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Olá, bem-vindos à Vichy Soisse. O ministro do Ambiente, também conhecido como Hamilton da Rua do Século, foi apanhado a 200 km/h na autoestrada. Já o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares defendeu a reabertura das discotecas como forma de incentivar a vacinação dos mais jovens. Já no CDS, ninguém quer ir de vacaciones, porque a guerra, como vocês sabem, não tira férias.
E é precisamente no encerramento destas jornadas parlamentares que eu creio que faz todo o sentido que o partido observe o futuro e coloque a importância na necessidade de colocarmos o CDS, partido Popular, na liderança da oposição ao Partido Socialista. No fundo, é melhorar a oposição. É essa oposição que nós queremos fazer. É evidente que há uma discussão que é interna, que é a discussão de como é que nós podemos melhorar essa mesma oposição. Eu começo, desde logo, por aquilo que eu considero ser um entrincheiramento direitista. Este é o grande tema que me convoca a estar nas jornadas parlamentares. Um partido não pode desvalorizar-se e deprimir. Faz todo o sentido que o partido observe. Um partido não pode estar concentrado em ajustes de contas e purgas para dentro, tendo a pretensão de ser simultaneamente eficaz para fora.
Aqui, sem guerras, eu sou o Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador, e comigo tenho o João Alexandre, editor da rádio, e as jornalistas da secção de política do Observador, Inês André Figueiredo e Rita Penela. Put your hands up. Vai começar a Vichy Soisse. Súbelo. E vamos começar, precisamente, como habitual, pela distribuição de sopas. E a primeira sopa que eu vou propor que façamos essa distribuição é precisamente uma sopa de cenoura. João Alexandre, alguma coisa te ocorre desta sopa de cenoura? Só para dizer isto e para dar este contexto: a sopa de cenoura foi a sopa servida ontem nas jornadas parlamentares do PS à noite e julgo que no CDS a sopa servida foi sopa de legumes durante o jantar de São João da Madeira e acho que houve uma coisa em comum que foi bacalhau com broa em ambas as jornadas. Portanto, alguma coisa em comum entre o PS e o CDS.
Tendo em conta que começamos aqui pelo CDS, eu queria fazer ao contrário e queria começar pelas jornadas parlamentares do Partido Socialista.
É precisamente a sopa de cenoura, é do Partido Socialista.
Ora bem, pronto, cá estamos. Eu queria falar, sobretudo, de um nome sobre o qual já falámos também aqui na Vichy Soisse, que é Eduardo Ferro Rodrigues, o presidente da Assembleia da República, em tempos também um líder do partido, que mais uma vez acaba por ter aqui umas palavras que deixam alguma marca, mas não pela positiva. Ora bem, nós, e creio que foi a Mariana Lima Cunha que escreveu qualquer coisa como que estas jornadas do Partido Socialista tinham quase sido um passeio no parque. O Partido Socialista a fazer autoelogios durante estas jornadas parlamentares, mas jornadas parlamentares que não foram propriamente tão vivas como outras que já aconteceram noutros tempos, em que não houve propriamente grandes propostas a sair dali das jornadas parlamentares. Apareceu mais uma vez um partido e o Partido Socialista, como outros, acabou por fazê-lo. Já aconteceu também noutros campos políticos. Faz umas jornadas parlamentares em que não tem propriamente grandes ideias, mas tem, neste caso, Eduardo Ferro Rodrigues, que surge nas jornadas parlamentares Para dizer que quase que é preciso fazer aqui uma reflexão sobre a forma como o Partido Socialista, neste caso o governo de António Costa, tem tratado a questão da gestão da pandemia. Muito temos falado nós aqui sobre a comunicação em tempos de pandemia e Ferro Rodrigues diz qualquer coisa como: "Nós andamos aqui com medidas em vários conselhos que são de alto risco, nós andamos com medidas para trás e para a frente. As autarquias, essas vão tendo algumas dificuldades, tal como os empresários, em perceber como é que é preciso proceder, tendo em conta essas mudanças que vão existindo de várias tentativas de conter a pandemia", e diz que é preciso olhar com atenção para aquilo que depois são os resultados e também as conclusões. Ou seja, de alguma forma, Ferro Rodrigues deixa aqui a ideia de que é preciso fazer um balanço e que o governo não está a fazer. A expressão, eu estava aqui à procura dela, é balanço dos resultados práticos dos conselhos mais severamente atingidos e ainda confinados. Porque o presidente da Assembleia da República vai estranhando que todas as semanas tenha de ouvir falar em conselhos de alto risco, que depois continuam a estar e a situação de umas semanas para as outras acaba por ser mais ou menos a mesma. Eu creio que, por um lado, Ferro Rodrigues põe aqui de alguma forma em xeque o governo, mas, por outro lado, creio que também é positivo dentro do próprio Partido Socialista haver aqui, eu não lhe queria chamar vozes dissonantes, mas pelo menos alguém que diz: "Meus amigos, isto aqui não é um passeio no parque." Obviamente que António Costa fez grandes elogios à forma como, por exemplo, Portugal exerceu a presidência portuguesa da União Europeia, à forma como Portugal tem tentado combater a pandemia dentro daquilo que é possível. Obviamente que é uma situação complicada para qualquer governo que aqui estaria. Mas Ferro Rodrigues diz: "Esta é a altura também de percebermos se aquilo que estamos a fazer é assim tão certo, se não há mesmo aqui margem para algumas críticas." E a verdade é que se há também queixas de que os partidos que deveriam fazer mais oposição, por vezes não a fazem da melhor forma. Ferro Rodrigues acabou, ainda que de uma forma muito pouco substancial, mas por deixar aqui uma pincelada daquilo que poderia ser uma posição interna.
