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Este podcast tem o apoio de Banco Credibom. Trocos no Bolso chocalham pela última vez nesta que tem sido uma belíssima parceria entre o Observador e o Banco Credibom. Eu sou Vicente Figueira, trato melhor o dinheiro do que tratava quando isto começou. Ainda não sou um expert, ainda não cheguei às folhas de Excel, mas certo é que menos gastador estou de certeza. Hoje temos o prazer de receber Hugo Bizarro, maquilhador profissional, professor de dança, coisas que faz muito bem a par com a gestão do próprio dinheiro, que começou desde cedo. Hugo, bem-vindo.

Olá. Estou muito grato.

Não, nós é que agradecemos.

E estou superdisponível para partilhar convosco tudo o que vocês quiserem saber.

E queremos saber muita coisa. Começamos já, Hugo. Começaste novo a ter de fazer contas à vida. Acabaste o 12º ano, foste trabalhar como maquilhador e passado algum tempo juntaste o suficiente para tirar o curso de maquilhador profissional. Queres nos contar como é que foi este processo, começar a trabalhar e conseguir poupar dinheiro para investir na própria formação?

Exatamente. Isso tem uma história muito engraçada. No nono ano, eu reprovei. Exato, reprovei, é verdade.

Às vezes acontece, mas às vezes faz bem.

Acontece, sem dúvida. E conheci uma das minhas melhores amigas, que ela é bailarina, e então ela achava que eu tinha jeito para aquilo, e ela de certa forma obrigou-me a entrar na dança. E aí claro que era os meus pais ainda que me pagavam. E foi através da dança que eu comecei a descobrir a maquilhagem. Isto aqui é tudo um ciclo. Entrei na dança, a partir daí comecei a fazer alguns trabalhos de dança, também que me ajudou a juntar algum dinheiro, sem dúvida alguma, e ajudar também os meus pais. E a partir daí, por causa dos espetáculos e desses trabalhos, eu comecei a automaquilhar-me e ajudar as pessoas a maquilhar e tudo mais. As minhas irmãs, entretanto, ofereceram-me um minicurso de maquilhagem e eu precisava de arranjar um trabalho fixo, consegui um trabalho fixo, também numa marca de maquilhagem, e aí é que eu consegui juntar um maior valor de dinheiro e pagar o meu próprio curso e formar-me profissionalmente na área.

Partindo daí, tornas-te depois uma espécie de exemplar máximo daquilo que é uma vida millennial, fazes tudo um pouco, dás aulas de dança, és maquilhador e neste âmbito fazes os trabalhos como freelancer, se não estou em erro. Saber gerir o dinheiro e tempo quando se trabalha nestes moldes é difícil. Eu pergunto isto porque a minha profissão não me obriga a fazer a mesma gestão dos projetos nem dos orçamentos, porque eu trabalho numa organização e tenho isso feito por uma estrutura. Sentes que se não tivesses começado a gerir o teu orçamento desde cedo, terias mais dificuldades em trabalhar, por exemplo, neste regime de freelancer?

Sinto que sim, porque o trabalho freelancer é um bocadinho instável. Tanto podemos ter dois numa semana, como podemos ter os dias todos na semana, ou seja, é um bocado instável. Então aqui a minha prioridade foi conseguir ter algo fixo na minha área, algo que me desse uma estabilidade económica todos os meses, mas que de certa forma também me desse a oportunidade para conseguir arrancar e trabalhar a minha vida como freelancer. Então eu consegui gerir as duas situações. E no meio disso, consegui também pôr as aulas de dança, que é superinteressante, além de dar aulas, acabar a pessoa num retiro.

E no que diz respeito à gestão do orçamento, sendo freelancer, torna-se muito mais difícil. Às vezes o orçamento está perto de esgotar antes do próximo trabalho. Acontece?

Exato, acontece. Depende das empresas, podem demorar mais tempo a pagar, podem demorar menos tempo a pagar. Por isso, viver como freelancer tem que ser alguém que já esteja nisso há muitos anos e que já tenha um bom nome e consiga ter uma estabilidade nessa área supertranquila, que eu espero um dia chegar lá, estou a fazer por isso e cada vez está a correr melhor, sem dúvida alguma.

Ainda bem, Hugo. Porque nós vamos já aqui percebendo que para ti poupar é importante, assim pagaste o teu curso de maquilhador profissional. E há ainda uma coisa que me contaram que é muito curiosa. Tu juntaste dinheiro, a parte de todas estas coisas, e compraste um carro para viajar pela Europa e também pela África. Era dinheiro que tinhas poupado de propósito para o carro ou tinhas poupado por poupar e acabaste por dar-lhe esse uso? Onde eu quero chegar é se é mais fácil poupar se houver um objetivo, um foco.

Exatamente. É mais fácil poupar se houver um objetivo ou um foco, mas, por exemplo, na questão do carro, eu tive a sorte, por acaso, de a minha irmã ter um carro na altura e eu juntei dinheiro só para estar mais confortável na minha vida e viver o meu dia a dia. Só que entretanto eu senti a necessidade de comprar um carro e peguei nesse dinheiro que juntei e lá fui eu, com tudo na loucura, comprar um carro muito melhor do que o que eu tinha antigamente e estou supercontente com isso.

