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Com a chegada do bom tempo, volta sempre a mesma dúvida: precisamos do sol por causa da vitamina D, mas também nos dizem para evitar o sol. E afinal, usar o protetor solar todos os dias pode ou não prejudicar? Doutora Vanessa Mendes, bom dia.

Bom dia.

Estamos a proteger-nos ou a prejudicar-nos?

Aqui diria que a resposta é muito simples. Não temos de escolher entre uma coisa e outra. Podemos e devemos proteger a pele e manter também os níveis adequados de vitamina D. O problema está, naturalmente, nos extremos.

Nos exageros. Portanto, o sol é mesmo necessário, não é?

Sim, é uma fonte importante. A exposição solar ajuda o nosso organismo a produzir vitamina D, essencial para ossos, músculos e até sistema imunitário. Mas atenção, não precisamos de grandes exposições. Na maioria das pessoas, pequenas exposições no dia a dia são suficientes e mais tempo ao sol não significa mais benefício, significa até maior risco.

E o protetor solar bloqueia essa produção de vitamina D?

Na teoria pode reduzir, mas na prática não bloqueia totalmente, porque não aplicamos de forma perfeita.

Claro.

E também porque há sempre alguma exposição solar, ou seja, usar protetor não é a causa principal de déficit de vitamina D. E isto é muito importante. Não devemos deixar de usar protetor para aumentar a vitamina D. Esta é a grande mensagem.

Esse ponto.

O risco mais relevante é outro: é a exposição excessiva ao sol, especialmente nas horas de maior intensidade, com queimaduras solares e sem proteção. Isto sim, está associado ao aumento do risco de cancro de pele e há uma ideia importante: o bronzeado não é sinal de saúde, é sinal que temos uma agressão da pele.

E o que é que devemos fazer na prática? Quais são os melhores conselhos, neste caso, em relação de exposição solar e vitamina D?

Aqui temos três pontos simples: a exposição solar moderada, sem as queimaduras. A proteção nas posições também prolongadas, protetor, chapéu, sombrinha e avaliação individual quando há risco de déficit. Não precisamos de evitar o sol, mas também não devemos banalizar. E a verdade é que nem todas as pessoas têm o mesmo risco. Há pessoas com maior risco de déficit de vitamina D e outras com maior risco de cancro de pele.

Peles mais sensíveis.

Isso mesmo. Por isso as recomendações devem ser ajustadas a cada pessoa de forma individualizada. Portanto, aqui a mensagem: o sol é importantíssimo, mas não é inofensivo e o protetor solar protege, mas também não é o inimigo. Portanto, se tiver dúvidas, fale com o seu médico e avalie a sua situação, porque sem dúvida, na saúde, não é o excesso nem a ausência que protegem, é o equilíbrio.

É aquele meio-termo. tratardasaude@observador.pt é para onde pode enviar as suas dúvidas. Se preferir, também nos pode enviar o seu áudio por WhatsApp 910024185. Doutora Vanessa Mendes, até amanhã.

Até amanhã. Obrigada.