Já tem esse dever de imparcialidade como presidente da Assembleia da República, não é muito habitual participar em eventos partidários, participou e para este-
Mas como sabemos, Ferro Rodrigues nunca se coibiu de deixar grandes elogios ao PS, mesmo como presidente da Assembleia da República.
Nunca, nem de falar do clube do coração, nem outras coisas nessa qualidade. Já falámos disso aqui há duas semanas ou há três semanas já. Mas Ferro Rodrigues, já em duas reuniões do Infarmed, fez perguntas que não sendo propriamente incômodas ou de um grande incômodo, soam um pouco a crítica. E aqui é mais uma vez: "Bom, vamos lá ver se estas medidas estão a funcionar, porque parece-me que não." E, portanto, está aqui a fazer um aviso. Não era isto que esperava de Ferro Rodrigues numa jornadas parlamentares a poucos meses das autárquicas. Até pensei que ia fazer uma coisa mais partidária de puxar pelo PS. Talvez guarde isso-
Mobilização para as autárquicas, por exemplo.
Exatamente. Talvez guarde isso para o congresso. Rita Penela, qual é a tua sopa de cenoura?
A minha sopa-
Faz os olhos bonitos.
Sim, e agora a cenoura é povrão, não é? Dizem que também potencia o bronzeado. Mas a minha sopa de cenoura é um bocadinho aquela sopa que toda a gente gosta, não é? E também toda a gente gosta de uma boa promessa. Quem é que não gosta de uma boa promessa? E recordo aqui aquele momento, que é um pouco caricatural, de Marcelo Rebelo de Sousa, quando foi anunciado, aliás, que a próxima Jornada Mundial da Juventude se realizará em Portugal. Não sei se se lembram daquilo: "Conseguimos, vencemos Portugal." E foi um bocadinho isso que eu vi de António Costa quando diz que Portugal vai ser o melhor a executar o plano de recuperação e resiliência. Ali mais uma promessa a ficar no ar. Isto muito para ir ao encontro daquela questão do passeio no parque e de terem sido umas jornadas muito soft, assim uma coisa muito ligeira, exceto, claro, essa questão de Ferro Rodrigues. E para não repetir, eu ia pegar um bocadinho também naquela parte do discurso de António Costa em que depois de agradecer ao vice-almirante Gouveia e Melo, aproveitou para fazer ali umas críticas a Ricardo Baptista Leite quando ele alertou para a falta de capacidade do Serviço Nacional de Saúde para responder em janeiro àquilo que estava a acontecer. E o que me parece é que há realmente aqui uma memória curta, porque realmente puxa-se dos galões, que é o habitual. Quando as coisas correm muito bem e agora as coisas estão todas muito controladas, mas passaram cinco meses ou seis e já nos esquecemos que estávamos a ter 200 e 300 pessoas a morrer por dia.
António Costa tem ali uma fixação especial por Ricardo Baptista Leite, até o acusou de fazer parte daquela conspiração internacional contra Portugal, de que fazia parte também Paulo Rangel, não sei se te recordas. Portanto, mandou essa boca a Baptista Leite sem o nomear, é disso que falas ontem nas jornadas, de que diziam que estavam a morrer pessoas nos hospitais relativamente a Cascais, e era essa referência que estavas a fazer, não é?
Precisamente, até porque, no fundo, claro que não saberemos se estas pessoas se ficassem agora doentes, se teriam essa resposta nos cuidados de saúde, que as coisas estão com menos pressão, mas nem tudo nesta pandemia é uma vitória. E creio que o Partido Socialista, o governo, neste caso, cada vez mais e com o avançar da vacinação e felizmente as coisas a melhorar cada vez mais, aproveita essa memória curta e a memória mais recente para triunfar, quando, na verdade, se olharmos para trás, as coisas, bem, tirando a parte da comunicação, que essa então é desgraça que já todos sabemos e que foi preciso Ferro Rodrigues ir lá mais uma vez tentar pôr ali ponto ou dois nos Is, não me parece que tudo seja uma vitória e que possa canalizar isto tudo tão vivamente para uma vitória.
