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Olá, bem-vindos à Vixi Suave. Esta semana António Costa foi a Coimbra de fita métrica e fio de prumo na mão, uma ponte para aqui, um viaduto para acolá e um ministro das infraestruturas que ficou em casa a ver passar comboios. Mas, estimados passageiros, o comboio precedente Coimbra-Bé tem como destino Porto-Campanhã. Mais a norte, o presidente Marcelo enfrentou, com o mar agitado em Alvor, a sua senhora cor-de-rosa e mandou-a votar noutro que não Costa. Esse mesmo, o construtor. Mais a sul, o PCP prefere outras paragens e nem São Bento, nem bom casamento. Agora era suposto ouvirmos a Carvalhesa, posso tentar?
É incrível como não conseguimos ouvir a Carvalhesa no Avante. Era a coisa que não podia falhar.
Vamos tentar, eventualmente hoje há de ser qualquer coisa do género .
Quando conseguirmos ouvir, eu aviso.
Assim é terrível. De pé ou vítimas da fome, aqui todos sentados, estamos com a Vixi Suave para vos distanciar. O meu nome é Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador e comigo hoje tenho uma verdadeira balada das Ritas: Rita Dinis, Rita Penela e Rita Tavares, jornalistas da seção de política, e também o jornalista Miguel Viterbo Dias da Rádio Observador. Esta é uma emissão especial da Vixi Suave. Estamos em direto a partir do recinto da Festa do Avante, ainda vazio. Não se preocupe, estamos à distância de segurança. Há muitas léguas a nos separar, tanto mar, mas só no fim, mesmo no fim, é que vamos poder dizer se foi bonita a festa. Vai começar a Vixi Suave. E de fundo estamos a ouvir um soundcheck de Lena d'Água. Vamos começar então.
Não é problema nenhum, digamos.
Não, senhora.
Olha a sorte.
Vamos começar pela distribuição de sopas e esta semana propunha uma sopa vermelha. Não sei, Rita Penela, como acompanhas o PCP, se queres tu começar e qual é a tua sopa vermelha.
Sim, posso começar e é uma sopa vermelha que também não vai surpreender ninguém e tem a ver com a polêmica em torno das recomendações da DGS e do parecer que a entidade que depende do Ministério da Saúde tinha que dar. Não é beterraba, portanto tem tomate, uma tomatada à mistura, e todo o processo até que levou Marcelo Rebelo de Sousa a fazer alguma pressão, porque há muitos meses que os jornalistas andavam atrás da Direção-Geral de Saúde para que fosse tornado público, que remetia sempre para a entidade organizadora, neste caso o PCP. O PCP já tinha feito saber que não iria divulgar publicamente, porque achava que tinha que ser a Direção-Geral de Saúde a fazê-lo. E chegamos ao fim com a ter que ser o presidente da República a fazer alguma pressão e depois a falar aos jornalistas no Algarve, creio, dizer que o governo já tinha garantido que iria ser público e na segunda-feira então uma catadupa de informações sobre o Avante. E cá estamos à espera que as portas abram daqui a algumas horas.
E se a providência cautelar tivesse sido aceita, provavelmente não estaríamos aqui, Rita Tavares. Tu que acompanhaste melhor, não sei se a tua sopa vermelha também é o Avante.
Sim, claro, acho que é incontornável também. Acho que foi o tema do momento nesta rentrée política e de fato houve aqui esta questão da providência cautelar que apareceu aqui há duas semanas do início da Festa do Avante e foi decidida de forma célere, como é costume nas providências cautelares. Foi entregue por um empresário que tinha sido há uns tempos militante do PSD e que até foi candidato autárquico do PSD. Acontece que o tribunal decidiu que não havia fundamento suficiente para que a festa fosse suspensa e que não estava provado que isso daqui pudesse resultar num agravamento dos riscos para a pandemia e que no fundo também já tinham sido tomadas medidas adicionais por parte da DGS e foram conhecidas medidas mais restritivas, com uma lotação máxima que foi reduzida.
O PCP a queixar-se inclusivamente que tinha sido mais restritivo em relação a eles.
Sim, foram regras muito mais apertadas do que em relação a outros eventos que têm acontecido. Há aqui uma questão que eu acho que eu gostava de dizer, que é: nós podíamos dizer que o PCP só se podia queixar de si próprio, mas eu acho que o PCP tem muito, para sermos justos, pelo menos do meu ponto de vista, a queixar-se da DGS. A DGS agiu de uma maneira muito pouco célere nesta questão. Foi muito pouco rápida. Queixou-se muito o PCP, nomeadamente a comunicação social e dos ataques que têm sido feitos aos comunistas.
E isso existiu, Rita. Ou seja, houve uma espécie de ataque cerrado à festa?
