo Uber, não sei se é especificamente o Uber. Há serviços em que tu tens de pagar tu a portagem enquanto passas na portagem. Imagina, apanhas uma boleia com um Bolt ou um Uber da vida e passas numa portagem, tem de ser o cliente a pagar a portagem, porque é uma coisa extra. Isso nunca aconteceu cá.

Pois não.

Nunca aconteceu cá.

E se acontecesse, a Uber mandava um e-mail a explicar: "A partir de hoje os clientes é que têm de pagar as portagens".

Esta senhora tentou me roubar 1,5 euro. Quando não funcionou, passou-se comigo, porque eu lhe fiz frente e porque fui investigar na internet e nas cláusulas todas da Uber durante a viagem, que ainda por cima foi uma viagem grande, tive tempo pra investigar. E quantas pessoas já não terão caído na conversa e dão 1,5 euro por MB Way no fim? MB Way pra ficar com meu número de telefone. Mas está tudo maluco.

É uma loucura.

Nunca me tinha acontecido. Esta foi a primeira vez.

E tu achas que ela queria sacar o dinheiro ou teu número? Vá, seja honesto.

Eu acho que ela queria sacar o dinheiro. Eu acho mesmo que era dinheiro.

Hum, não te queria sacar o número.

Porque se fosse pra me comer, não ia conseguir.

Não, e não ia tratar-te assim.

Não, se calhar há homens que gostam de ser maltratados. Também não te vou mentir, às vezes tu gostas um bocadinho maltratado.

Claro.

Mas não é daquela maneira. A cobrarem-me portagens. Nunca ninguém ficou com pau quando...

Eu a partir de agora vou dizer: "Então, pagas-me a portagem ou não? Tens de me pagar a portagem".

Ou então não há serviço.

MB Way está bom pra ti?

Então não há serviço.

Que agora vim dar esta volta, com o preço que está a gasolina.

Ela passou-se.

E tu devias ter passado de volta.

Olha, fica aqui a minha história com esta condutora de Uber que me tentou roubar 1,5 euro.

E depois deste uma nota ou não?

Eu dei três estrelas.

Não, três estrelas é gozo, Guilherme.

Eu dei três estrelas.

Devias ter dado uma estrela.

Não, mas uma estrela é eu fui esfaqueado ou violado. Isso é uma estrela.

Não é, nós já falamos sobre isto. Em momento algum uma estrela é fui esfaqueado ou violado. Fui esfaqueado ou violado é chamei a polícia, isto vai pra tribunal.

Então o que é três estrelas?

Três estrelas é tipo, o carro cheirava um cadinho mal.

Isso pra mim é uma quatro estrelas.

Oh pá, Guilherme, não.

É a navegação foi ótima, a atitude do condutor ou da condutora foi ótima, a viagem correu bem, não houve estresses na maneira como a pessoa conduz, o carro cheirava mal. Não é cinco estrelas, é quatro.

Não, desculpa.

A meu ver.

Pra mim cinco estrelas é...

Talvez três estrelas seja exagerado pra esta senhora. Se calhar eram duas.

Não, é uma estrela. Ela tentou te roubar. Tu achas que isto não era uma estrela, Guilherme? Ela tentou te extorquir dinheiro.

Ya, se calhar era uma estrela.

Era uma estrela, óbvio. Esta pessoa tem de ser penalizada, porque da mesma forma que te fez isso a ti, está a tentar fazer a outras pessoas. Mas em que mundo é que tu vives? Isso é três estrelas.

Ainda por cima há outra coisa mais-

E conduzia bem. Enganou-se no caminho.

Não, enganou-se no caminho duas vezes.

E achas que isso é três estrelas?

Não, e depois tem aquela coisa irritantíssima, que a minha mãe também tem, que é, diz assim: "O Waze está me dizendo pra vir por aqui". "Não, mas eu conheço o caminho, eu vou aqui pela esquerda". E assim que virou à esquerda, o tempo acrescentou mais 10 minutos. Estava tipo 35, passou pra 45. E diz-me assim: "Olhe, já temos aqui mais 10 minutos". E eu: "Pois, porque o Waze estava lhe a dizer pra ir por ali". E ela diz-me assim: "Ah, o Guilherme tem o Waze aí no seu telefone". E eu: "Tenho". "Então ponha lá, só pra ver. É porque às vezes isto aqui..." E então eu fui com o Waze também aberto no meu telefone, enquanto pesquisava as leis da Uber sobre as portagens.

