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Bem-vindos à segunda parte da Vixi Suave. Conosco temos o Eduardo Barroso, apoiante e também mandatário distrital de Luís Marques Mendes. É também presidente da Comissão Nacional para os Centros de Referência e há dois anos até lançou um livro, "Coração ao Pé da Boca", vamos ver se isso também se vai verificar aqui nas nossas respostas. Ia começar por esse apoio a Luís Marques Mendes. Disse que quer votar num político que nos garante a democracia. Com os outros candidatos, a democracia não está assim tão garantida, está em risco.

Muito boa tarde, obrigado pelo convite. Hoje estou aqui numa situação que não pensei já estar nos últimos anos da minha vida, que é, em vez de falar de saúde, falar um bocadinho de política.

Exatamente.

Deixe-me dizer-lhe uma coisa. Eu acho muito pouco exigente o que a nossa Constituição define para se poder ser candidato a Presidente da República. Ter mais de 35 anos e nos direitos civis e estar no posse de não ter problemas de todas as galerias. Cirurgião permite que 3 milhões de portugueses que estão acima dos 35 anos, portugueses e portuguesas, se possam candidatar. Eu podia me candidatar. Portanto, acho que é muito pouco exigente. Acho que devia haver um currículo mínimo. E qual era esse currículo mínimo? E isso é que fez eu tomar a minha opção. Eu não entendo como é que eu me podia candidatar a Presidente da República. Eu devia de dizer de brincadeira. Tive associações de doentes e tive alguns amigos que diziam: "Ó Eduardo, vais-te candidatar a Presidente da República." Como é que eu me posso candidatar a Presidente da República se eu próprio não votava em mim? Portanto, é a primeira coisa que nós temos que fazer. Não se pode brincar à política, não se pode brincar para o mais alto cargo político da nação, poder pensar, por ter mais de 35 anos e ter sido um cirurgião competente, admitamos, ficamos por aqui, que pudesse ser agora, vou me candidatar a Presidente da República. É logo a primeira razão que eu achava que era preciso um currículo. Qual era esse currículo que eu acho que era importante ter? Tínhamos ter um garante, ser um democrata genuíno, ser um cumpridor da Constituição e ter algumas coisas que me garantissem que ele ia ser competente. Cultura geral também é importante. Cultura jurídica, cultura econômica, no sentido de saber o que é o PIB e o que é essas coisas todas que eu próprio domino mal. E os déficits internos e os déficits não sei o quê, e sobretudo uma cultura política, porque o presidente vai ter que ter uma atuação não executiva, mas que tem que ter a experiência de ter exercido alguns cargos políticos, concorde com eles eu ou não, é fundamental. E portanto, Luís Marques Mendes tinha para mim a garantia de ser um cidadão moderado, bem-educado, que também é importante, já agora também lhe digo, porque há candidato, sobretudo um candidato que é mal-educado, nem sequer é um problema ideológico.

Está se referir a André Ventura.

Claro, estou me a referir.

Não gosta de dizer o nome dele?

Não gosto de dizer. Acho que aquilo é ignorância com o ódio e com a má educação. Isso exclui logo. Mas acho que é importante ter tido alguns cargos políticos, e ter exercido alguns cargos políticos, e ter a noção de como é que funciona um governo, como é que funciona uma Assembleia da República, como é que é ter sido líder parlamentar, como é que é ter sido autarca, como é que é ter sido secretário de Estado, como é que se faz um orçamento de Estado, ter sido ministro. São tudo coisas fundamentais. Aliás, foram essas coisas, e com isto termino, que fizeram com que tivéssemos os últimos quatro presidentes da República, todos oriundos dos partidos, todos com experiência governativa ou autárquica e com um currículo que a gente concordasse ou não, desses últimos quatro, só não votei em um.

Foi o Professor Cavaco Silva.

Não tendo votado Cavaco, não, eu não votei Cavaco, porque votei no Jorge Sampaio, como é óbvio. Mas reconheci a ele a legitimidade de concorrer. Eu, de facto, nestas eleições, não reconheço a um dos candidatos sequer essa-

E os tempos estão para Luís Marques Mendes, estes tempos agitados. E já agora aproveito para lhe perguntar se o grande adversário de Marques Mendes é o almirante Gouveia e Melo, não quer dizer o nome que é André Ventura.

