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Bem-vindos à segunda parte da Vixi Suave. A convidada desta semana é Marta Temido, que é eurodeputada, foi ministra da Saúde, também acabou por ser líder do PS Lisboa, era a número dois e depois subiu pra liderança dessa estrutura. Bem-vinda, Marta Temido. Assumimos que está numa escala e está a falar a partir de um aeroporto, vinda precisamente de Estrasburgo, onde foi discutido o estado da União Europeia. Bem-vinda.
Olá, boa tarde, obrigada. Exatamente. Obrigada pelo convite.
Marta Temido dizia até numa entrevista à TSF bastante recente, já depois desse discurso do Estado da União, que as medidas propostas por Ursula von der Leyen relativamente a Israel e a Gaza são tardias e insuficientes. Mas Ursula von der Leyen propôs sanções. O presidente do Conselho Europeu, por exemplo, ainda há cinco dias defendeu sanções à Rússia, mas nunca falou de sanções a Israel. Ursula von der Leyen está ainda assim a fazer mais do que o presidente do Conselho Europeu, António Costa?
São duas representações diferentes. A Comissão representa o colégio de comissários e o Conselho e o presidente do Conselho representam a voz dos chefes de Estado e de governo dos Estados membros. Creio que o presidente do Conselho não pode, não deve ir além daquilo que é o mandato que lhe é conferido pelos chefes de Estado e de governo dos vários Estados membros. E nós sabemos que vários dos países da União Europeia têm, relativamente ao tema Gaza, posições muitíssimo recuadas. Eu diria que muito mais recuadas do que aquilo que têm sido, apesar de tudo, manifestações públicas do presidente do Conselho de condenação pela situação absolutamente inaceitável, relativamente àquilo que são os valores mais básicos em termos das imagens que temos visto na comunicação.
E isso é verdade, que António Costa também foi dizendo que a Europa estava a reagir de forma suficientemente dura, mas propriamente as sanções. Em junho, e até creio que podemos chamar assim, o spin da direita aproveitou isso um pouco, chegou a dizer a seguinte frase, Marta Temido: "Lamento imenso dizer, mas no poder das instituições europeias, neste momento eu não acredito." Isto era uma crítica só à Ursula von der Leyen ou também era a António Costa e outros líderes europeus?
Não é uma crítica nem à Ursula von der Leyen nem a António Costa, é uma crítica ao funcionamento das instituições europeias. E vamos lá ver, relativamente à posição que a Comissão agora toma, quando eu digo que ela é tardia e insuficiente, resulta da circunstância de nós estarmos, o Parlamento Europeu, concretamente o meu grupo político, eu desde há um ano a repetir em sessões plenárias que é necessário suspender o acordo de associação, analisar a suspensão do acordo de associação com Israel. E portanto, não se pode aparecer num plenário um ano depois e responder a uma pergunta que vem sido repetida ao longo do ano. Daí a minha satisfação com as medidas, de uma certa forma, mas também a minha consideração de que elas são tardias. Depois, quando digo que são insuficientes, as suas insuficiências decorrem também daquilo que é o próprio mandato que a Comissão tem, que a própria presidente von der Leyen diz que vai propor. Bom, o que eu respondo é: poderia ter proposto há mais tempo. Enfim, nós não sabemos qual vai ser a resposta, mas da mesma forma que nós avançamos com uma resolução propondo uma voz única no Parlamento Europeu que foi hoje aprovada relativamente ao tema Gaza, também provavelmente a Comissão poderia ter feito a proposta e corrido o risco de que ela não tivesse sucesso mais cedo. E sim, acho que foi a voz das pessoas na rua que, como eu dizia, permitiu que saísse deste impasse. Creio que os atores perceberam ao mais alto nível que já era insuportável para a sua credibilidade continuar nesta situação.
Olhando aos discursos dos últimos anos do Estado da União da Ursula von der Leyen, ela faz sempre uma espécie de antecipação daquelas que vão ser as críticas dos grupos políticos e como o S&D já tinha o número preparado, eu creio que ela se preparou avançando com esta proposta precisamente para prevenir isso.
Sem dúvida.