É a política Dory quanto aos últimos três segundos e aquela personagem do À Procura de Nemo. Inês André Figueiredo, não sei qual é a tua sopa de cenoura
Eu vou aproveitar que o João e a Rita falaram da Dory e de Ferro Rodrigues e desta política com falta de memória e vou aproveitar para falar do oposto e do tal passeio do parque que aconteceu em Caminha. Esta sopa de cenoura faz-me lembrar os olhos bonitos do líder do PS, pelo menos para quem vê de dentro do partido. Já que Costa foi protagonista, obviamente, destas jornadas parlamentares que se realizaram ainda por cima numa quinta, como dizia a Mariana num texto no Observador, que mais parecia uma quinta de casamento. E a verdade é que houve uma celebração do momento que o PS atravessa, já que está no governo desde 2015, está bem nas sondagens e por esta altura, Costa surgiu exatamente para dizer aos socialistas aquilo que muitos andam a pensar. O PS, palavras do líder do PS, arrisca-se a ser o futuro do país durante muito tempo. Já agora, além desta espécie de missa celebrativa, também Duarte Cordeiro, que estava nas jornadas a representar o governo, atirou-se à direita e àquilo que diz ser a incapacidade dos partidos de direita, para os quais as pessoas olham com tristeza. Isto, palavras ditas nas jornadas parlamentares. Portanto, este momento foi um autoelogio, este passeio no parque.
Ainda assim, António Costa parecia um bocadinho enfadado quando dizia que o PS se arriscava a ter de ser governo durante mais tempo, parecia quase farto da função.
Está a pedir, a implorar. Há quem diga que ele quer sair, por isso vamos ver. Implora por oposição, já.
Nunca ele pensou que este casamento fosse tanto na saúde e na doença com esta pandemia pelo meio. Vamos avançar nas nossas sopas para uma sopinha, de comer muita sopinha. O nosso convidado da segunda parte, já temos vindo a anunciar na Rádio Observador, vai ser Nuno Melo, antigo vice-presidente do CDS. Esta sopinha a mim sugere o momento em que ele diz que quem manda no CDS ainda precisa de comer muita sopinha para chegar a quem há muitos anos defende o partido e está no partido. Não sei se o termo sopinha a ti te sugere isto, João Alexandre.
Há quem diga que é preciso comer muita sopa para liderar um partido e a verdade é que eu não sei se Francisco Rodrigues dos Santos precisa ou não de comer muita sopa. Ele o saberá e não estamos também aqui com esse tipo de apreciações, mas a verdade é que tendo em conta aquilo que são as sondagens do CDS, é normal que haja esta crítica interna e que haja um chamar a atenção daquilo que são as lideranças partidárias, porque se o caminho que está a ser feito, ainda que as palavras escolhidas pelos líderes possam, numa tentativa, hipoteticamente, ser as melhores, ainda que haja uma grande presença mediática ou essa tentativa, ainda que se esteja presente com comunicados sucessivos e respostas àquilo que vai acontecendo com o governo diariamente, se depois de algum tempo na liderança, esse caminho não resulta em números, e neste caso os números, os possíveis até ao momento, são as sondagens, é normal que essas questões internas comecem a ser colocadas. E quem vai olhando para aquilo que é o futuro do partido a médio prazo, e neste caso também a curto prazo, por causa das autárquicas que aí estão, aproveita obviamente umas jornadas parlamentares para dizer aquilo ao que vem e vamos tentar perceber também com o próprio Nuno Melo, que foi provavelmente a voz mais crítica nas jornadas parlamentares, naquilo que poderá ter também aí por diante. Obviamente que também faz parte do papel de Francisco Rodrigues dos Santos dizer que o que se deve discutir nas jornadas parlamentares é o planeamento dessa oposição ao governo e fazer também durante essas jornadas a oposição ao governo. Mas ouvimos também por parte de Telmo Correia, o líder parlamentar, que é quem também tem de alguma forma a faca e o queijo na mão para fazer essa oposição quase diária em matérias muito concretas dentro do Parlamento. O próprio Telmo Correia diz que é normal também que haja essa oposição e por isso mesmo diz: "Convidamos pessoas do partido, não apenas alinhadas com a direção e não apenas muito satisfeitas com aquilo que é o caminho da direção, para dizerem internamente e também para fora, aquilo que é preciso dizer para corrigir aquilo que são os erros."
Consideram que está mal. E fica aqui a promo e o teaser para a segunda parte. Vamos avançar para uma outra sopa. Aqui, neste caso, a Rita e a Inês não falam sobre esta sopa, mas na segunda parte teremos tempo de abordar este tema e passaria para uma sopa social. Inês, agora começando por ti, o que te sugere esta sopa social?
Esta sopa social faz-me lembrar, obviamente, o chumbo que o Tribunal Constitucional deu aos diplomas dos apoios sociais que foram aprovados no Parlamento contra o PS, que todos bem nos recordamos. Pouco depois disto chegaram as reações de Marcelo Rebelo de Sousa. Foi engraçado ver que eu estava a trabalhar nessa altura e Marcelo Rebelo de Sousa começou a aparecer em todo lado, numa televisão, depois noutra, depois noutra, depois nos jornais. Praticamente em todos os órgãos de comunicação social, Marcelo Rebelo de Sousa fez questão de falar. Não se escondeu, mas no fundo não tinha que se esconder, porque no fundo veio dizer que ganhou, porque os apoios aprovados naquela altura, ainda antes desta decisão, chegaram de facto às famílias, ninguém terá de os devolver. E já quando Costa tinha dito que ia avançar para o Tribunal Constitucional, o Presidente da República deu a entender que iria ganhar sempre. E na verdade, Marcelo vê exatamente dessa forma. O Presidente da República promulgou, os apoios foram pagos, um deles até já não tem efeito, porque tem a ver com as aulas à distância e já prescreveu, digamos assim, sendo que este termo não sei se deve ser usado Por tudo que tem acontecido nos últimos tempos, a verdade é que isto para o Presidente da República se tornou uma vitória política e social, como o próprio fez questão de dizer nas entrelinhas, contra uma vitória judicial que, de facto, pertence ao primeiro-ministro, porque o Tribunal Constitucional disse que os diplomas eram inconstitucionais. Eu diria que foi uma situação win-win para Marcelo.
