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Cá estamos para mais um "Tratar da Saúde". Bom dia, doutora Vanessa Mendes.

Bom dia.

Hoje assinala-se o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo. É um tema cada vez mais presente, mas que continua a gerar muitas dúvidas, sobretudo entre os pais, que se perguntam muitas vezes: "Será que está tudo bem com o desenvolvimento do meu filho?" Doutora, já vamos aos sinais de alerta, mas primeiro, o que é o autismo?

Sim. O autismo ou perturbação do espectro do autismo é uma condição do neurodesenvolvimento. Afeta principalmente a comunicação, a interação social e o comportamento. E é importante perceber que cada criança é única e que o autismo se manifesta de formas diferentes.

E por que se fala tanto em diagnóstico precoce?

Porque quanto mais cedo identificarmos os sinais, mais cedo podemos intervir. E a intervenção precoce pode ter um impacto muito significativo no desenvolvimento destas crianças.

E que sinais são esses que os pais devem estar atentos?

Sim, há alguns sinais que podem surgir nos primeiros anos de vida, nomeadamente ao nível da comunicação, como é o atraso na fala, a ausência de palavras ou até a regressão da linguagem. Aqui é muito importante a interação social, pouco contacto visual, não responder pelo nome, não apontar para partilhar interesse. No comportamento, como movimentos repetitivos, interesse restrito por determinados objetos, dificuldade em lidar com as mudanças.

Uma resistência.

Sim. E também aquelas crianças que parecem estar no seu mundo. Com menor interesse em brincar com outras crianças. Aqui a dizer que um sinal isolado não significa que a criança tenha autismo, mas que vários sinais em conjunto devem ser avaliados.

E muitas vezes são os pais os primeiros a notar, não é?

Sim, sem dúvida. A verdade é que os pais conhecem melhor do que ninguém o comportamento da criança.

Claro, estão há mais tempo com ela.

Sim. E quando sentem que algo não está bem, aqui diria que devem confiar nessa perceção.

E qual deve ser o passo seguinte depois disso?

Sim, é falar com o médico assistente. Naturalmente, o médico acompanha a criança, porque o acompanhamento precoce permite avaliar, orientar e, se necessário, até encaminhar. Esperar, muitas vezes para ver se passa, pode atrasar uma intervenção muito importante.

Doutora, este é um tema que inevitavelmente gera muita ansiedade. Que mensagem gostaria de deixar aos pais que nos estão a ouvir?

É importante reforçar que nem todos os atrasos de desenvolvimento significam autismo. E a verdade é que cada criança tem o seu próprio ritmo, mas também não devemos ignorar sinais. O objetivo aqui não é alarmar, é sim recomendar que se faça uma vigilância atenta do desenvolvimento da criança. E quando há dúvidas, mais vale avaliar do que esperar.

Claro, para ver se é mais.

Sim, pois nestes casos, agir atempadamente pode realmente fazer toda a diferença.

tratardasaude@observador.pt é para onde nos deve enviar as suas dúvidas. Se preferir, também pode enviar o seu áudio por WhatsApp 910024185. Doutora Vanessa Mendes, até amanhã.

Até amanhã.