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E para olhar o mundo do desporto aqui na Rádio Observador, na tarde em direto, temos conosco o jornalista André Maia. André, bem-vindo mais uma vez. Vamos começar pelo tema de hoje. Antes de irmos ao número e à memória, vamos ao tema que nos remete para um dos dias mais negros do futebol nacional, o jogo que opôs Benfica e Béja.

Sim, vamos de manhãzinha, foi quando aconteceu a assembleia geral extraordinária da Liga Portugal, que acaba por dar alguns dados em relação a esse jogo e também a futuras situações semelhantes a essa, que, em princípio, já não vão acontecer mais, pelo menos em termos de regulamento. Este novo regulamento impede que uma coisa semelhante volte a acontecer. Aquilo que foi alterado é que a partir de agora é obrigatório ter o número mínimo de 13 jogadores para que um jogo possa ser realizado, cada equipa ter 13 jogadores como mínimo, sendo que desses 13, um tem de ser obrigatoriamente um guarda-redes, ou seja, algo totalmente diferente do regulamento anterior, é mais do dobro. O regulamento anterior dizia que havia um mínimo de sete jogadores e que nem estipulava a questão do guarda-redes. Portanto, aqui há um progresso bastante forte também em relação a esse jogo.

Mas o Béja-Benfica vai ser repetido, André?

Esse não vai ser repetido. Isso é certo. E aqui a Béja também fez essa proposta, aliás, propôs essa questão da alteração do número de jogadores mínimos com efeitos retroativos, ou seja, de forma a obrigar a que o jogo fosse repetido, mas essa situação não foi aprovada. Aliás, a proposta que foi feita de repetição do jogo foi mesmo aprovada por todos os clubes, à exceção do Sporting e da própria Béja, e a Académica de Coimbra e o Sporting de Braga abstiveram-se. Para além disso, ficou marcada essa assembleia geral da Liga pelo fardo de palha que foi deixado à porta. Um presente deixado, diz, por um adepto do Futebol Clube do Porto, que deixava um recado para a Liga que terminava com: "Não deixem de existir". Portanto, continua esta troca também de palavras. Os adeptos acho que não perdoaram aquilo que aconteceu nesse jogo, tal como também já tinha acontecido há uns anos, por exemplo, com a União de Leiria. Esperamos que agora com este regulamento não volte a acontecer.

É para isso que ele, pelo menos, foi formulado. Resta também olhar e ficar atentos ao futuro do futebol nacional. Seguimos, André Maia, para o número desta terça-feira, que é o número 16. Isto porque a Taça de Portugal, André?

Começa hoje. Começam hoje os oitavos de final, são 16 as equipas, precisamente por isso esse número. São 16 equipas que vão tentar o tudo por tudo para ter um lugar, quem sabe, na final da Taça, mas por enquanto, com os olhos nos quartos de final, vamos passo a passo. E temos aqui 16 equipas. Tondela vai defrontar o Estoril Praia, é o primeiro jogo, de resto que já está em andamento. É a primeira partida deste oitavo de final. Todos os jogos vão ter também transmissão televisiva, o que é bom para todos os adeptos de futebol que gostam de ver a prova rainha numa altura em que também é mais difícil ir aos estádios por causa das testagens. Temos um Famalicão-Portimonense, jogo entre duas equipas da Primeira Liga. Leça-Paredes, curiosamente as duas equipas do quarto escalão do Campeonato de Portugal encontram-se. O Leça contra Paredes, Paredes que até eliminou a formação do Gil Vicente na última eliminatória. Casa Pia-Sporting, com esse reencontro de Rúben Amorim com o Casa Pia. Mafra-Moreirense, Segunda Divisão contra Primeira. Rio Ave-Belenenses SAD, também com o Rio Ave a voltar aos grandes palcos. Vizela-Braga, também duas equipas da Primeira Liga e, por último, esse grande clássico do futebol português, no dia 23, às 20h45, o Futebol Clube Porto-Benfica.

Vamos acompanhar aqui na Rádio Observador com relato em direto, como de resto também o jogo do Sporting e olhando para aquele jogo que falavas, Tondela-Estoril, tem 10 minutos e vai para já com zero a zero. Vamos fechar este "tie break" com a memória do dia, André Maia. Voltamos 17 anos atrás no tempo. O guarda-redes que defendeu pela primeira vez dois penáltis no Estádio da Luz.

Sim, Vítor. Chama-se Vítor, aliás, se ele nos estiver a ouvir, Vítor Manuel Oliveira Carneiro. Tinha 41 anos e fez isto que vamos ouvir agora.

Depois começou a parte insólita do jogo. Bruno Paixão assinala grande penalidade por falta sobre Carlitos. Na transformação, Simão Sabrosa não bateu Vítor, de 41 anos, a grande figura do jogo por parte da equipa de Oliveirense. O penálti número dois é quase uma réplica do primeiro. Bruno Paixão volta a assinalar a marca da grande penalidade. Agora foi Chocota que tentou bater Vítor, mas não conseguiu fazer melhor do que tinha feito Simão Sabrosa.

Foi a primeira vez que um guarda-redes defendeu dois penáltis no Estádio da Luz. Vítor jogava na AD Oliveirense, que estava na Terceira Divisão Nacional, uma equipa obviamente muito frágil para o poderio do Benfica, mas teve que ir a prolongamento a equipa encarnada, que por acaso nesse jogo jogou em casa, mas jogou de branco e a Oliveirense de vermelho, teve que ir a prolongamento, ficou um a um no tempo regulamentar. A Oliveirense esteve a vencer por 1 x 0 com um golo ao minuto 25. Vítor defende esses dois penáltis, tinha 41 anos na altura, obrigou o jogo a ir a prolongamento e depois o Benfica no prolongamento conseguiu superiorizar-se, venceu por 4 x 1 e na altura passou à próxima eliminatória da Taça de Portugal. Mas fica na história a primeira vez que um guarda-redes defendeu dois penáltis na história do Estádio da Luz com Vítor. Não vai esquecer, certamente.

Sim, 41 anos também na altura.

Quarenta e um anos na altura, já tem 58 agora. Estou aqui a ver se nos estiver a ouvir, um abraço pro Vítor.

Um abraço pro Vítor no fecho deste "tie break", o primeiro guarda-redes há 17 anos a defender dois penáltis em pleno Estádio da Luz. André Maia, o "tie break" está desempatado, o empate está feito. Muito obrigado e até à próxima.

Até à próxima.