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Olá, bem-vindos à "Vici & Suave". O meu nome é Miguel Santos Carrapatoso, sou jornalista e editor adjunto de política do Observador. Tenho ao meu lado o rosto da ala mais moderada da telefonia portuguesa, o Miguel Viterbo Dias, e as radicalmente irresistíveis Inês André Figueiredo e Mariana Lima Cunha. É esta verdadeira geringonça de afetos que me vai ajudar a explicar uma semana em que o país parou para discutir os heterónimos Marcelo Rebelo de Sousa, o autor de um misterioso parágrafo e de quem foi a ideia de convidar a PGR para Belém. Entretanto, há umas eleições internas no Partido Socialista. Pedro Nuno Santos continua a sambarcar rostos moderados do partido para tentar provar que já não é tão jovem nem tão turco, e José Luís Carneiro continua a mostrar a folha de Excel de Fernando Medina para tentar provar que António Costa vive dentro dele. Pelo meio, não resistem em trocar receitas sobre o que fazer com o inevitável André Ventura. Infelizmente, os dois candidatos não vão ter um frente a frente para brindar o país com um tão profundo debate.

Os monólogos não são próprios das democracias. Nas democracias, o que é mesmo próprio é debatermos.

Nós temos muitos espaços para debater com os nossos camaradas. Nós temos a participação em encontros de militantes onde a comunicação social está. Mais do que isso, nesta fase, no momento em que nós estamos, é dar argumentos à direita.

Derrotei o PSD, derrotei na altura o CDS, portanto não aceito lições de como se deve combater a direita.

Eles olham para uma liderança, olham para um partido, olham para um projeto, olham para uma pessoa e para ideias.

Militantes mais conhecidos, militantes menos conhecidos. Espero que isto não cause intranquilidade a ninguém, porque isto faz parte.

Essas ideias, esse partido, essa pessoa entusiasmas, dá-lhes confiança ou não.

Estamos entusiasmados? Pois claro que estamos entusiasmados. Para discutir tudo isto e muito mais, venha daí a refeição mais deliciosa da política portuguesa. Miguel Viterbo Dias, começo por ti.

Rita, onde é que andas, Rita?

Onde é que andas, Rita Tavares? Nesta edição da "Vici & Suave", eu decidi servir três sopas interrogativas. A primeira é sopa de quem? Para falar do folhetim em que se transformou toda a ida de Lucília Gago até ao Palácio de Belém, quem escreveu aquele comunicado. Enfim, o folhetim que tem animado as nossas eternas conversas. O que te apraz dizer sobre-

A pergunta é maravilhosa, Miguel

...sobre o estado a que chegamos?

Utilizando uma expressão muito interessante, sobre Lucília Gago não foi tanto a substância, foi a forma. Eu acho que temos todos a imagem da Procuradoria-Geral da República, uma coisa muito quadradona, muito fechada, não fugir um milímetro, é o mais simples possível, não dizer mais do que o essencialmente necessário. E depois, de repente, as explicações dão-se com a imagem da Polícia Judiciária atrás, rodeada por jornalistas, qual Luís Montenegro na noite eleitoral dos Açores, na Madeira. Não queria dizer atacado, mas que foi circundado por um batalhão de jornalistas, porque nós não atacamos ninguém. E acaba ali a responder a perguntas como se fosse um qualquer responsável político, sendo que é procurador-geral da República. Portanto, ainda bem que algumas explicações surgiram, mas ainda assim a forma parece não ter sido a melhor, ou pelo menos a que mais possa ter calado as críticas. Queria só dar uma nota sobre aquela ideia, não tanto de Lucília Gago, mas à volta disso sobre o Conselho de Estado, que foi o que suscitou estes últimos dias de polêmica, sobre aquela ideia peregrina do Chega de querer mostrar as atas do Conselho de Estado e que Balsemão, tal qual senador, por isso é que eu digo sempre que os senadores fazem muita falta a este país, veio dizer que aquilo é para estar fechado às sete chaves e não é para se contar a ninguém. Sendo que ele se calhar até já podia ter algumas atas que já podem ser públicas, que já está há vários anos na vida pública, mas há esta necessidade de blindar o Conselho de Estado que tem faltado ao longo das últimas semanas, talvez meses, desde aqueles saudosos Conselhos de Estado antes da pausa para o verão.

Mariana Lima Cunha, há quem sugira, e nomeadamente até gente com responsabilidades no Partido Social-Democrata, que esta confusão sobre o comunicado, sobre o parágrafo, sobre a ida de Lucília Gago até ao Palácio de Belém, sobre a troca de galhardete entre António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa, que tem estado, pelo menos oficialmente, em silêncio, tudo isto serve ao Partido Socialista para não se discutir o essencial, e o essencial é uma investigação em curso, um processo judicial que, tendo as suas fragilidades, traz alguns problemas ao Partido Socialista. António Costa e o Partido Socialista têm a ganhar enquanto o país discutir isto e não o resto?

Não sei se têm a ganhar, acredito que estejam convencidos que sim. Acho que há uma série de nebulosas à volta deste processo que são bastante inúteis.

