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Três Toques das manhãs, 360 de novo com o Carlos Pedro. Bom dia, Carlos.
Bom dia.
Bom dia.
Para hoje, para começar: futebol, redes sociais, Ryanair e Arsenal. Arteta parece-vos bem? Se olharmos para as redes sociais da Ryanair, há ali uma grande dose de humor com alguma provocação, sobretudo em temas futebolísticos, e isso é algo até recorrente. Desta vez, o administrador da conta oficial da companhia aérea, no X, aproveitou uma imagem onde se podia ler que o treinador espanhol do Arsenal é o segundo filho da família, para lançar uma provocação. Basicamente, republicaram a imagem com a seguinte descrição: "Está-lhe no ADN." Isto para aludir ao hábito de o Arsenal ficar em segundo lugar na Premier League, sempre atrás de um rival e às vezes até não de um rival direto. É que o Arsenal não ganha a Premier League desde 2004, portanto, já há muito tempo. Tem andado-
O tempo passa.
O tempo passa.
Sim, passa por todos.
E eles têm ficado sempre perto ou quase sempre perto. No ano passado, o Arsenal ficou em segundo lugar, não teve hipóteses perante o Liverpool. Há dois anos tinha tudo na mão para ganhar, ficou em segundo atrás do City.
Está sempre ali. Quase.
Exatamente. Há três anos a mesma coisa. Mas antes tinham ficado um período de tempo longo sem ficar no pódio. Em 2015, 2016 conseguiram ficar nesse segundo lugar, mas ficaram atrás do Leicester, que fez história e que recentemente desceu à terceira divisão do futebol inglês. E a esse respeito também circulou uma imagem nas redes sociais do top três dessa Premier League de 2015, 2016, e nós tivemos o campeão Leicester, que desceu este ano para a terceira, o terceiro lugar, o Tottenham, está em sério risco de descer à segunda divisão, e estamos a falar do vencedor da Liga Europa do último ano.
Isso é que é uma queda.
Só uma coisa se mantém igual passados 10 anos: o Arsenal em segundo lugar. E as piadas da Ryanair acabam por vir nesse sentido. Haja bom humor, a verdade é essa. O Arsenal e Mikel Arteta parecem ser as vítimas preferenciais, mas isso, ao fim ao cabo, é sinal de que alguma coisa tem falhado, porque senão essas piadas não existiriam. Já por ocasião do aniversário do treinador, no mês passado, o Arsenal assinalou a data nas redes sociais, como é normal, deu os parabéns ao treinador e a conta no X da Ryanair foi lá aproveitar e escreveu: "Finalmente alguma coisa para celebrar." Isto porque desde 2020 o Arsenal conquistou apenas uma Supertaça de Inglaterra. Vamos ver este ano. Já tiveram tudo na mão para ganhar. Já estão, entretanto, em segundo lugar e vamos ver na Liga dos Campeões. A Liga dos Campeões que regressa hoje, meias-finais. Hoje há um Bayern de Munique x PSG, portanto haverá, com toda a certeza, muitos portugueses em ação, mas isso é só um ponto de partida para vos falar de superstições. É comum no desporto, têm alguma grande superstição?
João está em fazer o pino sempre que entra aqui no estúdio. Eu faço um zig zag. Eu faço três corridinhas. Faço um fricfrac à retaguarda também. Isso é nos dias mais fraquinhos. Sim, faz sempre.
No Bayern de Munique há duas grandes figuras na direção, Uli Hoeneß e Karl-Heinz Rummenigge, que decidiram não viajar para o jogo desta noite no Parque dos Príncipes, em Paris. Não há, e ainda bem, qualquer problema de saúde com qualquer um deles. Não há também um problema de agenda, tampouco há um problema de terem de acordar muito cedo amanhã. É mesmo uma questão de superstição.
Não ver ao vivo.
Estes membros do Conselho de Supervisão do clube notaram que a equipa joga sempre muito bem fora de casa este ano, quando eles não vão.
Pronto, está feito. Isso é científico.
Isso é sempre uma relação causa e efeito comprovadíssima.