Eu não pus o Parlamento Europeu nesta questão, porque me parecia que nessa altura as críticas eram mais, e queria falar um pouco mais sobre esta dualidade pra também avançarmos entre a Comissão e o Conselho, principalmente os seus líderes. O António Costa não esteve nas reuniões de Washington, a Ursula von der Leyen esteve. Nas reuniões de Paris, é verdade que já estiveram os dois, mas os anfitriões foram o Macron e o Starmer. E também é verdade que depois António Costa foi à Ucrânia reunir-se com o Zelensky e sobre essa relação com a Ucrânia, acho que não há dúvidas que António Costa é considerado pelo próprio governo ucraniano. Mas Trump não, António Costa não conta para Donald Trump na questão da Ucrânia.
O que me parece que é mais importante dizer para responder a essa questão, é aquilo que o próprio presidente do Conselho já referiu. Quando se trata de representar a União Europeia, não há que pensar nos egos ou nos nomes de quem o está a fazer. Eu bem sei que o senhor Trump diz que não sabe para quem é que há de ligar, mas se for isso, a presidente da Comissão e o presidente do Conselho sabem muito bem quem é que vai atender em cada momento. E portanto, nessa estratégia pode haver dúvidas sobre algum aspecto, mas está perfeitamente claro que há uma articulação.
Não há um esfagueite entre ambos, entre Ursula von der Leyen e António Costa, por causa de se vai um, se vai outro, um está a ser deixado de fora e o outro não?
O presidente do Conselho respondeu muito elegantemente, se me é permitido o qualificativo, essa questão, dizendo que, e até provavelmente aprendendo dessa experiência menos feliz que foi o Swaregate, que quando se trata do interesse da União Europeia, o que importa é o interesse da União Europeia e não os egos de cada um dos representantes. Nós sabemos bem que a matéria de política externa é o presidente do Conselho que tem a condução, mas também sabemos que as duas figuras têm articulado e que a alta representante e vice-presidente Kaja Kallas integra a comissão. Portanto, há aqui um formato de funcionamento que nem sempre é totalmente evidente. Nem sempre é linear, desde que em última instância funcione, parece-me bem. Já tenho muito mais dúvidas relativamente à questão da coligação de vontades dos países, porque isso já é algo que pessoalmente me parece que enfraquece a própria União Europeia. Por que aqueles e não outros? Aqueles porque são os mais fortes, aqueles porque são os mais interessados. Depois temos, de facto, o Reino Unido, que já não é membro da União Europeia e que é muito bem-vindo, naturalmente, mas a Coalition of the Willing, pessoalmente, já me causa mais dificuldade de entendimento, porque não se percebe qual é o critério que está por trás. Mas, uma vez mais, o que interessa é o resultado e a ida à Casa Branca tinha um objetivo claro, que era dar força a Zelensky e não permitir uma repetição da humilhação a que foi sujeito no episódio do "you don't have the cards".
Certo. Marta Temido, deixe-me só aqui mudar de tema e também de território aqui para Lisboa, até porque é um território que conhece bem, teve responsabilidades políticas ao nível das estruturas locais do Partido Socialista, foi dirigente do PS Lisboa. Eu queria lhe perguntar se perante o que aconteceu no elevador da Glória, Carlos Moedas devia demitir-se.
Bem, antes de mais, deixe-me dizer que eu estou ansiosa por chegar a Lisboa. Estou aqui em escala, como disseram, e estou ansiosa por regressar a casa. Tive na semana passada a oportunidade de estar aos pés do Elevador da Glória. No fim de semana, não estava aí quando houve o descarrilamento e havia uma imagem que me ficou na vista. Era uma imagem de uma fotografia, uma fotocópia que dizia: "Lisboa chora e nós com ela". E através desta frase, que é de alguém que a deixou, queria deixar a minha homenagem à memória de todas as vítimas e ao trabalho dos que ajudaram ao socorro e à recuperação dos feridos. Eu não quero comentar aquilo que são as decisões de outros atores políticos relativamente a incidentes, como são confrontados no exercício da sua atividade política.
Mas repare uma coisa, eu estou a falar com uma pessoa que é um dos exemplos que tem sido apontado, nomeadamente no Partido Socialista. Foi uma ministra da Saúde que se demitiu na sequência da morte de uma grávida, que foi transferida por falta de vagas na neonatologia do Hospital de Santa Maria. Na altura, alegou falta de condições para continuar. É a capacidade política que fica afetada quando há um caso destes?
