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Bem-vindos a mais uma edição do "Vamos à Bola", o jornal de desporto da Rádio Observador. Hoje com a edição do jornalista Ricardo Lopes. Bom dia, Ricardo.
Olá, Teresa. Bom dia.
Começamos com a seleção nacional. Agora é sem descanso até ao Campeonato do Mundo. Os jogadores estiveram ontem às ordens de Roberto Martínez, no segundo dia de estágio na Cidade do Futebol.
É verdade, sem descanso. Na verdade, os jogadores ainda vão hoje dormir a casa pela última vez. É para se despedirem das famílias e dos amigos, Teresa, porque depois é focar 100% na competição. Estão no estágio 23 dos 27 jogadores. Como falámos ontem, os bicampeões europeus pelo Paris Saint-Germain, ainda não estão com a comitiva portuguesa. Faltam essas peças do puzzle a Martínez, mas, por outro lado, como sabes, Teresa, há uma peça que vai viajar para os Estados Unidos, mesmo que não venha a fazer parte sequer do puzzle. É o caso do guarda-redes Ricardo Velho, que sabe que só será chamado a intervir caso algum dos outros três colegas de posição se lesione. A FIFA permite essa eventual troca de guarda-redes. O selecionador nacional explicou no dia da convocatória que leva na comitiva o jogador, que joga atualmente na Turquia, para poder ter quatro guarda-redes nos treinos. Ajuda também nalgumas dinâmicas de exercícios e também para aproveitar esta abébia regulamentar que a FIFA permite. Ricardo Velho falou ontem aos jornalistas e mostrou uma grande atitude de companheirismo. Disse que é um grande orgulho ser chamado à seleção, mesmo que com estas nuances, e garante que estará lá para ajudar, quer os guarda-redes, quer os restantes colegas.
O treino é igual. Eu estou para ajudar em tudo o que for preciso, tentar fazer o meu melhor e ajudar os meus colegas, seja os meus colegas de campo, como os meus colegas guarda-redes. Ajudar no máximo, sentir-me sempre útil, porque é isso que as pessoas querem de mim, querem que eu ajude, querem que eu seja participativo.
Declarações de Ricardo Velho, quarto guarda-redes da seleção, que nos dias de jogo também não vai poder estar sequer no banco. O jogador nascido em Famalicão diz que não há problema, vai sempre ajudar, nem que seja na bancada a gritar.
No dia de jogo é ajudar também da forma que for possível, da bancada, no balneário ou fora. Tudo o que for possível, tudo o que eu puder ajudar, eu vou estar lá pronto para ajudar e apoiar e isso é que é o importante.
Declarações de Ricardo Velho, que ontem foi porta-voz da seleção no segundo dia de estágio.
Mas Ricardo Velho não foi o único jogador a falar ontem. Diogo Dalot diz que Portugal quer fazer algo que ainda não foi feito.
Exato, Teresa. O lateral português foi o centro das atenções num evento de uma conhecida marca desportiva em Lisboa. Saiu em defesa de Roberto Martínez em declarações aos jornalistas. O jogador do Manchester United elogiou o trabalho do técnico espanhol, lembrou a conquista da Liga das Nações e também a exímia caminhada na qualificação para o Mundial. Diogo Dalot segue o otimismo de outros colegas, que temos ouvido aqui no "Vamos à Bola", e diz que com Roberto Martínez, a seleção tem condições para conquistar o primeiro campeonato do mundo.
Estou confiante que temos condições para tal. Obviamente, sabemos que estas competições são difíceis. A história, infelizmente, não diz que Portugal já venceu. Portanto, queremos fazer algo que ainda não foi feito, como é lógico, mas sempre com a humildade que temos de trabalhar muito para conseguir fazer.
Declarações de Diogo Dalot, otimista quanto ao desempenho de Portugal no Campeonato do Mundo.
E ontem também foi revelada uma novidade. Ficámos a conhecer os números que os jogadores vão utilizar nas costas. E há algumas trocas, Ricardo.
Sim, Teresa, vamos nos focar nas trocas também para eu não dizer 26 números e os respetivos nomes, isso é bem visto. Há sim quem tenha trocado de número. Só salvaguardar que no site oficial da federação pode ler-se que estes números serão à partida utilizados no Mundial, mas o que é certo é que serão usados para já nos dois jogos de preparação. Já aqui falámos noutros episódios do caso de Rúben Neves, que abandona o 18, que fica para Pedro Neto. Assim, Rúben Neves vai poder herdar o número 21, em homenagem ao seu amigo Diogo Jota. Diogo Costa passa a usar a camisola 1, cede assim o 22 para Rui Silva. Rúben Dias assume o 3, que foi de Pepe, e o 4 transita para Tomás Araújo. Já Nuno Mendes passa a usar o 25 e liberta assim o 19 para Gonçalo Guedes. O dorsal 6, que foi usado pelo Palhinha no Euro 2024, Palhinha que não vai a este Mundial, conhece assim um novo dono. Matheus Nunes fica com o 6, que por sua vez deixa o 16 disponível para o Trincão. Por fim, Renato Veiga fica com o 13, enquanto Samuel Costa vai usar o 24 de António Silva. 14 jogadores mantêm os números exibidos no último Euro, com destaque para o eterno 7 de Cristiano Ronaldo.