A pergunta que eu queria fazer e que tu não podes responder é: António Costa está deliberadamente empenhado em aproveitar este caos também para limpar a sua própria imagem e o Partido Socialista também ganhará com isso?

Não tendo uma procuração de António Costa para te responder, acho que ao PS tem sido conveniente esta confusão toda. Agora, sobre aquela questão da Procuradora-Geral da República, por que foi, por que não foi a Belém, já é Para mim é uma conversa desnecessária. Já toda a gente percebeu o que aconteceu, acho eu, que é António Costa pediu para que ela fosse chamada para dar esclarecimentos, para perceber se a permanência dele no cargo interferia no processo ou não, que é uma informação que já tinha sido noticiada pelo Expresso, que nunca foi desmentida por António Costa, só desmentiu a forma, que era o facto também um bocadinho exótico de Marcelo Rebelo de Sousa ter decidido revelar isto publicamente, dizendo que o primeiro-ministro esclareceu uma coisa que de facto publicamente não tinha esclarecido nunca. Lobo Xavier ainda apareceu a dizer que o fez no Conselho de Estado, o que também não parece que entre muito para as contas, porque dado que o Conselho de Estado é um órgão com esse sigilo e cujas datas só podem ser conhecidas 30 anos depois, não parece que mude aqui nada de substantivo à volta do caso e portanto parece-me um bocadinho um não assunto neste momento. Só pode servir mesmo para distrair. Além de haver, de facto, esta série de narrativas, depois foi o Presidente da República que escreveu o tal parágrafo. Aliás, mesmo a questão de chamar Lucília Gago Belém, não me parece que António Costa tenha apontado uma arma à cabeça de Marcelo Rebelo de Sousa e o tenha obrigado a chamar. Terá sido uma decisão que tomou, mesmo que a pedido de António Costa e pela qual também é responsável, que lhe pareceu razoável e tudo bem. E depois o PS ainda ataca noutra frente, que é passando da primeira narrativa sobre esta crise, como é que se resolvia, foi dizer primeiro ao Presidente da República que estava preparado para todas as opções, que fosse uma dissolução ou não, que tinha soluções para isso, que estava pronto, para passarmos a ouvir António Costa a dizer que a crise é desnecessária, desproporcional, que até revela falta de bom senso do presidente. E aí, sim, parece-me uma tentativa do PS deliberada, a mim parece-me pouco crível, não sei, ainda temos muito pouca informação. Temos a primeira sondagem, mas com uma amostra muito pequena, que diz que os portugueses estão do lado do presidente aí, mas parece muito pouco crível que o PS tente passar o ônus desta crise da irresponsabilidade e da instabilidade para Marcelo Rebelo de Sousa, quando a crise é provocada pela demissão de António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa, parece-me que os dois pensaram bem e que fizeram o que tinham a fazer.

Aproveito para ultrapassar este não assunto, palavras tuas, para falar sobre uma não campanha e servir a segunda sopa, que é sopa para quê? Aparentemente Pedro Nuno Santos acha que não há vantagens em debater com o seu adversário durante umas eleições. Essa extravagância de debater em democracia não assiste muito a Pedro Nuno Santos. Mariana Lima Cunha, continuando em ti, que avaliação fazes desta campanha? Que ideias é que estão a sobressair, quer de um, quer de outro, e se isto não tem mostrado muito poucochinho de um Partido Socialista que está em dificuldades?

Acho que sim, acho que tem mostrado pouco. Nós ainda não temos grande discussão. Tenho esperança de que quando começarmos a debater, a ouvir falar das moções e das propostas mais em concreto, o panorama mude um bocadinho. Pedro Nuno Santos tinha partido para esta campanha com uma estratégia que era não hostilizar o adversário e, na verdade, ignorar o adversário. O ideal para ele era ter aparecido apenas como um candidato quase sozinho, que já era candidato a primeiro-ministro e, portanto, não tinha de perder tempo com o debate interno e não tinha de enfrentar o que está a enfrentar agora, que é a candidatura de José Luís Carneiro, que penso que para José Luís Carneiro será muito mais conveniente ter uma campanha que diz espada do que para Pedro Nuno Santos, e que vai provocando o adversário e que vai colando ou tentando colar-lhe esta imagem. Só esta semana penso que já disse que Pedro Nuno Santos demoniza o centro político e também que sem clausura na esquerda, que essa é a marca dele, que é tudo o que Pedro Nuno Santos não quer que se diga agora sobre ele, nem precisa. E portanto, Pedro Nuno Santos queria partir já para a campanha, já tentando desfazer-se um bocadinho destes fantasmas.

Mas tem essa coisa chata de ter que ganhar eleições internas.

Sim, e portanto, deixa-me só dizer em relação àquilo que estavas a perguntar sobre os debates, o que é que se está a debater neste momento. E acho que já entrámos na parte do debate em que o debate é de facto sobre personalidades, porque se nós ouvirmos, por exemplo, os argumentos de Francisco Assis ou de Álvaro Beleza, que são as duas, Pedro Nuno Santos disse que não lhe quer chamar bandeiras, mas enfim, eu assumo o termo aqui, as duas bandeiras moderadas do processo de moderação em curso de Pedro Nuno Santos. Os elogios que eles fazem a Pedro Nuno Santos e as razões que dão para o apoiar têm muito mais a ver com a forma, ou seja, e não estou a dizer que não é importante, atenção, para umas eleições depois para o país, mas que têm a ver com as qualidades de Pedro Nuno Santos, com o tal carisma que se fala sempre que se fala dele, da combatividade, da energia, etc. E mesmo a candidatura de José Luís Carneiro, o que lhe têm atirado são críticas também a características pessoais.