Foste com o Waze aberto pra indicares tu o caminho à senhora.

Pra confirmar pra senhora. Ou seja, foi das piores viagens que eu já fiz.

E tu deste três estrelas a essa viagem.

Mas eu queria só dizer isto, eu não sei se alguém da Uber nos está a ouvir, duvido muito, porque ninguém vai ouvir o "Terapia de Casal" na sede da Uber. Mas eu quando dei três estrelas, aparece lá uma coisa pra justificar porque é que não estás a dar cinco estrelas. E eu quis preencher onde dizia "driver's behavior" e "navigation". Eram as duas coisas que eu queria, porque eu queria encontrar lá "esta pessoa tentou me cobrar portagens". Não aparece lá isso. E quando tu carregas em "other", porque não é nenhuma das hipóteses que lá está, não podes justificar o que é. Pões só "outro" e mandas. E eu queria justificar, eu queria dizer "driver behavior", "other", porque tentou-

Eu acho que devias fazer uma queixa mesmo, acho que é possível. Vais à viagem e aí tens forma de falar com o suporte sobre essa pessoa.

Pois, não sei. Agora, três estrelas?

Dei três estrelas. Três estrelas, uma pessoa que precisou do teu Waze, que te vinha buscar, mas logo se sabia se te levava. E te quis roubar.

Assim, resumindo.

Que te gritou.

Pois é.

E isto são três estrelas.

Quis me roubar 1,50 euro, gritou-me, não seguiu o Waze.

Obrigou-te a ti a ter o Waze.

E primeiro deixou-me entrar no carro pra decidir se me levava.

E tu achas que isto é uma viagem três estrelas, Guilherme?

Imagina o que é que é preciso as pessoas fazerem pra dar uma.

Pois, tu estás sendo esfaqueado e violado. Quer dizer, esfaqueado e violado... se tu fores esfaqueado ou violado, se o teu instinto é acaba a viagem e o esfaqueamento ou a violação, e tu sais do Uber e dizes: "Ah, isto realmente foi uma estrela". Se esse é o teu instinto.

Isto é uma estrela. Antes de ir às urgências, eu dou uma estrela. É porque normalmente o mais comum quando tu apanhas Uber é acontecer conduções tipo perigosas. Isso acontece-me, é mato. E até te digo uma coisa, há muita gente a dizer mal dos imigrantes, tipo bangladeshis, paquistaneses, indianos que vêm e conduzem Uber, os caras cumprem as regras todas do trânsito. Todas. Em cima da bicicleta pra entregar os Glovos e os Uber Eats, às vezes não, mas bicicletas é outro universo. Agora, no carro, os caras cumprem as regras todas do trânsito, porque não querem ser mandados parar, nem querem chatices no trânsito. Mas é o mais comum.

Mas eu também acho que tu podes e deves ser mais justo na classificação que dás aos Ubers pra eles saberem exatamente quem é que se está a comportar bem e quem é que se está a comportar mal.

Sem dúvida nenhuma, por isso é que quando eu saio de uma viagem dessas...

Tu dás sempre cinco estrelas.

Não dou sempre. Dou muito mais vezes quatro estrelas e explico porquê. Quando o carro está desarrumado ou cheira muito mal, eu dou quatro estrelas.

Isso pra mim é três estrelas, desarrumado e cheira muito mal é três estrelas.

A condução perigosa, imediatamente quatro estrelas.

Quatro estrelas, condução perigosa?

Tu já viste que é preciso tentarem me roubar pra eu dar três.

Quatro estrelas, condução perigosa. Não, eu ia morrendo, porque o carro esqueceu de travar, mas quatro estrelas, porque o senhor tinha um cheirinho de pinho. Epá, Guilherme, tu tens de acordar.

Talvez eu seja um bocadinho condescendente com as notas do Uber.

Não é condescendente, tu és people pleaser nas notas que dás.

Mas estou a cagar pra esta senhora.