Não. Temos oito candidatos. Quatro estão lá porque é tempo de antena, tempo da televisão, prova de vida da existência dos partidos a que pertencem e a luta deles é os 5%. Penso que isso ainda se mantém. Nem sei se com 5% já temos o apoio do Estado para a campanha. Portanto, a luta deles é os 5% para ver se aquilo resulta. E depois temos quatro, dos quais dois vão passar à segunda volta. Isso penso que é óbvio. E desses quatro, de facto, há um que me aterroriza pensar que sequer pode atingir essa parte. Depois há um que eu acho que é completamente incompetente para o cargo a que concorreu. E depois tem outro que eu pensei que se tinha afastado da política. Eu não sou militante de coisa nenhuma. Não sou militante de nenhum partido, mas vou lhe dizer uma coisa. Eu votei como simpatizante e eleitor fiel do Partido Socialista. Eu sou um eleitor fiel do Partido Socialista. Eu nunca votei na AD, nem no PSD, nunca.

Só votou no Marcelo para presidente porque é seu amigo desde os 17 meses.

Não, votei no Mário Soares para presidente, votei no Jorge Sampaio para presidente.

Diga à direita. À direita é só no Marcelo.

Eu não gosto dessa coisa da direita e da esquerda. Eu conheço o Marcelo desde os 16 meses de idade. Sabe o que é 16 meses? Não é 16 anos. Somos amigos há 75 anos. Eu sou a pessoa viva que o conhece há mais tempo. Nem os irmãos. Quando os irmãos nasceram, eu já era amigo do Marcelo. É evidente que não me lembro daqueles primeiros três anos. Diz que eu ainda ia de fralda e eu não sei como é que ele ia, mas tivemos aqueles 10 anos De convívio diário que me tornou. Eu sou completamente acrítico em relação ao presidente Marcelo, completamente acrítico. Tudo o que ele faz eu acho bem, mas é curioso, porque quando ele não era presidente, tinha muitos amigos da minha área política, e não só, que achavam que ele era isso e era aquilo, e eu: "Não percebo essa tua amizade." Depois fiquei a saber que muitos deles, depois de ele ser presidente, me disseram: "Eduardo, tinhas razão. O homem é de facto um homem excecional e é de facto uma pessoa humanamente..." Agora lá a política não sei o que é que eu fiz. Eu sou sempre a favor do que ele faz.

Mas diga-me uma coisa, voltando aqui a Gouveia e Melo, se também considera, como Luís Marques Mendes, que Gouveia e Melo diz demasiados disparates e há razões para preocupação cada vez que ele fala?

Não, eu não acho que há preocupação, quanto mais falar, melhor.

Não há preocupação pra candidatura, se calhar.

Não, mas eu quero que o senhor almirante, depois vou lhe dizer o enorme negócio que eu quero dizer. Eu quero dizer que eu o acho incompetente pro cargo, como me seria a mim incompetente. Não estamos a falar de um insulto, estamos a falar de uma análise.

Acha que ele não tem o tal currículo mínimo?

Claro que não tem. Um homem que percebe de submarinos e não sei o quê, e eu percebo de cirurgia. Como é que eu acompanhei a parte política? Nunca fui presidente de junta de freguesia, nunca fui candidato a coisa nenhuma. Como é que eu, de repente, vou ser candidato ao mais alto cargo político da nação? Isto é um absurdo. Eu fiz essa análise. Não é que me passasse pela cabeça ter me candidatado, mas garanto-lhes que tive essas pressões. Algumas associações de doentes me disseram: "7500 assinaturas e o senhor doutor não se preocupa, a gente arranja." Eu disse: "Mas senhor presidente, o senhor não vota em mim." Quando eu digo que ele é incompetente, digo com a sinceridade com que diria de mim próprio, não estou a fazer nenhum insulto.

Mas acha que essa incompetência para a candidatura se tem notado nesta pré-campanha, quando ele se pronuncia?

