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Oito e dois. A noite voltou a ser calma, tanto em Lisboa como no Porto. Os manifestantes pelo direito à habitação não montaram tendas. Para hoje está marcada uma nova vigília, desta vez em Marvila.

O movimento Acampada decidiu não montar tendas no Rossio. Apenas 11 jovens decidiram dormir na rua em sacos de cama. No Porto, a chuva fez os cerca de 100 manifestantes abandonarem a Praça Dom João I ainda antes das 10 da noite. A Beatriz Félix está em direto do Rossio, em Lisboa. Beatriz, esta madrugada houve essa espécie de pausa nos protestos, mas os manifestantes prometem voltar à rua mais logo à tarde.

Os manifestantes prometem voltar à rua, mas desta vez, noutro local. Isto porque ontem, em assembleia popular, os manifestantes aprovaram uma mudança. Vão participar numa vigília solidária que vai acontecer no bairro do Condado, em Chelas. Vão assistir a um despejo de uma mulher com dois filhos que vive neste bairro. Já ontem a deputada substituta do Bloco de Esquerda, Andreia Galvão, apelou para que estes manifestantes se mobilizassem. Foi então aprovada essa mobilização da Acampada. A vigília está marcada para às 18h. Há também uma nova assembleia popular, como acontece diariamente, às 19h. Por isso hoje o protesto acontece em Chelas, mas amanhã volta ao centro de Lisboa, depois da manifestação que está marcada para às 15h, tem ponto de partida na Rotunda do Marquês de Pombal, desce depois a Avenida da Liberdade até chegar novamente ao Rossio, esta praça onde me encontro a esta hora, onde restam os mesmos três manifestantes que estiveram aqui na última hora. Continuam por cá também os mesmos dois agentes, agora já com uma troca de turno. Pudemos também observar a vinda de um agente da Polícia Municipal para tentar avaliar a situação no local, que se mantém bastante calma, por isso, à exceção de tudo isto, os cartazes e grafites que cobrem a estátua de Dom Pedro, já parece um dia normal de trabalho.

O retrato da Beatriz Félix no Rossio, em Lisboa, com esta pausa nos protestos em Lisboa. Não houve tendas nem a intervenção visível da PSP, ainda assim, continua presente nas praças onde têm decorrido estas manifestações.

O presidente do IHRU está a ser alvo de críticas da esquerda à direita, depois de sugerir que os jovens não têm o mesmo espírito de sacrifício das gerações anteriores. Dentro do próprio governo há reações diferentes.

O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, demarca-se das palavras de Benjamim Pereira.

Eu acho que as declarações são absolutamente infelizes. Estou a medir as palavras, absolutamente infelizes.

E não obtiveram consequência.

Por várias razões. A primeira razão que coloco é que eu sou de uma geração, somos de uma geração, talvez, que gosta pouco quando me vêm dizer: "No meu tempo é que era". E portanto, à geração atual, estes jovens, muitos que se manifestam, outros que não se manifestam, que é uma minoria silenciosa, claro que se sacrificam, claro que têm um esforço enorme. Já pedi esclarecimentos e eu assumo publicamente, porque tenho essa tutela, assumo publicamente e politicamente, não me revejo e acho declarações infelizes.

Miguel Pinto Luz, ontem à noite, à TVI. A Secretária de Estado das Infraestruturas e Habitação também se afastou das palavras do presidente do IHRU. Já o líder da bancada parlamentar do PSD, Hugo Soares, desvaloriza qualquer tipo de polêmica em torno destas declarações.

Não vejo caso nas palavras do presidente do IHRU, porque eu entendi-as desta forma: os jovens não querem fazer, nem devem fazer este sacrifício e por isso é que eu concluí agora, e por isso é que ele diz que eles não devem emigrar, aliás, ele diz exatamente isso, porque não há memória de um governo que tenha feito tanto para que os jovens possam adquirir uma casa em Portugal como este governo.