Imaturidade.

Sim, há pouco instante ele falou de razoabilidade e de prudência, um bocado por oposição, obviamente, de José Luís Carneiro, por oposição a Pedro Nuno Santos. E há aqui uma parte que é relativamente normal.

Que não deixam de ser características importantes. Importantes, agora, prudência sem mais também não faz de José Luís Carneiro um candidato.

Sim, no fundo é normal que os partidos se juntem à volta da pessoa que acham que tem mais condições para vencer, independentemente, enfim, são ambos candidatos do PS, que vá haver variações completamente estratosféricas de programa e temos já Luís Carneiro a pegar nessas tais qualidades que são pessoais para dizer que isso é um programa que no fundo a continuidade e a prudência fazem dele o grande herdeiro do Costinha.

Antes de passar à Inês André Figueiredo, Miguel Viteiro Dias, gostava de conhecer as tuas razões para votar em José Luís Carneiro. Estou a brincar. Miguel Viteiro Dias não é militante socialista.

A cara da moderação é por isso.

Deixa-me só dizer isto claramente aos nossos ouvintes, Miguel Viteiro Dias não é militante socialista, isto é só uma provocação.

Não vou votar.

Ou virão aqui primárias.

Não sei se isto é pedagogia democrática, aquilo que acabei de dizer.

Senão são primárias.

Exato. Eu acho que é estranho, conhecendo as características. Eu acho, não querendo arrogar a falar em nome do cidadão comum, vou falar em nome do cidadão comum.

Podes dizer sempre como Presidente da República, o que os portugueses sentem.

Exato, eu acho que o que os portugueses sentem é alguma estranheza em ver que é Pedro Nuno Santos que não quer debater, porque pela postura dos dois

Pedro Nuno Santos tem sempre mais essa apetência para o debate. Portanto, acho sempre curioso este papel agora em que estão os dois, de José Luís Carneiro ser o homem que está a picar aquele que queria deixar as pernas de todos a tremer, uma expressão que ele também já disse que foi infeliz na entrevista à CNN. Ou seja, Pedro Nuno Santos quer aqui optar por uma imagem de primeiro-ministro, que não quer com aquele argumento dar os argumentos à direita, mas o partido está claramente em luta aberta ainda hoje, esta manhã de sexta-feira, no segundo dia de debate do Orçamento do Estado, foi visível várias movimentações na bancada do PS, entre as várias fações. Até houve um momento curioso em que Augusto Santos Silva pediu para não estarem em minirreuniões no plenário e curiosamente uma das pessoas que não ouviu foi João Paulo Rebelo, que é um dos apoiantes de Pedro Nuno, que estava à conversa com Alexandra Leitão e por lá ficou e Augusto Santos Silva teve que fazer um segundo reparo e dizer: "Eles nem sequer me ouvem."

Não parece um pouquinho quando estamos na escola, já o terceiro período e já ninguém está concentrado no professor?

E por estar aqui dentro tem mais graça, porque estão mesmo alunos a assistir. Mas esses são os bem comportados. Mas isso para dizer que as movimentações estão a fazer-se de forma aberta até na Assembleia da República e sobretudo hoje, porque Pedro Nuno estava presente na última fila em vários estufunemos e quase naquela postura de os deputados vão ter com ele, conversam um bocadinho e saem e vão para o outro lado. E isso tem muita graça de assistir, sobretudo porque o homem que põe ordem na sala depois é apoiante de José Luís Carneiro.

Eu agora ia tentar trautear a música do Padrinho, mas não vou arriscar por causa dos meus agudos não estarem os melhores.

Mas é quase uma hino à sala do Padrinho.

Pedrinho, Padrinho. Ok.

Olha o Pedro afinal está cá.

Estamos sempre presentes. Inês André Figueiredo, uma última sopa para que possas planar todo o teu conhecimento sobre o momento atual da política portuguesa. E é a sopa para onde, ou seja, onde é que vamos parar? Ninguém sabe se ganha PS ou PSD, mas sabemos uma coisa que é quase inevitável, e vou pôr aqui o quase para não me arrepender no futuro, que é o Chega será central a partir das próximas eleições legislativas. As sondagens que existem apontam para uma eleição de 30, 40, 45 deputados, andará por volta deste número. Portanto, será decisivo quer para os equilíbrios à direita, quer para uma eventual maioria de esquerda. André Ventura é o nome na boca dos dois candidatos do Partido Socialista, é também o nome na boca de Luís Montenegro, que não se cansa de dizer com o Chega não. O que vai acontecer a André Ventura depois daquelas eleições legislativas? E como é que ele vai enfrentar essas eleições legislativas?

