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Ele está de volta aos relvados. Carlos Pedro. Com três toques. Bom dia.

Já vem de chuteiras e tudo.

Bom dia, Carlos.

Tomei-lhe o gosto.

Tomaste-lhe o gosto. O que nos trazes hoje?

Hoje venho falar-vos da efemeridade da vida e das pessoas que vivem na constante inquietação de fazer algo novo.

Oh diabo! Agora fiquei um bocado preocupada.

É a Georgina.

Não. É só a trajetória de vida, que é no mínimo curiosa, de um antigo jogador de futebol, o Tomas Brolin, acho que é assim que se pronuncia o nome deste sueco. Vamos recuar até 1994, é ano de Campeonato do Mundo, a Suécia termina num fantástico e inédito terceiro lugar e Brolin faz parte dessa equipa. Fez, aliás, três golos e quatro assistências nesse mundial, o que lhe valeu um fantástico quarto lugar na prestigiada corrida à Bola de Ouro.

Sim, foi um ano em grande.

Não é para qualquer um. E na altura tinha 24 anos. O quarto lugar na corrida à Bola de Ouro com 24 anos.

Agora é cinquentão.

Agora tem 56 anos, se não me engano. Com 24 anos, no quarto lugar, perto de ganhar uma Bola de Ouro, espera-se que aos 28 esteja ainda na alta roda do futebol mundial, mas não. Aos 28, Brolin retirou-se. E eu quando estava a ler esta história, pensei: "Bem, teve algum problema de saúde, alguma lesão grave", mas não. Tomas Brolin disse que estava cansado de treinar todos os dias e disse que tinha outros projetos que fervilhavam na sua cabeça. Conheceu então um inventor sueco que lhe apresentou uma ideia improvável: um novo tipo de aspirador de pó.

Estás a brincar. É sério?

E então Brolin, em entrevista à Gazeta dello Sport, confessa que achava o tal inventor muito estranho, mas admite que ficou encantado com a ideia. Tão encantado que nunca mais-

É assim, o mundo é fascinante, os aspiradores também.

Tão encantado que nunca mais quis voltar ao futebol e num espaço de cinco anos, este sueco passou de quarto melhor jogador do mundo a vendedor de aspiradores.

Mas o melhor, se calhar, lá na Suécia, o topo.

E tudo por mera opção própria. A verdade é que a vida dele melhorou, e ainda bem. Desde então, já foi empresário no ramo do calçado, produtor musical, dono de um restaurante, incorporador imobiliário e até profissional de pôquer. E isto, pelas minhas contas, juntando aqui o facto de ter sido jogador de futebol e também vendedor de aspiradores, faz um autêntico homem dos sete ofícios.

Se incluir mais os dois, sete.

Faz um autêntico homem dos sete ofícios, que nunca mais quis saber do futebol, está completamente afastado, só acompanha de vez em quando o Parma, que é o clube onde jogava na altura dos 24 anos em que ficou em quarto lugar da corrida à Bola de Ouro.

É fascinante. É fascinante, mesmo. Alguém que podia ser o que quisesse no futebol e interessou-se por outras áreas. Fascinante.

Fez de tudo. Vamos agora viajar até os Estados Unidos e vamos ao basquetebol para este segundo toque.

Basquetebol é comigo e com o Paulo. Aliás, basta olhar para a nossa altura. Afundando-se connosco.

Nós afundamos. Afundamos qualquer história que seja sobre basquetebol.

Lembra-se que no início da semana, então, o LeBron James, essa estrela planetária, prometeu uma grande decisão, a tal second decision, depois de em 2010, na Decision, ter chocado o mundo do basquete ao trocar os Cleveland Cavaliers pelos Miami Heat. Quando desse anúncio mais recente, a expectativa criada foi enorme, a roupa utilizada foi a mesma e começou toda a gente a pensar que estaria aqui um final de carreira, porque estamos a falar de um jogador com 40 anos. O mistério foi, entretanto, desvendado. Era um anúncio, sim, mas era de um novo vínculo empresarial com a marca de conhaque Hennessy.

