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Este é o som do Três Toques que, além da rádio, pode acompanhar no YouTube, Facebook ou através do site do Observador. E a pergunta do dia é sobre o tenista espanhol Rafael Nadal.

Vamos ver se eu sei esta.

Gostas de tênis?

Gosto bastante.

Em que ano conquistou Nadal pela primeira vez o torneio de Roland-Garros? Resposta no final.

Roland-Garros, antes de mais, o Bruno já disse que é com S. Soou S.

Ao contrário do que seria de esperar.

Eu sempre disse Garros.

Isto já foi há uns aninhos, que o Nadal já é um tenista. Aliás, ele foi derrotado agora na primeira eliminatória deste ano, há dois dias.

Há dois dias. A resposta lá disse, já a seguir.

Vamos? Ok. Não sei em que ano, mas eu diria que 2009.

O Bruno ficou contente. Eu digo Toni.

Toni?

Toni, claro.

Também era a minha segunda hipótese.

Era, eu sei. Tu não foste para ele.

Ou 2009 ou Toni.

É isso. É com esta lenda do tênis que começamos o Três Toques de hoje. Já sabia que Rafael Nadal não estava na melhor forma, mas espera-se sempre que ele consiga transcender no seu torneio favorito. Mas não foi o que aconteceu, como já disse o Paulo.

Não aconteceu. Ele tem tido problemas com lesões nos últimos tempos, tem tido alguma dificuldade em recuperar a forma e desta vez foi mesmo eliminado na primeira ronda de Roland-Garros. Claro que isso aconteceu porque, devido ao lugar que ocupa no ranking, teve de enfrentar logo um adversário muito forte na primeira ronda, Alexander Zverev. Os dois tinham se enfrentado há dois anos. Zverev sofreu uma lesão muito grave nesse jogo em Roland-Garros, já não sei se foi nos quartos de final ou nas meias-finais. Creio que foi nas meias-finais.

Eu penso que foi nas meias-finais.

Foi nas meias-finais e era um jogo muito difícil para Rafael Nadal, mas com a lesão de Zverev, Nadal acabou por ganhar. Desta vez perdeu e perdeu em três sets, por 6x3, 7x5 e 6x3. E pode bem ter sido o adeus de Rafael Nadal à terra batida do torneio que venceu mais vezes, o torneio do Grande Slam, que ele venceu mais vezes, 14 vezes.

Se venceu 14, foi antes de 2009, claramente. Senão tinha que ter os vencido quase todos.

Quase todos. Exatamente. E apesar de vencer muitas vezes, não venceu todas. Mas nenhum tenista tem tantas vitórias num dos quatro principais torneios do calendário ATP. É um recorde talvez dos mais difíceis de bater no tênis, porque mesmo Djokovic tem muitos na Austrália. Federer ainda é o recordista em Wimbledon, mas 14 é muito difícil.

Vou brincar, é uma carreira muito longa.

Muito longa.

São tantos anos.

Sempre no topo e é muito difícil. Bem, de qualquer das formas, ficam as boas memórias de Nadal, mesmo que ele não volte a ganhar este torneio. E daqui a nada já vamos descobrir.

Quando é que foi.

Passamos do tênis para as bicicletas. Dois desportos que eu gosto muito, devo dizer.

Quais? Tênis ou bicicletas?

Tênis e ciclismo.

Pois, quem está aí para as curvas, contracurvas e subidas é o esloveno Pogačar, porque no domingo venceu o Giro d'Italia e agora tem a Tour de France.

O Tour de France, Le Figaro.

Roland-Garros.

Roland-Garros.

Estou a estar muito francófono.

Ele é um dos melhores ciclistas da atualidade, este esloveno, que já venceu o Tour por duas vezes e que este ano era mesmo o grande favorito à vitória final na Volta à Itália. Não defraudou as expectativas, ganhou a prova com quase 10 minutos de avanço sobre o segundo classificado.

10 minutos? É uma grande diferença.