E tens esta opinião, Rita Penela, a tua sopa social também tem a ver com o chumbo dos apoios sociais?
A minha sopa social também tem a ver com o chumbo dos apoios sociais, mas eu acho que não deixa de ser um alerta e uma coisa um bocadinho preocupante, que subitamente todos ganham, mas afinal o governo perdeu completamente a mão das coisas, porque então a Assembleia da República é que está a determinar como é que as coisas acontecem. E depois vem o Tribunal Constitucional dizer que é inconstitucional e então já não há nada a fazer, porque afinal até as coisas já foram todas aplicadas e não há qualquer margem para reembolsos. Portanto, foi aplicado. O que me leva a ficar um pouco preocupada com próximas edições desta situação. Não sei se a única forma teria sido o Presidente da República ter pedido a fiscalização preventiva destes apoios sociais, mas como o próprio fez questão de não o fazer, preocupa-me que noutras circunstâncias isto se possa repetir e que o impacto acabe por ser ainda maior.
E de facto, um dos argumentos do Tribunal Constitucional foi precisamente a lei-travão e o facto de aumentar a despesa. E o que aconteceu foi precisamente isso. Neste caso, há aqui uma vitória do governo que pediu a fiscalização e de facto foi inconstitucional e o constitucionalista Marcelo, neste caso, tem que encaixar aquilo que é a decisão dos juízes do Tribunal Constitucional. É assim que terminamos a primeira parte da Vixi Suasse. Recessamos na segunda parte com o eurodeputado do CDS, Nuno Melo. Bem-vindos à segunda parte da Vixi Suasse. Conosco temos o eurodeputado e antigo vice-presidente do CDS, Nuno Melo, que esta semana participou nas jornadas parlamentares do partido. Bem-vindo, Nuno Melo.
Olá, tudo bom? Muito obrigado pelo convite.
Ora essa, se ainda aí está e não desistiu depois de ter ouvido a primeira parte, é um bom sinal. Vamos começar então. Disse esta semana, nas jornadas parlamentares do CDS, como dizia há pouco, que muitos de nós que cá estamos já combatiam o socialismo, estou a citar, quando muitos dos que hoje nos atacam sem necessidade nenhuma, ainda estavam sentados nos bancos da escola. Quando assim é, há lições que eu não recebo. Isto foi a frase que proferiu. Estava a referir-se ao líder do CDS?
Bom, que é coisa diferente das espinhas, apesar de tudo, a expressão foi realmente essa, dos bancos da escola. Eu estava a referir-me àqueles que se atrevem, eu diria, neste momento, quando é preciso fazer uma oposição eficaz ao PS, e há muitas razões pelas quais essa oposição tem que ser feita, se permitem repetidamente atacar e apoucar a anterior direção do CDS sem necessidade alguma, porque essa direção já não manda no CDS, mas grande parte dessas pessoas constituem hoje o grupo parlamentar. Eu próprio sou eurodeputado, fiz parte dessa direção, muitas outras pessoas que são autarcas, que são dirigentes a nível local ou distrital do CDS e, portanto, quando se escreve que essas pessoas, como no caso mais concreto, que despoletou a minha reação, escolheram ser próximas ou parecer-se com o PS. Não só temos nisto um absurdo, tendo em conta tudo aquilo que nessas direções fizemos. Eu nunca fiz outra coisa na minha vida que não fosse combater o PS, este PS. Eu era presidente do grupo parlamentar quando José Sócrates era primeiro-ministro e sei bem como foram duras essas batalhas, sei bem como foram duras as batalhas que nos levaram ao governo e fizeram com que o Partido Socialista perdesse eleições, sei bem como nunca fizemos outra coisa. Foi injusto, inclusivamente, quando recordo que a Assunção Cristas era criticada porque supostamente era demasiado contundente com António Costa e ouvir agora escrever-se que há no partido duas correntes, duas políticas, dois partidos, um dos quais aquele que nós representávamos.
Nuno Melo, só para as pessoas saberem do que estamos a falar, está a falar do artigo de Margarida Bentes Penedo no Observador.
Estou, porque é hoje membro da direção, cooptada por esta direção, sendo que essas coisas são ditas na sequência de uma rotina que desde o fim do congresso ataca a anterior direção, seja por causa das contas, seja por causa dos resultados, seja por causa do que seja, numa espécie de legitimação que aí aparece agora destinado para conseguir fazer tudo melhor, porque os outros fizeram tudo mal.
Diz que se sentiu ofendido e é sempre muito duro até nos debates.
