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Está no ar o Três Toques da Rádio Observador, sempre com o Júlio Magalhães e também em direto no YouTube, Facebook e no site do Observador. Começo eu hoje. A nossa campeã de palpite.

Pois é.

Viva!

Viva! Olhem, tenho notícias fresquinhas.

Estamos a gravar esta data, 26 de junho.

26 de junho. E notícias fresquinhas do Campeonato Português, no Brasil. Aliás, o único campeonato português que está a decorrer. Está tudo de férias, mas no Brasileirão o campeonato não para e não faltam treinadores portugueses. Júlio, eu acompanhei estes dias com muita intensidade. Não faltam notícias fresquinhas e não faltam notícias quentinhas. Podes avançar.

É mesmo. A mais fresquinha é de ontem. O Palmeiras, do Abel Ferreira, jogou com o Botafogo, do Luís Castro. O Palmeiras está em segundo, o Luís Castro em primeiro. Ganhou o Luís Castro, 1 x 0. Ontem à noite. Ganhou o Botafogo.

Está feito.

É verdade. Não está feito. Mas o Botafogo, não sei se se lembram, na altura contamos aqui, os adeptos do Botafogo quiseram despedir o Luís Castro naqueles primeiros dois meses em que perdeu a Copa do Brasil, o campeonato estadual, invadiram o campo de treinos e quiseram despedir o Luís Castro. Já aqui mais recentemente, puseram-se em fila na net para lhe pedir desculpa. Lembram-se de termos contado isso, os adeptos?

Sim.

E agora segue imparável. O Botafogo está com 30 pontos, mais sete que o Grêmio, que agora é o segundo, e mais oito que o Palmeiras, que agora é terceiro. Isto é só jogos entre portugueses. Ontem o Pedro Caixinha, do Bragantino, ganhou ao Armando Evangelista, que agora está a treinar o Goiás. E o Pepa, que está a treinar o Cruzeiro, ganhou ao São Paulo. O Pepa também é português. Este Armando Evangelista, quando disseste há pouco que havia notícias quentinhas, tem a ver com ele.

Pois tem.

Semana passada, ele chegou na terça-feira ao Brasil para orientar o Goiás, contratado por Goiás. Na sexta, foi jogar ao Vasco da Gama, ao Rio de Janeiro, e ganharam 1 x 0. Os adeptos do Vasco da Gama ficaram tão zangados com os próprios jogadores do Vasco da Gama que invadiram o campo e os camarotes. Coitado, o Armando Evangelista e os jogadores tiveram que andar a fugir pelos camarotes e esconderem-se nos autocarros. Não era nada com eles, mas aquilo ia tudo à frente. Portanto, foi uma estreia a sério do Armando Evangelista, que estava a treinar sossegado o Arouca e de repente vai para o Goiás e logo na primeira jornada.

De facto, comparando com Arouca, que repete.

Exato. Estava ali num sítio tão tranquilo que é Arouca e vem para o Brasil e teve que até telefonar e entrar na rádio a dizer que estava tudo bem, que não havia problemas, porque aquilo foi mesmo duro. Mas tem sido assim o campeonato brasileiro, há clubes que estão a perder, há treinadores que já foram despedidos e há adeptos sistematicamente a invadirem as instalações de treinos, zangarem-se com os jogadores. Assim vai o campeonato português no Brasil, que tem grandes notícias, não vai parar. Agora temos que tratá-lo com muito carinho, porque se não houver campeonato brasileiro, não há Três Toques.

Dá-me más notícias.

Sim, dás-me más notícias.

O Paulo, vocês como sabem, anda muito ocupado com a CAN. E portanto passou-me a pasta da imprensa árabe.

É verdade.

Passou-me. Fizeste um curso intensivo esta semana.

Obrigado, Maria João. Foi uma caridade.

Podes sempre contar comigo para estas coisas.

Eu queria-te logo isso.

Ofereci-me logo. E acompanhei este fim de semana a imprensa árabe com muita atenção, porque embora o campeonato esteja parado, os bancos estão abertos e as contas movimentam-se como em nenhum outro lado do mundo. Tem sido impressionante. O Paulo diria mesmo que isto é uma boa moeda. É que os árabes estão imparáveis. Júlio, podes avançar com as últimas informações que eu te enviei.

Só nós, escoado, é que não vamos para a Arábia. O resto está tudo.

Ainda, tem calma contigo.

O resto está.

Há contactos a serem feitos. Exato, e o mercado de transferências ainda está aberto, não está?

Ainda está aberto.

Ainda mexe.

Já fomos ao Porto, Aveiro, Caldas da Rainha.

Às Caldas. E uma das preocupações do futebol europeu, sobretudo dos ingleses nesta altura, é que o mercado de transferências na Arábia Saudita só fecha dia 20 de setembro. Normalmente fecha a 31 de agosto, em todo lado. A 31 de agosto fica tudo fechado. Mas agora com o mercado árabe a 20 de setembro, quer dizer que há mais 20 dias em que os clubes ingleses, sobretudo esses, ou todos da Europa, mas os ingleses mais preocupados, não sabem o que fazer, porque os árabes têm 20 dias para alterar as equipes todas e contratar mais não sei quantos. Só para terem uma ideia, o Chelsea, em 24 horas, vendeu 160 milhões de euros aos árabes em transferir jogadores.