O que é que vai acontecer é demasiado longe para eu responder neste momento, mas realmente acho que há dois, eu diria que nessas sondagens a que te referias, há dois cenários que saltam à vista, o facto de obviamente o PSD e o PS parecerem praticamente coladas em todas as intenções de voto e obviamente o facto do Chega estar a crescer, o que, e já falámos aqui várias vezes, seria expectável, tendo em conta o que levou à demissão do primeiro-ministro e o facto de André Ventura andar sempre com a bandeira da corrupção às costas. Ainda assim, eu creio que é importante perceber a questão, primeiro, da pré-coligação, se realmente haverá uma pré-coligação à direita e se o PSD, a IL e até o CDS poderiam juntar-se para criar uma força de direita que conseguisse colmatar o Chega ou deixar o Chega de parte e mesmo assim conseguir criar um governo. Mas em causa está muito aquela tática eleitoral do método de Hondt, que poderia trazer mais deputados. Mas há aqui um ponto muito importante, que é Rui Rocha tem sido taxativo a dizer que não. Vamos ver se ainda há a hipótese de Montenegro convencer o líder da Iniciativa Liberal a juntar-se, porque isso também seria bom para a Iniciativa Liberal, em princípio, em termos de votos. Quanto ao Chega, vai ser interessante perceber, porque a IL há muito que deixou claro que não haverá Chega nas negociações, mas o PSD andou em ziguezagues e vai ser interessante perceber se aquele não é não, é assim tão taxativo. E, já agora, se realmente houver um governo, mesmo que seja minoritário, PSD, CDS, IL, seja o que for, perceber qual é a posição do Chega, até porque há uns meses André Ventura dizia que havia 1% de probabilidades de deixar passar um governo do PSD onde não houvesse pessoas do Chega. Por isso, esse 1% de probabilidades vamos ver até onde é que vão e se André Ventura vai preferir deixar cair esse governo e a seguir ver Pedro Nuno Santos ou José Luís Carneiro a apresentarem um outro governo minoritário e a deixar ou não passar.

Veremos. A nossa primeira parte tem de ficar por aqui. Voltaremos dentro de momentos com entrevista a Hugo Soares, secretário-geral do PSD. Bem-vindos à segunda parte da "Vichy Soares". Temos conosco Hugo Soares, secretário-geral do PSD e futuro ministro adjunto de um governo liderado por Luís Montenegro. Bem-vindo.

Muito obrigado. Creio que a coisa não começou bem, mas muito obrigado pelo convite.

Era uma provocação. Vamos então diretos ao assunto. Atendendo ao que aconteceu ao PS, o PSD está obrigado a vencer as próximas eleições legislativas?

Eu creio, sinceramente, que o futuro dos jovens portugueses, o futuro das famílias portuguesas, o futuro das empresas portuguesas e o prestígio e a credibilidade das instituições obrigam a que o PSD ganhe as próximas eleições legislativas. Creio, com toda a franqueza, que o estado de empobrecimento a que o país chegou, o estado de conflitualidade do governo com a Justiça, do governo com o presidente da República, do governo com os médicos, do governo com as forças de segurança, do governo com os oficiais de justiça, do governo com os professores, exigem ao PSD uma resposta para cada uma destas questões, e é nisso que nós estamos empenhados, para construir um Portugal mais unido e onde as pessoas de fato tenham as suas

Os problemas das suas vidas concretas resolvidos.

Mas o que dirá da vitalidade do Partido Social-Democrata se nem mesmo nestas circunstâncias, e apesar do diagnóstico que traçou, o PSD não conseguir derrotar o PS? Não é um mau sinal sobre a vitalidade do PSD?

O Miguel diria que era um péssimo sinal. Não há como responder de outra forma, também com muita clareza. Se o PSD não ganhar estas eleições é porque alguma coisa falhou no PSD, no nosso projeto e no nosso partido. Estas eleições são decisivas para o país, do meu ponto de vista, mas são também muito importantes para o Partido Social-Democrata. Vamos ser muito claros. Nos últimos 28 anos, o PSD passou de raspão pelo governo duas vezes. Três anos e meio com o governo de Durão Barroso e Santana Lopes e quatro anos no governo de Pedro Passos Coelho. E vamos olhar para os resultados eleitorais do PSD durante este período. Tirando a vitória eleitoral em 2011, em 2015 ganhamos em coligação, mas não governamos. Agora veja, em 2013 eleições nacionais autárquicas, uma derrota colossal do PSD. Em 2017 eleições autárquicas, uma derrota colossal do PSD. Neste período, duas eleições europeias, derrotas colossais do PSD. Já para não falar de eleições legislativas, cujos resultados foram aqueles que conhecemos. Vamos falar claro. Aconteceu um divórcio dos eleitores com o Partido Social-Democrata, que é um divórcio que leva a que a sociedade, mais das vezes em 28 anos, tenha escolhido o Partido Socialista para governar. Agora, alguma responsabilidade do PSD nisso haverá, certamente, porque há uma constatação óbvia: o Partido Socialista nunca entregou o país melhor do que o recebeu. O PSD fez sempre o contrário. O PSD deixou um país melhor do que aquele que recebeu. Mas a verdade é que neste período, três governações socialistas são equivalentes a três pântanos políticos.