E agora, Ricardo, queres falar do número 4 da seleção, mas do Euro 2016, do qual temos belas memórias.
Temos nós e tem José Fonte, que envergou essa camisola 4 em França. Terminou a carreira, Teresa, aos 42 anos. Só deixar uma nota, é já o 12.º jogador desse plantel da seleção a pendurar as botas. Nós estamos a ficar velhos, Teresa. José Fonte tem uma história particular com uma carreira de mais de duas décadas. Começou pelos escalões inferiores em Portugal e chegou a palcos como a Premier League e a Liga dos Campeões. É um jogador que vai de dispensado, tanto do Sporting como do Benfica, a campeão europeu. José Fonte diz em entrevista dada ontem ao Canal 11 que esses passos atrás serviram para aprender e fizeram com que, no futuro, conseguisse chegar mais longe.
Eu sou o conjunto das minhas experiências, todas ao longo da minha vida. Quando fui dispensado pelo Sporting aos 12 anos e tive que ir para o Sacavenense, foi marcante. Quando fui dispensado outra vez aos 19 anos pelo Sporting, foi difícil. Eu vejo como aprendizagem, vejo como me tornou mais forte, deixou-me com mais vontade ainda de provar que era bom jogador e que podia chegar longe.
José Fonte vestiu muitas camisolas, todas elas especiais, mas há uma que se destaca de todas as outras.
Todos estes momentos foram marcantes, mas sem dúvida que o Europeu 2016, quando tu jogas pelo teu país, é o expoente máximo. E também a Liga das Nações foi espetacular.
Declarações de José Fonte, que terminou a carreira, em entrevista ao Canal 11. José Fonte acabou a competir na Primeira Liga portuguesa pelo Casa Pia.
Falamos agora do mercado de transferências, particularmente das movimentações de treinadores. Uma notícia que surgiu ontem: Marco Silva já não é treinador do Fulham.
Depois de estar em Londres cinco épocas, Marco Silva vai agora à procura de uma nova aventura. A imprensa inglesa garante que foi oferecida uma renovação milionária ao treinador português. As coisas corriam bem no Fulham, embora tenha terminado esta última época em 11º primeiro, que seria uns furos abaixo de outras épocas. A direção do clube via em Marco Silva um treinador de projeto, mas ao que tudo indica, o próximo passo do treinador será um regresso a Portugal, de onde saiu rumo a Inglaterra em 2015, vindo do Sporting. Segundo a imprensa desportiva portuguesa, Marco Silva vai mesmo substituir José Mourinho e treinar o Benfica. A RTP noticia que está tudo fechado entre as duas partes. Também o "Record" diz que Marco Silva rejeitou os milhões da Arábia para vir para a Luz, mas ainda nada é oficial. Teresa, vamos certamente continuar a acompanhar o desenrolar destas negociações nos próximos episódios do "Vamos à Bola".
Vamos sim. E para fechar, Ricardo, tu queres falar de cromos? Andas a fazer a caderneta, é?
Não, não ando a fazer a caderneta, mas há uma coisa que eu respeito muito é a cultura da troca de cromos, fazer fintas para contornar a necessidade extrema de gastar mais dinheiro na busca incessante de umas dezenas de cromos que te faltam só para acabares a caderneta. É a população a juntar-se para mudar as regras do jogo. Eu cresci ao ouvir falar do clássico quiosque do Rossio, onde se faziam as trocas de cromos aqui em Lisboa, mas no Chile, Teresa, país que nem sequer vai marcar presença neste mundial, elevaram a fasquia às pessoas. Em vez de se encontrarem num quiosque, num café ou numa papelaria, por exemplo, para trocar cromos, abriram um estádio de futebol para fazerem trocas de cromos.
Um estádio? Mas calma, estamos a falar de quantas pessoas?
Eram só 8 mil pessoas. A autarquia de La Florida, na região de Santiago, percebeu que havia muita procura e encontros de pessoas pela cidade para trocar cromos e disponibilizou o Estádio Bicentenario de La Florida para o efeito. A iniciativa ficou viral nas redes sociais. Aconselho inclusive os nossos ouvintes a irem ver as fotos, porque é de facto impressionante e já há várias pessoas a querer repetir o encontro, segundo o jornal espanhol "El País", que fez um levantamento no local. Sem o Chile entre as 48 seleções presentes na caderneta, os cromos com mais procura são o de Messi, Mbappé e Ronaldo. E portanto, Teresa, eu ia sugerir que, para que já agora os chilenos apoiem a nossa seleção, porque amor pelo futebol eles têm, sem dúvida, e nós assim ganhávamos quase 20 milhões de apoiantes.
Parece-me uma ótima ideia. E é assim que damos o apito final neste "Vamos à Bola", edição de Ricardo Lopes. O jornal de desporto da Rádio Observador regressa na sexta-feira e também contigo, Ricardo.