Eu não sei se é a capacidade política, se é a forma como as pessoas se autoavaliam. Penso que é também um juízo muito íntimo, muito pessoal, daquilo que é a fasquia com a qual nós medimos a nossa responsabilidade. Para mim, essa decisão era incontornável. É assim que vejo o exercício da atividade política, mas acho que essencialmente a professora Alexandra Leitão, agora candidata à autarquia de Lisboa, tem dito muito bem, muito claramente, o que é que está em causa. Esperemos pelo apuramento. E neste momento, o que interessa é, no momento de dor, não é estar a politizar o assunto do doutor Carlos Moedas. Tomará as suas próprias decisões, mas nós já conhecemos o doutor Carlos Moedas.
Sim, nomeadamente quem em 2021 tinha colocado o assunto em cima da mesa quando houve o caso das informações passadas à Rússia. Era presidente de câmara o Fernando Medina, o socialista Fernando Medina. Acha que Carlos Moedas não teria de ter uma linha de coerência com essas declarações e essa regra que ele próprio impôs a Fernando Medina na altura?
Isso é uma pergunta que só o próprio engenheiro Carlos Moedas é que poderá responder. Alguns de nós têm mais preocupações com a coerência, outros têm uma linha mais de disparar em todas as direções quando se sentem acossados. É uma questão de estilo.
O PS tem tido uma estratégia, como estava aqui a referir, que passa por não pedir a demissão de Carlos Moedas, mas rapidamente também surgiram vários antigos dirigentes. Um deles foi Pedro Nuno Santos, com uma urgência diferente em relação a essa necessidade das responsabilidades políticas. Na oposição, o PS está condenado a estas divergências, não se conseguem entender sobre uma estratégia?
Como eu disse, este tipo de decisões tomadas neste momento não são lidas por todos da mesma maneira. Confesso que quando fui confrontada com a morte daquela mulher, aquela grávida, num transporte de ambulância entre serviços de saúde, senti que eu devia isso àquela mulher. Devia isso porque ela ainda por cima era uma estrangeira que, pelos vistos, não teria até acesso ao Serviço Nacional de Saúde, mas ela vem que teria até tentado ter acesso ao Serviço Nacional de Saúde e, portanto, que se tinha exposto particularmente, embora eventualmente numa situação que até podia ser com os órgãos ilegais, mas que se tinha exposto particularmente para ter acesso a um serviço de saúde. E a mim chocou-me imensamente Que essa mulher, aquela criança que sobreviveu, aquela comunidade, pudessem ficar sem alguém que um dia dizer: "Olha, mas houve uma pessoa que se responsabilizou logo." Nós sabemos que esses apuramentos por vezes são longos, por vezes não esclarecem nada e a minha leitura da política é a de que é preciso que não exista impunidade.
Pelo que eu percebo, está mais do lado daqueles, como Pedro Nuno Santos, que pedem uma responsabilidade política imediata.
Não, estou a dizer que é uma decisão. Está bem, mas eu não sou o Dr. Carlos Moedas. Não sou o Dr. Carlos Moedas.
Mas no lugar dele ter-se-ia demitido perante uma tragédia desta dimensão, no lugar dele ter-se-ia demitido, tendo em conta aquilo que é normalmente a sua forma de pensar?
Felizmente, não estou na posição do engenheiro Carlos Moedas. Essencialmente creio que os lisboetas, eu que também sou lisboeta, têm a muito breve prazo a oportunidade, como aliás o senhor Presidente da República também já deixou dito numa referência e numa intervenção que fez a este propósito, têm a oportunidade de avaliar.
Desde que esteve aqui na Vixi Suave pela última vez, já houve novamente eleições legislativas, um novo crescimento do Chega. Está convencida, até pelo que tem visto na Europa, que esse crescimento vai também acontecer ao nível local?
Temo que esse crescimento possa também acontecer ao nível local. Até porque vão saindo alguns estudos, algumas sondagens, alguns estudos de opinião que mostram essa possibilidade num conjunto de territórios. E aquilo que nós vemos na Europa é essa tendência. Portanto, nós acharmos que estávamos livres dos populismos mais exacerbados, não estávamos, e verificamos naturalmente que eles se estendem a todos os níveis de poder.
Se o PS perder o lugar de primeiro partido autárquico e perder câmaras ou deixar de as ganhar nestas eleições, perder câmaras de peso, a atual liderança do partido fica já em causa?
Não me parece que substituir lideranças, porque os resultados eleitorais não são aqueles que se gostaria ter, resolva qualquer problema da vida política. Pelo contrário, fui daqueles que acharam que deveria ter sido feita uma reflexão mais profunda antes das eleições internas para o atual secretário-geral, não por menor confiança no atual secretário-geral, mas porque tudo aconteceu muito depressa em termos eleitorais.