É uma diferença enorme. Portanto, aquilo foi quase um passeio, foi fazer cicloturismo, mais ou menos. Agora já está a apontar baterias ao Tour, mas aí não terá uma vida tão fácil, embora a muito provável ausência do dinamarquês Jonas Vingegaard, que ganhou as duas últimas edições da prova e sofreu uma queda em abril que provavelmente o deixará fora do Tour, aumente o favoritismo de Pogačar. Mesmo assim, terá de superar o seu compatriota, Primoz Roglic. O que é que se passa com os eslovenos, que agora dominam?

É verdade.

A Eslovénia deve ter um segredo qualquer.

Roglic.

E também do belga Remco Evenepoel. Eu já tirei férias em julho para acompanhar o Tour, faço todos os anos.

A sério?

Para acompanhar pela televisão.

A transmissão televisiva é linda, mesmo para quem não gosta, não pratica o ciclismo.

Sim, por causa das paisagens.

E tem um impacto no turismo em França, porque eles aproveitam sempre para mostrar os locais históricos.

Dão cartão de visita.

Claro, e é fantástico.

Portanto, ficamos a saber que vais de férias em julho. Isto tem muitos anos.

É.

Carlos Paião. Isto é inconfundível.

Da nossa geração.

Da nossa criação.

Já eras velhinho, Paulo.

Os sintetizadores dos anos 80, meu Deus.

É a tua deixa, Paulo.

É a minha deixa?

E com muita sabedoria.

Com filosofia. Vou continuar com o zero a zero. Costuma dizer-se que o ataque vende bilhetes, mas a defesa ganha campeonatos. Isto é das grandes máximas mais famosas do desporto.

Agora fiquei comovido.

Eu posso repetir: o ataque vende bilhetes, a defesa ganha campeonatos.

Ora, ora.

Isto é muito bom, de facto. Isto aplica-se quase na perfeição ao clube português, Bruno, que conseguiu o melhor registo defensivo de todas as principais ligas.

Qual foi, Paulo?

Não tenhas pressa, Maria João, aprende a esperar. É uma virtude.

Não vendeu muitos bilhetes este clube, mas teve de facto uma defesa incrível. Falamos do Santa Clara, que foi campeão.

Santa Clara, Maria João.

Santa Clara. De onde é o Santa Clara, Paulo Ferreira?

Eu acho que é de uma das ilhas do arquipélago dos Açores.

Está bom, não estragues.

É dos Açores? Ok.

Foi o campeão da Segunda Liga, regressa assim à Primeira Liga. Os adeptos já ficariam contentes com esta proeza, mas o Santa Clara foi ainda mais longe. Com apenas 19 gols sofridos, foi a melhor defesa dos 14 principais campeonatos da Europa, ou seja, as primeiras e segundas ligas dos sete melhores países do ranking da UEFA. Curiosamente, o Santa Clara foi apenas o quarto ataque mais concretizador da Segunda Liga e também o quarto clube com a melhor média de espectadores, o que prova esta teoria: o ataque vende bilhetes, as defesas ganham campeonatos.

Vamos à pergunta, Maria?

Muito bem, vamos lá.

Aprendam com o Paulo Ferreira. Exato. Em que ano ganhou Rafael Nadal o torneio de Roland-Garros pela primeira vez? Queres reconsiderar, Paulo? Disseste 2009?

É anterior, seguramente.

Não foi em 2009, é anterior. Foi em 2005, que Rafael Nadal ganhou pela primeira vez.

Quase, Paulo. Estás cada vez mais próximo.

Estou quase.

E ganhou, na altura, ao argentino Mariano Puerta, na sua primeira final. E depois dessa, foram mais 13 conquistas e como eu disse, isto vai ser muito difícil de ultrapassar.

E é o piso mais bonito: terra.

Gostas?

Adoro.

Eu gosto mais do Wimbledon.

Bruno Vieira Amaral e o "Três Toques" da Rádio Observador.