Mas então como é que explica esse divórcio? O que é que aconteceu?

Alguma coisa tem que acontecer, o PSD não só responder.

Mas não identificaram essas falhas?

É evidente que tanto achamos que identificamos, como estamos convencidos que vamos ganhar as eleições legislativas. Por quê? Porque o PSD terá descolado um pouquinho daquilo que são as reais preocupações das pessoas. Aparentemente, as pessoas olhavam para o PSD apenas como um partido necessário para governar em tempos de crise e arrumar a casa. E o PSD tem que ser muito mais do que isso, e o PSD é muito mais que isso. É um partido de ambição, é um partido que tem que olhar para os jovens, para a classe média, para os nossos pensionistas. Não é por acaso que nós, do ponto de vista daquilo que são as nossas prioridades políticas, colocamos, por exemplo, a educação no nosso centro, os jovens portugueses no nosso centro, os idosos no nosso centro. Porque hoje, de facto, as pessoas vivem com dificuldades, algumas delas dificuldades escondidas, outras que estão aí, estão à vista. É o acesso à habitação. Nós sabemos que cada vez hoje não é só a dificuldade de pagar a renda da casa ou o crédito de habitação, é mesmo de ter uma casa. Nós que circulamos em Lisboa ou no resto do país, vemos a quantidade de pessoas que começam a viver cada vez mais nas ruas.

Hugo Soares, mas apesar dessa renovada estratégia do Partido Social-Democrata, o que se tem verificado desde o dia 7 de novembro, e vamos só focar-nos nesse pós-7 de novembro, portanto, a partir da demissão de António Costa, as sondagens não indicam uma viragem de jogo. Antes, penalizam PS e PSD, mas a maioria dos estudos de opinião que entretanto foram divulgados, apontam até o PS à frente do PSD. O que está a falhar?

Olhe, uma resposta rápida é as sondagens.

Mas as sondagens contam narrativas e criam narrativas.

O Miguel, e creio que os nossos ouvintes habituaram-se a ter um Hugo Soares demasiado claro e demasiado direto. E vou voltar a ser, se é que há demasiada clareza ou demasiada assertividade nestas coisas. 2011. A maior parte dos estudos de opinião davam o engenheiro Sócrates a ganhar ao doutor Pedro Passos Coelho. É factual o que eu estou a dizer, creio que até pelos risos das vossas caras, os nossos ouvintes não estão a ver, mas estão a concordar comigo. O doutor Pedro Passos Coelho ganhou as eleições. A mais expressiva, se calhar, é aquelas sondagens das eleições autárquicas em Lisboa, onde o engenheiro Carlos Moedas estava no bolso do doutor Fernando Medina e o doutor Fernando Medina ganhava por 15, 16, 17, 18%. Ganhou o engenheiro Carlos Moedas. Agora mais recente, nas últimas eleições legislativas, o Partido Social-Democrata chegou a estar à frente em véspera da eleição nos estudos de opinião e perdemos com maioria absoluta do Partido Socialista, com todo o respeito, todo mesmo, pelos centros de estudo e por quem fazem sondagens em Portugal. Elas, de facto, têm se enganado, muito. Nós na última semana, nos últimos 10 dias, tivemos, por exemplo, uma sondagem que dava o PSD cinco pontos à frente, uma sondagem que dava o PS à frente e outra agora que dá praticamente empatados. Em sete dias. Quer dizer, a volatilidade da fotografia instantânea que é uma sondagem tem sido uma coisa inacreditável. Diz-me assim: o Hugo gostava que o PSD estivesse hoje a disparar nas sondagens? Se isso fosse materializado em votos, sim. Mas eu acho que isto merece uma reflexão maior, sinceramente, de todos os protagonistas políticos e inclusive do povo português. Porque eu tenho para mim que estes resultados das sondagens também induzem o voto do eleitor. Ou puxam mais pelo voto útil, ou levam aqueles a quererem estar mais na moda em votar em quem aparentemente vai à frente. E nós temos que ter aqui alguma cautela e alguma reflexão sobre como isto é feito hoje em dia.

Vamos avançar então para coisas que dependem única e exclusivamente do PSD e da direção do PSD.

Muito bem.

A hipótese de uma coligação pré-eleitoral com IL e/ou com o CDS está completamente afastada?

Os assuntos que dizem respeito a coligações pré-eleitorais são discutidos nos órgãos próprios do partido. O partido ainda não reuniu para tomar nenhuma decisão. Pode me fazer a pergunta dez formas diferentes, que eu não vou sair desta resposta, porque ela é a verdadeira e a factual.

Posso fazer a pergunta de forma mais fácil: qual é a sua posição sobre isso?

Imagina que está a entrevistar o secretário-geral do partido, e o secretário-geral do partido não tem opinião pessoal, tem uma opinião política, que é transmita nos órgãos próprios, como é evidente. E portanto, a seu tempo, o país saberá qual é a decisão do partido sobre isso. Sendo certo, há uma coisa que é pública: eu não sei se o PSD se decidisse de forma diferente, hoje é público que a Iniciativa Liberal, desde a primeira hora, diz que vai sozinha a votos. Portanto, isso parece-me uma questão que está esclarecida pelos próprios. Tudo o resto, o partido decidirá a seu tempo.