Não é ataque, quer dizer, era a questão. Há uma festa que, de facto, reúne muita gente. A lotação prevista eram 33 mil pessoas, agora passou para 15 mil ou 16 mil. Havia, de facto, muita gente, pessoas preocupadas. É normal nesta altura de pandemia, mas a DGS foi bastante lenta a pôr cá fora as regras. Como é que isto aparece a menos de uma semana da festa? Quer dizer, é mau para toda a gente. É mau para quem vai à festa, é mau para o Partido Comunista Português, é mau para toda a gente. Não é claro, cria dúvidas. De facto, aqui há muita queixa a fazer. O PCP acho que só se pode queixar, sim, da DGS e não da comunicação social. Acho que se pode queixar da DGS e é incompreensível, até perante as pressões do presidente da República de que a Rita falava, que não surgiram agora. O presidente da República, no início de agosto, numa ação que tinha tido por hotéis em Lisboa, já tinha dito exatamente a mesma coisa. Tinha dito que a DGS tinha que pôr regras cá fora. Não é o partido que tem que dizer que é assim ou assado. Há uma entidade, uma autoridade de saúde, que tem de definir regras, como definiu para todos os eventos e publicou-as. Por que tinha que ser o PCP divulgar regras aqui? Não tinha que ser o PCP, o PCP tinha apenas que cumprir as regras Da autoridade de saúde. E a autoridade de saúde tinha que as definir cedo. Não definiu. É triste.
Rita Diniz, concordas que a DGS tem alguma responsabilidade nesta matéria?
Sim, absolutamente, mas acho que a Rita já disse tudo. Como não temos muito tempo, o tempo não é infinito, queria desviar ligeiramente as atenções para falar de outra sopa vermelha.
Isto é um coletivo, portanto está-se à vontade.
Cada um sabe de si. Não vou falar do hipocampo. Infelizmente, o soundcheck da Lena d'Água acabou, portanto, já não vamos ter mais essa banda sonora de fundo. Mas a minha sopa é uma sopa fria, eu diria um gaspacho, uma espécie de balde de água fria que o PCP entornou em cima do governo esta semana, quando decidiu recusar à última hora, disse que não tinha agenda e não foi à reunião que estava prevista acontecer em São Bento com António Costa, que decorreu, de resto, com o Bloco de Esquerda, com os Verdes e com o PAN. E um dia depois de o gabinete do primeiro-ministro dizer que a reunião ia acontecer com os antigos parceiros da Geringonça, o PCP diz: "Afinal não, porque não temos agenda e não é expectável", era esta a expressão, "não é expectável que tenhamos antes da realização da Festa do Avante". Parece-me que o PCP quis dar uma mensagem muito clara que foi: as reuniões acontecem quando e se nós quisermos. É o PCP que tem a faca e o queijo na mão agora e vem livre que nem um passarinho para a Festa do Avante para Jerónimo de Sousa poder vir dizer o que bem entender. Aliás, no dia em que era suposto estar reunido em São Bento com António Costa, Jerónimo de Sousa estava a dar um comício em Grândola, onde estava precisamente a cascar no PS junto ao PSD.
Vês que há já aqui uma relação de não se reunir com o governo antes para estar mais livre para fazer críticas ao governo ou para ter uma maior liberdade de crítica.
Parece-me que sim, parece-me que é indiscutível que isso também seja assim. É um momento importante a Festa do Avante, além de toda esta polêmica em torno da sua realização ou não por causa da pandemia, a Festa do Avante é sempre um momento importante de reentrada do PCP, onde é importante o discurso de Jerónimo de Sousa para marcar o ano político que aí vem, independentemente de todas as regras ou não relativas à pandemia.
Não resisto só a perguntar à Rita Tavares se ela acha que o PCP vai roer a corda ou se vamos ter alguma espécie de nova Geringonça, com tudo o que é o documento escrito e as exigências de um plano de médio e longo prazo.
Se calhar é importante dizer neste momento que o convidado da segunda parte está aqui a ouvir.
Estás-te a sentir condicionada.
Estou condicionada. Não, acho que vamos ter que perguntar. Acho que vai ser interessante vermos. Não consigo fazer futurologia a esse nível, confesso. Acho difícil que o PCP roa a corda. Muito sinceramente, mas veremos.
Agora propunha, na mesma lógica que dizia de início de estações, que mudássemos de estação até Coimbra. Não sei se vai ser possível desta vez ouvir António Costa, já que nos boicotaram a Carvalheisa.
Já temos Carvalheisa, se quiseres fechar este segmento com a Carvalheisa para recordarmos.
Adoraria.
Agora sim.
Está reposto o som que queríamos pôr no início e avançamos agora então para Coimbra, depois desta mini Carvalheisa, onde António Costa fez a sua reentrada política.
Foi nessa reentrada que estiveram presentes vários autarcas. Aliás, foi na cidade onde está o presidente da Associação Nacional de Municípios, Manuel Machado, em Coimbra, e foi aí também que o primeiro-ministro deixou várias promessas.
E esta é a oportunidade para fazermos de norte a sul aquelas pequenas ligações que há muito estão pensadas e que foram sempre adiadas. É a ligação de Bragança à fronteira. É o IC31 entre Castelo Branco e Monfortinho. É a ligação entre Nisa e Cedilho. É a ponte entre Alcoutim e Salúcar. Todas essas pequenas ligações são ligações fundamentais para que o interior deixe de ser interior e seja, pelo contrário, o eixo de articulação deste grande mercado ibérico que nós temos de construir nesta nossa península.
