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E como de costume, contamos no Vamos à Bola com Pedro Sousa, comentador de desporto da Rádio Observador. Muito bom dia, Pedro. Bem-vindo.
Olá, bom dia.
Nesta versão alargada, contamos também com o jornalista Miguel Cordeiro. Miguel, vamos falar desta 26ª jornada, que está ainda a decorrer, e começamos pelos primeiros resultados que já originaram aqui também mudanças na liderança.
Sim, o Futebol Clube do Porto volta a estar isolado no topo do Campeonato Português. Na quarta-feira, Águias e Dragões entraram em campo. Os azuis e brancos venceram o Marítimo por 1 x 0. Os encarnados empataram 2 x 2 frente ao Portimonense. Pedro Sousa, bom dia. Continuamos a ter uma luta pelo título, mas o Benfica parece que não consegue sair desta má fase.
Sim, o Benfica atravessa a sua pior fase desde há muitos anos. E pior do que a má fase que apresenta, futebolisticamente falando e em termos de resultados, é olhar para as inconstâncias da equipa. Quem estava a ver a primeira parte em Portimão, pensou: "Bem, é desta que o Benfica vai arrancar um triunfo mais ou menos tranquilo." Fez uma primeira parte muito consistente, razoável, eu diria até boa, em face daquilo que tem produzido este ano, mas depois aquilo que fez na segunda parte foi verdadeiramente lamentável. Mérito para o Portimonense, é verdade, porque muitas vezes nos esquecemos dos adversários, mas o Benfica esteve a anos-luz daquilo que pode e deve fazer. São já 17 pontos perdidos esta temporada. São mais pontos perdidos do que o ano do título, a época passada, sendo que dos 17, 14 foram nas últimas sete jornadas. Eu repito: dos 17 pontos perdidos, 14 foram nas últimas sete jornadas e por isso o Benfica está na situação em que está. Mas, apesar de tudo, à tua pergunta, o título está nem pouco mais ou menos entregue, porque o Porto, futebolisticamente falando, também não é muito superior.
E quanto ao jogo de quarta-feira frente ao Portimonense, Bruno Lage fez também uma análise no final desse encontro e tal como dizias, Bruno Lage quis dividir o jogo em duas partes.
Concedemos dois gols, fruto disso. Fruto, por um lado, não temos pressionado como pressionamos na primeira parte. Repito, primeira parte, um jogo posicional muito bom da nossa parte, quer em termos ofensivos, quer em termos defensivos. Na segunda parte não pressionamos como era a nossa intenção e também por alguns momentos, especialmente nesse período em que tínhamos que manter a posse da bola. Por isso, a vencer por 2 x 0, com uma primeira parte muito boa, ficamos tristes pelo resultado. Esta reentrada não está a correr como nós pretendíamos.
Pedro, é como dizes, temos aqui um Benfica de dois rostos, mas que continua a fazer custar pontos aos encarnados, que se não fosse esta má fase, podiam já estar numa boa posição no campeonato, mas que neste momento estão a deixar o Porto agarrar a liderança, pelo menos por enquanto e durante esta má fase.
Se há coisa que Bruno Lage nos habituou, quando ganhava com regularidade, e foram meses a fio a ganhar com regularidade, era a sua, na minha modesta opinião, boa comunicação, a forma como falava e se expressava para o exterior. E quero crer que quem se expressa bem para o exterior, também o faz internamente. Dito isto, as coisas não lhe estão a sair nem mesmo quando fala à imprensa. Isto dizer que o jogo teve duas partes distintas. O jogo tem sempre as partes que tiverem que ser. Já nem vou aos 45, mais 45 minutos. O problema do Benfica é a sua consistência exhibicional e é um fio de jogo. Mas mais do que isto, passado este tempo, e este tempo de 2020, antes e pós-pandemia, antes e pós-paragem, é perceber que o Benfica não tem um plano B. E isso é, vou utilizar uma expressão se calhar um bocadinho mais dura, mas é dramático para quem trabalha com os jogadores. E é ele, o Bruno Lage, que tem que encontrar uma saída para esta situação em que a equipa se encontra. É um enorme desafio para um treinador jovem como treinador principal, encontrar o desafio para a equipa conseguir ganhar consistência e mais do que isso, jogar bom futebol, porque só jogando bom futebol será mais próximo de ganhar jogos, e isso não tem acontecido.