A questão dos bancos da escola teve a ver apenas com essa questão específica do PS, de se dizer que decidimos nessa direção parecer-nos com o PS, precisamente porque nunca fizemos outra coisa que não fosse combater o PS e faziamo-lo quando algumas das pessoas que hoje mandam no CDS realmente ainda estavam, por razão geracional, nos bancos da escola. E é profundamente injusto, percebe? E, portanto, a reação teve que ver com isso. Note bem, eu percebo que se fale de, nem li, mas um partido, dois partidos, cinco partidos num congresso. Na verdade, não são partidos, são diferentes visões acerca de um partido. Agora, realizado um congresso, legitimada uma direção, não podem existir dois partidos como se escreve. Há um partido É um partido com pessoas que podem pensar diferente, mas há um partido. E esta trincheira, esta rotura, este muro que se cria quando o CDS está tão debilitado é tudo o que o CDS não precisa.
Quando me perguntava de ofendido é porque não é propriamente um snowflake e até é muito duro normalmente quando entra num debate. Quando diz a palavra ofendido é por isso, é por causa dessa batalha que fez contra o PS na altura e sente-se ofendido.
Não minha, é uma apreciação coletiva, note, porque o juízo é feito em relação a muitas pessoas da direção de Paulo Portas, da direção da Assunção Cristas.
Mas a sua crítica também não é coletiva no sentido que não é apenas dirigida à Margarida Bentes Pinedo, mas também à atual liderança do CDS.
Evidentemente, porque uma coisa é um artigo de opinião de uma pessoa que tem todo o direito de pensar diferente, outra coisa é o pensamento sobre o CDS e sobre quem está no CDS, sendo muitas vezes pessoas que são dos seus principais protagonistas, e refiro-me ao grupo parlamentar, desde logo, já nem falo de mim como deputado europeu, mas que fazem tudo para combater este PS, ainda hoje, uma apreciação de alguém que é membro da direção e, portanto, com a conivência pelo silêncio dessa direção. É a mesma coisa.
Mas vamos lá também, Nuno Melo, precisamos de fazer isso também aqui, a um balanço daquilo que a atual direção fez até ao momento. O balanço que faz e que traça é claramente negativo?
Não, eu esses balanços farei no congresso, note.
Mas olhando então para aquilo que estávamos a falar ainda agora, dessa questão também da experiência no combate político, dessa experiência a fazer também oposição ao Partido Socialista e até porque há quem compare o Partido Socialista de alguns anos com o atual, pergunto-lhe se Francisco Rodrigues dos Santos tem respeitado o legado também do CDS e da anterior direção e de anteriores direções, e se era preciso aqui um pulso mais firme e outro tipo de experiência para fazer o combate nos dias de hoje.
O que eu digo é que há um esforço de agregação que parte sempre de cima, do topo para a base. O que equivale a dizer que esse esforço deve partir da direção em relação a todos os outros, do grupo parlamentar, aos militantes, aos dirigentes locais. E quando o partido está numa situação visivelmente difícil, seria suposto que essa agregação acontecesse para que se contasse genuinamente com todos, não é no discurso, é genuinamente com todos, até porque muitos destes são instrumentos decisivos da luta política do CDS. A reação nestas jornadas teve que ver com uma espécie de uma defesa da honra coletiva, mas traduz um pouco aquela terceira regra de Newton, da ação e reação, que toda a força da ação determina uma reação em sentido oposto. Basicamente é isso, quer dizer, eu cheguei a um ponto em que quando não faço outra coisa que não seja combater o PS, estou cansado de ouvir juízos pejorativos em relação a uma direção interior que já não tem que ser atacada porque já lá não está, mas também porque não fez outra coisa que não fosse combater esse PS e com muita eficácia. E esta direção tem dois caminhos: ou querer realmente contar com todos.
Mas teme que com o caminho agora seguido, se vão perdendo tropas pelo caminho, mais do que aquilo que já aconteceu?
Evidente, as pessoas têm gosto em estar quando são estimadas, sentem-se pior quando são apoucadas. E por isso é que, desde logo, desfiliações não são uma coisa boa e comentários aligeirando desfiliações também não ajudam a coisa nenhuma.
Está a falar de Francisco Mendes Silva?
Estou a falar de várias pessoas, esse é um caso porventura mais mediático, mas estou a falar de várias pessoas. O partido deve fazer para que todas as pessoas queiram ficar, não para que saiam, dizendo saem uns, mas entram outros. As coisas não são assim. Agora, nós devemos estar mobilizados neste momento em duas coisas: uma, fazer oposição ao PS e outra, ter um bom resultado nas eleições autárquicas.
Deixe-me avançar agora um pouco. Ficou implícito, senão mesmo explícito, nas suas palavras, que esta direção do CDS tem muitas falhas. Qual é que é a melhor altura para um congresso eletivo para substituir esta direção? Disse há pouco que falará no congresso. É a seguir às autárquicas? Disse em fevereiro também que o CDS não aguentará mais um ano nesta litigância e, na verdade, o prazo está a acabar.
O congresso tem um prazo estatutário normal e esse prazo estatutário normal significa que deverá acontecer no início do próximo ano, a menos que a direção entenda taticamente antecipá-lo. Se o quiser antecipar, será isso mesmo. Será por uma razão tática de quem quer aproveitar o que seja.