Ele é preparado pra aquelas entrevistas ao pormenor. Não é que eu sei como é que isso se faz também, de outros candidatos, que sei como é que são preparados. Aquilo é um desastre total. Por exemplo, eu ouvi a última entrevista. Ele dizer: "Ah, sim, porque não pensem que aqueles que me apoiam vão influenciar ou que vão me condicionar." Não, eles não pensam, eles têm a certeza. Eles não pensam, eles não têm esta ingenuidade, eles têm a certeza absoluta, porque ele vai ter que ter uma assessoria que vai ter vários presidentezinhos com ele pra poder ser presidente. Eu acho que ele devia ter tido. Ele fez um grande trabalho. Foi o que o tornou no toque, ninguém sabia quem era o presidente.

Da task force de vacinação.

Da task force de vacinação. Eu fui vacinado, vi lá as coisas, que funcionou bem. Acho que aquilo podia ter sido feito por aqueles gestores dos supermercados, porque eles garantiram sempre a comidinha. Mesmo durante a pandemia, já viu? Havia a carninha, havia o peixe, só não havia o papel higiênico, eu nunca percebi muito bem por quê. E portanto, a vantagem, ele fez aquilo bem, como teriam feito estes grandes gestores de estoques e de situações, e depois fez aquilo com os militares. Foi importante, porque eu lembro-me de ir às vacinas e estavam lá os militares também.

Dá segurança, né?

Segurança e fazer protestos das filas. Mas isto é currículo pra ser presidente da República? Por amor de Deus, isso é o currículo pago.

Olha, afinal concorda com o professor Cavaco Silva, que também disse mais ou menos o mesmo.

Ah, disse?

Disse, também disse.

Está vendo? Um presidente em que eu não votei. Sabe que eu nem me lembro quem era o candidato contra o Jorge Sampaio na segunda vez, não sei. Só me lembro que a primeira, que era professor Cavaco Silva, doutor Jorge Sampaio. Tratamos o professor também, tratemos o Jorge Sampaio.

O prefeito do...

Não me lembro.

Está me falhando.

Tá vendo? Também lhe está faltando.

Do Lusoponte.

Não faço ideia.

Foi o Ferreira do Amaral.

Tá vendo? Quer dizer, foi muito fácil pra mim, estava cômodo. Nunca me passou pela cabeça não votar em Jorge Sampaio, de quem fui amigo íntimo, e pra ele a família, e ele, e a família toda. Porque eu tenho algumas famílias fora da minha, que são as minhas duas grandes famílias a seguir, que é a família Sampaio e a família Rebelo de Sousa. Uns por motivos do colégio, outros porque a vida nos aproximou. Eu fui íntimo de três presidentes da República.

Deixe-me só aqui ir a uma coisa que disse há pouco, que tinha sido sempre um fiel votante do Partido Socialista.

Se calhar fiel demais, mas pronto, tenho sido sempre votante e até de um Partido Socialista, que eu acho que se beneficiava de ser um Partido Socialista mais definido à esquerda. Eu fui um apoiante de Pedro Nuno Santos.

Bom, já está aí a desenhar mais ou menos a resposta à pergunta que eu lhe vou fazer a seguir, mas julgo que a opção mais natural, no seu caso, seria alguém da área do Partido Socialista nessas eleições, que existe e até é apoiado oficialmente pelo partido, que é António José Seguro. Por que é que há bocado dizia que ele achava que ele já estava fora?

Eu não faço ao António José Seguro nenhuma desconfiança de que não seja um democrata e um respeitador da Constituição, por amor de Deus.

Mas qual é que é o problema dele, então?

O problema dele é que ele desapareceu. Eu acho que ele não tinha características, como lhe disse, foi a tal votação que eu fui fazer. A minha mulher, que era militante do PS, não votou, mas eu fui votar. E fui votar no António Costa.

Nas primárias.

Nas primárias. Eu já achava que ele não tinha o perfil pra ser um líder partidário.

Portanto, mais valia não ter voltado à política agora.

Eu pensei que ele se tinha afastado, sinceramente, foi pra outra vida, mais civil, e agora reaparece de repente. Nem assume as suas características. Por acaso, deu-me uma grande tranquilidade ele não se assumir sequer como de uma esquerda. Agora é uma esquerda, como é que ele disse?

