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Começa agora o Três Toques da Rádio Observador, sempre com o Júlio Magalhães. Começo eu, porque hoje quero voar sobre o Atlântico e trazer aqui mesmo uma novidade. É daquelas que ninguém sabe, é mesmo fresquinha, como o tempo frio que faz lá fora. Aliás, como não podia deixar de ser, eu sou assim, Júlio. Podemos apenas chamar um português na América.
É isso mesmo. Hoje temos aqui uma novidade, uma notícia em primeira mão aqui do Observador.
Hoje?
E do programa da manhã. Quer dizer, é todos os dias.
Sim.
Mas esta é difícil.
Esta ainda mais exclusiva, estava-se a desconsiderar.
Pois é, nós vamos ter aqui agora nosso convidado, que se chama Francisco Marques. Há 50 anos, não, mais, talvez 50, foi para os Estados Unidos. Desenvolveu sua carreira, foi dono de uma liga de futebol, do soccer americano, futebol europeu, onde joga o Messi, etc. Foi dono. Desenvolveu o futebol na América também. Algo que sei, vamos já perguntar-lhe. Acho que foi ele que levou o Eusébio e o António Simões, duas lendas do Benfica, para os Estados Unidos, desenvolveu por eles. E esta semana entrou pro Hall of Fame do soccer americano. E está ao telefone conosco. Francisco Marques, bom dia.
Bom dia, Júlio.
Francisco, temos aqui-
Que gosto tê-lo conosco.
Um gosto, exato. Francisco, vamos começar já pelo fim. O que é isso do Hall of Fame, no qual acaba de entrar no soccer americano?
Bem, o Hall of Fame é uma grande tradição no desporto americano. Em Portugal, acho que não temos isso. Temos, talvez, a Gala das Quinas, por exemplo, que a federação fez há umas duas semanas. Mas é realmente uma maneira de honrar pessoas em vários níveis, jogadores, treinadores, árbitros, contribuidores, que é o meu caso, por uma carreira no futebol, realmente, em prol de melhorar o futebol nos Estados Unidos. E isso acontece anualmente. Anualmente será eleito um jogador, um administrador ou um árbitro ou um treinador. No meu caso, cada três anos é eleito um contribuidor. Aconteceu finalmente a mim. Digo finalmente, porque já tinha sido nomeado várias vezes e tinha ficado em segundo, ou em terceiro, ou em quarto, mas não em primeiro. Desta vez, realmente, cheguei ao topo da montanha.
E o Júlio estava aqui a dizer, o Francisco está a tentar promover ou está a promover o futebol europeu.
Esteve.
Ou esteve. Há 50 anos que está nessa tarefa?
Sim, eu fui para os Estados Unidos com 16 anos, portanto já vão 62 anos e estou na promoção do futebol, portanto profissionalmente, desde os 22 anos.
Muito mudou nos Estados Unidos em relação à forma como os americanos olham para este desporto, não é?
Sim, claro. Começou praticamente, não vou dizer do zero, porque sempre houve algum futebol através das grandes comunidades imigrantes desde os anos 30, 40, etc. E depois houve um grande influxo também de crescimento do futebol feminino a partir dos anos 70. Há até a impressão de que o futebol nos Estados Unidos é só feminino e que só as meninas é que jogam à bola. Não é verdade, nunca foi verdade. Isso é realmente uma história mal contada na Europa, principalmente. Mas foi realmente uma caminhada no deserto quando eu comecei, para muitos.
E onde é que entrou o Eusébio nessa caminhada?
O Eusébio e António Simões, por exemplo.
Sim, o António Simões.
O Simões, por exemplo, fui eu que o levei para lá e acabou a carreira comigo. A última época que ele jogou foi no Football Club de Dallas Tornado, em Dallas, no Texas, onde eu era vice-presidente do clube e foi lá que ele acabou a carreira. Fui eu que o levei para lá e depois foi treinador no segundo ano da criação da minha liga original, da USL. Eusébio e ele foram ao mesmo tempo para lá, foram jogar para a equipe de Boston. Aliás, foram outros portugueses que também estiveram lá um ano, dois anos. João Carlos Coelho, por exemplo, o Artur, Manuel Fernandes. Esteve lá muito desse pessoal durante aquele período em que jogaram, não só esses, mas jogou o Beckenbauer, jogou o Pelé, jogou o Cruyff.
Sim, só grandes referências.
Sim, essa grande flor do futebol europeu e não só, mas que já estavam no fim das suas carreiras. Foi nesse tempo em que eu estive nessa liga, na Liga Norte-Americana, durante oito anos, num dos grandes clubes em Tampa, na Flórida, no qual eu fui vice-presidente de Relações Públicas e diretor de futebol. Começou realmente aí a minha carreira profissional, embora tivesse feito seis, sete anos de atividade profissional a promover o futebol, mas através de digressões e torneios na Europa, de equipes universitárias e juvenis. Foi assim que tudo começou.
Que é onde começa muita coisa nos Estados Unidos. Francisco Marques, disse-nos que está nos Estados Unidos desde os 16 anos e acaba de relatar todo um trabalho feito à volta do futebol. Mas é essa a sua atividade profissional? Dedica-se profissionalmente a isso ou tem outras atividades?