Não tem aspiradores.

Não tem que ver com aspiradores, não tem que ver com final de carreira.

Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque.

Precisamente. E assim os fãs respiraram de alívio, mas não todos. E não falo dos adversários, nem dos adeptos das equipas adversárias. Falo de quem foi comprar bilhetes para o último jogo dos Lakers.

Hás de ir o ver.

Porque lá está, o tal último jogo da carreira, a procura aumentou drasticamente e já sabemos o que é que vem a seguir. Antes do anúncio, os preços custavam à volta de €70. Depois do anúncio, passaram para os €500.

Percebido. Pela expectativa de ser o último.

Exatamente.

As pessoas é que precisavam de tentar adivinhar.

Claro. E, na verdade, as pessoas têm que ver isto por outro lado. É o último antes dele-

Claro, mas também, bebem um conhaque e se passa tudo

...bastar um conhaque, exatamente.

E a verdade é que o LeBron James também não desvendou nada acerca do futuro. Tem 40 anos, fala-se todos os anos de um possível final de carreira, mas não se sabe nada. Sabe-se que isto foi só uma brilhante campanha de marketing.

Então agora com o conhaque, ui.

Faturam uns milhões, seguramente.

Resultou perfeitamente. Mas também, quem comprou bilhete, há coisas piores para ver do que um jogo da NBA, dos Lakers, dos Estados Unidos e de LeBron James.

Absolutamente, mesmo que lesionado.

Agora, no terceiro toque, vou fazer-vos uma pergunta muito chata.

Se tem a ver com o futebol, é para o Paulo.

É comigo.

Não, tem que ver com comida. Ananás na pizza.

Isso é com todos.

Não.

Sim ou não?

Nunca.

Não. E tu?

Tu disseste o quê, Carla? Não? E tu, Carlos?

Eu digo sim, para mim é um grande sim.

É um grande sim? Gostas de ananás na pizza?

Gosto bastante de ananás.

Desculpa, quem é que faz o recrutamento aqui para a equipa?

Olha, quando acabares, passa ali nos recursos humanos.

Com figos é ótimo.

Com figos? Com banana, gosto, porque o queijo e a banana, gosto.

Não. Vamos lá ver. Fruta, pizza.

Presunto e figos.

Eu sou de divisão.

Presunto e figos é um lance que se põe muito bem. Estás um bocadinho perdendo, estás tu sozinho e as centenas de pessoas que nos estão a ouvir e que estão a dizer: "Sim, sim. Ananás na pizza."

As opiniões, de facto, dividem-se e dividem-se também entre os treinadores da Premier League, porque foi feito um vídeo com os vários técnicos e a pergunta era a seguinte: é ou não aceitável colocar-se ananás na pizza? Alguns disseram logo que não, e destaque aqui para o italiano, o treinador do Chelsea, Enzo Maresca.

Estás a ver, italiano.

Disse logo que não, que não era sequer aceitável.

É italiano. Pizza. Não percebe nada. Italiano não percebe nada.

Outros disseram que gostam e que é um grande sim, como é o meu exemplo, e outros como o português Marco Silva, disseram que não gostam, mas aceitam.

Toleram. Respeitam o gosto dos outros, deixa-me adivinhar.

Puderam.

São pessoas humanas.

Mas a grande questão não é esta. Marco Silva disse que não gostava de ananás na pizza e ainda disse preferir outro ingrediente, também uma fruta, e ela é da equipa da Maria João, que é da banana.

Nunca vi pizza com banana.

Eu também acho que não.

Vocês vivem neste mundo.

Com figo, já. Figos faz parte do cardápio.

Nunca viste pizza com banana, Carlos?

Nem figos, nem bananas.

Estás tão obcecado com ananás na pizza, não vês mais nada.

Para mim, só ananás.

Nunca vi com banana.

É fazerem a vossa própria pizza e põem lá a banana.