Moderna.

Moderna e moderada. Moderno e moderado sou eu. E vou votar Marques Mendes. Por quê? Porque eu nem sabia isso.

E acha que o Partido Socialista geriu bem este apoio? Porque continua a ser uma coisa que está a ser difícil de digerir por parte de alguma ala do partido, os miados costistas.

Não sou militante do Partido Socialista.

Como observador.

Como observador do Partido Socialista, eu observo interno, tenho dois primos, mais que irmãos. Que cá está, vão votar António José Seguro. Eu isso também não entendo. Como é que alguns militantes Até governantes do Partido Socialista, um deles meu amigo íntimo, meu amigo querido, que eu tenho uma ternura e uma consideração por ele, agora aparece como Almirante. Por quê? Se eles não queriam o Seguro, estavam caladinhos. É a mesma coisa com o Isaltino, que é um autarca eleito por esmagadora maioria do seu concelho. Não sei se é concelho.

Sim.

Eu percebo que ele esteja magoado com o que o Marcos Mendes definiu aquilo na altura, com o meu acordo, de que quem tinha problemas com a justiça não era candidato. Eu percebo que ele não lhe perdoe isso. Mas se ele não lhe perdoa isso, tudo bem, percebo, está magoado. As coisas pessoais são muito importantes. Mas por que não se limita a não votar e a manifestar que não vai votar e vai agora apoiar alguém que ele próprio não sabe quem é? Ninguém sabe quem é aquele senhor.

Que não tem esse passado político. Deixe-me perguntar sobre Marcos Mendes, porque tem criticado o governo nalguns aspectos. Está a tentar provar a independência enquanto candidato? Isto não pode afastar o eleitorado mais do PSD?

Eu não sou um comentador político, não percebo nada de política.

Vamos já passar à saúde.

Não é isso. Portanto, esses aspectos são pra mim completamente irrelevantes. O que eu acho é que Marcos Mendes garante. Eu fui íntimo de três presidentes da República. De um até íntimo desde os 16 meses, os outros tratava-os por tu, o outro era um tio querido. Eu não tenho esta proximidade com o Luís Marques Mendes. Conhecemo-nos, é um amigo distante, é uma pessoa que eu considero, mas eu conheço, porque estive 10 ou 12 anos, já não sei quanto tempo é que era, que eu via religiosamente os comentários que ele fazia. Portanto, eu sei o que ele pensa, sei que é um homem ponderado, sei que é um homem inteligente, que é um homem que tem uma cultura geral, que tem cultura jurídica, que tem cultura política, que tem experiência de governo. Como é que a gente pode pensar em eleger outro? Eu não chego ao ponto tão ridículo e entusiasmado, como dizia o meu também foi meu aluno e meu amigo. O que disse do meu tio que não votar em Mário Soares na altura, em 66, o país incendeou-se. Almeida Santos. Eu gostava muito. Não cheguei a esse ponto, mas eu digo. Tirando esta bolha midiática que vocês representam e as televisões representam, eu não vou convencer ninguém. Porque isto aqui são 300 mil pessoas, 400 mil pessoas que podem influenciar o seu voto por causa destes debates. A população em geral, aqueles que votam e têm partidos que eu não entendo como é que podem votar, esses é que têm que ser conquistados. E pra isso é preciso dizer, há uma coisa que eles podem compreender como é que a gente vai votar em alguém, que a gente não sabe o que é. É uma caixa de Pandora, pode sair uma coisa fantástica, pode sair uma coisa que nos vamos arrepender seriamente. Não estamos em tempo de poder fazer isso. O mundo e Portugal não está disponível pra arriscarmos em alguém que ainda por cima pensa que quem o apoia, depois não lhe vai cobrar esse apoio.

Tem-se falado muito do trabalho da tutela na saúde. Acaba por ser um agente do setor e do SNS ao presidir à Comissão Nacional para os Centros de Referência. Com tudo o que tem acontecido, a ministra tem condições pra continuar ou devia demitir-se?

Lá está você a querer agora pôr um apoiante de Marques Mendes.

