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No Três Toques de hoje, que vão ser quatro, vamos começar por falar aqui de uma notícia triste, que envolve um acidente com um triatleta português, Tiago Rodrigues. Isso tem um pouco que ver com aquilo que estamos a falar. Não se fala de outra coisa a propósito dos comportamentos na estrada. Ele foi atropelado durante um treino em Espanha por uma condutora que, de acordo com as autoridades e com os testes realizados, terá indicado o consumo de cocaína. De facto, é um perigo na estrada para os ciclistas, que circulam e muitas vezes há muita falta de respeito por parte dos automobilistas em relação a ciclistas e, neste caso, a um atleta que estava a treinar. Ele já foi operado ontem, mas permanece nos cuidados intensivos no hospital em Zamora, para onde foi transferido. Fica aqui esta referência. Tiago Rodrigues, que é campeão de triatlo da sua faixa etária, tem 23 anos, ganhou o campeonato nacional para o grupo etário entre os 20 e os 24 anos. Ficam aqui também os votos de uma rápida recuperação para o triatleta português. E hoje começa a Volta a Portugal, em bicicleta. Eu era muito aficionado da Volta a Portugal, acompanhava sempre desde miúdo. Tinha aí 11 anos, ouvia os relatos na Rádio Renascença, sobretudo, da Volta a Portugal, mas com o tempo eu acho que fui perdendo uma certa ligação. A mística da Volta a Portugal, até porque muitos dos melhores ciclistas portugueses não competem em Portugal, nem vão competir na Volta a Portugal, o que cria também aqui um certo distanciamento. Ainda que quando vemos imagens da Volta, em certos trajetos, continuamos a ver muita gente, muitos populares a assistir à passagem do pelotão. E este ano não será diferente. Por exemplo, com a mítica subida à Senhora da Graça. Este ano vai ter uma novidade, porque também este ano é pela primeira vez organizada por uma empresa espanhola, a AM Sport, que vem substituir a Podium, que foi uma empresa portuguesa que organizava a Volta e que foi declarada insolvente e introduz aqui mais do que uma novidade. Esta Volta é verdadeiramente uma Volta a Portugal, porque passa praticamente por todo o território continental, ao contrário de outras edições da Volta em que se esqueciam de algumas regiões. Aqui há uma passagem quase por todo o território e também simbolicamente vai começar hoje em Lisboa e vai terminar no Porto. E outra das novidades é uma dupla subida à Senhora da Graça, portanto, na mesma etapa vão subir duas vezes à Senhora da Graça. Será aqui só uma custa.
Força nas canetas. É gente que adora cardio.
É muito cardio e muita prota.
Até subir de carro me cansa aquilo.
Olha, eu estive lá em 2017 a acompanhar.
Cansa e custa.
De táxi eu subia até 1 km da meta, a subida foi de táxi. De táxi também custa. Aquele último quilómetro a pé-
O motor vai ali a puxar, não é?
Vai a puxar muito e uma pessoa sente o cansaço do carro.
Segunda, segunda.
Terceira eu acho que já não sobe. Eu acho que há ali alturas em que tem que ser mesmo a segunda. E na altura até escrevi um artigo aqui para "O Observador", também a falar com muitas das pessoas que estavam lá a acompanhar. Eu acho que foi a última vez que se organizou essa etapa durante a semana e havia muitas críticas por parte do público em relação a esse facto, porque havia a tradição de ser ao fim de semana, o que leva muito mais-
Romaria.
Romaria. Mesmo assim, havia muita gente que tinha ido lá propositadamente e que já estava lá a acampar há alguns dias à espera dessa etapa, que é de facto talvez a etapa mais mítica da Volta a Portugal e apesar de todas as diferenças dos últimos anos, continua a haver em certas etapas uma grande participação popular. E assim será neste ano em que haverá a participação de 119 ciclistas. Está longe do máximo de 2000, quando houve 179 corredores a participar nesta edição. Mas lá está, faltam aqui aqueles nomes, mesmo nos anos 90, com Joaquim Gomes e mais tarde, nos anos 90, 2000, como Vítor Gamito, que eram verdadeiros ídolos populares e basta imaginar o que seria hoje ter um João Almeida na Volta a Portugal e imaginar como seria a reação.
