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Este é o som do Três Toques, que além da rádio, também pode acompanhar nas nossas redes sociais ou através do site do Observador. Vamos à pergunta do dia, estamos ansiosos: quantas vezes Lance Armstrong ganhou a Volta à França?
11.
11.
Não, eu acho que não.
Bruno, tu não podes dizer. Tu não brincas a isso.
Hoje não é 11.
Não brincas 11, põe outro número. Arranja outro número e brinca com ele.
Esse já tem dono.
Não, Lance Armstrong ganhou 11.
As que ganhou ou as que-
Não, as que ganhou.
Houve umas que foram retiradas.
Foram todos retirados, todos os títulos da Volta à França.
Vá, diz lá, Paulo. Diz o número.
Cinco.
Ia dizer esse.
Eu empresto o cinco, diz lá cinco.
Não, faz só um sinal para cima ou para baixo.
Não posso. Eu vou para três.
Quatro, três.
Três, quatro, cinco, como é que é? Cinco, tu?
Cinco eu, não, cinco o Paulo.
Não, mas o Paulo deu o cinco à Marina.
Já não quero.
Já não queres cinco?
Quem dá mais? Paulo.
Espera, eu dou seis.
Seis.
Eu dou seis, eu disse seis.
Eu dou três para o que está a acontecer aqui.
É um verdadeiro leilão.
Completamente. Cinco, seis e tu?
Três. Está bem. O prometido é devido e ontem, Bruno, prometeste trazer algumas das desculpas mais bizarras, mais esfarrapadas dos desportistas quando são apanhados nas malhas do doping.
E eles até podem ser suspensos da competição, podem ter de devolver o dinheiro que ganharam e as medalhas e os títulos, como o caso do Lance Armstrong, mas alguns merecem, pelo menos, o prêmio de criatividade. O jornal espanhol "As" fez um apanhado das desculpas mais esfarrapadas, mais surreais de sempre e, como ontem dizia o Paulo, algumas estão ao nível do professor "o cão comeu o meu trabalho". Começamos pelo tenista francês Richard Gasquet, que no Masters de Miami de 2009 testou positivo à cocaína e como é que ele se defendeu? Com a paixão.
Com a cocaína?
Paixão. Paixão maldita cocaína. Ele disse que na noite anterior ao teste, tinha beijado uma mulher que conheceu numa festa e que depois veio a saber que era consumidora habitual de cocaína.
Ele achava que era farinha no canto da boca.
Era açúcar.
Que ela tinha acabado de comer uma bola Improv.
O mais estranho é que as autoridades aceitaram mesmo a explicação.
Vamos apontar essa.
Quem nunca?
Quem nunca? Quem também acusou cocaína foi o antigo vencedor do Giro, Gilberto Simoni, mas neste caso a culpa também foi de uma mulher, atenção.
É as mulheres, sempre.
Mas foi da tia Jacinta.
Nunca me enganou a tia Jacinta.
Nunca. Que lhe tinha dado uns rebuçados do Peru para aliviar a dor de garganta. É verdade.
São rebuçados especiais.
Muito especiais.
Tem que ser.
Dizem que da Colômbia também são perigosos.
Também são. Estes, se calhar, eram da Colômbia, tinham passado pelo Peru. Também aqui as autoridades acreditaram no ciclista e na história da tia Jacinta e nos rebuçados peruanos, que talvez fossem da Colômbia.
As autoridades gostam de ser enganadas.
Adoram. Gostam de uma boa história. No fundo, eles estão a pontuar a história.
Exatamente, a criatividade.
Portanto, afinal a culpa é quase sempre atirada para os familiares.
Sim, aqui não é o mordomo, é a tia e é a senhora que se conheceu, e é a namorada. Porque, ao fim e ao cabo, a família é que está ali mais à mão de semear. Por exemplo, a patinadora russa Kamila Valieva acusou uma substância proibida, a trimetazidina, isto durante os Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim, 2022. Por ser muito nova, tinha 15 anos na altura, a mãe e a advogada é que a defenderam e disseram que a atleta teria ficado com a substância no corpo depois de beber do mesmo copo do avô, que tomava um medicamento para o coração.
A minha mãe sempre me disse para não beber do copo dos outros.
Já sabe, depois uma pessoa apanha trimetazidina. Outra hipótese, também posta pela defesa da patinadora, era de ela ter tomado por engano os medicamentos do avô. Se calhar estava convencida de que eram rebuçados peruanos.
Eventualmente, sim.
"Olha aqui, estes comprimidinhos estão apetitosos." Já este ano, Valieva, neste caso, talvez por ser russa, foi condenada a uma suspensão por quatro anos. Parece que desta vez não acreditaram na história do avôzinho. Histórias do avôzinho!
Isso é fantástico, de facto, essas histórias. Mas as histórias dos doces não são eficazes sempre, não funcionam sempre.
Talvez por experiência própria.
Naquele caso do ciclista italiano, resultou.
A do avôzinho é que não.
O atleta do Suriname, Ismaela Dasinga, de 19 anos e que muitos diziam ser o sucessor do Usain Bolt, não teve a mesma sorte com a explicação que arranjou. Numa análise feita este ano, foi-lhe detectada uma substância proibida, conhecida como cardarine, e apesar dos seus esforços para se justificar, vai mesmo ficar afastado da competição por quatro anos. Disse o atleta que em 2023 a empresa PepsiCo lhe ofereceu um pacote de gomas da marca Gatorade, gomas que são usadas por desportistas e que estas estariam contaminadas com a tal substância. De pouco lhe valeu o esforço. Ele precisava aqui de um bocadinho mais de criatividade do que poupar os ursinhos das gomas. "Há aqui umas gomas que eu comi."
Os teddys.
É isso, comeu pacotes a mais. O que ele precisava, se calhar, era de um bocadinho de criatividade, que não faltou à maratonista francesa Fatima Ihlan, que em 2012 acusou positivo à EPO. E aqui eu acho que esta bate todas as desculpas. As outras são muito criativas, mas esta aqui é a melhor, porque ela desculpou-se com a chuva.
Como assim?
Choveu muito durante aquela prova.
Choveu épico.
Basicamente foi isso que ela disse. A atleta disse que a chuva devia ter alguma substância do Pant que depois tinha passado para a roupa e contaminado a análise de urina. E acreditem ou não, esta nem é das justificações mais estranhas para testes antidoping positivos, mas o conteúdo de algumas não pode ser descrito aqui a esta hora na rádio.
O beijo da noite anterior, anda bem? Esse é o mais aceitável.
Porque houve outras justificações.
Está bem, contas em off.
Não, posso dar aqui um pequeno vislumbre de uma desculpa de um atleta que usou, e foi suspenso, testosterona. E ele disse que era por beber muita cerveja e por ter muita energia sexual, por fazer amor com muita intensidade, disse ele. E então, por isso é que tinha aqueles elevados níveis de testosterona. Não acreditaram nele.
Por que será?
Estranho.
Vamos à pergunta do dia: quantas vezes Lance Armstrong ganhou a Volta à França?
Foram sete vezes. Muitas. Consecutivas.
Ficou a dever, Maria João.
Sete vezes consecutivas.
Ganhei por aproximação.
Foi por aproximação, exatamente.
Aliás, o máximo já era cinco vezes quando ele conquistou a quinta, já era a primeira vez que um atleta conquistava cinco Voltas à França.
Por isso é que o Paulo fixou os cinco.
Pois, consecutivas, mas ainda ganhou mais duas.
Mesmo, sim.
Só que depois acabou sem nenhuma. Tiraram-lhe todas.
Impressionante.