Alcoutim e Salúcar, não sei se estou a pronunciar bem a terra, que suponho que seja eventualmente espanhola. Miguel, tu ainda não falaste, apenas encheste um chouriço para tentar meter o som. Vou aproveitar antes de passar para a Rita Tavares e só perguntar qual é que foi a tua perceção daquela reentrada do PS. Foi em força?
Eu tinha uma curiosidade para partilhar, que nós ao longo do dia íamos comentando que algumas intervenções iam se tornando um bocadinho pesarosas.
Deixa-me só dizer-te que isto com o som baralhou, mas isto é uma fila da sopa. Não sei se isso te sugere alguma coisa. Mas pode continuar.
Havia lá mais filas, acho que também já vamos falar disso, que é a fila dos ministros que por lá passaram, mas algumas das intervenções foram nos parecendo muito pesarosas ao longo do dia. Mas eu tinha uma curiosidade, que foi a intervenção da ministra da Saúde, Marta Temido, acabou por ser uma das mais ouvidas na nossa rádio, nós transmitimos em direto, e depois em podcast acabou mesmo por ficar viral, que é uma coisa que ninguém apostaria. Ninguém apostaria que aquilo ia ter milhares de audições.
No fundo, a Marta Temido, o que parecia que estava a fazer era uma conferência da DGS.
Uma auto-revisão.
Uma auto-revisão. Muitas conferências da DGS condensadas ali em uma só intervenção.
Mas não queria tirar o foco do António Costa nessa tal distribuição aos autarcas, como disse no lançamento nessa cidade, com um dos autarcas, que é um dos senadores do PS, que é o Manuel Machado, aproveitou para ir distribuindo um pouco por todo o país.
Muito bem. Rita Tavares, isto aqui como, parafraseando Ana Catarina Mendes, é o tempo dos elefantes brancos a voltarem às grandes obras e o betão, ou não é bem isso e é apenas um discurso equilibrado para agradar alguns autarcas? Qual leitura que fizeste de toda esta lista de compras de António Costa?
Lista de compras, acho que lhe chamaste aquilo que foi.
Parece uma fila da sopa.
É uma fila de sopa. Vamos lá distribuir sopa aqui pelos autarcas presentes. É bom dizer que, por causa das regras sanitárias, na sala em Coimbra, no Convento de São Francisco, estava muito menos gente e o PS teve Enfim, seguiu ali um método para não juntar muita gente na sala, muitos socialistas nesta rentrée, e então convidou apenas dirigentes eleitos, portanto, estavam lá os autarcas do PS, alguns dos autarcas do PS. O PS tem, neste momento, a maioria das câmaras em Portugal, mais da maioria, e, portanto, o que aconteceu foi que estava ali na plateia o público que António Costa mais desejaria para ouvir este seu discurso de cimento. De algum cimento, de distribuição de obra e de pretexto e de slogans de campanha para cada um dos autarcas distribuídos pelo país, sobretudo da região do interior, que para quem ache que António Costa foi parco em política, não foi. Isto é o que os políticos fazem em pré-pré-campanha. E de facto já começa a cheirar a autárquicas, e por ali tresandou a autárquicas com esta distribuição de obra pelo país, sendo certo que o país vai receber uma injeção grande de dinheiro com o financiamento de Bruxelas, que vem quer por via do plano de recuperação e resiliência, quer por via dos fundos comunitários. E António Costa até pôs ali as regras de utilização desses pacotes financeiros nos próximos anos para aplicá-los a obras de mais curto prazo, aplicá-los a obras de mais médio e longo prazo. Enfim, deu ali a cartilha toda aos autarcas e até uns rebuçados para eles poderem distribuir em campanhas, portanto, foi a rentrée.
E é muito curioso, porque aliás, a primeira coisa que António Costa disse neste discurso foi que as eleições que importavam do ano que vem eram as eleições regionais dos Açores e as autárquicas, portanto, as presidenciais nem vê-las, não referiu. E também não referiu as questões...
E são logo as primeiras.
Sim?
Não, os primeiros são os dos Açores.
São os dos Açores, depois as presidenciais e depois as autárquicas. Portanto, isso foi muito relevante. E também não referiu a questão das negociações à esquerda, não pôs a tónica aí, mas deixou isso para Carlos César, para Ana Catarina Mendes, para Duarte Cordeiro, para todos os outros intervenientes que passaram por ali, porque é preciso também gerir as coisas com cuidado nesta fase de negociações.
Há uma readequação do slogan e é: quanto mais o cimento aquece, mais força tem o PS.
Desculpa, Rui, e há só mais uma curiosidade, que o discurso foi todo sobre cimento, mas o ministro do cimento não esteve lá, portanto Pedro Nuno Santos.
O ministro das Infraestruturas faltou. Estava lá o seu rival interno, Fernando Medina.
Sim, que subiu à palco para fazer um discurso bastante inócuo, diga-se. Mas a questão da fila da sopa é isso mesmo, é que estavam muitos ministros presentes nesse evento, que lá está, como a Rita disse, era só a convite, e Pedro Nuno Santos não estava.
Muito bem. E agora, já quase a chegar ao fim desta primeira parte, proponho-lhes uma açorda. Não sei o que é que pode dar aqui uma grande açorda, mas o que vocês acham?
O que é que deu para ti, Rui?
