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O Tiebreak desta quinta-feira é com o jornalista do Observador, André Maia. Olá, André.

Olá, Ana Filipa.

Como tema do dia, traz algo que também já foi assunto, ouvimos agora o Miguel Videra falar disso. Portanto, a nova edição da Liga das Nações, Portugal vai defrontar Espanha, Suíça e a República Checa.

Exatamente. Para não estar a repetir o que o Miguel disse agora e muito bem, quais são as equipas, já sabemos quais são, vou olhar um pouco mais para qual é o histórico de Portugal com estas três equipas. Não é um grupo nada fácil, devemos dizer. Aliás, vimos, por exemplo, agora no Europeu, a Espanha voltou à melhor forma. Não à melhor forma, a melhor forma é ser campeã europeia, como tem sido ultimamente também na última década, mas voltou um bocadinho com esta nova geração a fazer frente às grandes nações europeias. Temos a Suíça que, por exemplo, eliminou a França também no Campeonato da Europa, ou a Chéquia, como agora é chamada a República Checa, que também fez um ótimo Europeu com esse golo de Patrik Schick ainda na memória de todos nós do meio-campo. Mas Portugal contra estas três equipas, com a Espanha já estamos habituados a jogar com "nuestros hermanos" quase dia sim, dia não, quase ano sim, ano não. Por exemplo, este ano jogámos no jogo de preparação, empatámos. O ano passado jogámos no jogo de preparação, empatámos. Jogámos também em 2018, empatámos. Os últimos quatro confrontos foram todos empate e Portugal até tem um histórico bastante simpático nos últimos anos, desde o Euro 2004, que desde aí só perdeu uma vez com a Espanha, venceu duas e empatou outras quatro. Quanto à República Checa e quanto à Suíça, a República Checa temos um histórico com vantagem, mas ainda com essa mágoa do Euro 96, quando o Poborský marcou aquele golaço com o chapéu que nos tirou do Euro 96. Mas temos, por exemplo, no Euro 2008, estivemos no grupo da Chéquia e conseguimos passar. Também no Euro 2012 encontrámos os checos nos quartos de final e também vencemos por 1 x 0. E portanto, a República Checa não é um adversário que normalmente traga muitas dificuldades a Portugal. Quanto à Suíça, vencemos, por exemplo, o último jogo, que foi precisamente na Liga das Nações. Para quem não estiver tão recordado, foi nas meias-finais, na Final Four, que foi também em Portugal, em que Portugal venceu a Suíça nas meias-finais e depois venceu na final. Mas este jogo foi um grande jogo para Cristiano Ronaldo, que esteve em grande destaque. Marcou dois golos, um deles de livre, e Portugal tem um bom histórico com a Suíça. É verdade que nos últimos cinco confrontos perdeu por duas vezes, mas é um adversário que normalmente não é muito difícil para a seleção portuguesa. Tem boas oportunidades para passar, mas acho que também não é um grupo assim tão fácil quanto parece. Mas convém dizer também que estes jogos vão ser disputados entre junho e setembro de 2022.

Exatamente.

Quatro das seis rondas vão ser disputadas em junho, isto por causa do Mundial, que convém relembrar outra vez, o Mundial vai ser no inverno, vai ser praticamente no Natal, que é um pouco estranho e é já no próximo ano.

Portanto, destes jogos, as primeiras quatro rondas, como dizias, as primeiras rondas vão jogar-se entre dia 2 e 14 de junho. Ora vamos passar para o número do dia, é o 198.

Vamos ter de fazer aqui algumas contas. 198 são dias. São dias. Temos que agora andar 198 dias pra frente e vamos ter o dia 1 de junho de 2022. O que vai acontecer neste dia?

O que vai acontecer no dia 1 de junho de 2022, André Maia?