Hugo Soares, em entrevista à SIC ontem à noite. Já o PS considera intolerável que um dirigente público fale em falta de espírito de sacrifício por parte dos jovens. O Bloco de Esquerda pediu a audição urgente do presidente do IHRU no Parlamento e exige já a demissão de Benjamim Pereira.

Em Israel e a cinco dias das eleições, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu esteve esta noite numa ação de campanha no mercado em Jerusalém.

Este comício esteve a ser acompanhado pelos enviados especiais do Observador em Israel, João Porfírio e Pedro Jorge Castro. O Pedro junta-se agora em direto de Jerusalém. Pedro, bom dia. O que saiu deste comício do primeiro-ministro e candidato israelita?

Bom dia, Carla. Saiu, confesso-te, alguma estupefação da minha parte, por conta daquilo que assisti, pelo impacto que têm as medidas de segurança numa ação de campanha de um primeiro-ministro aqui em Israel, nesta altura. Claro que esperamos que haja enormes restrições. As pessoas que entraram no mercado, estive no mercado antigo de Jerusalém, no centro da cidade. As pessoas que entraram tiveram que passar por detectores de metais e responder a perguntas sobre se levavam armas ou não, o que não é assim tão estranho, tendo em conta que há muitos civis armados em Jerusalém, a passear com armas à tiracolo. Mas depois, além disto, o comício estava previsto mais ou menos para às 20h, e Benjamin Netanyahu chegou à 00h07. Deixou as pessoas à espera mais de quatro horas. Repara que estamos a falar de um mercado onde as lojas, entretanto, foram fechando. Apesar de ser um mercado que é um bastião dele, onde tem muitos apoiantes, muita gente que o apoia e que promete votar nele. Ele já escolheu este mercado para outras ações de campanha, mas o objetivo da ação deveria ser, imagino eu, reunir o máximo número de pessoas. Ora, não é bem assim, porque as lojas, entretanto, foram fechando. Muitos dos seus apoiantes, sobretudo mais idosos, foram-se indo embora, porque não conseguiram esperar até tão tarde. Estamos a falar de uma ação de campanha para, talvez, umas 60 pessoas, estou a ser generoso. E no momento em que o primeiro-ministro entrou, eu não quero exagerar, eu sei que parece, mas não vai ser. Eu acho que estavam, se calhar, quase tantos seguranças como apoiantes, o que não deixa de ser algo inusitado. Um enorme corredor de segurança para permitir que o primeiro-ministro passasse e fizesse um pequeníssimo percurso de 20 metros até ao mini palco, que era ali numa das bancas do mercado. O dono dessa banca, perguntei se lhe tinham pedido autorização. Disseram: "Não pedem autorização ao governo", e portanto, disseram que ele vinha aqui falar. E ficou ali e falou de megafone, talvez uns cinco minutos, nem tanto. No discurso prometeu que será ele a transmitir segurança e prosperidade económica aos israelitas Foi este o essencial da sua intervenção. Numa altura em que não está em primeiro nas sondagens, está em segundo, atrás de Yesh Atid. Ele tem feito um apelo muito grande que as pessoas não dispersem votos pelos pequenos partidos, mas faltam quatro dias para as eleições. Muito provavelmente, ninguém conseguirá uma maioria suficiente para formar governo, mas vamos continuar aqui a acompanhar essa situação.

Pois vamos. Pedro Jorge Castro e João Porfírio são os enviados especiais d'O Observador a Israel para as eleições, que são já na próxima terça-feira.

São agora 08h09. Já a seguir, há momentos de glória, mas antes, Carla, que outras notícias marcam esta manhã?

Como as eleições no Brasil, Lula da Silva e Flávio Bolsonaro surgem empatados nas sondagens para a segunda volta das presidenciais. Um novo estudo Datafolha mostra que ambos têm cerca de 50% das intenções de voto. A segunda volta está marcada já para domingo. Por cá, o ministro das Finanças é ouvido esta manhã no Parlamento, dando assim início à apreciação do Orçamento do Estado para 2027. A proposta orçamental vai ser discutida e votada na generalidade na próxima terça e quarta-feira. Tem já a aprovação garantida depois do PS ter anunciado a abstenção.