Parece-lhe que isso está a ser cozinhado?
Não sei se está ou se não está, mas é uma possibilidade. Quem está na política, não sendo ingênuo, sabe muito bem como as coisas acontecem. Agora, eu até lá, até às eleições autárquicas, vou me concentrar essencialmente nessas eleições autárquicas, também como candidato e ajudando os candidatos que entendam que a minha presença possa ser útil. Intenciono estar em vários lugares, e eu como muita gente que hoje é mais desconsiderada no CDS, mas que tem um trajeto e as pessoas conhecem-nas e são úteis, pelo menos junto desses autarcas e desses candidatos. E esse é o meu empenho, e depois das autárquicas logo se fará.
E esse empenho pode ser também uma candidatura à liderança do CDS. Isto porque disse nestas jornadas parlamentares, e cito: "Não desistam, não deprimam, enquanto tiver de ser, eu estou cá." É um pré-anúncio de uma candidatura?
Em primeiro lugar, vou apresentar uma moção ao Congresso, isso posso lhe dizer desde já que o farei Em segundo lugar, vou empenhar nas autárquicas, como lhe disse, também como candidato. E em terceiro lugar, a decisão que tomar em relação a esse congresso não terá seguramente a ver com o resultado das eleições autárquicas, mas antes sim com o estado geral do partido, porque será impossível medir o estado geral do partido pelos resultados em eleições autárquicas, se tivermos em conta que nas mais relevantes e principais candidaturas, o CDS vai coligado com o PSD e, portanto, o músculo, o peso, a relevância do CDS não se consegue medir nessas coligações. Pode até acontecer de o PSD e o CDS perderem em todas essas coligações e aumentarem o número de autarcas, basta que os candidatos do CDS estejam no lugar razoavelmente cimeiro. Serão autarcas, mas perdendo a coligação. E portanto, as autárquicas não permitem medir o estado geral do partido e a decisão que eu tenha que tomar terá em conta esse estado geral do partido.
E não exclui chegar-se à frente, se me permite a expressão. Já percebemos que não vai depender do resultado autárquico essa decisão, mas por aquilo que tem visto, parece que o partido precisa de si, pelo menos tem havido alguns apelos precisamente dessa gente que ao longo dos últimos anos tem lutado pelo CDS e contra o PS e alguns com funções governativas no Parlamento, como esteve. Está disponível ou admite a possibilidade de levar esta moção a votos para a liderança?
Eu disse sempre que ninguém, em condições normais, exclui liminarmente ser candidato à liderança de um partido, quer dizer, ninguém em condições normais, em determinado circunstancialismo, digamos assim. E eu, da minha parte, nunca excluí e não excluo agora.
E está mais perto agora do que estava quando foi o último congresso.
Vou apresentar uma moção e depois das autárquicas, sem ter que ver com o resultado dessas autárquicas, mas com a avaliação do estado geral do partido que faça, decidirei. Até lá, todo o meu empenho estará em ajudar o CDS nessas eleições autárquicas para que o CDS tenha o melhor resultado possível e também nesse combate ao PS, porque o PS precisa muito dessa oposição. É para mim muito impressionante ver que-
Deixe-me só aqui inserir uma coisa, Nuno Melo. Se olharmos aqui para aquilo que aconteceu em 2020, na altura, acabou por retirar a moção que iria apresentar e na altura dizia que passava à qualidade de soldado raso no CDS. Isto quer dizer que neste momento está também na hora de deixar de o ser, ou seja, mantendo também esse olhar para as bases, mas assumindo aqui um papel de maior preponderância?
Enquanto eu eurodeputado, tenho sempre preponderância em representação do CDS.
Obviamente, mas enquanto eu eurodeputado há sempre uma ideia de que se está um pouco mais longe, ainda que se esteja também a lutar pelos interesses do partido e do país noutros campos, mas uma maior preponderância mais perto do território nacional.
Eu acho que as eleições autárquicas, desde logo, determinam que todos nós sejamos capazes de dar o nosso esforço em vantagem para o partido. E eu tivesse a disponibilidade e, portanto, necessariamente estarei mais ativo, como muitas outras pessoas que não estão na direção e apesar de não estarem na direção, e desde logo grande parte das que fizeram parte da direção da Assunção Cristas, Paulo Portas, estão disponíveis para ser candidatos e vão ser candidatos. E portanto, nessa parte já não serei tanto soldado, serei candidato. A expressão soldado tem que ver com a perspectiva dirigente do partido. Enquanto agente nacional, eletivo, obviamente.
No jantar de São João da Madeira e algumas das pessoas que também representa, estavam alguns líderes distritais que conhece muito bem, que são seus companheiros de batalha há muito tempo, Manuel Isaac, Álvaro Castello-Branco, o Henrique Monteiro, o Hélder Amaral, o Nuno Magalhães, o João Gonçalves Pereira também. Estas pessoas inspiram-no e dão-lhe confiança de que se um dia decidir que tem essa vontade de avançar para a liderança do CDS, tem ali um apoio de peso para essa tarefa.
