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Este é o Tratado da Saúde da Rádio Observador com a doutora Vanessa Mendes, diretora clínica dos Centros de Saúde CUF. Doutora, bom dia. Bem-vinda.
Bom dia. Obrigada.
Hoje assinala-se o Dia Mundial da Voz. É um dia particularmente especial para ti.
Sim, verdade.
A voz é um instrumento essencial no nosso dia a dia, mas muitas vezes só lhe damos atenção quando falha. Rouquidão, alteração do timbre, cansaço ao falar. Doutora, quando é que uma alteração da voz deve ser valorizada do ponto de vista clínico?
A voz resulta do funcionamento da laringe, onde estão as cordas vocais, e depende também da garganta e das vias respiratórias. Ou seja, qualquer alteração na voz pode refletir um problema nestas estruturas. E, portanto, é frequente associarmos a rouquidão a situações passageiras, como uma infeção respiratória, por exemplo, mas quando se prolonga no tempo, pode traduzir efetivamente uma alteração que deve ser avaliada.
Mas existe um critério que ajude a perceber quando é que devemos investigar?
Sim. Diria que uma rouquidão com duração superior a duas a três semanas deve ser avaliada, sobretudo quando não há uma causa evidente, como uma constipação recente.
Aparece do nada.
Sim. É um sinal de alerta clínico que não deve ser desvalorizado.
E quais são as causas mais comuns?
Na maioria dos casos são situações benignas. O uso excessivo ou incorreto da voz, infeções das vias respiratórias, refluxo gastroesofágico também pode ser uma das causas e o tabagismo também é uma das mais frequentes. No entanto, há sinais associados que devem ser valorizados.
Como por exemplo?
Por exemplo, dificuldade em engolir, quando sentimos que os alimentos não passam bem. A dor também ao engolir, uma dor persistente na garganta ou no pescoço, sensação de que está algo preso ou um nó na garganta. Ou também uma perda de peso sem causa aparente. Estes sintomas, sobretudo quando persistem, justificam, sem dúvida, uma avaliação médica.
E existem pessoas mais vulneráveis?
Sim, por exemplo, a Maria João. Profissionais que utilizam muito a voz. Por exemplo, na prática clínica tenho muitos professores também. Pessoas que fumam, pessoas com refluxo que não esteja controlado e, portanto, nestes casos, o risco de alterações nas cordas vocais é sem dúvida maior.
Então, doutora, o que é que podemos fazer para proteger este bem essencial?
É, no seu caso, é mesmo essencial. Há medidas simples e eficazes, nomeadamente manter uma boa hidratação.
É verdade, fundamental.
Sim. Evitar o esforço vocal excessivo, sempre que possível. Fazer pausas ao longo do dia, evitar ambientes com muito fumo, controlar também o refluxo nas pessoas que o tenham e evitar o hábito frequente de pigarrear. Isso. Que pode irritar ainda mais as cordas vocais.
Portanto, estamos quase a terminar. Alterações da voz não devem ser ignoradas, não é?
Exatamente. A rouquidão persistente, e que é importante destacar, não é apenas um incômodo, é um sintoma e deve ser encarada como um sinal que merece atenção. Na maioria das vezes tem causas benignas. Mas em alguns casos pode traduzir situações mais sérias e, por isso, reconhecer e avaliar precocemente faz toda a diferença, pois quando a voz muda e não recupera, é o corpo a pedir que seja ouvido.
Exatamente. Bom recadinho. Foi mais um Tratado da Saúde, doutora Vanessa Mendes. Até amanhã.
Até amanhã. Obrigada.