E desta forma, o Benfica regressa ao segundo lugar da tabela, depois deste empate a dois gols frente ao Portimonense. Os encarnados estão agora a dois pontos do Futebol Clube do Porto, que depois do desaire no regresso do campeonato, desta vez os Dragões conseguiram vencer, a jogar em casa, num estádio vazio. Pedro, como é que avalias este jogo que voltou a dar a liderança aos Dragões?
Um grande gol, num toque de habilidade de Corona. Num Porto também sem brilho, sem conseguir arrancar uma exibição que encha os olhos dos adeptos que veem pela televisão agora e tão só pela televisão. Mas ganhou, e isso era o mais importante nesta altura, e tendo entrado em campo como entrou depois do Benfica ter empatado em Portimão. Mas a equipa não está consistente. Por isso é que eu dizia que o título não está nem pouco mais ou menos entregue. É certo que agora, faltando oito jornadas para os dois, o Porto tem a vantagem de já poder empatar um jogo e mesmo assim ser campeão. Agora, pela amostra destes dois jogos que Porto e Benfica fizeram, eu acho que vão perder mais pontos. A favor do Porto A aposta que está a ser um bocadinho tímida, mas eu diria consistente, de Sérgio Conceição em alguns jovens. E esse é o caminho. Não é todos de uma vez, mas é um ou outro. E lá lançou mais um e creio que é um jogador que a curto, médio prazo pode vir a ser titular do Futebol Clube do Porto. E agora os castigos de Alex Telles e de Manafa podem empurrar Sérgio Conceição, no bom sentido, para fazer a aposta em outros jovens. A próxima jornada eu creio que vai ser muito importante, porque o Porto tem, a priori, um jogo fácil, se é que há jogos fáceis, com o último, enquanto que o Benfica joga em Vila do Conde frente a uma muito boa equipa como é o Rio Ave. E creio que a próxima jornada nos pode ajudar a perceber se esta vai ser uma luta a dois até o fim, se o Porto vai ganhar ou não aqui algum avanço que pode ser decisivo. Mas, insisto, futebolisticamente falando, o Porto também não enche as medidas nem pouco, mais ou menos.
Pedro, e Sérgio Conceição falou sobre isso mesmo, sobre a qualidade do futebol nesta fase de regresso do campeonato.
Eu, sinceramente, não vejo grandes exibições depois da retoma. Eu acho que o resultado é sempre o mais importante. Obviamente que nós queremos associar a esse resultado positivo exibições mais competentes da equipa e nós temos possibilidade de o fazer. Volto a referir, não vai ser fácil, vai ser dentro deste ambiente e desta atmosfera que nós vamos ter que acabar o campeonato, pelos vistos.
Concordas com esta análise, Pedro? A nota artística ficou lá atrás, pré-Covid?
A nota artística ficou, mas a obrigação dos treinadores é que essa nota artística seja recuperada. Talvez com jogos, porque não houve jogos de preparação nesta pré-temporada atípica, e essa é a obrigação das equipa e dos treinadores, que a nota artística seja recuperada. Porque eu acredito convictamente que só com boas exibições, com bom futebol, se pode estar mais próximo de triunfos e de títulos. E portanto, esse é o único caminho desejável, seja lá no modelo de Conceição, no modelo de Lage, no modelo de Amorim, no modelo de Custódio, seja de quem for. Só jogando melhor é que é possível ganhar mais vezes. Eu não acredito em 10 jornadas em que se jogue mal e se conquiste alguma coisa.
E mesmo sem nota artística, já temos para já seis jogos desta 26ª jornada. O Gil Vicente perdeu em casa frente ao Famalicão por 3 x 1. O Vitória de Setúbal e o Santa Clara empataram a dois gols, tal como o Portimonense e o Benfica, como já referimos. O Porto venceu o Marítimo por 1 x 0, o Belenenses empatou a um golo e o Tondela venceu por 2 x 0 o Desportivo das Aves. Análise feita ao que já se jogou. Vamos agora olhar para os jogos que faltam, com destaque para a entrada em campo do Sporting. Os Leões regressam hoje a Alvalade num jogo frente ao Paços de Ferreira. É esse jogo grande do dia de hoje que está marcado para as 21h15. E ontem Rúben Amorim falou sobre este regresso a Alvalade e falou também, claro, sobre a ausência dos adeptos.