Mas depois das legislativas, houve essa pressão para que o partido refletisse primeiro o que tinha acontecido e só depois resolvesse a questão da liderança deixada vaga por Pedro Nuno Santos. Quatro meses depois, no fundo, só há um novo líder, mas continua sem haver essa reflexão. Faz falta? O PS arrisca-se a perder relevância no cenário político, como aconteceu, por exemplo, em França?
O que o PS refletiu, e eu estava a referir que estive entre aqueles que consideravam que teria sido interessante ter havido um período de reflexão mais intensivo, mas aquilo que resultou das reuniões dos órgãos próprios e aquilo que os militantes do PS acabaram por decidir, faz também sentido. Por um lado, a reflexão não implica inação, e essa reflexão está a ser feita e continua a ser feita à medida que se preparam, designadamente este ato eleitoral que são as legislativas. Quanto à relevância do PS, nós apresentamos estas eleições com a intenção de as vencer e de manter a presidência da Associação Nacional de Municípios. O PS no poder local tem um histórico e tem pergaminhos. Peço desculpa por empregar esta expressão, desde logo por aquilo que foi a sua agenda sempre transformadora, inovadora, de transferência de competências, corajosa, ambiciosa para o exercício e para o desempenho do poder local. Repare que não esqueçamos que Lisboa tem uma situação absolutamente inovadora em termos daquilo que é a distribuição de competências, a repartição de competências entre o município e as juntas de freguesia. E que foi o PS, foi por mão do PS, no último governo de António Costa, que se iniciou o grande processo de alargamento das competências do país, com descentralização de uma série de áreas para as autarquias, designadamente a área da saúde, mas também a educação, cultura, segurança social e justiça. E portanto, nós temos tido atores que têm tido a capacidade de encarnar estas políticas inovadoras no nível local e partimos para estas eleições com essa expectativa. Em última instância, em democracia, a decisão cabe sempre aos eleitores, isso não há dúvida nenhuma, e cá estaremos para reagir. Compreendemos que há uma tendência europeia no sentido de voto, e portanto penso que só podemos dizer uma coisa aos eleitores: o voto de protesto é um voto cobarde, é até um voto um bocadinho egoísta, porque é um voto que esquece que quando nós pomos a cruz numa folha de papel, não decidimos só o nosso destino, decidimos o destino de todos.
Pelo que muitos estudos pós eleições legislativas mostram que esse partido a que se refere, neste caso o Chega.
O partido de extrema-direita. Sim.
Exatamente. Roubaram o eleitorado ao PS. Terá de ser o PS a fazer também essa reflexão, não?
Claro, com certeza, naturalmente. Por isso é que eu estava a dizer que o PS optou por fazer essa reflexão ao mesmo tempo que reagia e empreendia um conjunto de medidas no sentido da sua reorganização. Isso faz parte de uma nova liderança, de uma nova estrutura, de uma nova figura, da sua própria estratégia e da sua personalidade. Isso não quer dizer que a reflexão não esteja a ser feita ao mesmo tempo, até porque temos um ciclo eleitoral à porta. Um não, dois agora.
E já lá vamos também a esses ciclos eleitorais. Marta Temido, no primeiro dia em Estrasburgo, disse-nos também em entrevista que se o orçamento do Estado fosse chumbado, Marcelo Rebelo de Sousa tinha de, em coerência, dissolver o Parlamento. Agora que isso não é possível, o PS deve viabilizar o orçamento de Estado do Governo da AD?
Eu acho que não se pode responder a essa pergunta sem conhecer o papel e sem conhecer as propostas. Não acha que em branco nunca ouve quem diz deve isto ou deve aquilo, sem conhecer o que é a proposta do orçamento de Estado. Penso que corre um risco muito grande.
Mas há alguma possibilidade de o PS não viabilizar este orçamento, quando o próprio líder disse quando era candidato, que viabilizando o programa do governo teria de viabilizar também este instrumento de governação?
Insisto, depende daquilo que seja a proposta do orçamento de Estado. Mas quem tem que apresentar a proposta não é o PS, é o partido do governo, são os partidos do governo. E, portanto, essa pergunta, se o PS pode viabilizar ou não pode viabilizar, tem de ser feita a quem está na governação e não tem maioria absoluta e tem que encontrar as condições de governação. E a União Europeia ensina-nos bem isso, que quem é o partido predominante no arco das forças políticas, tem que encontrar entendimentos para fazer passar, fazer aprovar as suas políticas. E depois, com quem é que quer dançar?