E foi, por exemplo, o que aconteceu contra o PSG, precisamente o adversário de hoje, há uns meses. Eles não viajaram para Paris, venceram por 2 x 1, num jogo em que até passaram grande parte do jogo com menos um. Também na eliminatória anterior, frente ao Real Madrid, que é sempre um adversário difícil para o Bayern de Munique, não viajaram para Madrid, venceram por 2 x 1. Hoeneß e Rummenigge têm participado de forma muito seletiva nestes jogos de Liga dos Campeões, principalmente fora de casa. E é legítima a estratégia, até porque tem funcionado bem.
Funciona. Eu nem sei porque é que o PSG entra em campo depois disso. Dava logo a vitória e acabou.
São 43 vitórias, quatro empates e apenas duas derrotas em 49 jogos. São números extraordinários. Já têm o campeonato na mão, já bateram recordes de gols, vão agora para a Liga dos Campeões em busca de mais um troféu. Em equipa que ganha não se mexe, o mesmo serve também para as estratégias. Ontem falámos também de mundial e falámos da nossa confiança. Portugal
Da nossa aqui no estúdio, não é?
Sim, porque já mostramos que os portugueses Não está muito otimista. Exatamente, mas sempre que começa um mundial, ficamos sempre com aquilo na cabeça: "É desta vez que vamos ganhar". Há outro país em que isso é ainda mais evidente. No Brasil, todos os anos de mundial são anos de hexa. Finalmente vamos chegar ao hexa. Falamos também na semana passada de apostas contra o próprio clube. Agora a coisa parece que escalou ainda mais. A última vez que o Brasil venceu uma Copa do Mundo foi em 2002. Dessa equipe fazia parte um jogador que se chama Vampeta.
Lembras, Carla, do Vampeta?
Não.
Mas é perfeitamente legítimo que não te lembres e que ninguém se lembre, na realidade.
Aliás, o treinador também não se lembrou dele, na altura.
Lembrou-se dele durante pouco tempo. Portanto, o Vampeta é brasileiro, certamente festejou muito o título conquistado há 24 anos, fazia parte dessa equipe, e festejou tanto esse título há 24 anos que agora não quer que o Brasil volte a ser campeão do mundo.
Então, deu tudo nos festejos. Deu tudo.
Numa entrevista lá numa rádio brasileira, o antigo jogador disse que não vai torcer de maneira nenhuma pela seleção canarinha, porque tem medo de ser esquecido. Ele diz mesmo: "Eu seco a seleção brasileira." Presumo que seja: "Eu dou azar, não quero que ganhe a Copa de 2026. Se ganhar, a minha geração será esquecida, como estão os que ganharam o tetra." Vampeta alega aqui que toda a gente já se esqueceu da seleção campeã do mundo em 1994. Em boa verdade, já foi há quase 30 anos, portanto é normal. Vampeta diz que para ele está ótimo assim, sem hexa, porque quer continuar a fazer publicidade. "Tem que chamar a gente mesmo, ninguém ganhou nada depois e esta seleção não passa confiança", diz Vampeta. Isto é um claro sinal de egoísmo, diria eu.
Claro, está a pôr aquilo que é o pequeno interesse dele à frente dos desígnios da seleção. Que lindo, Paulo.
Foi expressão muito utilizada.
É por isso que é um homem habituado a comentar futebol.
Claro. Curiosamente, Vampeta, com todo o mérito, é campeão do mundo, mas como estávamos aqui a falar há pouco, dificilmente alguém se lembrará de Vampeta, porque em 2002, nesse Campeonato do Mundo, fez apenas 18 minutos.
É por isso que a Carla não se lembra.
Pois, não.
Mas a Carla é mais 80, anos 80.
É, eu sou 80.
Mas é por esses 18 minutos que agora Vampeta não quer que o Brasil volte a ganhar o Campeonato do Mundo. Enfim, tristeza de milhões e milhões de brasileiros que pensam que será este ano. Vamos ver.
Carlos Pedro, obrigada. Até amanhã.
Até amanhã.