Tu também eras a pessoa que na autoavaliação se dava mais nota do que era suposto.

Não, na auto dou sempre menos.

E na hetero, os teus colegas eram sempre ótimos. Pois, claro que era, o Ruben burro.

Eu andei num colégio privado, achas que eu tinha algum Ruben?

Pois é, verdade. Não, mas em Sines devias ter.

Não, em Sines era só Rubens.

Ruben burro, e tu: "Ah, não, o Ruben foi muito bom. O Ruben não sabe ler nem escrever e por isso eu vou lhe dar quatro estrelas".

Ya. Bom.

Vamos a e-mails?

Vamos a um e-mail, que eu acho que as pessoas merecem é 25 de abril.

Foi o 25 de Abril.

Foi o 25 de Abril e as pessoas merecem. Então, que e-mail é que tu queres ir? Só temos tempo pra um, digo-te já.

O das 48 horas, que era o que tínhamos na semana passada da Clementine.

Sim, senhora. Então vamos ao e-mail da Clementine, que está aqui, e as pessoas estão fartas de me ouvir a falar de Ubers, portanto vai a minha mulher com a sua bela voz ler este e-mail.

"Olá, queridos terapeutas".

Por que é que é Clementine?

Ela pediu.

Ah, é a própria que pede, ok.

Já vais perceber. "Olá, queridos terapeutas, espero que se encontrem bem. Daqui fala a Clementine, 24 anos, nome fictício inspirado na personagem do filme 'O Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças'", é assim que é em português.

"Eternal Sunshine of the Spotless Mind".

Exatamente. "Preciso de ajuda pra decifrar um rapaz de 23 que entrou na minha vida com o pé no acelerador, mas ficou sem combustível na primeira curva". Olha, pra mim, quatro estrelas.

Se ficou sem combustível, é porque provavelmente anda a pagar as portagens do bolso dele, coitadinho.

Exatamente. "Na semana passada, dia 01/04Conheci um rapaz através das redes sociais que insistiu muito para sair comigo. Mesmo sem o conhecer, aceitei o convite para um café e de início foi tudo perfeito. Trocamos carinhos, andamos de mãos dadas e fomos às compras como se fôssemos um casal. Tu achas isto bué esquisito.

Isso é meio estranho, não é?

Ok.

O salto ser para aí.

No dia seguinte voltamos a sair e correu bem, mas notei que o entusiasmo dele nas mensagens diminuiu. Para testar se ele queria contacto diário, deixei de mandar o bom dia, pois era sempre eu que iniciava a conversa. Ele só me escreveu após ver o meu story, o que me deu uma falsa sensação de interesse. Contudo, ele não desenvolve conversa, deixa os assuntos morrerem e raramente faz perguntas.

Ok.

Cheguei a dizer-lhe abertamente que se ele não quisesse falar ou se eu estivesse a ser chata, ele poderia dizer-me que não haveria problema. Ele respondeu que não havia problema nenhum, mas na prática a conversa parou de vez. Decidi esperar pela iniciativa dele, que não aconteceu. Para piorar, logo no primeiro encontro, vi sem querer que ele usa o Tinder.

Ok.

Embora nos conheçamos apenas há uma semana, este tipo de ausência e incerteza mexe muito comigo. Escrevo-vos isto hoje, dia 8/04, e como isto é tudo muito recente, poderá haver avanços ou recuos na história até o e-mail ser lido. Serei eu a vítima de mais um love bombing ou serei a dita emocionada?

Atenção, tu não és a vítima do love bombing. Tu és o Israel deste love bombing.

Não, ela é que está a fazer love bombing, exatamente.

Ela é o Israel deste love bombing. Israel é que é bombardeia, meu amor.

Não, pensei que Israel é que bombardeia.

Não é isso que eu estou a dizer. Ela não é vítima do love bombing.

Pois é isso. Ela é que está a bombardear.

Ela está a bombardear escolas, universidades, hospitais.

Vítimas do love.

Ouve uma coisa, nós temos que falar, Clementine.

Tu não estás bem, Clementine.

Numa semana?

Sais com ele uma vez e já vão às compras juntos.

E dão a mão.

E dão a mão.