Sim. Eu brinco às vezes que eu não trabalhei um dia na minha vida.
Fazia aquilo que gostava, não é? E faz.
Sim, eu fazia aquilo que gostava e ainda faço. Nunca tive um outro trabalho, a não ser, obviamente, durante tempos universitários, de trabalhar no verão, etc. A partir dos 22 anos, quando me formei da universidade, nunca mais fiz nada profissionalmente que não fosse realmente a promoção do futebol Algo que eu teria feito se pudesse por nada. Felizmente, tive a sorte de ser um empreendedor e conseguir ganhar a minha vida através do futebol.
Francisco, a Arábia Saudita fez um grande investimento público para atrair estrelas. Conhecendo muito bem como é fazer crescer e nascer uma modalidade num país onde ela não é muito popular, como é que olha para esse fenômeno?
Não tem problemas, quanto mais melhor.
Mais concorrência.
É mais concorrência, mas da concorrência sai mérito, saem boas coisas. Não tenho problema com isso. Se eles têm dinheiro, que o gastem todo a trazerem os jogadores, vai sempre haver mais jogadores. A China, por exemplo, tentou isso e não se deu muito bem, mas o sistema aí é diferente. Na Arábia Saudita, há realmente, aparentemente, dinheiro suficiente para trazer para lá jogadores em número suficiente para que todas as equipes do campeonato árabe, não só as quatro que são parte do governo, tenham as grandes estrelas. Os Estados Unidos, apesar de toda essa concorrência, o Messi acabou lá, por exemplo. O Ronaldo facilmente poderia ter ido, optou por ali, o dinheiro teria sido melhor, mas não aconteceu e é com pena, porque teria grande gosto de ver o Ronaldo a jogar nos Estados Unidos, não só pelo fator português, também pelo fator Sporting, porque como é sabido, eu sou um sportinguista dos quatro costados.
Estava a ler aqui agora isso, precisamente.
E perdemos a ligação.
Perdemos a ligação ao Francisco Magos. Mas entretanto estou aqui a ler e a dizer que é sinónimo de crescimento do soccer nos Estados Unidos.
É verdade.
Uma referência.
Já vive agora há uns anos em Portugal, faz a sua vida entre Portugal e os Estados Unidos e esta semana foi distinguido. De facto, o hall of fame do soccer americano, um português na América, como tu bem disseste. E pronto, era isto que eu tinha para vos trazer hoje.
Uma história impressionante.
É verdade. Formou-se e dedicou-se à promoção, primeiro no marketing do futebol e depois foi para cima e tinha uma liga que chegou a comprar. Era dono mesmo de uma liga profissional de futebol nos Estados Unidos e esta semana foi distinguido.
É bom ver estes reconhecimentos.
É uma história de um português na América. Há muitos destes que nós não conhecemos, infelizmente.
Mas pode ser que entretanto nos cheguem mais histórias como esta.
Cheguem mais histórias como esta.
Então e para amanhã, Júlio?
Para amanhã nada. Temos que decidir, hoje já não dá tempo, qual é a designação para o campeonato árabe.
Tu não ficou ontem?
Não, tu não estavas cá, faltava a Jo. Ficou o quê? Altogão?
O Altogão.
O Altogão. A partir de agora.
Gostas, Altogão?
Gostas, João?
Foi a sugestão de um leitor.
Pois foi, eu sei, enviou e-mail.
Pronto, e não gostas, estás muito reticente.
Tal como o próprio leitor, que agora não tenho o nome aqui comigo.
O nosso ouvinte da Suíça.
O nosso ouvinte da Suíça. Sim. O nosso ouvinte faz lembrar Alcoitão, Altogão.
Pois a gente falou disso.
Daniel Carvalho.
Daniel, exatamente. Ainda não agradeci o e-mail ao Daniel.
Então pronto. Fica reticente. Pronto, vamos.
Temos tempo.
Temos tempo.
Se isso fosse o aeroporto de Londres há 50 anos.
Pois é, então até estamos a apostar nisso. Criamos um grupo de trabalho.
Até vamos criar um grupo de trabalho.
Força. Está à força.
E entretanto agradecer aos nossos ouvintes, são milhares a mandar sugestões.
E a votar.
Exatamente.
E a votar.
E a votar, como quem diz.
Então amanhã recordamos o João Pestão em cima da mesa.
Sim. Não, mas amanhã também, não se esqueçam, vamos divulgar aqui em primeira mão, quem é o novo campeão do Brasil. É hoje à noite a decisão do Campeonato Brasileiro.
Eu hoje precisava dormir um bocadinho.
É, mas não.
Fica o Paulo a conhecer o outro. Hoje estamos ocupados também. Temos a festa de Natal.
Pronto, então vou ficar eu, que eu não vou a lado nenhum e pronto, já sei como é que é isto.
O Júlio é muito espertão.
Alguém tem que trabalhar.
Alguém tem que trabalhar mesmo.
É sempre o mesmo.
Bem.