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Continuamos na saga dos 16 avos de final. São muitos jogos, não dá para ver tudo.
Então deixa de olheiras.
Ontem ainda fiquei a ver até o fim o Bélgica contra Senegal, já não vi os Estados Unidos contra a Bósnia. Há limites.
Que foi um jogo de loucos.
O Bélgica Senegal. Foi mesmo. Já ninguém estava à espera que a Bélgica desse a volta ao resultado, mas conseguiu dar. A Inglaterra também sofreu para eliminar o Congo, que muitas dificuldades causou à seleção portuguesa no primeiro jogo de Portugal neste mundial. Ontem também deu água pela barba aos ingleses, mas apareceu Harry Kane a marcar dois gols. Mais uma vez volta a discussão na Inglaterra para saber se a equipe está muito ou demasiado dependente do avançado do Bayern de Munique. Mas quando eles resolvem, não há problema da dependência.
Ainda bem que não há mais equipes com essa discussão.
Não. São só algumas.
Claro.
Mas a verdade é que os goleadores têm aparecido, as grandes figuras das respectivas equipes têm aparecido nos momentos importantes e ontem foi a vez da Inglaterra, que conseguiu esse apuramento para os oitavos de final, onde vai enfrentar o México, um dos anfitriões. O México que vai jogar no Estádio Azteca, que é uma espécie de talismã para a seleção mexicana. Vai ser um jogo muito interessante de seguir. O México tem estado muito bem e a Inglaterra, eu acho que também consegue subir o nível em relação ao jogo de ontem contra o Congo. Mas o jogo mais emocionante do dia foi mesmo o Senegal-Bélgica. Senegal aos 85 minutos estava a ganhar por 2 x 0, parecia já estar acabado. E houve um momento, ali em meio da segunda parte, em que toda a gente dizia: "Isto é o colapso indireto da seleção belga." Youri Tielemans e Trossard entraram numa discussão, os dois companheiros de equipe da Bélgica, por causa de um passe que um fez e o outro achava que devia ter sido feito de outra maneira. Começaram a discutir, mesmo antes da pausa para hidratação e arrefecimento dos ânimos. Mas depois, o curioso é que o segundo gol da Bélgica, que dá o empate já no final do jogo, resulta de um passe de Trossard para Tielemans. Portanto, eles acabaram por se entender naquilo que interessa, que é jogar, mas discutiram, os companheiros intervieram para serenar, para os separar e não passarem a vias de fato. A verdade é que a Bélgica conseguiu o empate no tempo regulamentar e quando já toda a gente, ou pelo menos os neutrais, estavam à espera dos pênaltis, o que acontece? Um pênalti a favor da Bélgica, aqueles pênaltis de VAR. O árbitro foi confirmar se era mesmo pênalti. Na minha opinião, eu que não sou jurista, não sou especialista em arbitragem, acho que foi uma decisão correta, mas eu estava a ver com os meus filhos e a minha mulher e estávamos todos a torcer pelos pênaltis, queríamos todos ver pênaltis.
A sério?
Claro.
Isso é um bocado sádico. Os pênaltis são de um extremo desespero.
É sádico quando estás envolvido emocionalmente. Quando não estás, queres ver pênalti.
Por acaso, não sei.
Não? Não gostas de ver pênalti?
Não, acho que aquilo é muito complicado em termos emocionais para os jogadores.
Pois é, por isso é que é interessante.
Para o guarda-redes. Acho que é cruel.
É interessante para quem vê.
E a parte do mérito. Obviamente, há algum mérito saber ou não marcar, mas depois há uma parte de sorte também. Saber defender. Há uma parte de sorte e de acaso.
Eu acho que não é só.
Me irrita um bocado.
Eu acho sempre que o mérito maior é do guarda-redes. Pensar que antes dos pênaltis era por moeda ao ar é muito pior.
Não, está bem.
Aqui há mérito. Claro que há também uma dose de sorte.
O guarda-redes decide, se calhar previamente, para que lado é que se vai atirar.
Muitas vezes em função também daquilo que sabe dos jogadores que marcam.
Isso é um acaso logo.
Há também algum conhecimento, alguma preparação, algum trabalho.
Isso é certo, de pesquisa.
Conhecer o avançado, conhecer como é que remata nessas situações.
E também de ler e interpretar mais ou menos para onde é que ele poderá rematar.
Mas é muito aleatório.
É cruel para os jogadores que falham.
