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Touchdown! Unbelievable!
Bem-vindos a mais uma edição do Vamos à Bola, o jornal de desporto da Rádio Observador. Hoje a edição fica a cargo do jornalista Ricardo Lopes. Muito bom dia, Ricardo.
Bom dia, Carlos.
E Ricardo, é oficial, Jorge Jesus sucede Roberto Martínez, vai ser o próximo selecionador nacional.
Já o acordo entre o treinador e a Federação Portuguesa de Futebol foi fechado ontem de manhã, depois de uma reunião para acertar apenas alguns detalhes. A apresentação vai ser feita hoje, às 15h, na Cidade do Futebol, em Oeiras. O Observador sabe, inclusive, que na viagem de regresso da comitiva portuguesa para Lisboa, depois da eliminação do Mundial, já se sabia quem seria o novo selecionador, bem como quando seria apresentado. Jorge Jesus assina um contrato de quatro anos, até 2030. Há cerca de dois meses, em maio, Jorge Jesus já tinha admitido que era impossível recusar um convite para treinar a seleção nacional.
Não, quem é que pode dizer que não à seleção? Já disse que não a uma das melhores seleções do mundo, não posso dizer a outra. O Campeonato do Mundo está aí, Portugal precisa de tranquilidade, o selecionador precisa de tranquilidade, não quero meter-me nessas barafundas.
Antes do Mundial, Jesus não se queria meter nessas barafundas. Agora, o treinador de 71 anos sucede a Roberto Martínez, que deixou o cargo imediatamente após a eliminação de Portugal no Campeonato do Mundo. Na análise, Mariana Fernandes, jornalista de desporto do Observador, diz que Jorge Jesus traz uma lufada de ar fresco para a seleção nacional.
Essa exigência demais que norteou sempre a carreira de Jorge Jesus, ou seja, nunca ficou satisfeito com aquilo que fez, acaba por trazer uma lufada de ar fresco pra seleção nacional. Mais do que isso, eu acho que Jorge Jesus é um perfecionista, ou seja, acredito que Jorge Jesus, ao longo dos anos, tenha olhado pro trabalho de Carlos Queiroz, Paulo Bento, Fernando Santos, Roberto Martínez, só pra citar os últimos selecionadores nacionais, e tenha dito: "Eu fazia diferente, eu convocava diferente, eu fazia melhor".
Jorge Jesus não treinava uma equipa desde maio, altura em que deixou o Al-Nassr, onde trabalhou com Cristiano Ronaldo. Para Mariana Fernandes, é ainda uma incógnita como será feita a gestão do capitão português.
Eu acho que a questão do Cristiano Ronaldo é uma incógnita. Acho que seria muito mais fácil antecipar aquilo que aconteceria, por exemplo, com José Mourinho, e no cenário em que José Mourinho seria selecionador nacional. Não se dão propriamente bem, tiveram problemas no Real Madrid. Com Jorge Jesus é muito mais difícil fazer essa antevisão. Ou seja, foi um treinador que acabou de treinar Cristiano Ronaldo, acabou de ser campeão da Arábia Saudita com Cristiano Ronaldo, foi o homem a quem Cristiano Ronaldo ligou pra o tornar campeão na Arábia Saudita. Portanto, é muito difícil antecipar que Jorge Jesus faça aqui um corte completo com Cristiano Ronaldo. Agora, também há outra coisa: se gostamos de dizer, ou dizemos muitas vezes, que Cristiano Ronaldo tem um ego do tamanho do mundo, então Jorge Jesus tem um ego do tamanho de muitos continentes também.
Análise de Mariana Fernandes, jornalista de desporto do Observador.
E Jorge Jesus é um nome familiar para praticamente todos os portugueses, é o treinador no ativo com mais jogos na liga portuguesa e hoje, Ricardo, é um bom dia pra recordar o percurso do treinador.
É verdade. Do Amora, nos finais dos anos 80, até ao último desafio na Arábia Saudita, o Martim Madeira leva-nos numa viagem pela carreira do treinador.
