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Este podcast tem o apoio de Banco Credibom. Trocos no Bolso. Continuamos com eles por aqui e aprendemos a dar-lhes o melhor tratamento nesta parceria entre o Observador e o Banco Credibom. Eu sou Vicente Figueira, costumo dar muito mal caminho aos trocos que tenho no bolso, coisas como comprar vinis sem ter onde os reproduzir. E por falar em vinis, hoje junta-se a nós DJ e manequim, João Nuno Silva. João, bem-vindo.

Olá, como está? Obrigado.

Bem-vindo e obrigado por te juntares a nós. João, tu és manequim, DJ, muito poderíamos nós falar sobre isso, mas hoje estás conosco para falar de poupar e investir também. E tendo em conta que te ocupas dessas coisas, eu vou avançar aqui com um enorme preconceito. Manequins e músicos não costumam ser, para mim pelo menos, o arquétipo daquilo que é uma pessoa poupada. Talvez me remeta até para uma certa ideia de excentricidade. No teu caso, poupas desde novo, estou completamente errado, certo?

A questão é a seguinte: eu tenho um trabalho normal, além do trabalho como manequim. Eu já não trabalho como manequim, já trabalhei, agora trabalho só como DJ, mas tenho um trabalho numa empresa no departamento de marketing. Ou seja, tenho uma vida normal e depois tenho a vida artística, que vou complementando aos fins de semana e quando é possível.

Ok. E começaste desde novo, mesmo apesar deste percurso com esta componente mais excêntrica, diria assim.

Basicamente, desde miúdo que eu comecei a participar em concursos de moda e comecei e ganhei um concurso no Porto. Quando fui estudar para o Porto, houve uma agência que me contactou logo, era a Best Models, na altura, e falaram comigo para eu começar a trabalhar. Os meus pais, felizmente, sempre tiveram possibilidades para me poder ajudar. E eu consegui sempre fazer dinheiro extra com estes trabalhos que fazia de modelo. Depois, posteriormente, fui para Lisboa fazer o mestrado e consegui também fazer dinheiro. Comecei também a ter a vida de DJ. Ou seja, os meus pais ajudavam-me naquilo que eram as minhas despesas essenciais e eu conseguia poupar bastante dinheiro para fazer as minhas coisas, para viajar, que é uma coisa que eu adoro. Dado aí, isso foi possível desde novo. Obviamente, se não fosse pelos meus pais, se calhar não tinha tido essa possibilidade, mas também sempre fui uma pessoa que tentei poupar o dinheiro que comecei a ganhar quando era mais novo.

E até se torna mais impressionante, porque normalmente quem tem tendência a poupar é quem precisa de o fazer. Sendo assim, foi uma espécie de motivação quase tua, quase diria orgânica da pessoa. O que te deixou de ser?

Eu acho que era uma motivação muito criada pelo fato de eu adorar viajar. E então, muitas vezes durante o ano, eu metia na cabeça que queria poupar dinheiro e não queria tocar naquele dinheiro que tinha feito em trabalhos e não sei o quê, e também por serem muitas vezes os primeiros trabalhos da minha vida. Uma pessoa tem sempre mais cuidado para gastar dinheiro no início.

Claro. E foram só as viagens que te motivaram a adotar essa postura com o dinheiro?

Foram as viagens, foi o fato, por exemplo, de eu pagar rendas durante muito tempo quando estava no Porto e em Lisboa a estudar, e começar a perceber que de fato era uma estupidez estar às vezes a pagar uma renda quando podia tentar começar a juntar algum dinheiro e comprar uma casa e não estou a desperdiçar dinheiro e estou a pagar algo que vai ficar para mim. E fui eu conseguir também concretizar, com a ajuda também do meu pai, mas também consegui juntar algum dinheiro para poder comprar um apartamento em Lisboa. E obviamente, tudo isso ajudou e sempre tive um bocado este mindset de tentar não desperdiçar dinheiro.

É exatamente a expressão mindset, aquilo que talvez resuma em inglês aquilo que estamos a tentar dizer. Talvez estado de espírito em português. É um estado de espírito muito interessante e pelo que me estavas a dizer, João, durante a faculdade tiveste de fato a ajuda dos teus pais, mas isso nunca quis significar que fosses desleixado com o teu dinheiro, como vimos. Foste poupando e quando chegaste ao mestrado investiste o teu dinheiro. Eu queria perguntar que estratégias é que usavas para poupar, além daquelas que nos contaste, se já tinhas a poupança pensada para o investimento, se poupavas com o investimento no horizonte, no fundo é isso. Ou aproveitavas também para gastar o dinheiro em coisas que te dessem lazer e pensaste depois no investimento? Qual foi o módulo ou pelo menos o esquema da coisa?

Sempre fui uma pessoa que sempre gostei de jantar fora, de fazer as minhas coisas e felizmente sempre consegui ter. Mas fui sempre uma pessoa regrada, ou seja, nunca fui uma pessoa de excessos. Se calhar podia ter dinheiro para ir fazer uma viagem e gastar mais dinheiro, mas se calhar ia com amigos e ficávamos num hostel, em vez de ficar num hotel. Obviamente, também fruto da idade, era bastante novo, tinha 24, 23 anos. E na altura, para mim já era um privilégio poder estar a viajar e a sair de Portugal. Agora, se calhar já tenho que ir para um sítio um bocado melhor, uma pessoa vai dando mais valor a essas coisas. Mas na altura, ficava feliz por gastar o meu dinheiro, basicamente.