Isso é cruel. Há equipes que dominam claramente durante o jogo todo.
Não conseguem marcar.
Não conseguem marcar e chegam ali e perdem.
Também podiam estar ali a jogar até caírem para o lado.
Houve um jogador que teve aquele dia azarado e tirou a bola para fora.
Acontece. Neste caso, acontece mesmo aos melhores. Não é por ser um grande jogador.
Até o Messi falhou um pênalti já nesta Copa.
Todos falham pênaltis. Se nós olharmos para a história do futebol, vemos o Maradona falhar pênaltis, vemos o Messi, Cristiano Ronaldo, em momentos muito importantes.
Só não acontece aqui no "Anda Lá".
É verdade, isso também é uma grande verdade.
O Falcão tem um pouquinho de trauma com isso. Ele falhou muitos.
Muito. Até nos momentos decisivos.
Agora não falhas um. Depois os Estados Unidos, o terceiro anfitrião a conseguir a passagem aos oitavos de final. Portanto, todos os anfitriões passaram aos oitavos de final. Os Estados Unidos que estavam a ganhar por 1 x 0 à Bósnia-Herzegovina. Depois tiveram um jogador expulso, o autor do gol e o melhor marcador da equipe, o Balogun, que foi expulso num daqueles lances polêmicos. Por exemplo, o Messi, num lance muito parecido no primeiro jogo do Campeonato do Mundo da Argentina, não foi expulso. O jogador norte-americano foi expulso, o que significa que não vai estar, pelo menos no próximo jogo, mas todos os anfitriões, os três, passaram aos oitavos de final. Vamos ver os Estados Unidos na próxima eliminatória. Vão jogar contra a Bélgica, vamos ver como é que as coisas vão correr. E hoje, claro, vai ser o dia de Portugal. Hoje. Está tudo preparado. Esta noite.
É à meia-noite.
É à meia-noite de Portugal. Vamos ver.
O primeiro-ministro vai lá estar.
Ainda bem, senão o jogo se calhar nem se realizava.
Eu sabia que ia lançar esta bola, Paulo.
Às pressas.
Espero que ele faça depois uma boa análise no final.
Uma flash interview.
Uma flash interview juntamente com Roberto Martinez. Vítor Pereira está de saída do Nottingham Forest, o treinador português que salvou a equipe inglesa da descida de divisão. E tudo indicaria que continuaria no Nottingham Forest. Foi despedido a dois minutos do fim do prazo para a renovação do contrato. O Nottingham Forest, que é propriedade de um senhor grego, o Marinakis, normalmente tem esse tipo de atitudes com os treinadores. Já houve vários treinadores portugueses.
Ficarem ali naquela espera.
Mas não havia sinais?
À partida, não, porque as coisas acabaram por correr muito bem. O Nottingham Forest estava numa posição muito delicada. Vítor Pereira entrou, conseguiu salvar o clube da descida de divisão, fez uma boa campanha.
E, portanto, a expectativa dele seria continuar, talvez.
É a expectativa de todos. Dizem que isto poderia ter a ver com o facto de depois já não dar margem a que outro clube contratasse o Vítor Pereira. Mas se não queria, porque agora os clubes já têm treinadores.
Claro, no fundo é fazer isso, mas provocando algum dano ainda.
Provocando algum dano, neste caso, ao treinador, porque se tivesse decidido há mais tempo.
Sim, ele estava no mercado, ainda conseguia.
E agora vai ser mais difícil, mas isto é o senhor Marinakis. Os senhor Marinakis complicam muito isto. Para acabarmos, vamos só ao Wimbledon, muito rapidamente, para falar de Nuno Borges, que ontem jogou contra o número um do mundo em Wimbledon, Jannik Sinner. Perdeu em três sets. Os primeiros muito equilibrados.
Foram dois tie breaks.
Os dois primeiros sets foram a desempate, a tie break, depois perdeu o terceiro set também, mas foi um jogo equilibrado. Hoje Jaime Faria joga também na segunda ronda contra o belga Zizo Bergs. Boa sorte para Jaime Faria. Ontem também Novak Djokovic, com os seus já 39, 40, já não sei quantos anos ele tem, jogou muito bem contra uma grande desilusão, Stefanos Tsitsipas, que já foi número três do mundo.
Muito bem. Está embaixo. Baixo de forma.
Muito embaixo. É um grego que está muito embaixo, ao contrário do Marinakis.