Filho de Virgulino de Jesus, Jorge Fernando Pinheiro de Jesus nasceu a 24 de julho de 1954 e iniciou a carreira nos bancos do Amora na época de 89. Depois de passagens por Estrela da Amadora, União da Madeira, Vitória Sport Clube e Belenenses, foi apenas em 2008 que conquistou o primeiro troféu, a Taça Intertoto, ao serviço do Sporting Clube de Braga. Em 2009, assina contrato pelo Benfica, onde venceu três campeonatos, uma taça, uma Supertaça e cinco Taças da Liga. Perdeu duas finais da Liga Europa em dois anos consecutivos. Em 2015, Jesus protagonizou uma das mudanças mais polêmicas do futebol nacional: trocou o Benfica pelo Sporting e no Reino do Leão, em três anos, conquistou uma Supertaça e uma Taça da Liga. Em 2018, Jorge Jesus assume uma primeira aventura no estrangeiro com a equipa saudita do Al-Hilal.
Eu já apanhei fãs, homens, da roda de mim a dizerem-me: "I love you, I love you, Jesus. I love you, Jesus." Eu nunca tinha ouvido um homem dizer "I love you" pra outro homem.
Mas foi uma época depois, no Brasil, em que ganhou mais notoriedade. Em dois anos, ganhou uma Taça Libertadores, um Campeonato Carioca e uma Recopa Sudamericana com o Flamengo e abriu as portas a vários treinadores portugueses no futebol brasileiro. JJ conta ainda com passagens pelo Fenerbahçe, onde conquistou uma Taça da Turquia antes de regressar à Arábia Saudita, onde no final de maio, ao lado de João Félix e Cristiano Ronaldo, conquistou o último título em clubes. Com 71 anos, Jorge Jesus embarca agora numa das missões mais difíceis da carreira.
Thank you this? Ah, ok.
O desejo do país é simples: ter uma seleção a jogar com nota artística.
E não vamos jogar o dobro, vamos jogar o triplo.
Jornalista da Rádio Observador, Martim Madeira, aqui a recordar o percurso de Jorge Jesus. Jorge Jesus, Carlos, que convidou Pepe para integrar a equipa técnica que vai comandar a seleção. No entanto, segundo a Sic Notícias, Pepe terá falado com Pedro Proença, mas o antigo internacional português disse que só aceitava ser adjunto se o selecionador nacional fosse Sérgio Conceição.
E Pepe, Ricardo, que foi campeão europeu pela seleção nacional em 2016.
Numa final que aconteceu precisamente há 10 anos, 10 de julho de 2016, a jogar contra a França, em Paris, 0x0 no tempo regulamentar, nos 90 minutos. Lembras-te bem disto, certamente. Aos 107, já quando toda a gente estava a antever uma decisão nas grandes penalidades, há um lançamento de linha lateral para a França, lança o lateral direito Sagna, lança mal e o experiente João Moutinho antecipa-se.
Eu consigo meter-me entre a bola e o jogador francês.
Falha o primeiro toque, o primeiro passe, vai atrás da bola, disputa o lance com Griezmann e com Gignac, número 10 francês, Carlos, que bem te lembras, bem perto do minuto 90, mandou uma bola à barra, mas João Moutinho sai vencedor desse duelo.
Consigo tocar a bola para o William
Toca para o outro médio português, William Carvalho, que com o estilo de jogo calmo que o caracteriza, dá apenas dois toques na bola.
João Moutinho passa uma bola, eu passo para o Quaresma.
Quaresma devolve a bola de primeira a João Moutinho, que podemos dizer que foi o maestro desta jogada. O médio toca a bola para Éder, que aguenta a carga do número 21, o central Laurent Koscielny. Éder dá quatro toques na bola, apenas, e aí o avançado português já só pensava numa coisa.
Pensei: "Vou para a baliza e vou rematar".
E assim foi.
Vai, chuta! Chuta daí, !