O ponto era se há forma de o PS chumbar este orçamento, não incorrendo numa incoerência face ao que disse José Luís Carneiro.
Eu considero sempre preferível ver aquilo que são as propostas do que fazer juízo sobre as situações. Só em situação é que nós sabemos como é que podemos reagir.
As alterações laborais e em matéria de saúde e também as mudanças fiscais podem ficar de fora da proposta, segundo o governo, isto para facilitar também caminho à viabilização socialista. O PS pode viabilizar uma proposta só pelo que conseguiu que não estivesse lá, ou seja, não precisa propriamente ter ganhos efetivos de causa?
O orçamento de Estado é o orçamento do Governo e, portanto, a questão daquilo que lá estiver dentro refletirá as prioridades do Governo. E essa responsabilidade é uma responsabilidade inteiramente dos partidos que neste momento estão no governo. Não é uma responsabilidade do Partido Socialista, eu não consigo mesmo ver de outra forma. Agora, se me disser assim: "Os ciclos eleitorais devem ser respeitados." Sou favorável a que sim. Para casos e exemplos de instabilidade e do que a ela vem associado de negativo, temos o caso de França. E portanto, embora eu não goste das comparações entre países, espero que Portugal não se torne França.
Os mandatos são para cumprir. Passamos agora para presidenciais. Catarina Martins, que também é eurodeputada, é candidata presidencial. João Cotrim Figueiredo, idem. Salvo do Partido Socialista, que não se sente representada pelo candidato que já é conhecido da área do PS a convidar para encabeçar uma candidatura presidencial, admite pensar no assunto.
Como disse na resposta anterior, os mandatos são para ser cumpridos. Eu assumi com o meu eleitorado que iria cumprir este mandato, exceto se algum problema de saúde ou pessoal emergisse, até porque foi uma questão muito colocada durante a campanha e, portanto, eu vou cumprir este mandato. Não há qualquer hipótese de me desviar daquilo que foi o compromisso assumido.
Só tem que o suspender para ser candidata, depois só se ganhar é que tem um problema.
Sim, mas isso não está obviamente em causa.
Já lhe falaram disso, Marta Temido?
Desculpe.
Já lhe falaram disso?
Quando concorro a alguma coisa, concorro para ganhar. E eu não poderia querer ganhar estas eleições pela razão do compromisso que assumi com os meus eleitores.
Mas não lhe falaram disso? Ninguém ainda veio com essa conversa.
As conversas que tenho com os meus amigos, desculpem, mas não as conto na Rádio Observador.
Mas não é...
O que é uma pena, porque parece que a resposta era sim. É uma pena. Até porque felizmente são conversas sempre muito divertidas.
Digamos que já foi sondada, mas não quer ir por aí. Não sai correta essa afirmação.
Em absoluto, foi o meu compromisso de há um ano, há pouco mais de um ano, cumprir o meu mandato no Parlamento Europeu. Acho que foi quando eu fui cabeça de lista, uma escolha do secretário-geral Pedro Nunes Santos, às eleições europeias, perguntaram: "Mas o que é que esta vez está aqui fazer? Ela nunca falou de Europa, não sabe nada de Europa." Eu lembro-me muito bem dessa. "Se calhar é apenas para uma candidatura e depois vai-se embora e ela vai é para a Câmara de Lisboa." E eu disse que não Eu mantenho a minha palavra, a não ser que, desculpem, em circunstâncias extremas, não a possa manter. Acho que isso faz parte também da nossa forma de estudar a política.
Há um ex-líder do PS que é candidato. É uma inevitabilidade o PS apoiar o seu antigo líder?
A posição do PS sobre esse tema é conhecida. Depois do ciclo autárquico, tomará uma decisão e penso que haverá uma comissão nacional e essa decisão será tomada.
Mas é que Marta Temido, por exemplo, defendeu publicamente a candidatura de Sampaio da Nova, que disse que apoiaria, quando António José Seguro já estava no terreno. O ex-líder do PS não serve para essa corrida.
E também expliquei quais eram as minhas razões afetivas, de trajeto e de coerência, muitas vezes mais, para apoiar o professor Sampaio da Nova. Eu já o fiz quando ele foi candidato e, portanto, para mim, quando me fizeram a pergunta, a resposta era óbvia.