Eu diria que foi uma espécie de senhora de cor-de-rosa de Marcelo Rebelo de Sousa. Que lhe apareceu numa Feira do Livro do Porto e que o Presidente da República reagiu da seguinte forma.
E vamos ouvir esse som também.
Por que o Governo tem mais poder do que o Presidente? Por quê? A Constituição foi votada assim. Não, há que mudar as coisas. Por que o povo não muda as coisas? Por que o senhor não muda as coisas? O Presidente tem os poderes que tem. Você manda. Não, quem manda é o governo ou é o presidente? Quem manda, senhor Presidente? Quem faz as leis é o Parlamento. Por que não põe na cadeia essa gente que nos está a fazer morrer? Mas eu dou-lhe a resposta. Que nos tiram as tripas. Nós temos que pagar tudo e ninguém nos ajuda. Mas eu dou-lhe a resposta. Por que ajudam a TAP, os hotéis e nós que somos microempresários não nos ajudam, senhor Presidente, por quê? Então eu dou-lhe a resposta. Por quê? Por que eu tenho que comer pão? Porque os portugueses votaram neste governo. Por que eu tenho que comer pão? Digam aos portugueses para votarem noutra. Não, eu não votei nesse governo. Sabe quem vota é o povo. Das nossas crianças. Mas quem vota é o povo.
"Quem vota é o povo", diz Marcelo Rebelo de Sousa. Fica para a história da política. "Oh, filha, a Constituição foi votada assim." Mas também mandou votar noutro governo muito rapidamente.
Mas é engraçado ver que com selfies reage um bocadinho melhor do que quando é confrontado com críticas, porque não foi feliz a reação. Não foi nada feliz, acho que não lhe saiu bem.
Mandar votar noutro governo não é institucional.
Não é nada institucional, é uma coisa de explicar como é que funciona o regime democrático em Portugal, a Constituição, e depois mandar essa coisa que nós sabemos.
Vota noutro governo.
Não sei, acho que ele não está muito habituado a ouvir críticas.
Estão então distribuídas as sopas da Vichy Soisse nesta primeira parte e daqui a pouco senta-se à mesa o nosso convidado, o antigo deputado do PCP, Miguel Tiago. Bem-vindos à segunda parte da Vichy Soisse. À mesa temos conosco Miguel Tiago, nome com uma fonética parecida com o pseudônimo de Cunhal. É da margem sul, sítio onde são feitos os sonhos e também a Festa do Avante. É motard, suponho que sei o jeito de outro Miguel. Foi segurança de discoteca, onde usava o diálogo para evitar conflitos. Foi deputado e aí, pelo diálogo, não fugia muito desses mesmos conflitos. É ainda geólogo de profissão e poeta. Miguel Tiago, entre todos estes ofícios, bem sei que não é epidemiologista, mas estamos no recinto da Festa do Avante e daqui a duas horas, mais coisa menos coisa, abrem as portas. Há condições de segurança para a festa se realizar?
Boa tarde, antes de mais, e obrigado pelo convite. Eu julgo que quer pela regulamentação em vigor, quer pelo trabalho que a organização da Festa do Avante fez, inclusivamente em articulação com as autoridades de saúde, temos todas as condições para garantir que estão criadas condições de segurança, mesmo do ponto de vista sanitário, principalmente do ponto de vista sanitário, no espaço da Festa do Avante. E tendo em conta todas as limitações que foram colocadas, todas as exigências que foram colocadas, aliás, até em patamares, por vezes, mais íngremes, mais altos do que para outros eventos.
Uma discriminação do PCP.
Não sei. Vamos lá ver, eu não posso dizer que os técnicos da Direção Geral de Saúde ponderaram penalizar o PCP. Eventualmente, uma pressão pública sobre o evento que foi colocada numa campanha que durou mais de um mês. Aliás, desde que dissemos que íamos fazer a Festa do Avante, apesar de sempre termos dito que a faríamos se houvesse condições Mas desde o momento em que dissemos que faríamos a festa se houvesse condições, começou um ataque. Começou esse ataque levado a cabo por várias frentes, principalmente políticas, mas também com outras pressões. Talvez tenham colocado uma pressão também sobre os técnicos da Direção Geral de Saúde, reconhecendo a sensibilidade do evento, a multiplicidade de realidades que aqui se cruzam, porque estamos a falar de espaços, tanto temos espaços culturais como um teatro, como um palco 25 de Abril, onde há grandes concertos, como depois temos zonas de restauração, exposições. Portanto, é de facto um espaço complexo, é de facto um espaço que implica não regras simples e, portanto, eventualmente, também uma complexificação das regras. Mas aquilo que neste momento está claro para todos é que o PCP, a organização da Festa do Avante, aqueles que trabalham aqui na Festa do Avante, cumpriram essas regras, mereceram o parecer favorável de todas as organizações que intervêm no licenciamento e na autorização de eventos, tendo em conta também as regras impostas pela pandemia. E, portanto, sim, temos todas as condições e tenho neste momento grande tranquilidade.
É mais seguro do que ir ao supermercado. Ontem João Oliveira disse que era mais seguro do que ir ao supermercado.
