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"Tratar da Saúde", da Rádio Observador, com a Dra. Vanessa Mendes, diretora clínica dos centros de saúde CUF. Doutora, bom dia.
Bom dia.
Bem-vinda.
Obrigada.
Chega o verão e para algumas pessoas chegam também sintomas inesperados: pequenas borbulhas, manchas vermelhas, comichão intensa ou irritação da pele depois da exposição solar. E a reação costuma ser sempre a mesma: "Mas eu nunca tive alergia ao sol." Afinal, é possível desenvolver uma alergia já em adulto? E será que estas alergias podem surgir de repente, mesmo algo que sempre toleramos? Dra. Vanessa, é possível alguém passar a fazer alergia ao sol de um ano para o outro? Eu falo isto com muita convicção, porque já passei por isto.
Exato. Então sim, é perfeitamente possível. Aquilo a que muitas pessoas chamam alergia ao sol corresponde frequentemente a uma condição que chamamos clinicamente de erupção polimórfica à luz. Trata-se de uma reação da pele desencadeada pela exposição solar, que provoca rubor, pequenas lesões, prurido e muitas vezes, muito desconforto. Surge habitualmente nas primeiras exposições mais intensas ao sol, sobretudo, por exemplo, na primavera ou até no início do verão. E pode aparecer em pessoas que nunca tinham apresentado qualquer problema anterior.
E essa é a grande questão. Como é que alguém passa anos sem qualquer tipo de reação e de repente desenvolve uma alergia?
Sim, porque na verdade o nosso sistema imunitário não é estático. E aqui a resposta imunitária vai sofrendo alterações ao longo da vida e existem fatores genéticos, ambientais, hormonais e até infeções que podem influenciar a forma como o nosso organismo reage a determinados estímulos. E por isso o facto de nunca termos tido uma reação alérgica anterior não significa que nunca possamos desenvolver. E isso aplica-se não apenas ao sol, mas a muitas outras alergias.
Portanto, isto também quer dizer que as alergias não aparecem apenas na infância.
Isso mesmo. Muitas pessoas desenvolvem alergias pela primeira vez já em idade adulta. É muito frequente. Pode acontecer com alimentos, por exemplo, o marisco, frutos secos, até algumas frutas. Pode também acontecer com medicamentos, como antibióticos ou até anti-inflamatórios, e também com alergias respiratórias, como as relacionadas com os pólenes, os ácaros ou pelos animais. O nosso sistema imunitário pode tornar-se sensibilizado ao longo do tempo e desencadear uma reação após anos de exposição sem qualquer tipo de problema.
E como é que podemos distinguir uma simples irritação de uma verdadeira reação alérgica? Quais são as principais diferenças?
A verdade é que nem sempre é fácil, não é taxativo, mas devemos suspeitar quando os sintomas surgem repentinamente após a exposição àquele mesmo fator. No caso do sol, por exemplo, quando aparecem lesões semelhantes sempre que existe exposição solar mais intensa. Nas alergias alimentares ou até medicamentosas, os sintomas costumam surgir pouco tempo após o contacto com o agente que desencadeia e podem incluir prurido, a urticária, o edema, ter, em casos mais graves, dificuldade respiratória ou até outras, como por exemplo, o edema da glote, que também pode acontecer. Nessas situações, é importante procurar avaliação médica para confirmar o diagnóstico e no caso de uma situação mais grave, efetivamente procurar o serviço de urgência.
Mas voltando aqui ao tema deste nosso episódio, no caso específico da chamada alergia ao sol, existe alguma forma de prevenir?
Sim, claro. A prevenção passa sobretudo por uma exposição solar mais gradual, principalmente no início da época. A utilização adequada de protetor solar, isto sempre.
Sempre. Fator 50.
Roupa protetora quando necessário e evitar as horas de maior intensidade solar. Em algumas pessoas podem também ser necessários tratamentos específicos, dependendo naturalmente da gravidade dos sintomas.
Ou seja, o facto de nunca termos tido alergias não é garantia para o futuro.
É isso mesmo. As alergias podem surgir em qualquer fase da vida, não só na infância. O importante é não ignorar os sintomas novos e procurar perceber a sua causa, porque quanto mais cedo identificarmos este problema, mais facilmente conseguimos controlá-lo e prevenir novas reações.
Podem enviar as suas dúvidas, sugestões até para o e-mail tratardasaude@observador.pt. Se preferir, também nos pode enviar a sua mensagem de voz por WhatsApp 910024185. Dra. Vanessa, até amanhã.
Até amanhã. Obrigada.
Este podcast tem o apoio CUF