Mas que mensagem política passaria haver essa coligação entre PSD, IL e CDS?

Como eu não tenho nenhuma decisão política tomada sobre essa matéria, tudo que eu disser extrapolaria para o Hugo Soares quer mais ou menos a coligação. Não me leva a mal, foi uma forma de rodipiar bem a pergunta, mas eu não lhe vou responder a isso.

Então deixe-me só fazer aqui outra tentativa. Existe uma hipótese acadêmica que poderá ser ou não colocada em cima da mesa. Coligações pré-eleitorais só em determinados ciclos mais pequenos, onde os votos dos partidos de franjas são muitas vezes deitados ao lixo. Essa solução seria útil para o PSD?

Eu mais uma vez posso remeter pra resposta anterior. Decidiremos isso a seu tempo. Devo dizer que essa, sinceramente, é a primeira vez que eu estou a ouvir isso. Essa parece-me uma solução um bocadinho mais estranha, esquisita, como o povo português perceberia que em alguns círculos houvesse coligações, noutros não. Acho isso um bocado estranho, mas não quero fazer nenhum comentário sobre isso, sinceramente. Deixe-me dizer: nós, na política, nós agentes políticos, os senhores jornalistas, perdemos tanto tempo a falar daquilo que não interessa às pessoas. Acham que há alguém no país que está hoje preocupado se o PSD vai sozinho ou vai em coligação?

O PSD só pode aplicar medidas e programas se ganhar as eleições e tiver condições de governabilidade.

É isso. Mas o que as pessoas querem saber é o que o PSD acha sobre os problemas concretos da vida delas. Nós, de facto, estamos à margem. Depois, queixamo-nos todos, já agora, que os populismos crescem, que os extremismos crescem. Claro. Quando nos partidos moderados as perguntas que mais são colocadas, e eu respeito muito o vosso trabalho e percebo esse interesse, são sempre questões que dizem respeito mais à bolha política do que à vida das pessoas. Vamos falar dos problemas reais das pessoas. Vamos falar da saúde, vamos falar da educação, vamos falar dos baixíssimos salários dos jovens e da classe média portuguesa. Vamos perguntar por que nós não conseguimos.

Se não houver uma situação de governabilidade estável, não conseguirá colocar em prática o seu programa eleitoral.

Claro. E eu respondi-lhe a isso. Por isso é que o PSD vai à eleições pra procurar uma grande solução de governabilidade, que é ganhar e ganhar bem estas eleições, pra ter a confiança dos portugueses. Como é que eu tenho a confiança dos portugueses? É dizer-lhes se eu vou em coligação ou não, ou é apresentando-lhes as melhores soluções para os problemas deles.

Deixe-me ir então às questões de governabilidade, porque Pedro Nuno Santos, que ao que tudo indica, será o adversário do PSD nestas eleições, tem utilizado a solução que existe nos Açores pra acusar Luís Montenegro de estar a preparar algo semelhante na Assembleia da República. Se estivesse na direção do partido em 2020, teria concordado com aquela solução?

Muito bem. Disse: "Vamos então às situações que resolvem a vida das pessoas" e não fomos. Fomos outra vez à bolha e às questões de coligação. Vou lhe responder. Em primeiro lugar, estamos todos a partir do pressuposto que o Pedro das nacionalizações socialistas, o Pedro Nuno Santos, já ganhou as eleições internas. Eu não sei se é assim. Não faço ideia, porque eu não conheço o Partido Socialista a esse nível. Respondo-lhe de forma muito linear. Os partidos regionais têm, nos termos dos estatutos, total autonomia pra tomar essa decisão de coligações.

Mas aproveito, essa solução seria boa?

Devo lhe dizer que aquilo que resulta hoje, sabemos que estamos perante uma crise política nos Açores. Mas sobre essa matéria, até para não criar nenhum ruído à volta do problema que está a ser colocado nos Açores, por causa da vida das pessoas, que é o que me importa, e para não poderem extrapolar para fazer um edit a dizer: o Hugo Soares discordava ou concordava com a coisa, nós já fomos muito claros com isso, vocês sabem. O único candidato a primeiro-ministro deste país que recusa governar em acordos pré ou pós-eleitorais com partidos extremistas chama-se Luís Montenegro. Eu vou repetir: é o único candidato a primeiro-ministro neste país que recusa governar com movimentos extremistas, sejam eles à esquerda, sejam eles à direita.

E acreditando nessa intransigência de que não dialogará com o Chega, o país não corre o risco de entrar em miniciclos governativos que podem criar instabilidade política?

Espero bem que não, porque se o PSD ganhar as eleições, eu estou absolutamente convencido que ainda que viéssemos a ganhar com governo minoritário, por exemplo, sem maioria parlamentar absoluta, a qualidade das nossas políticas e das nossas propostas ia levar a que pudéssemos conduzir o país. Agora veja, também te quero dizer com toda a frontalidade, eu não tenho nada contra os eleitores do Chega. Conheço muita gente que votou Chega nas últimas eleições. Gente como eu e como vocês.

Provavelmente querá conquistar muitos deles.