Todos nós vamos aos supermercados, julgo eu. Provavelmente todos os que estão nesta mesa. Temos que ir às vezes fazer as compras e a outros espaços. E todos percebemos, e eu julgo que se tiverem a oportunidade durante a festa cruzar o espaço da festa, perceberão rapidamente que aqui está provavelmente o espaço mais seguro do país durante estes três dias. Não só porque as medidas que estão a ser aqui asseguradas são muito exigentes, mas também porque do ponto de vista da organização, é absolutamente necessário que as coisas corram no cumprimento dessas regras e, portanto, o próprio visitante da festa é consciente. Ao contrário do que se pensa, que as pessoas vêm para aqui, não querem saber da Covid para nada. Não, as pessoas que aqui estão dentro são as mesmas pessoas que vivem lá fora e, portanto, têm as mesmas preocupações.
São medidas injustificadamente exigentes.
É isso que eu não tenho condições técnicas para dizer. Agora, é verdade. Vamos lá ver. É verdade que olhando para o Campo Pequeno, lá está, eu não sou epidemiologista. Mas olhando para o Campo Pequeno, que é um espaço fechado onde se realizaram eventos, alguns deles corridas de touros, outros eventos com lotações superiores ao palco 25 de Abril, que é um espaço que tem cinco a seis vezes o tamanho do Campo Pequeno e é ao ar livre.
Mas essas pessoas depois circulam. Foi como o 1º de Maio. Havia a imagem de um 1º de Maio, manifestação bastante organizada e com lugares marcados, mas depois houve fotografias a circular das pessoas, depois de saírem daquela organização, a circularem se calhar sem o distanciamento. Se calhar não, seguramente sem o distanciamento.
Eu duvido que as do Campo Pequeno tenham lá ficado para sempre. Portanto, a seguir também saíram.
Mas saíram à vez, não é?
Mas também nesses eventos saíram à vez. No 1º de Maio, e eu participei no 1º de Maio, não no de Lisboa, mas no de Setúbal, o que aconteceu foi que se pediu às pessoas que linha por linha se fossem retirando. É claro, a partir do momento em que elas se retiram daquele espaço, eventualmente vão se juntar com as pessoas com quem já vieram juntas, como em qualquer lado. Eu posso ir a um restaurante, eu não me posso misturar com as pessoas desse restaurante, mas eu posso ir com as 10 pessoas, acho que é até ao limite 10, com as 10 pessoas com quem entrei no restaurante, desde que seja um grupo que habita regularmente ou que convive regularmente e, portanto, em que não haja um risco de contágio. E é exatamente igual. Claro que as pessoas aqui, quando saírem do palco 25 de Abril, vai lhes ser pedido que aguardem nos seus lugares até que cada uma das filas saia e a partir do momento em que as filas saem, as pessoas que estão sentadas cada uma no seu lugar, vão se comportar exatamente como na saída do Campo Pequeno. Eu estou a falar do Campo Pequeno, mas podia estar a falar de qualquer outro.
Foi o primeiro espetáculo que se realizou.
Exato. E também foi muito mediático. Mas, por exemplo, na Feira do Livro, neste momento, eu estive na Feira do Livro, já estive lá, na de Lisboa. Há dois corredores de circulação, nenhum deles tem sentidos, portanto, as pessoas podem circular nos dois sentidos em ambos os corredores, portanto, cruzam-se. E não há lugares marcados para nada. São apenas dois grandes corredores de circulação em que as pessoas se cruzam em sentidos diferentes e ninguém exige àquelas pessoas que, saídas daquele espaço, ao retirar a máscara, porque dentro da feira circulamos de máscara, não podem sair com outras pessoas. Acho que é claro. O evento é complexo, o PCP nunca disse que seria fácil.
Era isso que eu lhe ia perguntar, se nos últimos meses que antecederam o dia de hoje, se houve dúvidas no PCP internamente sobre a realização e os moldes da realização deste evento.
O PCP desde o primeiro momento que disse que temos intenção de realizar o evento se as regras, a legislação e as condicionantes que nos vierem a ser exigidas forem passíveis de ser cumpridas. Ao ir conhecendo a legislação e aquilo que foi saindo, quer depois do estado de emergência, depois as questões de contingência, fomos avaliando e foi-se percebendo que sim, é possível cumprir estas regras dentro da Festa do Avante, tal como é possível cumprir estas regras num monte de outros estabelecimentos, de outros eventos.
Chegou-se a equacionar fazer apenas o comício de encerramento do Jerónimo de Sousa?
Não, eu julgo que o PCP sempre apontou para a realização da festa nos moldes em que a legislação permitisse. E à medida que se foi avaliando, percebeu-se que não podemos ter uma festa igual à dos outros anos. Temos que ter o palco 25 de Abril carregado com 2000 cadeiras, temos que ter aqui o auditório 1º de Maio ao ar livre, que é habitualmente fechado, o Avante Teatro só vai ser teatro de rua. Portanto, alteraram-se muitos dos moldes Fomos percebendo rapidamente que, a não ser que existisse alguma situação de contingência nacional, era possível realizar a festa em condições de segurança. E mais: era possível e era necessário, porque o país, neste momento, o que precisa não é de enconchar as pessoas com medo em casa, é de mostrar às pessoas que é possível viver, é possível fruir, é possível conviver, desde que sejam tomadas as medidas de segurança, desde que sejam cumpridas as regras dentro das possibilidades das pessoas. Enfim, a vida não pode parar. Aliás, o país já pagou uma fatura muito grande pelo que parou, ainda por cima com um governo que optou pelas opções que optou. Portanto, agora o que temos que mostrar é que é possível. Vamos fazer viver outra vez, vamos viver outra vez.