Isto é saúde.

Vamos à saúde.

Não é saúde. Eu fui nomeado pra este cargo para o qual tenho um perfil adequado, de presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência, e se eu vos perguntar o que é os centros de referência, se calhar vocês não sabem. Mas pronto, venho aqui um dia explicar o que é um centro de referência. Vocês deviam saber o que é um centro de referência. Manuel Pizarro, também não entendo, agora também aparece a apoiar o almirante. É uma coisa que eu não percebo nada, porque é toda a saúde, o peso é o Francisco George, é o Correia de Campos, é a Marta Temido, agora é o Pizarro. Eu ainda tenho esperança que alguns deles...

Não, a Marta não apoiou.

Peço desculpa. Disseram-me ali fora.

Mas não quer apoiar António José Seguro, por aquilo que já se percebeu.

Quem?

A Marta Temido.

Não sei, mas eu penso que muitos amigos meus, que eu tenho muitos amigos que são militantes do Partido Socialista, e esses compreendo que têm uma disciplina que eu acho que não deviam apoiar outro candidato que não fosse apoiado por seu partido. Ou então não são militantes como eu, eu estou livre, não tenho essa fidelidade que eles deviam ter. Mas sei a quem é que eles votam na segunda volta. Se a segunda volta for entre o almirante ou for o outro, que eu não falo o nome, e o Luís Marques Mendes. E portanto, eu tenho alguma grande esperança que a grande luta neste momento pro candidato que eu apoio com convicção, também me disseram. Eu ouvi, antes disto, quando o doutor Marques Mendes me telefonou e disse: "Ó Eduardo, já sei que você me apoia", porque eu tinha escrito um artigo no "Diário de Notícias" em que dizia: "Sou candidato". E depois o artigo acabava dizendo: "Sou candidato a não votar em mim próprio, se me passar pela cabeça ser presidente, não percebo nada disto." E ele percebeu pelo artigo que estava ali um apoio implícito, num perfil como ele. E ele disse: "Eduardo, e você quer me apoiar?" Eu apoio publicamente, com certeza, não estava à espera que me dissesse pra ser mandatário distrital. Mas antes disso, eu até lhe disse: "Olhe, você pense dois dias nisto, que eu com o meu coração à pé da boca, posso tramá-lo com alguma coisa que diga." E também fui ouvir meia dúzia dos meus amigos de luxo. Não queria que eles soubessem pela empresa. O irmão, os primos irmãos, enfim, alguns amigos, muito amigos.

Amigos desde os 16 meses.

Amigos, o Daniel Sampaio, o Marcelo. É porque eu não queria que eles soubessem. Claro que não vou dizer o que eles me disseram. Tive o meu mais crítico, até nem vou dizer quem foi o mais crítico.

Não diga que o Marcelo disse que o Marques Mendes não estava lá.

Não, o Marcelo disse: "Ó Eduardo..." Não sei se ficou contente ou não ficou. Não é isso que estou a transmitir. Mas é evidente, toda a gente sabe em quem vota. Eu não sei, não lhe perguntei quem é que ele vai votar nas presidenciais, mas eu tenho a certeza de que ele vota no Luís Marques Mendes, isso é óbvio. É óbvio, porque é um homem coerente, é um homem sensato, é um homem inteligente, é um homem sensível, é um político de categoria. Portanto, quem é que ele vai votar? O meu irmão é que me disse: "Epá, mas o Luís Marques Mendes apoia, mas mandatário é demais." Mas por quê? Se apoio é vestir a camisola. Este apoio envergonhado é uma vergonha. Portanto, eu estou aqui a apoiar alguém que eu acho que tem o perfil para ser o nosso presidente.

Muito bem, Eduardo Rosa. Mas chegar ao fim, não me disse se achava que a ministra tinha condições para continuar, mas também não pode votar.

Não, não. Mas vou lhe explicar. Eu tenho um cargo de nomeação governamental.

Claro.

Não foi ela.

Não foi ela, claro.

Que é o centro de referência e ela está a fazer um trabalho notável na implementação do centro de referência. E quer a minha opinião, ela está-se a meter em demasiadas lutas ao mesmo tempo. Umas reformas, outras lutas ao mesmo tempo.

