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Olá, pequenada, tudo bem? Vamos brincar juntos? Trouxeram as catanas e as botijas de gás? Muito bem. Agora guardem isso, que é pra ninguém se magoar. Ontem falamos aqui dos UHF, daquela maravilhosa canção "Sou do Benfica" ou "Sou Benfica" ou qualquer coisa assim.

"Sou, sou Benfica".

"Sou, sou Benfica", não é? E não é que eu me esqueci de falar do Festival de Rock Benfica 88?

Espera lá, deixa eu ver. Com a participação da banda filarmônica Silvino e os Frangos, o cantor romântico da Suécia, Mats Magnuson, e a dupla sertaneja Elzo e Mozart.

Isso é que é falta de gratidão, Nelson. Numa altura em que Portugal ainda não estava na rota dos grandes concertos internacionais, o Benfica fez serviço público. Além dos UHF, tivemos esta senhora.

Bonnie Tyler abrilhantou o Festival de Rock Benfica 88, mas a grande estrela da noite foi...

Rui Águas.

É isso. O Rui Águas, o Brian Águas e o Bryan Adams.

Que grande festival.

Não é?

Foi uma loucura.

Bryan Adams, que ainda há poucos dias deu um concerto em Portugal com milhares de pessoas, é uma espécie de fenômeno do Entroncamento. Acho que no resto do mundo já ninguém se lembra do Bryan Adams, mas chega a Portugal, é como se estivéssemos de repente em 1984.

Ou em 1969?

Pensem lá bem. Quantas vezes já tivemos de ouvir a história de que Bryan Adams passou o verão de 69 em Portugal.

Sim.

Que tinha uns amigos em Cascais.

É verdade.

Que esfolou o joelho no ginjo.

Uhum.

Que um dia sentiu uma pontada nas costas quando estava a andar de bicicleta ali pelos lados do Estoril.

Não é?

E que, afinal, a canção não tinha nada a ver com a estadia em Portugal.

Certo, Bruno, é que ele tem uma legião de fãs em Portugal, que não queremos aqui, de maneira nenhuma, hostilizar.

Eu não quero. Tens toda a razão, Vanessa, eu não quero hostilizar ninguém. O que quero é voltar aqui um pouco atrás, ao Festival de Rock Benfica. Judite, eu sei que isto agora parece um bocadinho cassete 60.

Estás à vontade.

Vocês vão me desculpar.

Sim.

É que estava a ver jornais da época e encontrei a opinião de um sócio do Benfica, que se deparou com aquela multidão de rockeiros. E disse o senhor: "Isto é tudo drogados. Olhem pra esta maluqueira de roupa".

"Isto é tudo drogados" faz-me sempre lembrar uma célebre expressão do camarada Arnaldo Matos, mas que não posso dizer aqui.

Não. Só que os drogados tiveram um comportamento exemplar. Um responsável da PSP chegou mesmo a dizer: "Estou espantado. Não pensei que esta malta se portasse tão bem".

20 mil drogados e correu tudo bem, impecável.

Não estávamos mesmo habituados a estas confusões. De facto, lembro apenas que a última atuação da noite, já de madrugada, coube aos The Wailers.

Uhum.

A banda fundada por Bob Marley e Peter Tosh, que acompanhou, de resto, Bob Marley até à sua morte.

E esta foi uma das canções que cantaram. Dois anos depois deste fantástico festival, precisamente a 10 de junho, Dia de Portugal, começou a era dos grandes concertos de estádio em Portugal, no Estádio José de Alvalade, com os Rolling Stones. E esta foi uma das músicas que tocaram num concerto que durou duas horas.

Entre 50 mil a 60 mil espectadores assistiram ao concerto naquela noite e deliraram quando Mick Jagger falou em português: "Estamos contentes por estar em Lisboa. Olá, obrigado. Viva o Benfica". Esta última acho que ele não disse.

Não disse.

Mas neste derby Benfica-Sporting, ganhou o Sporting, porque a partir daí Alvalade tornou-se a meca dos concertos no nosso país e não só para as grandes estrelas internacionais.

É verdade. A 10 de outubro de 1992, foi a vez de o GNR levarem 40 mil a Alvalade para um concerto memorável. O Nelson está aqui muito entusiasmado.

Eu gosto muito de Sub 16, gosto muito desta canção.

A banda de Rui Reininho ainda estava a aproveitar o sucesso do álbum Rock in Rio Douro. Esta Sub 16 tinha sido um dos singles de maior sucesso, com uma referência ao "Senhor dos Anéis", de Tolkien.

Eu não sabia do que ele estava a falar, confesso. Não sei se vocês sabiam.

Claro que não.

Não fazia ideia.

E também com uma outra referência, esta musical, a "Sweet Little Sixteen", de Chuck Berry.

Uma canção estranhamente parecida com esta é dos Beach Boys, "Surfin' USA".

Esta é igual.

Completamente. Quando o single foi lançado em 1963, a composição era atribuída apenas a Brian Wilson, mas depois tiveram que dar um passo atrás e incluir o nome de Chuck Berry.

Muito justamente.

Pois.

Mas eram uns malandros, uns copiões a aproveitarem-se do trabalho dos outros. Este era um bom tema para um dos programas, o dos plágios.

Sim.

Então vamos ver se lhe dedicamos um programa. Mas enquanto estamos aqui a falar, vamos falar de outra versão de "Sweet Little Sixteen".

É do Jerry Lee Lewis, não é? Lançada em 1962.

E qual é que é aqui a piada?

Quatro anos, não é? A carreira do Jerry Lee Lewis.

Quatro anos antes.

Exato.

A carreira de Jerry Lee Lewis nos Estados Unidos tinha-se afundado, não devido a uma rapariga de 16 anos, mas a uma de 13.

Que era prima dele.

E com quem ele casou.

É melhor subirmos isto de novo para os 16 para não arranjarmos problemas e recordar esta "Donne tes seize ans" de Charles Aznavour.

Mas o que Aznavour se fartou de cantar foi a saudade dos 20 anos.

" Ainda ontem eu tinha 20 anos, era tudo tão bom, não me doíam os joelhos".

Andamos sempre a chorar o tempo que passou. Mas o Aznavour não era o único. Ouçam aqui a Cidália Moreira.

Olha, o que eu já sinto é a ternura dos 40, que é duas vezes 20.

A tremura dos 40.

A tontura dos 40.

Rapazes, deixem-se lá de choraminguisos. Não viram as fotografias da Jennifer Lopez aos 52 anos? Esqueçam a nostalgia, que o melhor ainda está para vir.

Sim, vá lá, os 50 são os novos 20. Têm que ter aqui algum ânimo, vocês os dois. É verdade, não adianta mesmo deitar contas à vida.