O PCP já disse que conta com o bom senso também de quem está para cumprir essas regras, mesmo depois da saída, que será ordenada e que terá também os apanhantes de bancada e tudo mais. Mas se dentro de alguns dias se assistir a uma escalada no número de casos e se conseguir provar alguma ligação entre as pessoas e se chegarmos à conclusão que houve um supercontágio ou um contágio mínimo que seja, vindo da Quinta da Atalaia, como é que o PCP recupera? Isso foi pensado, isso foi equacionado?
Uma das vantagens de ser um partido político é que os partidos políticos, ao contrário dos franco-atiradores e dos protagonistas a solo, eles continuarão cá para pagar as responsabilidades, para assumir as responsabilidades daquilo que vão defendendo e daquilo que vão fazendo. Portanto, o PCP cá estará para assumir todas as responsabilidades que resultem desta festa. O facto de ter sido a primeira organização política a realizar um evento desta natureza num contexto tão duro, não hesitaremos em reconhecer essa responsabilidade e ter o orgulho de termos feito isso. E evidentemente, cá estaremos no futuro perante os portugueses responder sobre qualquer erro que o PCP não é sobre a festa do Avante, é sobre, em geral, muitas vezes as pessoas podem não concordar com esta ou aquela posição do PCP.
Mas tem algum efeito eleitoral mais negativo com esta festa?
Vamos ver.
Ou até pelo contrário, se tudo correr bem, pode ter o efeito contrário.
Não tenho clarividência suficiente para fazer uma avaliação de quais podem ser os efeitos. Uma coisa eu posso dizer-vos, que é a minha opinião: ao longo destes últimos meses, nós temos visto um tratamento do PCP e da Festa do Avante como eu, em meu tempo de vida e tenho 41 anos, nunca tinha visto. Uma acidez no discurso, uma agressividade no discurso, como se o PCP fosse o responsável da pandemia, como se o PCP fosse o inimigo, os comunistas são o inimigo. Enfim, lembrando outros tempos.
E acha que isso é por quê?
Deixa-me só terminar. Se a mensagem fosse passada sobre esta festa, como foi em relação a outros eventos, de Portugal está a desconfinar, vamos regressar à vida, vamos cumprindo as regras, fazer a Feira do Livro. Está aqui um partido que até se dispõe a dar dos seus próprios meios, os seus próprios militantes, para também demonstrar que é possível continuar a lutar, a conviver e ao mesmo tempo organizar eventos de massas. Reparem, se esta tivesse sido a linguagem ao longo do tempo, hoje se calhar os portugueses olhavam para a Festa do Avante: "É pá, os comunistas vão fazer uma cena mesmo altamente, com custos e com riscos, até se arriscam a não ter lá ninguém." Quer dizer, tendo em conta o medo das pessoas e o receio, até estamos nos a arriscar a ter uma festa com poucas pessoas. Aliás, vamos ter uma festa com menos pessoas porque tem que ser. Porque as limitações colocaram os 16.500. Mas mesmo fora essas limitações, há um risco da festa não ter a afluência que habitualmente tem.
Mas o que eu lhe perguntava era isso, se acha que essa acidez é tudo por quê? É tudo mesmo por ódio ao PCP? É contra o PCP?
Tentar simplificar a forma como o PCP é tratado na comunicação social com ódio, eu julgo que seria da minha parte ou ingenuidade ou tontice. Eu tenho uma visão de que os órgãos de comunicação social são detidos pelos grupos económicos, que são, e o PCP é um partido que se opõe, na maior parte dos casos, aos acionistas, aos grandes acionistas dos grandes grupos económicos que controlam a comunicação social e que controlam de várias formas.
Mas acho que o trabalho dos jornalistas não é livre?
O trabalho dos jornalistas eu espero que na medida do possível seja livre, mas ao mesmo tempo condicionado, porque repare. A partir do momento em que eu sou um grupo económico, eu escolho para os meus jornalistas aqueles que eu entendo que podem desempenhar o papel que eu quero. Não quer dizer que na tua atividade não sejas livre, tu até podes estar de acordo com o que estás a dizer. Eu, se for o patrão, não vou escolher um jornalista qualquer. Provavelmente não escolheria um jornalista que saia do Avante.
Talvez seja assim no Avante, no jornal.
Não, eu não acho que é mesmo assim. Eu tenho a certeza que não é mesmo assim.
A comunicação social tem regras para cumprir e que têm a ver com independência, têm a ver com a idoneidade dos jornalistas.
Não leve a mal, mas eu acabo de ver a SIC e o Expresso a publicarem fake news em direto. O Expresso a pôr que o Jerónimo não vem à festa e a SIC a colocar uma falsa capa do New York Times. Portanto, acho que lá deceria dar.