É preciso saber escolher as lutas.

Eu não sou consultor dela. Eu gosto dela como pessoa, acho que ela está a fazer um trabalho, percebe-se que está desgastada. Eu outro dia até lhe disse, até posso dizer isso, porque fui eu que disse a ela, não foi ela que me disse a mim, portanto, eu vou dizer. Eu disse: "Pense na sua saúde e não fique ofendida de dizer que não tem habilidade política. É por não ter habilidade política que eu também gosto de si." Mas posso não concordar com algumas coisas que ela pode fazer, porque não tenho essa obrigação também.

Muito bem, Eduardo Rosa, vamos agora à fase de carne ou peixe.

Carne ou peixe?

É, damos uma, duas opções.

Está bem.

Vamos ver se fica ou não.

Vamos lá.

Em 2026, preferia ver Marques Mendes presidente da República ou o regresso de Rúben Amorim e Vítor Guio a querer ir ao Sporting?

Isso é como perguntar a uma criança: "Gostas mais do pai ou da mãe?" Eu gostava que eles voltassem ao Sporting com o Marques Mendes convidado para a tribuna como presidente da República.

Se tivesse que ser o médico do presidente em Belém, preferia ser o médico de Gouveia e Melo ou de António José Seguro?

Não, eu já não posso ser médico nenhum. Fui médico dos outros três, sabe que eu operei os três enquanto presidentes. O Jorge Sampaio, o Marcelo, com gravidades diferentes, e o próprio tio, mas o tio foram coisas muito simples e sem decisão. Portanto, essa pergunta não.

É hipotética.

Eles é que tinham que escolher. E como agora já não opero, nisso o Luís Marques Mendes está livre. Porque eu sei porque o presidente, eu tive que os operar. Neste momento, ele já está a salvo disso. Se tiver apendicite ou se tiver hérnia hiatal.

Já não vai consigo.

Já não vai consigo.

Mas espero que ele me pergunte quem é que deve operar, isso eu espero.

Quando daria para ser consigo, preferia ter como paciente aquele jogador do Benfica que levou um pisão na final da Taça de Portugal na cabeça ou André Ventura? Tinha aqueles problemas de esófago, se lembra?

Não, eu aí senti-me enganado. Porque eu acreditei, aquilo foi muito bem assim. Porque eu disse à minha mulher: "Isto é verdadeiro". Aquilo de levar a mão ao pescoço, aquilo foi muito bem coreografado.

Era o Belotti ou Ventura que preferia ser médico? O Belotti quando levou aquele arranhão na cabeça, na final da Taça ou Ventura com esses problemas de esófago. Preferia qual?

Nenhum deles era da minha especialidade.

Quem convidaria para comer uma feijoada, Manuel Pizarro ou Ana Paula Martins?

Quem convidaria para...?

Comer uma feijoada.

Eu acho que podia convidar eventualmente os dois.

Mas com quem é que preferia se só tivesse que escolher um?

Para comer a feijoada? Eu acho que o Manuel Pizarro tem mais intimidade comigo e tem mais proximidade para vir comer a feijoada comigo, mas com a Ana Paula Martins também, comemos uns linguados fritos com arroz de tomate.

Muito bem. Chegamos ao fim desta fase, agora para fecharmos é apenas a sobremesa, que é a música que nos trouxe, o "Estou Além" do António Variações. Por que escolheu esta música?

Sabe por que eu escolhi? Porque eu comecei a adorar António Variações quando os meus filhos diziam que o pai era um selvagem, era um rural. Rural foi mal escolhido, que era um primário. E eu tinha esta cassete no carro e só a Vera, eu e ela é que gostávamos desta música. Eu acho que tem uma letra fantástica e, portanto, eu sou um admirador quando o António Variações era considerado músico pimba e que ninguém gostava. Agora toda a gente acha que ele é fantástico e esta música é fenomenal, esta letra é genial.

Quer também estar onde não está e ainda bem que esteve aqui conosco. Termina assim a "Vixissuas". Regressamos na próxima semana.

Muito obrigado.