Estou a aumentar o suspense ao máximo. Vamos ter uma nova competição. Competição, se calhar, é demasiado. Vamos ter um jogo que vai ser uma finalíssima, e é mesmo este o nome. Chama-se Finalíssima e vai colocar frente a frente o vencedor do Campeonato da Europa de Seleções e o vencedor da América do Sul de Seleções. Este é um jogo que os adeptos de futebol queriam ver, mas pode deixar praticamente na sombra a Taça das Confederações, que é normalmente entre o vencedor do Mundial, o vencedor do Europeu, da Copa América, da Gold Cup da Oceania, da CAN da África. E aqui vai deixar um bocadinho à sombra essa competição, porque no fundo, mesmo quando vemos a Taça das Confederações, o grande duelo que as pessoas mais querem ver é realmente entre os europeus, se houver vencedor do Mundial Europeu nesse caso, e também o vencedor da Copa América. Neste caso, vamos ter apenas esse jogo, é o vencedor do Euro contra o vencedor da Copa América. Neste caso, vamos ter como estreia um Itália contra a Argentina, que é um grande jogo.

É um grande jogo.

E vai se chamar mesmo assim, chama-se Finalíssima. Isto foi anunciado pela CONMEBOL, que é a UEFA da América do Sul, e a UEFA. Foi anunciado que foi feito um memorando, foi feito um acordo para que se realize este primeiro jogo, esta primeira finalíssima, que é algo que certamente as duas confederações vão querer agora manter, até porque é um jogo que certamente vai ter muita audiência, e que a UEFA e a CONMEBOL também dizem que é um jogo que abre as portas a uma potencial organização de vários eventos. Portanto, vamos ver se podemos ter aqui uma espécie de uma Super Bowl, por exemplo, um grande evento também em termos publicitários, vamos ver. Mas vamos ter este jogo no dia 1 de junho de 2022. Vai ser o primeiro, vai se jogar em Londres, entre Itália e Argentina, a Finalíssima, é assim que é chamado.

E faltam 198 dias.

É já para no calendário.

É isso mesmo. Na memória do dia de hoje, vamos recuar 96 anos. Há pouco falavas em jogos entre Portugal e Espanha e era só empates, empates, empates. Hoje queres recordar um que não foi um empate, não é?

Mas preferia que tivesse sido, se calhar, porque Portugal perdeu 3 x 0 e vamos recuar muito, vamos recuar até ao ano 1923, em que Espanha venceu ao terceiro jogo que jogou com Portugal. Portugal e Espanha jogavam muito nessa altura, praticamente só jogavam entre si. Nessa altura jogavam todos os anos. Portugal fez o primeiro jogo de sempre com Espanha em 1921, depois em 1922 e depois em 1923, que é este que vamos falar agora, perdeu todos. Esses três primeiros jogos, perdeu todos. E este foi a maior derrota desses três, foi por 3 x 0, com três gols de um senhor chamado Zabala, que jogava no Espanhol da Catalunha na altura. E Portugal entrou em campo com jogadores maioritariamente do Sporting, do Benfica, do Belenenses. Havia um também do Casa Pia e um do Futebol Clube do Porto, mas a maioria era Sporting, Benfica e Belenenses, também as grandes equipas dessa década de 20. Não há grandes nomes, nomes de grande relevo. Nessa altura, a seleção portuguesa era bastante amadora. Na baliza estava Francisco Vieira, destacavam-se Fernando Jesus, Baldino Silva, também Alberto Augusto, Jesus Crespo. O selecionador era Virgílio Paulo e Portugal perdeu por 3 x 0. Nesses primeiros jogos em Portugal, levava autênticas cabaçadas de Espanha e de outros países. Mas como já disse há pouco, vamos voltar a encontrar "nuestros hermanos". O saldo atual é muito mais favorável do que nesta altura dos anos 20, felizmente. E vamos para mais um confronto.

Pronto, na Liga das Nações, em junho?

Em junho, exatamente.

O André Maia esteve conosco nesta edição de quinta-feira do Tiebreak. André, muito obrigada e bom trabalho.

Obrigado.

Obrigada.

Rádio Observador