Muito bem, Marta Temido, vamos avançar para a carne ou peixe. Tem que escolher uma de duas opções. Já esteve na Visa e já sabe como isto é. Da outra vez estive a ver em quatro, respondeu a três. Vamos ver se consegue agora melhorar.
Se já estou nervosa, não me faça rir.
Vamos a isso. Marta Temido, a Ana Catarina Mendes tem um podcast com Lídia Pereira. Se tivesse que escolher um colega de outro partido do Parlamento Europeu para fazer um podcast, escolheria Catarina Martins ou João Oliveira?
A pergunta é difícil. Talvez a Catarina Martins.
Se tivesse de escolher um eurodeputado português para falar da Europa e relações internacionais numa escola em Portugal que não fosse do PS, escolheria Sebastião Bugalho ou Tiago Moreira de Sá?
Sebastião Bugalho, claramente.
E quem convidaria para comer um gofre na Grand-Place? Pedro Nuno Santos ou José Luís Carneiro?
Eu juro-lhe que não gosto nada de gofre.
Pode ser outra coisa qualquer, pode ser uma cerveja, se quiser.
Parece-me melhor. Convidava os dois.
Preferia ser mandatária da candidatura presidencial de António José Seguro ou de Marques Mendes?
Não creio que nenhum dos dois ainda esteja a precisar de mandatário.
É importante. É uma saída.
Muito bem.
É uma saída. Obrigada.
Respondeu a duas das quatro. Diminuiu um pouco o score, mas elas eram mais difíceis, talvez. Vamos então à última fase, que é a da sobremesa, que é a música que nos trouxe, e queria que nos falasse um pouco sobre essa escolha, o porquê dessa escolha.
Por várias razões. Porque o professor José Godinho fez 80 anos aqui há uns domingos, acho que não foi no último, mas no anterior, e eu queria ter posto uma coisa nas minhas redes sociais a dar-lhe os parabéns, porque gosto muito de Sérgio Godinho, desde que era miúda, e não o consegui fazer. E portanto, de alguma forma, por essa questão. Por outro lado, porque a Balada da Rita me lembrou a pessoa que me fez o convite para estar aqui presente.
Obrigada.
Ora essa. E porque gosto da letra. Sempre gostei, para mim as músicas não são só a melodia, são também a letra. E sempre gostei da Balada da Rita como uma história de persistência e com uma certa melancolia, um certo cheiro a portugalidade. "O coveiro que o diga quantas vezes se apoiou na enxada e o coração que o conte quantas vezes já bateu para nada." Gosto, porque a vida também tem momentos difíceis e vale a pena nós recolhermos força para os enfrentar e persistirmos.
Muito bem, Marta Temido. Bom regresso a Portugal, está em Barajas. Como diria um dia José Sócrates num congresso com o Partido Socialista Espanhol, "ponerlos en guardia", que é ponham-se em guarda, que é também uma expressão muito repetida nessa música da Balada da Rita, que é põe-te em guarda. Marta Temido.
Põe-te em guarda.
Exatamente.
Obrigada.
Muito obrigado e bom regresso.
Muito obrigada pelo convite.
E o coração que o conte quantas vezes já bateu para nada. O coveiro que o diga quantas vezes se apoiou na enxada. E o coração que o conte quantas vezes já bateu para nada. E um dia de tanto andar, põe-te em guarda. Eu vi-me exausto e zangue, põe-te em guarda. Entre um berço e um caixão, põe-te em guarda. Mas quem tratou de me amar soube estancar o meu sangue e soube erguer-me do chão. Veio a fama e veio a glória, põe-te em guarda. Passearam-me de ombro em ombro, põe-te em guarda. Encheram-me de flores o quarto, põe-te em guarda. Mas é sempre a mesma história, depois do primeiro assombro logo o corpo fica farto. Andei com homens de faca, põe-te em guarda. Vivi com homens safados, põe-te em guarda. Morei com homens de briga, põe-te em guarda. Uns acabaram de maca e outros ainda mais deitados, o coveiro que o diga. O coveiro que o diga quantas vezes se apoiou na enxada. E o coração que o conte quantas vezes já bateu para nada. O coveiro que o diga quantas vezes se apoiou na enxada. E o coração que o conte quantas vezes já bateu para nada. E o coração que o conte quantas vezes já bateu para nada.