O CDS só me faz sentido com todos e o CDS tem nessas pessoas quadros extraordinários, como noutros que não estavam ali, muitos também próximos desta direção e outras pessoas novas que se devem juntar ao CDS, desde que o partido tenha a capacidade de se mostrar útil e mostrando-se útil, ser apetecível do espaço político e desde logo no plano eleitoral.
E se for candidato à liderança do partido, abandona o cargo em Bruxelas, se vier a ser eleito presidente do CDS?
Eu, como disse, primeiro vou apresentar uma moção ao Congresso, em segundo lugar, vou me empenhar nas eleições autárquicas e a decisão que tomar, e que não terá que ver com as autárquicas, mas com o estado geral do partido, será tomada depois dessas autárquicas, com todas as consequências que entenda na altura deva tomar se for candidato ou não deva tomar, se não for candidato.
Deixe-nos avançar aqui um bocadinho. O principal adversário do CDS neste momento é a Iniciativa Liberal, o Chega ou o PSD? Aos seus olhos, claro.
É o PS. Aos meus olhos é o PS. Não desminuindo o CDS, tudo o que acontece à sua volta de uma reconfiguração político-partidária que trouxe novos players que concorrem por espaços do mesmo eleitorado, não necessariamente pelo mesmo eleitorado. Mas enfim, o espaço eleitoral é um mercado e esse mercado escolhe aquilo que lhe é oferecido.
Mas dentro desse mercado, desse espaço eleitoral a que se refere, qual destes três partidos é neste momento, não lhe quero chamar principal adversário, porque diz que é o PS, mas com quem é que concorre mais diretamente o CDS neste espaço à direita?
Neste momento eu tenho o PSD como aliado.
Sobram então a Iniciativa Liberal e o Chega.
Se tiver em conta que estamos coligados com o PSD em mais de metade do país, quer dizer, seria estranho decidir celebrar coligações em plenas autárquicas, e esse é o ciclo eleitoral atual, com o PSD e depois estarmos aqui a argumentar que o PSD é o adversário. Não, é neste caso o aliado, sendo que Em eleições legislativas, depende também muito daquilo que seja a estratégia aprovada nesses ciclos eleitorais.
Deixe-me só interrompê-lo, peço desculpa. Isto porque foi campanha de ruta de Paulo Rangel numa campanha eleitoral. Seria mais fácil reeditar uma nova PAF com Rangel do que com Rui Rio?
Eu participei em listas de coligação com o PSD, com o Paulo Rangel à cabeça de lista, como tendo o Paulo Rangel em listas próprias pelo PSD e eu em representação do CDS. Portanto, tenho uma experiência e outra, tenho uma relação pessoal muito boa com o Paulo Rangel, como é normal, dadas as circunstâncias, por esse trajeto que tivemos comuns enquanto candidatos, mas também por um relacionamento pessoal que entretanto fomos construindo no Parlamento Europeu e fora do Parlamento Europeu. Eu separo a política do relacionamento pessoal, mas por vezes há sobreposições que acontecem, tal qual eu tenho uma boa relação com o doutor Rui Rio de há muitos anos.
Em 2015, o PSD e CDS foram juntos e até favoreceram, em termos de mandatos de deputados, por irem juntos nessa coligação pré-eleitoral, porque em alguns distritos isso faz diferença no momento de contagem de deputados e na eleição de deputados. Isso era uma boa solução para 2023 ou pelo menos não se devia descartar já a hipótese do CDS ir coligado com o PSD numa coligação pré-eleitoral?
Isso é uma avaliação que a direção do partido no momento terá que fazer. Eu acho que dois ou três anos em política é realmente muito tempo. Num ano acontece tanta coisa. Eu não me esqueço daquele ciclo que num tempo de poucos meses nos mostrou José Manuel Durão Barroso a transitar do governo para a presidência da Comissão Europeia. Depois disso, o doutor Santana Lopes, que ninguém acharia em condições normais, naquele momento acabou por ser primeiro-ministro e o doutor José Sampaio, quando havia uma cooperação boa entre o PSD e o CDS no plano parlamentar a apoiar esse governo, dissolveu o Parlamento. Isso aconteceu no espaço de semanas ou meses e eu desde esse tempo que me habituei a nunca fazer previsões na política.
Até porque pode ser o presidente do partido na altura e depois já está aqui com problema.
Seja quem seja, sabemos lá o que vai acontecer.
É verdade. Nuno Melo, temos que avançar. Só uma coisinha muito rápido, se me der uma resposta muito rápida antes de avançarmos para o Carta ao Peixe, porque acho que Silvio Serva, que é vice-presidente do CDS, acabou de entrar também para a administração da SAD do Benfica de uma forma mais efetiva. Esta relação entre a política e o futebol faz-lhe confusão? Acho que é benfiquista assumido, mas faz-lhe confusão que exista no CDS alguém que também faz parte da direção do Benfica?
Eu optei sempre por não misturar nunca política e futebol, mas é uma opção própria, até porque não sou nenhum daqueles professores da bola que temos tantos em Portugal, pelo menos em termos de bancada, toda a gente sabe imenso de futebol, toda a gente dá muitos palpites e eu gostei de futebol, não me transfiguro por causa do futebol. Agora, eu sou amigo do Silvio Serva há muitos anos, desde os bancos da faculdade e tenho a certeza que o Silvio Serva fará bons juízos daquilo que sejam as suas circunstâncias antes e agora a partir do momento em que vai para a administração da SAD do Benfica.