Do ponto de vista do PCP, isso é ataque ao PCP. O PCP aqui também não acha que manter esta festa
Claramente pode ser usado como arma de combate político, mas acho que isso não é nenhuma novidade para o Partido Comunista, uma vez que também usa como arma de combate político outros eventos de outros partidos e outras fragilidades que os partidos apresentam a dada altura.
Claro, sim.
E no fundo, estamos em plena pandemia. Era normal as pessoas questionarem, ou não?
Não, eu não digo que não seja normal as pessoas questionarem. Aliás, acho que é bastante razoável que as pessoas ponderem todos os eventos e tenham dúvidas sobre: "É seguro ir? É seguro não ir? O que eu tenho que fazer para estar seguro?" Eu quando entro dentro de um hipermercado em que circulam milhares de pessoas ao mesmo tempo, eu tenho que pensar: é seguro, estão a ser cumpridas as regras. Eu próprio, o que é que eu tenho que fazer para cumprir as regras dentro do hipermercado ou dentro de um concerto ou o que for. Portanto, aqui não é diferente, é só isso que estou a dizer.
A notícia foi de facto dada pelo New York Times, só para que fique registo. Não era capa, mas apareceu no New York Times.
O que aparece num direto da SIC, no jornal é uma capa, é uma infelicidade colocar a SIC muito próxima de uma lixeira.
Sem querer ser corporativista, foi um erro que julgo que não tenha sido deliberado e mesmo o erro que falou também do Expresso também não me parece que tenha sido deliberado. Não sendo corporativista, creio que foi apenas um lapso e não um erro propositado. Pelo menos também, como está, é a sua opinião e não é o meu papel dizê-lo, mas creio saber que não foram erros deliberados. Mas para não estarmos aqui de uma forma quase monotemática a falar da festa do Avante, perguntava-lhe só para terminar este ponto, se não houve pessoas genuinamente preocupadas com a saúde pública que questionaram isso. É tudo alguém que odeia de facto o PCP?
Eu nem falei de ódio ao PCP.
O ódio faz XX até foi uma publicação do próprio PCP.
Isso tem a ver com o extremar de posições de quem gosta da festa contra quem não gosta, de quem não gosta contra quem gosta e que estavam a extremar posições e o PCP fez um apelo a que não alimentemos esse ódio. Mas eu não falei aqui, aliás, rejeitei a palavra ódio da comunicação social. E uma nota que eu faço questão de colocar entre parênteses. Quando os comunistas criticam a comunicação social ou o papel da comunicação social, não estão a dirigir uma crítica aos jornalistas e aos profissionais da comunicação social, que em muitos casos trabalham em regimes precários, têm salários baixos, enfim, trabalham em condições, realizam o melhor que podem. Eu não estou a dizer que foi um erro deliberado. O que estou a dizer é que a vontade de atacar é tanta que nem se foi verificar. Mas calma lá, esta capa é mesmo do New York Times? Aquilo estava na cara, que até eu que não sou jornalista, percebo que aquilo não era a capa do New York Times. Mas passando à outra questão. É claro que há dúvidas genuínas e o PCP fez tudo para tratar também com respeito as pessoas que nos colocam dúvidas legítimas.
Miguel, queria mesmo falar sobre outros temas.
Força.
Nas últimas semanas o PCP faltou à reunião. Falámos aqui na primeira parte do programa, o Miguel não está a ouvir ainda, mas faltou à reunião na última sexta-feira, ou pelo menos foi o único que não faltou porque nem sequer agendou, mas foi o único partido que não participou nas reuniões com o primeiro-ministro sobre o orçamento. É possível o PCP ter um acordo para longo prazo como teve em 2015 e haver uma espécie de segunda fase de geringonça ou a correlação de forças como o PCP prefere, a médio e longo prazo, ou ter escrito? Isso é possível?
Eu julgo que a situação que se viveu em 2015 é, não diria irrepetível, porque a história é muito longa e portanto cá estaremos para assumir responsabilidades sobre os vários contextos, mas neste momento não há nenhumas condições políticas e na correlação de forças, no termo do PCP. Não há, de facto, neste momento, nenhum contexto que justificasse um acordo, entre aspas, eu uso aspas, daquela natureza, ou seja, com vista de uma legislatura. Neste momento aquilo que o PCP continua a dizer é que, como sempre esteve aliás, está disponível para avaliar documentos, nomeadamente o Orçamento de Estado, trabalhar neste documento.
Portanto ponto a ponto e não com um acordo mais longo.
O que, na verdade, é aquilo que sempre foi normal. O que não é normal é haver governos que se disponibilizam a isso, isso é verdade. E este governo, pelos vistos, enfim, de uma forma também muito curiosa, porque ao mesmo tempo que se mostra disponível para debater, diz que se não houver debate é uma crise política, portanto é uma espécie de a gente quer debater, mas se vocês não debaterem pagam as favas. Portanto, é assim uma forma de querer debater também muito estranha. Mas a verdade é que por força da forma que os diversos governos e das maiorias parlamentares ao longo do tempo tomaram, nunca houve grande disponibilidade de maioria parlamentar para discutir orçamento nenhum. Eu lembro-me perfeitamente, até mesmo o governo de Sócrates quando cai para discutir o PEC, ele não queria debater o PEC com o Parlamento. Ou aprovam ou o governo cai.