É um balde d'água gelada para os franceses, festa máxima para os adeptos portugueses em França, muitos deles, como sabemos, Carlos, imigrantes, que no dia seguinte foram, de certeza, para o trabalho com a cabeça bem erguida. Ouvimos aqui um vídeo que se tornou viral. Estamos em 2016, falamos também dos primeiros virais das redes sociais, um vídeo de um adepto na bancada que incentiva o Éder a chutar dali, e ainda bem. Só mais algumas estatísticas sobre o jogo, Carlos. Os jogadores portugueses correram mais que os franceses, mas a França teve mais posse de bola. França faz 18 remates, sete deles na baliza, Portugal faz nove, só três enquadrados. Há uma bola nos ferros para cada lado, já estávamos a recordar aqui uma. Seis cartões amarelos para Portugal, quatro para a França. E a estatística que mais interessa: Portugal nesse dia levantou uma taça, França zero.
Um dos melhores momentos da história do desporto português. É sempre bom recordar. Do Europeu para a Mundial e do passado para o presente, olhamos agora para o França Marrocos de ontem, Ricardo.
A França confirmou a presença nas meias-finais da competição pela terceira vez consecutiva. Também esteve em 2018 e em 2022, num jogo que prometia mais, Carlos. Digo prometia mais no sentido de ser mais renhido. Marrocos acabou por não conseguir criar grandes oportunidades, algo que se esperava, esperava que fosse um osso mais duro de roer para os franceses. Kylian Mbappé deu-se ao luxo de falhar um pênalti e ainda assim a França venceu confortavelmente. 2 x 0 para os franceses. Mbappé redimiu-se e desbloqueou o encontro aos 60 minutos. Pouco depois, aos 66, Ousmane Dembélé assinou o 2 x 0, após combinação com Mbappé. A França segue assim em frente, vence, convence e parece ser o grande candidato a ganhar a prova.
Hoje há a Espanha-Bélgica, às 20:00, um jogo que vai definir com quem joga a seleção francesa, mas ainda há um jogo destes quartos de final que vai ter um português em destaque.
É João Pinheiro. O árbitro português foi nomeado para dirigir o encontro entre a campeã Argentina e a Suíça, que se joga na madrugada de domingo, às 2:00, e como disseste, vai definir com quem joga a França.
Olhamos agora para o futebol nacional. O Benfica foi castigado com jogo à porta fechada.
Em princípio, será logo a abrir a época, na jornada inaugural da Liga, quando o Benfica recebe o recém-promovido Académico de Viseu, no fim de semana de 8 e 9 de agosto, ou seja, ainda não está definido em que dia será o jogo. O Benfica não pode recorrer, vai ter de pagar ainda uma multa no valor de € 150 mil. Foi uma decisão do Tribunal da Relação conhecida ontem. Confirma a sanção imposta pela Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto, conhecida em novembro do ano passado. Em causa estão vários processos, Carlos, maioritariamente relacionados com acender e arremessar pirotecnia para o relvado. O processo fala de jogos da temporada 2022-2023. A defesa do Benfica já reagiu, considera a sanção de um jogo à porta fechada manifestamente desnecessária, desadequada e desproporcional à gravidade dos factos.
A ficar sem tempo, Ricardo, olhamos ainda para o mercado de transferências. Jesse Derry já chegou a Lisboa para ser reforço do Sporting.
E à chegada ao aeroporto, o jogador que vem emprestado pelo Chelsea é curto nas palavras, mas já fala português.
Estou feliz. I'm very tired and we'll speak tomorrow.
Are you happy to sign with Sporting?
I'm so happy.
Have you talked with Rui Borges?
Está feliz, não confirma se falou ou não já com Rui Borges, com o treinador do Sporting. O Sporting que não tem qualquer opção de compra sobre este extremo de 19 anos. É uma jovem promessa do Chelsea, e o Chelsea parece querer ficar com ele, Carlos. E como disseste, estamos a ficar sem tempo. Queria só dar nota que em sentido inverso, o Sporting pode ver um dos grandes nomes do plantel ir embora. Estou a falar do capitão Morten Hjulmand. A imprensa espanhola dá como certo a ida para o Atlético de Madrid.
Tudo contado neste "Vamos à Bola" que regressa na segunda-feira.