Em relação ao jogo sem público, já estivemos na semana passada, também íamos jogar num campo cheio. Desta vez vamos jogar em casa. Fizemos aqui dois treinos, tentámos mostrar aos jogadores o que seria sem público. Mas portanto vai ser mais importante a forma como iniciamos o jogo. Em Guimarães não iniciámos tão bem. Isso vai ter mais influência no jogo do que propriamente o não ter público.
Futebol sem adeptos, mas com muito em jogo, Pedro Sousa. A luta pelo terceiro lugar, podemos dizer que está quente neste regresso do campeonato.
Pois, o Sporting tem que olhar para cima e para baixo, porque o Famalicão com a vitória nesta jornada igualou o Sporting no quarto lugar. Mas sim, em face da derrota do Braga frente ao Santa Clara, ressente-se aqui a possibilidade de o Sporting terminar no terceiro lugar. Mas mais uma vez, deixou água na boca, não tendo feito uma partida por aí além, mas as alterações e a aposta nos jovens de Rúben Amorim redundou num jogo muito interessante do Sporting em Guimarães. Resta saber se é para continuar, sendo que o Sporting tem sofrido muitos gols de bola parada e hoje defronta uma equipa que é muito forte nesse capítulo e demonstrou em Vila do Conde na última jornada, onde ganhou. O que eu quero com isto dizer? Que tem que ser uma exibição boa para poder ganhar a este Paços de Ferreira, que está muito melhor nesta fase do ano, vou chamar-lhe do ano, porque recuperou muitos pontos desde a chegada de Pepa, mas não está coberto de poder descer de divisão e, portanto, precisa de todos os jogos. Sporting favorito, amplamente favorito, mas tem que o demonstrar dentro do campo. Uma nota para o fato do treinador, 24 horas antes, ter anunciado que Mateus Nunes, um dos jovens lançado por ele, apesar do regresso do Wendel, se manterá no 11. Lá está, é uma forma de comunicar para o exterior, mas também internamente, que é perceberem, regressa aquele que é supostamente titular, mas a aposta no jovem se mantém tranquilizando 24 horas antes.
E era uma das dúvidas que tinha ficado a semana passada, se depois das novidades apresentadas por Rúben Amorim nesse jogo de regresso, se ia manter essa aposta nos jovens. O que é que podemos esperar desta estratégia de Rúben Amorim? Sabemos que Mateus Nunes mantém-se. É mesmo este regresso definitivo, a aposta nos jovens de Alcochete? É isto que estamos a verificar com Rúben Amorim?
Sim, há duas premissas para se apostar na formação. Uma é a necessidade e outra é a convicção. E eu creio que se juntam aqui as duas coisas no Sporting. Necessidade porque não tem dinheiro para investir em reforços no estrangeiro, e a convicção, porque com a aposta num treinador, pagando aquilo que o Sporting vai pagar ao Sporting Braga por Rúben Amorim, só mesmo havendo um fio condutor entre o presidente e o treinador para que o futuro do Sporting, a breve e médio prazo, seja a aposta na formação. Mas depois, a montante disso, e é preciso perceber, não é só dizer: "Vamos apostar na formação". Há ou não qualidade na formação para ser essa a aposta? E depois, eu acho que isto é mais ou menos claro, ninguém ganha nada jogando só com jovens, como ninguém ganha nada jogando só com veteranos. E, portanto, tem que haver aqui uma mescla entre os jovens que ele já apostou na jornada anterior, como Quaresma, como Matheus Nunes, e eu creio que chegará seu tempo, por exemplo, Tiago Tomás. E, por outro lado, mantendo-se como se mantém Max na baliza, a aposta em Camacho como lateral-direito, o regresso do Jovane à boa condição, estamos já aqui a falar de cinco ou seis jogadores de uma faixa etária muito baixa. Se a estes juntarmos mais um ou outro, é a construção de um plantel para o que falta desta temporada, para tentar assaltar o terceiro lugar, mas mais do que isso, a pensar no futuro. E o futuro é em agosto, o novo campeonato, ou em setembro, quando ele se iniciar. Mas a estas peças faltam aqui, penso eu, juntar dois ou três jogadores de valor contrastado. E esse é o caminho. E o caminho é, da minha parte, regressar àquilo que disse no início, que é dois fatores colidem ou concorrem para a aposta na formação: a necessidade e uma estratégia. E eu creio que as duas coisas se conjugam no Sporting.