Muito bem, Nuno Melo, vamos avançar aqui para a segunda fase da nossa refeição, que é o Carne ao Peixe. São quatro perguntas de escolha múltipla. Vamos ver se não fica com fome. Vamos soltar a trilha. Primeira questão: quem levaria de companhia para uma caçada? Francisco Rodrigues dos Santos ou Filipa Nahum Cureta Correia?
O Francisco Rodrigues dos Santos, porque noto bem.
A intenção é que é ao seu lado, não é à frente do cano.
Não, eu tenho estima pessoal pelo Francisco Rodrigues dos Santos. Eu acho que o Francisco Rodrigues dos Santos tem características muito boas e é uma pessoa com quem eu falo cordatamente e acho, apesar de tudo, que seria talvez como companheiro de caça, um companheiro mais leal do que Filipa Nahum Cureta Correia.
Vamos ver se daqui para a frente não ficará também como bom companheiro de uma direção liderada por si. Vamos ver como é que será também o futuro. Quem gostaria de ter tido no seu batalhão quando foi recruta na Escola Prática de Cavalaria? Mamadou Ba ou António Carlos Monteiro?
António Carlos Monteiro. Há comparações que nem sequer se fazem, são quase pejorativas. O António Carlos Monteiro é alguém que teve, a seu tempo, enquanto estudante de formação, que eu diria militar. As realidades não são comparáveis, tenho a certeza que seria um extraordinário cadete a par de mim na Escola Prática de Cavalaria. Agora que lastime ver no estado em que está em Setúbal.
E passando à próxima pergunta, com que líder do PSD gostaria de negociar uma coligação pré-eleitoral ou partilhar um governo? Rui Rio ou Paulo Rangel?
Eu diria com ambos.
E para terminar.
A relevância teria que ser dada pelo PSD necessariamente. Eu tenho um bom relacionamento pessoal com ambos.
Só para terminar este carne ao peixe. Se fosse primeiro-ministro de um governo PS/CDS, quem convidaria para ministro das Infraestruturas? Pedro Marques ou Pedro Nuno Santos?
Eu não faria parte de um governo de coligação PS/CDS.
Mas entre os dois, se por algum acaso tivesse que escolher algum, qual seria?
Entre quem?
Pedro Marques e Pedro Nuno Santos.
Pedro Marques, sem dúvida.
Também convive mais com ele em Bruxelas.
Sim, Pedro Marques é uma pessoa simpática e com quem se pode conversar muito bem.
Muito bem, vamos avançar, Nuno Melo, para a parte final, que é a sobremesa do nosso programa. E queria que me explicasse o porquê da escolha da música e já agora que explique que música é e quem é o autor.
O autor, Cazuza, que já morreu há uns anos, um autor brasileiro que A este propósito, queixa-se sobre a ideologia e o desencanto da política e achei que no contexto da nossa conversa faria talvez o seu sentido. Se calhar à política hoje em dia faz falta um bocadinho de ideologia, mas uma ideologia que se reclame com utilidade para as pessoas e, no caso, para o país.
Muito bem. Esta música começa com o verso "Meu partido é um coração partido" e também fala de algum desencanto e das ilusões que estão perdidas e dos sonhos que foram vendidos. Está certamente desencantado com o estado do partido neste momento e já se propôs disponível para ajudar a mudar esse estado. Muito obrigado pela presença, Nuno Melo.
Gostaria muito de ficar enquadrado com esta direção ou com outra, mas o enquadre lá está de cima até baixo, que nos sabe enquadrar a todos.
Muito bem, muito obrigado Nuno Melo pela sua presença. Nós cá continuamos na próxima semana e também numa alusão à Casus, o tempo não para e por isso cá estaremos daqui a precisamente uma semana.
Meu partido é um coração partido. E as ilusões estão todas perdidas. Os meus sonhos foram todos vendidos. Tão barato que eu nem acredito. Eu nem acredito. Que aquele garoto que ia mudar o mundo, mudar o mundo. Frequenta agora as festas do Ramonder. Meus heróis morreram de overdose. Meus inimigos estão no poder. Ideologia, eu quero uma pra viver. Ideologia, eu quero uma pra viver. O meu prazer agora é risco de vida. Meu sex and drugs não tem nenhum rock and roll. Eu vou pagar a conta do analista. Pra nunca mais ter que saber quem eu sou, saber quem eu sou. Pois aquele garoto que ia mudar o mundo, mudar o mundo. Agora assiste a tudo em cima do muro, em cima do muro. Meus heróis morreram de overdose. Meus inimigos estão no poder. Ideologia, eu quero uma pra viver. Ideologia, pra viver. Pois aquele garoto que ia mudar o mundo, mudar o mundo. Agora assiste a tudo em cima do muro, em cima do muro. Meus heróis morreram de overdose. Meus inimigos estão no poder. Ideologia, eu quero uma pra viver. Ideologia, eu quero uma pra viver. Ideologia, pra viver. Ideologia, eu quero uma pra viver.
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