Perdão?

Cento e sessenta milhões. Os árabes pagaram ao Chelsea. É verdade que o Chelsea precisa de mais de 600 milhões, tal é a dívida que tem. Dívida temos nós, estes não têm nada, depois pagam, fica ali e vendem jogadores. Mas, em boa verdade, são 166 milhões de euros, mas fala-se em tantos jogadores. O Rúben Neves foi por 55 milhões de euros, português que os árabes pagaram ao Wolverhampton pelo jogador português. Já de 26 anos, já não é um jogador veterano. Agora já estamos a falar de jogadores mais novos. Mas estão muitos a ir para a Arábia. Há aqui uma lista enorme de jogadores que este fim de semana acordaram ir para a Arábia Saudita, porque eles estão a comprar, estão a pagar. Luís Castro, por exemplo, treinador do Botafogo, já não se sabe se vai ficar no Botafogo, tem uma proposta magnífica para ir para a Arábia e anda-se a falar de ir para a Arábia. O Paulo Fonseca, treinador português também. Enfim, vários treinadores com propostas para ir para a Arábia. Só nos falta nós, mas temos até 20 de setembro, o mercado está aberto.

Ainda há, daqui até lá.

Temos até 20 de setembro.

Completamente.

Completamente. Pode ser que eles não mexam em nada, que é melhor ficar assim para nós, pelo menos.

Pois, já percebemos que não sabem o que hão de fazer ao dinheiro.

Pois não.

Olhem, eu ando, aliás, a Maria João já o disse, entrecido com a África.

Pois. Já um para os outros, não é?

Antes mais, um dia destes acho que tínhamos que discutir esta questão da identidade de gênero. Campeonato Africano das Nações.

Eu disse o CAN.

O CAN. Mas os brasileiros dizem a Copa Africana das Nações. Mas eu acho que este problema devia ser resolvido de uma vez por todas.

Temos de lançar o debate.

Lançar o debate. Se isto é masculino, feminino. Enfim. Mas vamos deixar isso para outro dia. Eu gostava era de falar de um treinador português, mais um. Eu estive a ler a imprensa da Nigéria, de onde chegam notícias muito insólitas. Podemos avançar, mas temos de seguir este caso com atenção, não é?

Pois temos. É mesmo um caso insólito. O José Peseiro está a treinar a Nigéria e já a apurou para a CAN, que é em janeiro. A Nigéria está apurada, como o Rui Vitória já apurou o Egito, já falámos disso aqui na semana passada. Acontece que, agora não se sabe lá porquê, o presidente da Federação da Nigéria decidiu colocar nas mãos dos adeptos, na vontade dos adeptos, a continuidade ou não do Peseiro na seleção. E portanto, diz ele: "Temos o plano de fazer uma votação com os nigerianos para ouvir as suas perspetivas e opiniões. Portanto, vai caber ao público decidir se Peseiro deve ou não partir." Diz que a votação vai ser feita através de chamadas telefónicas, que vão ser pagas.

De valor acrescentado.

É uma espécie de referendo.

Vão ser pagas. É um referendo. Uma forma de aliviar a crise da federação, diz ele. E diz que o José Peseiro tem vários meses de salário em atraso, ainda por cima. Ele está lá desde maio de 2000, já está lá, apurou a seleção. É que correu bem, ainda por cima, está a fazer um belo trabalho, mas tem salários atrasados. Mas o líder disse que o futuro vai ser decidido por votação telefónica agora e, portanto, vai haver agora um referendo na Nigéria e os adeptos é que vão decidir se o Peseiro fica ou não.

É uma espécie de "o agora escolhe", não é?

Exato. É uma notícia insólita.

Jô, essas gaivotas e passarinhos é que te deixam muito em débia.

Não, é verdade. Sabes que eu estou na Nigéria, que vim.

As gaivotas estão um bocado esquisitas, não estão? Tens uma no ombro, não estás?

Samba africana.

E eu estou por aqui.

O Júlio tem uma gaivota no ombro, eu tenho um pardal no nariz.

Não vos tiro mais tempo.

Está bem. Para amanhã.

Não vos tiro mais tempo. Vou-vos deixar.

Está lá.

Para amanhã, sei lá. É que isto não está fácil.

Quem diz a verdade.

Se estouber durante a noite, isto dá muitas voltas.

Sim, ele no meio da selva sabe lá.

Está tudo de férias na África. Está tudo na praia. Os jogadores que andam aí por aí. Não há campeonatos, só o brasileiro, mas o brasileiro agora também está parado. Está parado até amanhã. Depois de amanhã já-

O que nos vale.

O que nos vale.

Vamos conseguir.

Vamos conseguir. Vou conseguir com dedicação.

Nós vamos investigar. Vais fazer agorismo aí na selva. Depois trazes cá amanhã a tua experiência.

Exato. Mas vocês é que têm que também investigar.

Como pode ser, é o teu pelouro. Nós também não queremos interferir na sintonia.

Vocês é que leem imprensa árabe, brasileira e não sei o quê.

Está bem, nós partilhamos histórias, se encontrarmos.

Ok, pronto. E os nossos ouvintes já agora podiam dar uma ajuda também.

Pois é. Jota Magalhães.

E sem valor acrescentado nas chamadas. Mandem e-mails, não precisam pagar nada.

Não precisam pagar nada.