Atenções para esta nova estratégia do Sporting, este regresso à academia. Para além do Sporting-Paços Ferreira, hoje às 21h15, temos também ainda hoje o jogo entre Moreirense e Rio Ave, às 19h. E amanhã termina esta jornada 26 com o jogo entre Braga e Boavista, um jogo marcado para as 21h.
Vamos agora olhar para fora de Portugal. As ligas também estão de regresso. Pedro Sousa, o dia de ontem fica também marcado pelo regresso do futebol em Espanha com a La Liga e logo com um derby andaluz, Sevilha-Bétis. Ganhou o Sevilha, 2 x 0, não é?
Sim, é dos derbys mais apaixonantes da Península Ibérica. À porta fechada. Ganhou bem o Sevilha, na minha perspectiva, empurrado por um erro do árbitro, mas ganhou bem, porque foi a melhor equipa. Mas mais do que isso, é perceber que os espanhóis, aqui ao lado, como em Portugal, necessitam como de pão pra boca de terminar o campeonato, por questões econômicas, mas também pela sanidade mental de todos. É interessante perceber que o jogo foi muito acompanhado televisivamente falando e que estavam frente a frente dois rivais de muitos anos. Pena que o William Carvalho não tenha jogado, ele saiu de lesão e que não tenha saído do banco do Bétis. E agora segue-se, até o final da temporada, uma luta a dois entre Barcelona e Real Madrid. Pelo menos aqui ao lado.
E hoje temos mais dois jogos deste regresso da La Liga. O Granada joga com o Getafe às 18h30 e às 21h o Valencia recebe o Levante. Continuamos a falar de regressos, mas agora vamos viajar até Itália. Ronaldo volta hoje à ação num jogo grande, Juventus contra Milan. É um jogo a contar pra segunda mão da Taça de Itália e recordo que a primeira mão terminou empatada a um gol, com Ronaldo a marcar de pênalti nos descontos.
Sim, e tem aqui uma vantagem muito ténue. A Juventus é favorita a todos os títulos em Itália, superfavorita. O Milan tem aqui a possibilidade, na Copa, de conquistar um título que tem andado arredado há muitos anos. De um lado, Ronaldo, que será com toda a certeza titular na equipa da Juventus, do outro, Rafael Leão está convocado pelo treinador do Milan e a imprensa italiana de hoje já fala mesmo na possibilidade de ele ser titular. É uma incógnita perceber como estão os jogadores de uma e de outra equipa no jogo de hoje, mas é, eu diria, uma partida de grande cartaz para assinalar o regresso do futebol em Itália.
Jogo grande agendado para hoje. Pedro, estamos a chegar ao fim deste "Vamos à Bola", mas antes ainda uma análise a uma nova decisão da FIFA, mais uma medida para responder aos efeitos da pandemia. A partir de agora, um jogador pode atuar por três clubes na mesma temporada.
Eu acho que é uma boa decisão e creio que ela não se vai manter. Mas é uma boa decisão nesta transição entre a temporada que está agora a terminar em diversos países e o que vai começar logo colada a temporada de 2020, 2021, e que, é bom não esquecer isto, conclui-se com o Europeu que foi transferido um ano para 2021. Dito isto, eu creio que é uma boa decisão, porque os jogadores não podem ficar prejudicados com esta pandemia e com o alargar desta nova temporada. Portanto, aquilo que vamos ver é uma época de transferências mais longa, quase a colar com a época de transferências de inverno, e a possibilidade de um jogador que em julho jogou num clube, que em setembro está noutro e possivelmente em janeiro estará noutro. Não parece uma coisa muito razoável, mas em face daquilo que aconteceu, eu acho que é uma boa decisão da FIFA.
E fechamos por aqui o "Vamos à Bola" de hoje, nesta versão alargada, também para olhar para o campeonato. 26ª jornada ainda a decorrer. Também uma jornada importante porque já originou essas mudanças na liderança. Pedro Sousa, comentador de desporto da Rádio Observador, está de regresso às manhãs 360ª segunda-feira. Por isso, Pedro, bom fim de semana. Bons santos, se os celebrares.
Igualmente pra vocês. Um abraço e bom fim de semana.
Miguel Cordeiro também no "Vamos à Bola" de hoje, ele que continua por aqui na equipa das manhãs 360.
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