E tu já controlas quem diz bom dia, numa semana. Clementine, nós precisamos imenso de respirar fundo. Está tudo bem, as coisas não vão a lado nenhum, quando são para ser, são. É deixar as coisas fluir, ir sentindo. Não é agarrar imediatamente à primeira. Eu não quero estar aqui a fazer falsos comparativos, nem quero estar a ser injusto com a Clementine, que me parece uma pessoa eloquente, simpática e até com alguma autoanálise para nos enviar um e-mail. Mas a Clementine lembra-me muito os autistas do "Love on the Spectrum".

Eu estava a pensar nisso. Eu estava a pensar nisso por causa das mãozinhas dadas logo no primeiro encontro, já te amo.

Mãozinhas dadas e vão ao primeiro encontro e amam logo.

Já está, para mim está.

É esta pessoa que quero casar. Tu pensas casar um dia? Penso. Pronto, então está.

Pronto, então está bem.

Há vários saltos lógicos, Clementine, que se calhar estás a saltar muitos degraus. Tu tens uma escada à tua frente e tu estás a tentar saltar logo lá para cima.

Exatamente.

E a outra pessoa está a subir degraus e tu estás: "Então, não gostas de mim? Por que não saltas os degraus? Eu saltei os degraus". Calma.

Sim, é despacito.

Exatamente, Clementine.

Suave, suavecito.

Clementine, sabes o que eu acho? Não sei se tu percebes de carros ou não. Eu não percebo muito de carros, mas eu acho que encontrei a metáfora perfeita.

Ele não percebe muito de carros, mas quatro estrelas para aquele amor.

Exatamente. Três estrelas para a maneira como tu estás a gerir esta situação.

Três?

Clementine, eu acho que tu estás na autoestrada com o carro em primeira. Sabes aquele esforço do carro que está a pedir uma terceira e tu ainda estás em primeira? Eu acho que esse é o barulho que o teu motor do amor está a fazer. Vou dizer assim.

Eia, grande piresada. Dá-me aí o e-mail só mais uma vez, porque eu acho que há aqui uma parte que resume um bocadinho a personalidade da Clementine. Há uma altura em que ela diz: "Embora nos conheçamos apenas há uma semana, este tipo de ausência e incerteza mexe muito comigo". Eu acho que tu tens de ir resolver este tipo de ausência e incerteza para a terapia.

Exatamente.

Não sei se tens aí alguma questão de medo de abandono, alguma coisa que tenha acontecido na tua vida que te tenha marcado.

Se há aí uma relação em que te magoaste, é possível.

Tu estás a projetar neste rapaz as tuas inseguranças e as tuas incertezas. E acho que isto, neste caso, nós estamos aqui, que giro, mas acho que neste caso, isto era uma situaçãozinha para ser trabalhada, eu acho que em terapia.

É possível. Não sei até quando, não somos terapeutas a sério, isto é um podcast humorístico. E do ponto de vista de quem lê este e-mail e que analisa esta situação da maneira como tu estás a apresentá-la, Clementine, eu acho que tu precisas de muita calma nessa hora.

Tu estás muito largada.

É a primeira semana, conheceste uma pessoa, é normal as coisas irem acontecendo e tu já estás, nem uma semana passou e já estás a perguntar: "Estou a ser chata? Estou a ser chata. Por que ele não me responde? Por que ele não manda mensagens? Por que ele não manda série? Ele está no Tinder?" Repara, claro que está no Tinder.

Claro.

Ele conheceu a rapariga há uma semana. Está tudo bem. O mundo não anda a essa velocidade.

Exato.

E as coisas não têm que acontecer a essa velocidade.

Ainda bem que não acontecem a essa velocidade.

Exatamente. As coisas são para degustar, não são para deglutir.

Olha, eu acho que é o fim perfeito para este episódio. terapidacasalpodcast@gmail.com é por onde vocês podem enviar os vossos e-mails com dúvidas, questões.

Coitada da Clementine, mandou-nos um e-mail à espera aqui de acompanhamento.

Clementine, nós somos pela verdade. Exatamente como fez a Clementine, esperamos que não fiques muito triste com este nosso feedback, mas se ficares podes dar quatro estrelas no Spotify.

Até para a semana, amiguinhos.