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Energia Renovável

Ser cliente e ao mesmo tempo investir na energia renovável

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A proposta da cooperativa Coopérnico no mercado elétrico é assegurar uma oferta verde aos clientes, mas também dar a oportunidade para investir na energia renovável.

A produção da Coopérnico está focada no fotovoltaico

PAULO CUNHA/LUSA

É um defensor convicto das energias renováveis? Há uma solução no mercado liberalizado que permite ser cliente e investidor em produção renovável.

A Coopérnico é uma cooperativa que começou na miniprodução de energia renovável do modo fotovoltaico. Os associados subscrevem três quotas de 20 euros (num total de 60) euros e ficam vinculados a uma entidade que promove a produção e a venda à rede de eletricidade verde. Os associados podem ainda investir nos projetos de geração explorados por esta cooperativa e receber uma remuneração pelo seu investimento.

O desafio deste projeto é agora de dar o salto para a comercialização de eletricidade de origem verde. A oferta está disponível desde o dia 22 de junho e, segundo o presidente da Coopérnico, Nuno Brito Jorge, garante preços competitivos, que estão atualmente entre os mais baixos apenas para o fornecimento de eletricidade. Os preços são disponibilizados em euros por kilowatt/hora, e não por desconto à tarifa, e há opções bi-horária e tri-horária. O objetivo é manter as atuais ofertas até final do ano, mas dependerá da revisão trimestral de tarifas feita pelo regulador, admite o responsável. Para poder aceder à oferta é necessário ser-se cooperante.

O principal fator de diferenciação não é tanto o preço, mas o compromisso com a sustentabilidade. Mas como é possível garantir aos clientes que estão efetivamente a comprar a consumir eletricidade produzida por via renovável?

Isso é impossível de assegurar de forma literal, uma vez que a energia quando entra na rede é toda igual, deixando de ser relevante a sua origem. No entanto, a Coopérnico assume o compromisso com uma postura sustentável junto dos seus clientes, que pode ser concretizado através de várias formas: Por um lado, há o objetivo produzir e vender mais energia do que a consumida pelos seus clientes. E quando isso não for possível, a entidade compromete-se a comprar certificados verdes emitidos por empresas renováveis.

Segundo Nuno Brito Jorge, a Coopérnico conta com cerca de 200 associados e pretende chegar a 450 até ao final do ano. A cooperativa explora um parque com capacidade para 227 kw (kilowatts) de geração fotovoltaica, num investimento superior a 300 mil euros, em Mangualde, Palmela, Lisboa e Tavira. Nos planos está a expansão para as micro-hídricas e ambição de chegar ao norte do país. A energia produzida por estas instalações é vendida à rede e tem uma tarifa superior à do mercado, ao abrigo da produção em regime especial (PRE).

A cooperativa é uma das 56 entidades reconhecidas pela Direção-Geral de Energia como podendo comercializar eletricidade, mas não é ainda uma comercializadora registada no site da ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) onde estão todas as empresas que tem disponível neste momento uma oferta para o mercado, neste caso doméstico.

Nuno Brito Jorge explicou ao Observador que a cooperativa não preenche todos os requisitos exigidos a uma comercializadora, nomeadamente a nível financeiro, tendo por isso feito uma associação com uma empresa de serviços energéticos, a Enforcesco, que opera no mercado liberalizado com a marca Ylce (Yes Low Cost Energy).  A Ylce é uma das 11 comercializadoras que está ativa no mercado doméstico de eletricidade, segundo a ERSE.

Segundo a ERSE, o mercado liberalizado tinha 3,9 milhões de clientes em março, o que representava 69% da totalidade dos consumidores domésticos.

Corrigido às 14.00 de dia 24 com indicação de que para se aceder à oferta de eletricidade da Coopérnico é preciso aderir à cooperativa.

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