Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Este podcast tem o apoio CUF. Nos Centros de Saúde CUF, encontra cuidados de proximidade com a qualidade e segurança de sempre, mesmo à sua porta. Quem tem CUF à porta, tem tudo. Centros de Saúde CUF, SA. NPC 509925332.

Parece uma contradição. Está um calor imenso e há quem diga que o melhor é beber um chá quente, mas será que isso faz mesmo sentido? Será que faz algum sentido? Doutora Vanessa Mendes, bom dia.

Bom dia.

Afinal, uma bebida quente pode mesmo refrescar mais do que uma bebida gelada?

Aqui, surpreendentemente, pode. Mas depende, naturalmente, das circunstâncias. Quando ingerimos uma bebida quente, a temperatura do organismo aumenta um pouco e isso estimula a nossa transpiração. E é precisamente a evaporação do suor que constitui o principal mecanismo de arrefecimento do nosso corpo. Se esse suor evaporar eficazmente, o organismo consegue dissipar mais calor e podemos até sentir uma maior sensação de frescura.

É incrível. Então o segredo não está na bebida, está no suor?

É isso mesmo. Não é o suor em si que arrefece o corpo, é a evaporação desse mesmo suor na superfície da nossa pele. É por isso que esse efeito funciona melhor em ambientes secos ou bem ventilados, onde o suor evapora facilmente. Pelo contrário, quando a umidade é muito elevada, por exemplo, o suor evapora com dificuldade e continuamos a transpirar, mas o organismo perde eficácia de libertar calor. É precisamente por isso que muitas vezes 32 graus, por exemplo, com muita umidade, quando vamos de férias para países tropicais, podem ser muito mais difíceis de suportar do que, por exemplo, 38 graus num clima mais seco.

Eu vivi em São Tomé e Príncipe e sinto bastante essa diferença. Era muito úmido. Portanto, isto quer dizer que uma bebida bem gelada não é o melhor.

As bebidas frias proporcionam uma sensação imediata de frescura, isso é inegável. Porque arrefece temporariamente a boca, a própria garganta e parte do tubo digestivo. Essa sensação é real e ajuda-nos a sentir mais confortáveis, mas o efeito sobre a temperatura corporal é relativamente pequeno e de alguma forma transitório. O mais importante continua a ser manter uma boa hidratação, portanto, mais importante do que a temperatura da bebida que estamos a ingerir, é garantir que bebemos água suficiente ao longo de todo o dia.

Mas na prática, o que é que devemos fazer nos dias de maior calor?

A prioridade deve ser sempre manter uma boa hidratação. A água continua a ser a melhor escolha de todas. As bebidas podem ser frescas, à temperatura ambiente ou até quentes, consoante a preferência de cada um.

Sim, eu não deixo de beber chá no verão, por exemplo. Chá quente.

As bebidas quentes podem favorecer a transpiração em determinadas condições, mas não são uma estratégia obrigatória nem substituem outras medidas fundamentais, como evitar a exposição solar nas horas de maior calor, usar roupa leve e também procurar, por exemplo, ambientes frescos.

E doutora Vanessa, há pessoas em quem este mecanismo funciona pior?

Sim, por exemplo, os idosos têm uma menor capacidade de transpirar e uma sensação de sede também menos eficaz. Também algumas doenças e medicamentos podem reduzir a capacidade do organismo regular a temperatura corporal e, nestes casos, o risco de desidratação e de golpe de calor é maior, pelo que é fundamental uma hidratação regular, que se considera muito importante.

Portanto, afinal, o chá quente não é apenas uma tradição de alguns países, como por exemplo, Marrocos.

Exatamente. Não é de todo. Aqui existe efetivamente uma explicação fisiológica para a sua ingestão, mesmo durante o verão, mas importa perceber que o benefício depende da capacidade de o suor se evaporar. Na prática, não existe uma bebida mágica para combater o calor, nem a cervejinha, como também já falámos. O que realmente protege o organismo é manter uma boa hidratação, evitar a exposição excessiva ao calor, respeitar os sinais que o nosso corpo nos vai dando, porque mesmo no verão, o nosso melhor sistema de arrefecimento, digamos assim, continua a ser o que a própria natureza nos deu, que é a transpiração. E portanto, para concluir, dizer que mais importante do que escolher entre uma bebida quente ou fria, é mesmo garantir que o organismo nunca fique sem aquilo que mais precisa, que é efetivamente a água.

tratardaSaúde@observador.pt, para onde pode enviar as suas dúvidas ou sugestões. Se preferir, também pode enviar áudio por WhatsApp para o 910024185. Doutora Vanessa Mendes, obrigada.

Obrigada, até amanhã.