Sim. E certo é que não há de ter sido muito fácil. É preciso poupar dinheiro. Em geral, todos nós sabemos como é que se faz, não gastando, mas às vezes sem nos apercebermos, vamos gastando aqui e ali, depois isso gera enormes buracos no orçamento e nas finanças pessoais. Tinhas alguma estratégia?

Sempre tentei impor limites.

E qual era a estratégia?

De daqui não passo.

Mas para impor esses limites, recorrias a folhas de Excel para organizar as despesas, controlavas as despesas do mês, ou foi tudo mental sempre?

Foi sempre tudo mental. Tinha uma ideia mais ou menos de quanto é que queria gastar e que queria poupar X por mês, por exemplo. Dependia também, os trabalhos de modelo é uma coisa que às vezes num mês trabalhava-se muito e no mês a seguir não se trabalhava. Ou seja, era uma coisa assim um bocado volátil.

E tu dizias também: tinhas de fazer essa gestão a contar com uma possível falta de receita de um dos teus trabalhos e poupavas o dinheiro em função disso.

Exatamente, mas a questão é que eu sempre tive a parte segura dos meus pais, então na altura não me preocupava muito. Ou seja, se houvesse trabalho, muito bem, ficava contente e juntava o dinheiro e usava depois em coisas que Que gostasse ou que quisesse, ou numa casa ou no que fosse. Mas se não acontecesse, também não havia problema, felizmente. Nunca tive essa pressão. Por exemplo, aqui em Barcelona, eu lido com muitas pessoas que são autónomas e noto que há muito essa pressão. Por exemplo, agora com o Covid, se não houver trabalho, é um aperto complicado. Felizmente, não tive esse problema.

E é também um pouquinho neste âmbito que este podcast vai surgindo. Ouvimos também algumas histórias de pessoas que tiveram que fazer esta gestão em plena pandemia e é, de facto, uma gestão difícil, mas nem por isso deixaste de poupar.

Ainda por cima eu trabalho na área artística e conheci muitos casos de pessoas que passaram mesmo mal. Com família e tudo. Eu não tenho família ainda, por isso é muito mais tranquilo resolver as coisas.

Mas ainda assim, de certo é, e estás aqui a falar connosco, é porque poupas bem e poupaste bem, João. Eu quero perguntar-te se ainda poupas, como é que o fazes, se o queres continuar a fazer e se também estás, de certa forma, a pensar numa outra forma de poupança, que aqui podemos chamar o investimento.

Sim, vou tentando poupar. É verdade que nesta altura de pandemia trabalho muito.

Mas tens conta poupança?

Tenho uma conta poupança em Portugal. Aqui em Espanha não, mas em Portugal tenho.

Muito bem.

Tento ser comedido e, por exemplo, agora nesta altura de pandemia, eu fiquei sem trabalho. Estive muito tempo em ERTE, que é o que se chama aqui, que pagavam 70% do salário durante X tempo. E obviamente o meu mundo morreu um bocado, porque eu trabalho com eventos, trabalho para uma empresa que faz eventos em Ibiza, em Barcelona, etc. E obviamente foi uma situação complicada e nos últimos dois anos não deu para juntar quase nada por toda esta situação.

Claro. E agora olhando aqui para o futuro, para os investimentos, tens algum plano de investimento? És organizado nesse processo ou vais investindo de uma forma mais intuitiva?

Vou investindo de uma forma intuitiva.

Ok, muito bem.

Tenho amigos que também jogam na bolsa, por exemplo, criptomoeda também é uma coisa que ultimamente tenho investido.

Ok.

Vou investindo assim aqui e ali, mas depois tento sempre ter uma conta poupança onde possa meter o dinheiro, se alguma coisa acontecer, tenho ali aquilo, estou tranquilo.

João Nuno Silva, infelizmente o nosso tempo chegou ao fim. Foi curto, poderíamos falar muito mais. Trocos no Bolso com o DJ e ex-manequim, ficámos hoje a saber. João Nuno Silva, que hoje nos trouxe a música, mas a música da poupança e o desfile, neste caso, do investimento, soube sempre tratar os trocos que trazia no bolso e hoje ajudou-nos também a perceber como o podemos fazer. João, muito obrigado e até à próxima.

Muito obrigado, um prazer, até à próxima.

Trocos no Bolso continuam a escalhar para a semana e com estas conversas começamos a perceber que os trocos que trazemos conosco podem valer-nos como uma mina de ouro. Por exemplo, eu tenho vinis sem leitor. Comecei esta conversa por achar que era um esbanjador. Saí daqui a achar que, quem sabe, se daqui a uns anos esses discos não são bom investimento, mesmo que para já não os possa ouvir, quem sabe se um dia não se vendem bem. Eu sou o Vicente Tigara. O Trocos de Bolso está de regresso para a semana. Eu também. Até lá.