Quero mesmo. E era pra eles que eu queria falar, porque esses eleitores que votaram no Chega, votam por alguma razão, uma razão de descontentamento com o que está a acontecer. Nós falamos muito que o PSD não tem-- a bolha midiática de que o PSD não apresentou propostas, podemos discorrer aqui sobre elas, vocês são jornalistas, conhecem-nas bem, mas criou-se essa narrativa. Vocês conhecem uma proposta do Chega? Uma proposta do Chega que vise resolver o problema das pessoas em casa, que nos estão a ouvir. E eu quero falar pros eleitores do Chega, eles têm que fazer uma escolha mesmo. Se querem um primeiro-ministro moderado, determinado, corajoso Que resolva a vida das pessoas ou se querem o protesto. E eu quero mesmo apelar ao voto. Nós estamos em pré-campanha eleitoral, eu não tenho problema disso. O voto agora é o meu objetivo, é a confiança do eleitor pra poder mudar a vida das pessoas, como dizia aqui bem, eu preciso dos votos. O PSD precisa dos votos. E, portanto, eu quero mesmo dizer aos eleitores do Chega: têm aqui uma opção. E a opção é, de fato, votar no projeto liderado pelo doutor Luís Montenegro.

Deixe-me falar mais um cenário de governabilidade. Se o PS ganhar, mas imaginando que há uma maioria de deputados à direita, ou seja, um cenário com uma geringonça. Luís Montenegro já disse que não governaria se perdesse eleições. Não se precipitou.

Nas questões de caráter e de definição política e de clareza, não há precipitações. Há coerência. Como sabem, eu conheço bem o presidente do partido, trabalho com ele há alguns anos. O doutor Luís Montenegro é isso mesmo, é absolutamente claro e é absolutamente focado e determinado. Veja, o doutor Luís Montenegro, em 2015, insurgiu-se contra aquilo que aconteceu no país. Foi lá a liga dos últimos, juntaram-se pra poder governar em geringonça. Num governo que, ao contrário do que se diz aí, é um governo de muita má memória pra Portugal. Agora quer se branquear aquilo que foi o governo da geringonça, eu acho uma piada tremenda. Foi dos piores governos que Portugal teve.

Foi o governo mais estável de António Costa, pelo menos.

Mas a estabilidade política é um bem em si mesmo pra resolver o problema das pessoas? Porque repare, nós estamos a pagar todos os erros da nacionalização da TAP, quem é que a determinou?

Mas nesse caso o Luís Montenegro deve perder esse- Sim

...o complexo ideológico que levou ao fim das PPPs nos hospitais e que agora motiva o aumento do prazo para consultas, para cirurgias, o número de pessoas sem médicos, de portugueses sem médicos de família, que aumentou exponencialmente. O governo da geringonça foi um péssimo governo, foi um horrível governo. E agora vou responder: não, não se precipitou. Quem em 2015 defendeu que governa quem ganha eleições, não pode dizer em 2023 o contrário. É isso que os portugueses devem avaliar também. É, de fato, o caráter e a consistência das propostas. O que levou a esta degradação, esta, deixe-me usar a palavra, eu sei que é um bocado mais feia, mas esta podridão do regime a que nós chegamos agora, deste desprestígio das instituições, é isso mesmo, é os políticos sem caráter e sem verdade.

Portanto se-

Que mudam de convicções consoante lhes dá jeito.

Podemos deixar aqui claro que Luís Montenegro, em nenhum caso, se tiver uma maioria direta que lhe permita governar, mas não tiver ganho as eleições, não aproveita.

Ele já disse isso claro, mesmo que o presidente da República o convide a formar governo. Quando o doutor Luís Montenegro diz: "Eu só governo se ganhar as eleições", ele só governa se tiver mais votos do que o Partido Socialista.

Muito bem, Hugo Soares. Soubemos hoje mesmo, é uma notícia d'O Observador, que o governo não vai avançar com a regulamentação da eutanásia, alegando falta de tempo. Foi uma questão na altura e foi uma questão já desta liderança do Luís Montenegro.

Só fazer um aparte. É muito curioso, porque um governo tem tempo pra fazer tantas nomeações como está a fazer, que é um regabofe de nomeações. Um governo que tem tempo pra fingir que está tudo bem, que está tudo normal, escudar-se agora na falta de tempo pra regulamentar, tá tudo certo, mas, de fato, não queria deixar de anotar a curiosidade.

É um fato que o prazo já tinha sido bastante ultrapassado, o prazo que existe para a regulamentação da eutanásia. Mas, dito isto, se o PSD vencer as eleições e formar governo, vai fazer o quê em relação à eutanásia?

O PSD vai deixar esse ponto claro no seu programa eleitoral, não tenho dúvida sobre isso, e vai ponderar o que irá fazer. Estamos a ser confrontados hoje com essa notícia. Sabemos também que há uma decisão ainda do Tribunal Constitucional pra ser proferida. Não saberemos se ela será proferida ou não até março. São quatro meses até às eleições. Muita coisa pode passar debaixo da ponte, mas o PSD não deixará de dizer aos portugueses com muita clareza o que fará sobre essa matéria.