Ainda tens esse carro contigo? Ficou uma espécie de relíquia.

E estou supercontente com ele. E claro que com esse dinheiro também consegui viajar por vários sítios da Europa, consegui ir a Cabo Verde, Marraquexe, fui a muitos sítios na África também. É acreditar.

Olhando para essa viagem, mesmo dentro daquilo que foi Cumprir esse sonho de viajar de carro, também tiveste que fazer uma gestão do orçamento. Queres contar-nos mais ou menos quais são as tuas estratégias de orçamento em viagem, que é uma coisa que temos falado muito aqui ao longo destes podcasts Trocos no Bolso, pessoas que se juntam e juntam dinheiro sobretudo para viajar e que depois nos ensinam, nos dão mais ou menos umas dicas de como fazer a gestão do orçamento durante a viagem. Como é que fizeste?

Exatamente. Eu sou uma pessoa que tenta poupar ao máximo, porque eu acho que não é preciso ter muito dinheiro para nós conseguirmos fazer viagens incríveis, na minha opinião. Todas as viagens que eu fiz foram incríveis e não gastei muito dinheiro. É tudo uma questão de saber procurar bem as escalas dos aviões, porque às vezes ficam muito mais caras. É uma questão de, em vez de ficarmos todos em um quarto separados, podemos ficar todos num quarto com três camas, acaba por ficar também mais barata a divisão do valor do hotel, por exemplo. Acaba por ser coisas simples que eu acho que as pessoas às vezes não pensam e acabam por gastar valores de dinheiro sem ser preciso, na minha opinião.

Acabam até por ser enganadas pelos próprios anúncios online.

Sim, exatamente. Eu não gosto muito de ir a agências, confesso, nada contra elas, mas também nada a favor. Só mesmo gosto de ser eu a tratar disso, pelo menos eu próprio controlo melhor os meus gastos.

Confias mais em ti e tens essa habilidade.

Exatamente.

E relativamente aqui, Hugo, a poupanças futuras, tu vais continuar a maquilhar e a dar aulas de dança, vais continuar a poupar, investir? E se sim, como? E já agora também, se o teu próximo objetivo passa por algo do gênero comprar uma mota e dar a volta ao Brasil.

Isso era incrível. Isso era foda, demorava imenso tempo a fazê-lo, mas era uma ideia espetacular, sem dúvida. Eu tenciono, sem dúvida, continuar a juntar e quero continuar a dar aulas e quero continuar nesta área e tenho um objetivo muito grande que eu adorava, que é a minha própria marca de maquiagem. É um dos meus objetivos principais de vida na área profissional e espero que isso um dia aconteça e vou fazer tudo para que isso aconteça também, sem dúvida alguma.

E tentando fazer aqui uma espécie de patrocínio/exploração dessa ideia, já tens algum método de poupança? Tens alguma ideia de como é que farias a gestão desse negócio? Porque aquilo que tu tens, aquele estofo que trazes desde pequeno gerir o teu próprio dinheiro, de certa forma, há de ter organizado a cabeça e te dado uma certa estrutura pra que já tenhas mais ou menos um esboço daquilo que tencionas fazer. Não, estou errado.

Mais ou menos é assim, porque eu confesso que também já andei a pesquisar empresas e indústrias sobre isso, e eu também não sei muito bem os tipos de valores e tudo mais que eles praticam e precisam. Ou seja, com toda a sinceridade, ainda não te sei bem responder a essa pergunta. É algo que ainda estou a explorar e quero ter mesmo a certeza de como o fazer, ok? Sendo o máximo certo possível.

E aqui no capítulo das poupanças futuras, algum plano específico? Conta poupança, investimento, nada?

Conta poupança.

Conta poupança. Não falha. Costuma ser. É o habitué.

Tem que acreditar e ter juízo, sem dúvida alguma, é o que eu acho.

A conta poupança foi o grande conselho que nos foi sendo dado ao longo destes episódios. Bom, Hugo, não me pintaste a cara, mas pintaste aqui uma bela história, um belo percurso, muito pouco sedentário, diga-se de passagem. Boa sorte, bom trabalho e boas poupanças, e continua apelando ao bailarino agora que há em ti a dar baile aos trocos que trazes no bolso. Um abraço.

Obrigado, um abraço pra ti também, Vicente. Muito obrigado.

Obrigado. Trocos no Bolso, que fica por aqui uma parceria entre o Observador e o Banco Credibom. Eu sou o Vicente Figueira, cheguei aqui, aliás, sem nunca ter poupado para mais do que um bolo de arroz. E aqui chegado, já fui juntando também alguns trocos para tatuar carpe diem nas costas. Estou a brincar nisto da tatuagem, mas não no que ao poupar diz respeito. Os Trocos no Bolso ficam por aqui. Talvez no futuro nos encontremos, quem sabe, para o bitcoins do blockchain. Um abraço. Foi um prazer.