Como transformar uma boa ideia ou uma experiência local numa solução capaz de melhorar, em escala, a vida das pessoas com doença renal crónica?
Muitas vezes, o primeiro passo é criar condições para que quem está no terreno possa desenvolver, testar e demonstrar o valor das suas ideias. É esse o propósito do Kidney Care Award – Trazer Valor à Doença Renal Crónica (DRC), criado pela Boehringer Ingelheim para reconhecer e apoiar ideias, boas práticas e projetos com potencial de impacto positivo para as instituições de saúde e para as pessoas que vivem com DRC no nosso país.
As candidaturas estão abertas a equipas multidisciplinares com ideias ou projetos na área da DRC. As propostas podem ser submetidas online até 16 de novembro. As dez candidaturas com maior potencial de impacto e replicabilidade beneficiarão de quatro meses de mentoria dada pela Lean Health Portugal, na plataforma House of Lean. A metodologia Lean ajuda as equipas a analisar os seus processos, identificar desperdícios e causas-raiz e testar, de forma estruturada, pequenas melhorias que gerem resultados concretos, mensuráveis e sustentáveis para os doentes e para os serviços.
Finalmente, a 28 de abril de 2027, num evento nacional, as equipas apresentarão os projetos desenvolvidos e os resultados alcançados, sendo distinguidas as três melhores iniciativas. Mais informações disponíveis na página oficial do Kidney Care Award.
Quem pode concorrer?
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Podem candidatar-se ao Kidney Care Award equipas que trabalhem na área da DRC em Portugal Continental e ilhas, que apresentem uma ideia ou projeto na área da DRC.
A candidatura deve ser apresentada por uma equipa multidisciplinar (este é um fator de valorização), constituída por quatro a seis elementos, podendo integrar profissionais de diferentes níveis de cuidados, bem como de diferentes áreas, especialidades ou categorias profissionais.
Valorizar quem está no terreno
Em Portugal, estima-se que cerca de 10% da população viva com doença renal crónica, uma doença caracterizada pela perda progressiva e irreversível da função renal, que pode evoluir durante muito tempo sem sinais evidentes. A dimensão deste impacto e o reconhecimento do trabalho que já é desenvolvido nos cuidados de saúde estiveram na origem do Kidney Care Award – Trazer Valor à DRC, explica Vanessa Jacinto, Head of Market Access and Public Affairs da Boehringer Ingelheim.
“Queremos identificar ideias e boas práticas com potencial para melhorar a resposta à DRC e dar-lhes as condições necessárias para evoluírem e gerarem impacto real. Mas pretendemos também tornar visível o trabalho que já está a ser feito. Mais do que premiar projetos, queremos valorizar quem está no terreno e contribuir para cuidados mais eficientes e centrados na pessoa”, afirma.
Calendário do Kidney Care Award
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Candidaturas: até 16/11/2026
Comunicação às 10 equipas selecionadas: Entre 01/12/2026 e 06/12/2026
Mentoria: Entre 07/12/2026 e 07/04/2027
Submissão do projeto final ao Júri: 14/04/2027
Evento final e seleção dos vencedores: 28/04/2027
Acompanhamento das 3 equipas vencedoras: Entre 28/04/2027 e 28/07/2027
Das necessidades às melhorias concretas
O objetivo é claro: transformar necessidades identificadas na gestão da DRC em melhorias concretas e mensuráveis. “Durante a mentoria, cada equipa será apoiada na definição do problema e de uma linha de base, na escolha de indicadores, no teste de intervenções e na avaliação dos resultados”, explica Vanessa Jacinto. “Reduzir o tempo até ao diagnóstico, simplificar o acesso, aumentar a adesão ao acompanhamento ou melhorar o controlo da doença pode fazer uma diferença muito significativa na vida de cada pessoa.”
As áreas de intervenção refletem alguns dos principais desafios da DRC em Portugal. Entre eles estão a identificação precoce de uma doença frequentemente silenciosa, uma melhor articulação entre cuidados de saúde primários e hospitalares, percursos mais simples, acompanhamento continuado e o reforço da literacia e do autocuidado. Somam-se ainda as desigualdades no acesso e as limitações de tempo e recursos que pressionam os serviços.
O valor de uma solução, porém, não depende da sua complexidade. “Uma intervenção simples pode ter um efeito muito relevante se for inclusiva, sustentável, adequada à realidade local e capaz de demonstrar resultados”, sublinha.
Modalidades a concurso
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O prémio integra duas modalidades de candidatura, de acordo com o grau de desenvolvimento:
Modalidade A – Novas ideias ou projetos que ainda não estão implementados na altura da candidatura. Por exemplo, propostas que apresentem uma resposta estruturada e pertinente a uma necessidade concreta das pessoas com DRC, cuidadores, profissionais de saúde, serviços ou instituições, com potencial para gerar melhoria, aprendizagem ou impacto mensurável.
Modalidade B – Projetos em curso ou boas práticas já existentes ou em fase de implementação na área da DRC. O objetivo é apoiar o reforço dos resultados, a maturação, sustentabilidade e eventual replicação.
Multidisciplinaridade e inovação
Um dos requisitos que as equipas concorrentes devem apresentar é serem constituídas por quatro a seis elementos, sendo que a multidisciplinaridade é assumidamente valorizada no regulamento. Ou seja, cada candidatura pode integrar médicos de diferentes especialidades, enfermeiros, farmacêuticos, outros profissionais de saúde e elementos das áreas da qualidade ou da gestão de operações. Para Vanessa Jacinto, “esta diversidade permite olhar para o mesmo desafio a partir de diferentes perspetivas e desenhar respostas mais completas. O essencial é que a equipa conheça bem a realidade em que pretende intervir, partilhe um propósito comum e tenha disponibilidade para desenvolver o projeto em conjunto”.
Quanto à avaliação das candidaturas e, posteriormente, das iniciativas acompanhadas em mentoria, será levada a cabo por um Júri independente composto por sete elementos, com representação das principais sociedades científicas nacionais da área da DRC.
Oferecer mentoria para mais consistência
Um dos elementos diferenciadores do prémio é a mentoria e o acompanhamento proporcionados às equipas selecionadas. “Uma boa ideia nem sempre precisa apenas de financiamento; precisa também de método, tempo dedicado e orientação para ganhar consistência”, explica Vanessa Jacinto.
As dez equipas selecionadas terão quatro meses de acompanhamento para analisar processos, testar soluções e avaliar o seu efeito. As três iniciativas distinguidas beneficiarão ainda de mais três meses de apoio, com o objetivo de deixar capacidade instalada nas equipas e criar condições para que os projetos se mantenham para além do prémio.
Para Vanessa Jacinto, o sucesso traduz-se na capacidade de gerar mudança para além do contexto inicial. “Se pelo menos uma solução demonstrar resultados e vier a ser adotada noutros contextos, teremos um sinal muito concreto de sucesso: uma resposta a um problema local capaz de beneficiar mais pessoas com DRC. Será também a prova de que reconhecer as equipas, criar espaço para aprender e facilitar a partilha de conhecimento pode contribuir para uma mudança duradoura no sistema de saúde.”
Se tem uma ideia ou um projeto com potencial para melhorar a forma como a DRC é gerida no SNS, consulte a página do Kidney Care Award e apresente a sua candidatura. Pode também conhecer melhor a iniciativa na entrevista de Vanessa Jacinto, Head of Market Access and Public Affairs da Boehringer Ingelheim, à Rádio Observador.
Transformar os cuidados na doença renal crónica começa com quem conhece os desafios e acredita que é possível fazer diferente. Candidate-se.