E por que eles não competem?
Porque estão em equipas que-
Não investem nesta prova
Porque a Volta a Portugal nunca conseguiu passar para o primeiro plano das principais voltas e faz com que as principais equipas do pelotão internacional, quando participam, enviam as equipas B. Não enviam os melhores ciclistas. João Almeida, que agora está a participar na Volta a Polónia e que também se está a preparar para participar na Volta a Espanha. Portanto, essas são as prioridades das grandes equipas, mas mesmo assim eu acho que continua a haver algum interesse e certamente iremos acompanhar aqui algumas das novidades acerca da Volta a Portugal.
Algumas incidências.
Algumas das incidências da Volta a Portugal que se inicia hoje em Lisboa. Vamos aqui falar de um treinador de um clube peruano, que é um treinador com uma particularidade. Nós costumamos sempre dizer que os treinadores estão dependentes dos resultados. Ora, este não está. Ele é treinador. Aliás, não é do futebol peruano, desculpem. É do terceiro escalão do futebol uruguaio. José Luis de la Quintana Deixa-me ver aqui. Estava a ver de onde é que vinha o peruano. É que o clube chama-se Alto Peru. É do Uruguai, mas chama-se Alto Peru. José Luis de la Quintana é treinador há 30 anos deste clube e desde 2019 que não ganha um jogo para o campeonato. Mesmo assim, mantém-se como treinador.
Uma grande estabilidade da equipa.
Uma grande estabilidade. Acontece que ele também é presidente do clube. Está explicado. Está explicado porque é que ele não recorre à chicotada psicológica. Eu acho que é uma boa sugestão para os treinadores que não querem ser despedidos, candidatem-se também a presidente e assim não se despedem.
Essas reuniões entre o treinador e o dono do clube devem ser interessantes.
Às vezes devem ser complicadas. Podem ser tensas. Claro, o presidente tem uma visão e o treinador tem outra. Podem ser a mesma pessoa e ter visões diferentes também.
Acontece tanta gente.
É muito mais frequente do que aquilo que se pensa. Por último, um último toque e aqui para chamar a atenção, vamos fazer o papel de cobrador do frac, porque o senhor Gianni Infantino- Não sei porque tu vens assim vestido. Já tinhas-te explicado. Nós estamos a olhar para ti de lado desde que chegaste. Hoje sou um autêntico cobrador do frac e venho notificar o senhor Gianni- As calças estão-te curtas, usavas isso quando eras mais novo. O senhor Gianni Infantino, Maria João Simões, ouve. E assim verde também não fica assim tão bem. Isto é muito importante, porque o senhor Gianni Infantino prometeu às cidades norte-americanas onde se realizaram os jogos do mundial, um milhão de dólares para cada uma das cidades, para compensar os custos com a organização. O que é que acontece? Até ao momento, o senhor Gianni Infantino não pagou.
Calma, ele está a fazer contas.
Claro. É um grande caloteiro este Gianni Infantino, é preciso dizê-lo aqui.
Mas havia prazo de pagamento ou não? Podia ser a 90 dias, por exemplo. "Paguemos a 90 dias."
As cidades estão a queixar-se. Eu acho que ainda não lhe vieram trazer, por isso é que ele ainda não pagou. Pode ser pagamento a 90 dias, não se sabe.
São uns ingratos. Tiveram a honra de ter lá o Infantino, ainda por cima estão a protestar.
E o Infantino que se deslocava de um jogo para o outro rapidamente. E não tinha as suas aviões particulares. Ora aí está. Portanto, esperem mais um bocadinho, que ele há de pagar. Se continuar lá, eu vou lá notificá-lo.