Mas mantém a ideia de referendo?

O PSD não deixará de dizer aos portugueses com muita clareza o que fará sobre essa matéria. Como disse, fui agora apanhado quando vinha para os vossos estúdios com essa notícia e, portanto, nem sequer tive ocasião de trocar impressões sobre isso com o presidente do partido, nem a Comissão Política Nacional.

Muito bem, Hugo Soares, vamos avançar para o nosso segundo segmento, o bloco Carne ou Peixe. Só pode escolher uma de duas opções, portanto, venha daí a trilha. Preferia fazer uma campanha presidencial por esse país fora ao lado de Pedro Passos Coelho ou Luís Marques Mendes?

Essa é uma pergunta difícil, porque eu sou amigo dos dois e tenho pelos dois uma grande estima e uma grande consideração. Vamos perguntar aos dois qual é que quer ser e depois eu respondo.

Talvez esta seja mais fácil: quem é que levava ao Estádio do Dragão, José Luís Carneiro ou Pedro Nuno Santos?

Eu creio que o José Luís Carneiro é portista, portanto, levaria o Pedro Nuno Santos, que era pra ver se o doutrinava, mas ele não é fácil de doutrinar.

A quem é que ofereceria um voo Lisboa-Bruxelas, a José Pedro Aguiar Branco ou a Miguel Poiares Maduro?

Creio que o doutor Miguel Poiares Maduro vive mais perto e, portanto, pra ser uma experiência diferente, ao Zé Pedro Aguiar Branco.

Se calhar vai ter mesmo de oferecer esse voo a José Pedro Aguiar Branco.

Por quê?

Porque pode ser cabeça de lista às europeias.

O doutor José Pedro Aguiar Branco, de quem sou amigo, pode ser muita coisa. Agora, se da minha resposta querem induzir alguma coisa que tenha mais do que a brincadeira em si, estão rigorosamente a extrapolar, mas rigorosamente.

A quem é que oferecia uns tênis caríssimos iguais aos que levou ao Pontal? André Ventura ou Mariana Mortágua?

Ah, eu acho que a Mariana usa muitas vezes tênis, oferecia ao André. Aliás, eu acho que o André precisa de correr um bocadinho pra espairecer a cabeça, portanto, oferecia ao André.

Muito bem, Hugo Soares, como é hábito no nosso programa, o convidado tem direito a escolher uma música, uma sobremesa. Que música é que nos traz e por quê?

Olhe, eu normalmente nestas ocasiões escolho sempre músicas que impactam na minha vida pessoal e normalmente escolho sempre uma Música que canto ainda hoje aos meus filhos e que é uma música que eu gosto muito, que é a "Canção de Embalar" de Zeca Afonso. Mas hoje, por causa da circunstância política, eu escolhi mesmo uma música de Pedro Abrunhosa, também alguém suspeito de ser um direitista. Vamos fazer o que ainda não foi feito. O país precisa mesmo, e amanhã é tarde demais, como diz a música, de fazer o que ainda não foi feito pela vida das pessoas.

Hugo Soares, muito obrigado por ter vindo à nossa Vixi Soares. Foi um gosto tê-lo cá. Os nossos ouvintes já sabem, voltamos sempre à mesma hora à sexta-feira e podem ouvir-nos também nas plataformas habituais. Até lá.

Sei que me vês quando os teus olhos me ignoram. Quando por dentro eu sei que choram. Sabes de mim. Eu sou aquele que se esconde. Sabe de ti sem saber onde. Vamos fazer o que ainda não foi feito. Trago-te em mim. Mesmo que chova no verão. Queres dizer sim, mas dizes não. Vamos fazer o que ainda não foi feito. E eu sou mais do que te invento. Tu és um mundo com mundos por dentro. E temos tanto pra contar. Vem nesta noite. Fomos tão longe a vida toda. Somos um beijo que demora. Porque amanhã é sempre tarde demais. Eu sei que dói. Sei como foi andares tão só por essa rua. As vozes que te chamam e tu na tua. Este teu corpo é o teu porto, é o teu jeito. Vamos fazer o que ainda não foi feito. Sabes quem sou, para onde vou. A vida é curva, não uma linha. As portas que se fecham e eu na minha. A tua sombra é o lugar onde me deito. Vamos fazer o que ainda não foi feito. E eu sou mais do que te invento. Tu és um mundo com mundos por dentro. E temos tanto pra contar. Vem nesta noite. Fomos tão longe a vida toda. Somos um beijo que demora. Porque amanhã é sempre tarde demais. Tens uma estrada. Tenho uma mão cheia de nada. Somos um todo imperfeito. Tu és inteira e eu desfeito. Vamos fazer o que ainda não foi feito. E eu sou mais do que te invento. Tu és um mundo com mundos por dentro. E temos tanto pra contar. Vem nesta noite. Fomos tão longe a vida toda. Somos um beijo que demora. Porque amanhã é sempre tarde demais. Vem nesta noite. Fomos tão longe a vida toda. Somos um beijo que demora. Porque amanhã é sempre tarde demais. Porque amanhã é sempre tarde demais. Porque amanhã é sempre tarde demais. Porque amanhã é sempre tarde demais.