Portanto, é um risco António Costa começar também com esse desafio, essa ameaça, como chamaram os políticos.
Ou chantagem.
Eu julgo que é uma falta de tato político.
Miguel Tiago, estamos quase a terminar esta parte antes de passarmos ao Carne ao Peixe. Queria fazer uma questão que Jerónimo de Sousa vai ser substituído no próximo congresso do partido. Parece-lhe que é um fim de ciclo? E já agora pergunto-lhe também se há quadros do partido que podem e estão preparados para ocupar esse cargo de secretária-geral, que é um cargo importante mesmo no PCP, apesar de valorizar o coletivo.
Três notas. A primeira é de que o PCP fará o debate sobre quem assume o secretário-geral no devido tempo e esse debate ainda não está em curso. Segunda nota, há um sem número de quadros no PCP e na direção do PCP em condições de assumir qualquer tipo de responsabilidade que o PCP lhes coloque e que o país também lhes venha um dia a exigir. Terceira nota, o PCP sobreviveu durante a clandestinidade em condições muito duras E mesmo durante a clandestinidade, durante muito tempo não teve secretário-geral e teve apenas direção coletiva. E não consta que tenhamos falhado em qualquer responsabilidade no combate ao fascismo por não ter um secretário-geral. Soluções há várias, haverá várias, o PCP debaterá coletivamente.
Não está disponível?
O quê?
Para ser.
Isso é uma questão.
E candidato presidencial também não?
Não são questões que eu
Temos agora que passar então ao carne ou peixe. Não queremos que fique com fome, vê aqui a nossa refeição, a Vista e Suave, mas agora é a fase do carne ou peixe, até porque a Vista e Suave não chega. E vamos lhe pedir que escolha uma das duas opções.
Vamos ver.
Então vamos a isso.
Não havendo o soundcheck de Lena d'água, vamos à nossa trilha da tensão.
E nem propósito, preferia João Oliveira ou João Ferreira como sucessor de Jerónimo de Sousa?
Eu repito que todos os camaradas da direção do partido estão em condições de assumir essa tarefa. E eu digo que não tenho nenhuma preferência porque o debate coletivo levar-nos-á à melhor solução.
Num combate de aikido, preferia enfrentar Pedro Passos Coelho ou Rui Rio?
Eu faria os dois na boa.
Mesmo que tivesse que tapar a carinha, votaria mais depressa em Ana Gomes ou em Marcelo Rebelo de Sousa? Vá lá. Tapar a carinha.
A carinha que está lá no boletim.
O nome.
Depende.
Vá lá.
Tivesse quantos anos?
É carne ou peixe.
Tivesse quantos anos, depende de em que ronda estávamos das eleições.
Segunda volta?
Então, para não ficar com fome, se tivesse que optar, preferia ser deputado ou ministro em um governo do PCP?
É-me absolutamente indiferente. Eu tenho disponibilidade para aquilo que o partido entender, desde que a minha vida permita.
Já está disponível para voltar a deputado.
No momento em que a minha vida me permitir e o partido me colocar, eu assumo as tarefas que o partido entender. Eu quis ter outras opções de vida num determinado momento, neste momento continuo a querer, mas eu nunca disse que vou-me embora para sempre e que não volto nunca mais à política ou ao parlamento ou àquilo que seja.
E para terminar, se tivesse que escolher um local para passar a reforma, escolheria a Venezuela ou a República Popular Democrática da Coreia?
A Venezuela.
Caras.
Por vários motivos, mas também pelas praias, o tempo.
Termina assim o carne ou peixe. Vamos então à sobremesa. No fundo, pedimos que trouxesse para esta refeição. Não sei se quer justificar a sua escolha, que terá a ver com a história sindical.
Eu não tinha muito jeito para doces, então decidi trazer uma música. Não, vocês pediram uma música. Eu sugeri o tema do "Which Side Are You On?", que foi popularizado por Pete Seeger. E eu escolhi isso precisamente porque ela nasce de um movimento sindical, a letra é escrita por uma companheira de um dirigente sindical mineiro, que foi perseguido e ela fez essa música a apelar aos colegas da mina, que não se posicionassem contra os que contestavam, mas que se colocassem do lado dos que contestavam. E por fim, achei que por causa da história do Ruben Carvalho, sempre se ter dedicado também à coleção do folk americano e por esta música vir do folk americano, apesar da versão que estamos a ouvir ser Dropkick Murphys, Boston, portanto americano, mas com influências irlandesas, num registo mais punk, eu achei: bem, eu posso homenagear o meu grande amigo e camarada Ruben Carvalho por aquilo que ele fez na recolha de música de folk americano e ao mesmo tempo introduzir uma nota mais minha, que é o punk.
Muito obrigado, Miguel Tiago. Ficamos com o "Which Side Are You On?", aqui em homenagem a Ruben Carvalho, de Dropkick Murphys. Esta é a escolha de Miguel Tiago. Em português seria "De que lado está você?" ou algo do gênero. Independentemente do lado que escolha, continue desse lado, de ouvinte da Rádio Observador. Nós regressamos na próxima semana com mais uma emissão da Vista e Suave.
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